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Gjeldende reguleringsplaner og reguleringsplaner under arbeid

O caminho trilhado pelos investigados até tornarem-se professores no ensino superior em Ciências Contábeis só pode ser compreendido de modo mais completo se forem considerados aspectos da trajetória profissional não docente deles. E um desses aspectos tem relação com a questão de como tomaram contato com a profissão contábil e ingressaram nela. A Tabela 7 apresenta sinteticamente os motivos que os levaram inicialmente a optar pela formação em Ciências Contábeis e ingressar na contabilidade como atividade profissional.

Tabela 7: motivos da opção pela formação em contabilidade e pela profissão.

MOTIVOS FREQUÊNCIA

Acaso/Opção de vestibular 5

Trabalhava em atividades ligadas à contabilidade 4 Ter o curso superior próximo/na cidade de residência 4

Ter cursado 2º grau técnico em contabilidade 4

Influência do ambiente familiar 4

Ter idependência financeira | forma de sustento pessoal/familiar 2 Profissão com boas perspectivas de trabalho e emprego 2 Fonte: dados da pesquisa.

Como primeiro ponto a considerar sobre os dados da tabela 7 é que, à exceção de um professor, todos os demais tiveram mais de uma motivação ao optarem pela formação de nível superior em contabilidade. De modo geral, não foi um motivo, mas a conjugação de dois ou mais que os fizeram decidir pela contabilidade enquanto formação universitária e, por conseguinte, profissão. Um dos motivos mencionados chama a atenção. E é sobre o acaso, ou seja, cinco dos investigados compreendem que a casualidade é o principal motivo de suas

opções pela contabilidade (formação de nível superior e exercício profissional). Todavia, esse acaso não se mostrou tão eventual ou incidental assim, contradizendo parcialmente essa a percepção externalizada por eles.

P10, por exemplo, ao explicar sobre os motivos de ter escolhido estudar contabilidade e seguir na profissão, demonstrou ter tomado decisões racionais sobre o curso profissional assumido em sua carreira sem, todavia, dar evidências de que tinha clareza e consciência a esse respeito. Atribui suas escolhas ao que denomina de “sucessão de encontros positivos” ao longo do trajeto que percorreu, isto é, compreende que foi “a vida” quem pôs em seu caminho os pontos do trajeto percorrido por ele.

A trajetória acadêmico-profissional de P10 dá conta de que o início foi prematuro, onde o “gosto” pela contabilidade surgiu a partir do contato que teve durante curso na área comercial. A primeira decisão de sua trajetória acadêmico-profissional foi quando da transição da infância para a adolescência. De família humilde, quando estava com 12 anos de idade se viu frente aos pais que o colocaram na situação de ter que começar a definir um caminho profissional. Nas palavras de P10:

Eu acho que o que foi decisivo mesmo foi a conversa que eu tive com os meus pais quando eu tinha uns 12 anos. Eles falaram ‘olha acho que você tem que fazer... começar dar um rumo pra sua vida, começar a trabalhar que não vamos ter condições de te sustentar, a gente precisa da tua ajuda também. E pra isso a gente precisa te qualificar. E pra onde você vai? Você vai pra uma área mais manual ou pra uma área mais pensante? Uma área mais pesada ou mais leve? Área de indústria ou comercio e serviços?’ Família sempre humilde, então já sabia que tinha que trabalhar cedo. E como o meu pai tinha feito o curso lá no SESI, de mecânico, quando ele era mais jovem, ele falou ‘tem essa opção de mecânico, tive amigos que fizeram, são mecânicos até hoje, e você também tem a opção de tentar na área do comércio’ que era no SENAC. Eu falei ‘eu quero fazer no SENAC’. Eu me identifiquei com isso. E aí tinha contabilidade e gostei da matéria. Começou assim. (P10)

