Nesta secção apresentam-se os principais problemas relacionados com a descarga de material e transferência de material não-volumoso (MNV), material transportado através do milk-run (MR), desde o cais até aos postos de conferência e verificação de material – as Mesas de Conferência (MC).
4.4.1.1 Desnivelamento na quantidade de material recebida e processada
A quantidade recebida de material MNV é a igual à quantidade de material processada e conferida nas MC (ponto de paragem 6), sendo esta quantidade, em termos volúmicos, diretamente proporcional à quantidade transportada e manuseada pelo colaborador do MR da receção que transporta o material até à sua zona de put-away. Assim sendo, a quantidade de volumes recebida na área de receção influencia diretamente a ocupação do PT do MR.
Após uma análise feita aos recebimentos da quantidade de volumes recebidos para um período de seis meses (Outubro de 2014 a Março de 2015) verificou-se uma discrepância na quantidade recebida
da Quantidade Recebida). A análise relativa à quantidade recebida num mês teve como base o último mês do período, Março de 2015 e na Figura 47 apresenta-se a quantidade total de material recebido para cada hora ao longo de um dia de trabalho.
Figura 47 - Quantidade de material recebido para o mês de Março, para cada hora do dia
O gráfico da Figura 47 mostra que existem picos e variações na quantidade de material a receber ao longo de um dia de trabalho, salientando o “pico” acentuado das 09:00 horas às 10:00 horas da manhã, que apresenta 57% de crescimento em relação ao período das 08:00 às 09:00 horas.
Deste modo, o desnivelamento na quantidade de volumes rececionados na Bosch em Braga ao longo dos dias (e ao longo de um dia de trabalho) potencia a variabilidade nas atividades das MC e na atividade do MR. A empresa apresenta nivelada a chegada do nº de transportes a efetuar ao longo de um dia na área de receção.
4.4.1.2 Não aproveitamento da capacidade volumétrica do MR
No seguimento do desnivelamento na quantidade recebida e processada na área de receção foi feito um estudo da capacidade volumétrica utilizada pelo MR diariamente, tendo como base os dados registados na transação LB12 do sistema SAP (Anexo VI – Análise da Ocupação Volumétrica do MR) que regista a quantidade caixas processadas na receção e enviadas para cada um dos destinos implícitos na rota do MR.
O cálculo da ocupação volumétrica teve como base o conceito de “caixas equivalentes” (ver definição do conceito no Anexo VI – Análise da Ocupação Volumétrica do MR), os indicadores calculados relativamente ao tempo e capacidades disponíveis, presentes na página 131, bem como o nº de caixas transferidas para cada destino implícito na rota do MR no ano de 2014. Na Figura 48 é possível ver a
evolução em termos percentuais ao longo do último ano da taxa média de ocupação volumétrica diária, para cada mês e turno, sendo a média de ocupação de 37% e de 36% para o turno 1 e 2, respetivamente.
Figura 48 - Taxa média de ocupação volumétrica diária
O “vale” no mês de Agosto é explicado pela quebra de encomendas devido ao período de férias, em Setembro atingiu-se o valor máximo de ocupação, explicado pelo aumento do número de peças recebidas no período pós-férias. A Tabela 32 e a Tabela 33 do Anexo VI – Análise da Ocupação Volumétrica do MR apresentam a taxa de ocupação volumétrica mínima e máxima diária para cada mês, registando o dia de semana em que estas se verificam. Conclui-se que o MR tem um maior aproveitamento da sua capacidade disponível às quintas-feiras no primeiro turno, e às terças e quartas- feiras no segundo turno, e a ocupação mínima dá-se às segundas e sextas-feiras, explicado pela redução de entrega de materiais nesses dias. Em proporção, a taxa média de ocupação volumétrica do MR tem uma maior concentração entre os 20 a 40%, como é possível observar na Figura 49.
Figura 49 - Histograma representativo das classes de ocupação volumétrica do milk-run
Este problema pode também ser enquadrado na secção 4.4.4, uma vez que está diretamente ligado com o posto de trabalho do milk-run e com o processo de transporte de materiais com origem na área de receção.
4.4.1.3 Dificuldade na normalização do material recebido
De acordo com estudos anteriores o tempo de conferência médio para uma caixa, em cada um dos postos é de cerca de 270 segundos (Bosch, 2015b), contudo existem materiais com etiqueta MAT- Label que têm uma duração de processamento de cerca de 70 segundos. Embora esta tarefa se encontre normalizada é ainda um processo manual que depende da destreza de cada colaborador e da diferença de tamanho e tipo de material, e só em Janeiro de 2015 foram recebidas (e processadas nas MC) cerca de 4000 peças diferentes. Na figura seguinte encontra-se um exemplo de uma peça elétrica (SMD/STL) com MAT-Label já colocada.
Figura 50 - MAT-Label numa peça elétrica (bobine)
Assim, a cadência, ou ritmo de processamento nas MC, influencia toda a atividade do MR, causando irregularidades e variações no número de caixas a serem transportadas. Esta variável aliada à tipologia do material e ao desnivelamento da quantidade recebida dificultam o processo de normalização e transporte do material MNV desde a receção até á sua área de put-away através do MR.
4.4.1.4 Dificuldade no transporte de material através das rampas de roletes de material NV
O material MNV descarregado no cais 3 é colocado nas rampas de roletes NV como já referido. Contudo estas “travam” sendo necessário por isso o auxílio dos colaboradores para empurrarem e acompanharem as paletes até o material ficar próximo dos PT’s das MC. Na Figura 51 é possível observar as paletes “travadas” nas rampas e a serem empurradas por um colaborador.
Ainda no cais 3, em conjunto dos colaboradores, detetou-se que a mesa de apoio logístico à descarga para colocação de documentos, como notas de urgência ou faturas, não tem espaço suficiente para a quantidade de documentos recebidos, de modo a manter o espaço de trabalho organizado.