Ao ingressar no segundo grau, por conta de ter tido contato assertivo com contabilidade no curso comercial precedente e por afirmar sempre ter gostado de números na escola, descreve que o caminho “natural” foi ingressar no curso técnico de contabilidade. Por conta do curso técnico e no decurso dele, conseguiu vaga de estágio (única empresa que trabalhou em toda sua carreira profissional contábil), onde de office-boy chegou à subgerência de controladoria. E, ainda assim, quando questionado sobre o porquê de ter dado continuidade aos estudos em contabilidade na universidade, mais uma vez atribuí à vida o fato de ter tomado tal decisão. Afirma que tinha vontade fazer dois outros cursos: medicina ou geografia. Medicina estava fora de alcance do ponto de vista financeiro. E geografia acabou por não tentar porque entendeu ser

melhor primeiro buscar formação dentro do campo de trabalho no qual já estava envolvido na empresa em que trabalhava: a contabilidade.

Outro professor que atribui ao acaso sua escolha pela formação e profissão contábil, mas que do mesmo modo dá evidências dessa mesma contradição ao longo de suas declarações é P8 que também já vinha de experiências profissionais em contabilidade desde o período de seus estudos no curso técnico contábil. Nesse sentido, e da mesma forma com que ocorreu com o relato de P10, sua escolha em seguir com a graduação em contabilidade não ocorreu de forma eventual ou ocasional conforme menciona. O professor expõe assim sobre sua escolha:

Na verdade, olha por incrível que pareça, surgiu por acaso. É... como uma opção de vestibular. Você entendeu? Quando eu fui fazer vestibular eu falei assim, ‘o que que eu vou fazer? Ah eu vou fazer contábeis.’ [...] Eu já tinha feito o 2º grau em auxiliar de contabilidade na época tinha. O antigo técnico de contabilidade. Mas eu pensava em outras possibilidades, pensava em fazer direito. [...] E aí fica aquela coisa, a eu vou fazer contábeis mesmo, eu já fiz no 2º grau mesmo. Mas aí é aquela história né? Você marca na ficha de inscrição do vestibular e de repente por incrível que pareça, percebi que realmente era aquilo, eu realmente tinha achado a área que eu queria, gosto muito de contabilidade. (P8)

Nesse sentido, com apenas uma exceção, as decisões de quatro dentre os professores que mencionaram o acaso como motivo para a escolha da profissão e da formação superior em contabilidade foram motivadas, na realidade, por encaminhamentos coerentes com seus percursos profissionais em andamento até então, mas aparentemente sem serem percebidas por eles prórpios de modo cosnciente. Somente para P5 é que a decisão apresentou outros motivos, mas do mesmo modo que nos demais casos, não foi causalidade. P5 associou o acaso com sua avaliação de que a profissão contábil teria boas perspectivas de empregabilidade. Logo, uma decisão baseada em uma avaliação e um critério, negandcontradizendo o acaso.

Ter trabalhado com contabilidade e ter cursado o segundo grau técnico em contabilidade são dois motivos que figuram entre os mais mencionados (4) pelos professores de contabilidade, dando evidências que para parte deles ter tido formação técnica conjugada com experiências em atividades profissionais do campo contábil foram elementos que promoveram a continuação nos estudos em nível de graduação e na profissão. Nesse sentido, os excertos dos discursos de P2 e P12 são representativos e sintetizam bem essa perspectiva:

É... no meu segundo grau que hoje chama-se ensino médio, eu fiz simultaneamente magistério e técnico em contabilidade. Foi de 90 à 92. E eu tinha a possibilidade de fazer mais um ano, no ensino médio, pra poder tirar o CRC como técnico em contabilidade, mas eu optei por fazer vestibular e o

curso que mais chamava atenção mais próximo da onde eu morava era ciências contábeis porque eu gostava dos conteúdos relacionados à contabilidade que eu tinha visto no técnico. (P2)

E eu comecei o técnico porque, assim, eram poucas as opções disponíveis, e era a que mais me agradava, me identifiquei. E sempre fui... no colégio sempre me dei bem com as notas, sempre era fácil pra mim, e começou a me realizar, então, foi dessa forma. [...]. Então, durante o técnico de contabilidade eu já trabalhava em um supermercado [...], como auxiliar de contabilidade. Eu comecei a trabalhar porque eu fazia contabilidade já no técnico. Depois eu fui contratado por uma empresa grande, [...] pra ser auxiliar financeiro e logo depois auxiliar de contabilidade. E fiquei nessa empresa até 93, fui caminhando degraus até chegar a subcontador dessa empresa, e isso já estudando aqui na faculdade em contábeis. Eu trabalhava já em contabilidade e estudava aqui na faculdade. (P12)

Ter o curso superior de contabilidade perto do local de onde residiam e influências dos ambiente familiares também foram apontados como importantes motivos dentro das trajetórias acadêmico-profissionais dos entrevistados. P1 foi um dos professores que apontou literalmente esses dois fatores como os mais influentes para sua trajetória na profissão contábil. Seu caso foi o único dentre os entrevistados em que um modelo familiar exerceu influência na escolha pela profissão:

Foi por questões familiares, meu pai era contador. Era contador, tinha escritório, e aí você acaba indo... [...] Tradição familiar, no dia a dia. [...] foi o preponderante. [...] Eu comecei trabalhar com escritório com 15 anos... hã... 13... 13 anos já estava trabalhando com escritório. [...] Eu acho que a questão de ter o curso aqui em Campo Mourão e essa questão da tradição familiar, do dia a dia que eu já convivia e ter o curso aqui, então, vamos dizer assim, uniu o útil ao agradável naquele momento. (P1)

Para os outros três professores – P3, P4 e P6 – as influências do ambiente familiar são também as motivações principais. P4 teve influência da mãe que já trabalhava em escritório de contabilidade e que lhe conseguiu uma colocação profissional para também trabalhar nele quando ainda era adolescente. A escolha pela profissão e posteriormente pela formação superior em contabilidade seguiu nessa trilha. Para P3 e P6 têm origem nas vivências que tiveram junto às empresas de propriedade de seus pais, ainda que não fossem negócios relacionados à contabilidade, como no caso de P1. Para P6 foi a conjugação de três fatores: a) da influência exercida pelo pai – que gostaria que o filho cuidasse da parte contábil do comércio que tinha; b) de ter cursado o segundo grau em curso técnico de contabilidade; e c) da percepção que teve de ser uma profissão com boas perspectivas de trabalhos e de independência profissional. Conforme ele mesmo expressa:

Já no ensino médio eu gostava das disciplinas de contabilidade. E aliado com os negócios que o meu pai tinha, meu pai tinha comércio e ele dizia que gostaria que o filho fosse contador, porque ele pagava caro para o escritório e não tinha o trabalho que ele gostaria que tivesse. Então ali, foi onde que iniciou, mas apesar daí eu também vi que a profissão de contabilidade, de contador profissional, poderia ser ao mesmo tempo um empregado e poderia ser um empresário ou ter independência de trabalho.

Já P3, por sua vez, teve na vivência que experimentou em sua infância e adolescência junto à empresa que o pai possuía e, posteriormente, na percepção pessoal sobre a independência financeira que gostaria de conquistar seus principais motivos:

[...] eu queria fazer um curso que eu conseguisse atuar no mercado de trabalho, mesmo porque eu não podia ficar na dependência dos meus pais, então eu queria já ter essa liberdade, então eu optei por ciências contábeis. [...] porque meu pai sempre teve uma indústria de móveis, ele produzia móveis em série, então eu sempre acompanhei, ajudei, auxiliei ele na questão de notas, nessas questões vamos dizer assim, mais burocráticas, documentais, eu gostava muito disso, eu me identificava muito, quando eu passei no vestibular e tive contato já com o curso foi bem bacana eu falei: é esse mesmo. (P3)

Faz-se oportuno abordar também a questão do aprendizado da profissão contábil dos professores entrevistados. E nesse sentido, as pistas para compreender tal questão já foram dadas ao longo das análises realizadas. E segundo seus relatos, compreendem e atribuem importância dos cursos que realizaram – técnico e superior – para suas formações profissionais. Mas compreendem que é no decorrer do exercício profissional, do confronto diário com os problemas e atividades profissionais que aprenderam a profissão. O quadro 17 aglutina algumas respostas dos professores que exprimem essa compreensão que possuem:

Quadro 17: sobre como aprenderam a exercer a profissão contábil.

P1 [...] se deu tanto na própria instituição de ensino na época quanto no dia a dia porque eu trabalhava dentro de um escritório desde muito cedo, já com 13 ou 14 anos.

P3

Olha, eu falo que eu tive sorte de ter tido a oportunidade de trabalhar num escritório durante minha graduação. Porque nesse escritório [...] eu tive o primeiro contato, só que o que foi bacana é que o dono colocou um colega mais experiente pra me acompanhar. Então em tudo o que eu tinha dúvida eu me organizava: o que eu conseguia fazer eu ia fazendo, o que eu tinha dúvida, o que eu queria questionar, eu separava. Aí sempre no final da tarde, ‘esse colega me socorria com minhas dúvidas [...] Então eu fui tendo um amadurecimento porque esse colega era uma pessoa muito sensata e ele contribuiu muito para o meu aprendizado, porque ele não quis simplesmente me capacitar em termos técnicos não, ele sempre discutia comigo, me dava orientação, explicação de como as coisas eram e funcionavam.

P4

Olha a faculdade ajudou muito no sentido de compreender o mecanismo de contabilização. Mas a experiência mesmo se deu no próprio escritório [...] Eu acredito que se fosse o inverso, se eu tivesse começado a trabalhar um pouquinho depois, ia ser o contrário, mas acho que porque eu comecei a trabalhar com contabilidade mais cedo e entrei na faculdade depois, então acabou tendo essa relação positiva da experiência no escritório aqui na faculdade. Mas a experiência maior, a contribuição maior foi lá da empresa mesmo.

P6 [...] atuando como contador, na atividade não docente.

P8 [..] no trabalho no escritório. Em estágios que eu fiz também com professores. Mas eu acho, assim, que fui aprendendo com o meu dia a dia.

P10

É... eu acho que uma foi coisa completando a outra. Quando você tá na faculdade ou mesmo lá no curso técnico, enfim, você tá aprendendo a contabilidade ou até mesmo numa outra disciplina [...] e eu acho que vice e versa né? Quando você tem dificuldades lá na empresa, você pode recorrer aos próprios professores ou ao próprio conteúdo que você teve né? E a condição também que o curso te dá em relação ao interesse que você tem na empresa. Eu também só tive oportunidade na empresa de ir crescendo porque eles perceberam que eu tinha o interesse de continuar estudando.

P12

Então, durante o técnico de contabilidade eu já trabalhava em um supermercado como auxiliar de contabilidade. Eu comecei a trabalhar porque eu fazia contabilidade já no técnico [...] então tudo que eu via na sala de aula eu fazia na pratica lá fora, [...] Mas a minha evolução na profissão foi assim dessa forma, trabalhando.

Fonte: dados da pesquisa.

Um aspecto de destaque nos discursos dos professores tem relação, portanto, com a valorização mais enfática do aprendizado prático em detrimento do teórico, na forma como tratam. O que tem ligação com a dicotomia que entendem existir entre as faces do conhecimento contábil, isto é, conhecimentos teoricos e práticos. P12, por exemplo, afirma que “A teoria eu aprendia aqui na faculdade e eu entendia a pratica lá na empresa”. E compreendem essa dicotomia como sendo “natural” em se tratando do ensino e do exercício da profissão. Percebem que são correlacionados entre si, mas também entendem que são de ordens diferentes, isto é, nos cursos estão os teóricos e no exercício profissional estão os práticos.