• No results found

De 2006 a 2014 o BNDES realizou contratos que totalizaram valores superiores a R$ 6 bilhões no setor florestal. Entre esses contratos encontram-se investimentos florestais, plantio de árvores como Pinus e Eucalipto, restauração e redução de área desmatada, apoio de ações de monitoramento, prevenção e combate ao desmatamento por incêndios florestais e queimadas não autorizadas, redução e transformação das práticas que geram desmatamento, degradação

790 1.024 1.270 1.418 1.495 1.705 1.942 2.054 2.544 3.061 3.183 3.601 4.878 7.870 11,0 16,5 17,4 14,9 9,3 13,1 14,9 17,6 7,4 13,9 20,5 18,0 9,8 18,5 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000

ambiental e emissões de gases de efeito estufa dentro das reservas de desenvolvimento sustentável, dentre outras relacionadas à questão florestal. Para analisar a evolução dos valores contratados de 2006 a 2014, segue a Figura 4.14 com a evolução do número de contratações e as áreas operacionais relacionadas especificamente com a questão florestal.

Figura 4.14 – Distribuição dos valores contratados pelo BNDES na área florestal em milhões de reais (2006-2014)

Fonte: Elaboração própria, dados das operações contratadas BNDES, 2015.

Visualiza-se na Figura 4.14 que o número de contratações está aumentando de 2006 a 2013, apresentando queda em 2014. Apesar deste aumento no número de contratações, os valores contratados não apresentam a mesma tendência: o valor por contratação está caindo no decorrer dos anos.

Os maiores valores contratados referem-se à área de Insumos Básicos que em 2006 foi de R$ 1,9 bilhões, reduzindo nos demais anos, chegando a R$ 77 milhões em 2014. Nota-se que a maioria dos recursos com carácter reembolsável foram contratados na área operacional de insumos básicos e normalmente tratam da plantação de Pinus e/ou Eucalipto para atender a demanda da indústria de papel e celulose. As empresas que mais obtiveram financiamento foram: Klabin S/A (R$ 1,86 bilhões), Fibria Celulose S/A (R$ 1,24 bilhões) e Suzano Papel e Celulose S/A (R$ 1,02 bilhões).

As contratações relacionadas ao setor florestal, realizadas na Área de Meio Ambiente apareceram apenas em 2011 com o valor contratado de R$ 69 milhões, atingindo o valor máximo de R$ 396 milhões em 2013. Os apoios à esta área são em sua maioria não reembolsáveis e tratam normalmente da prevenção, combate e monitoramento do desmatamento, restauração florestal, gestão florestal, implantação do cadastro ambiental rural (CAR), etc. Desses recursos, a maioria foi destinado a estados, secretarias e instituições, etc. Os maiores valores contratados foram: a) Estado do Pará, para combate ao desmatamento e

69 100 396 232 1.911 424 42 - 797 - 1.127 919 77 4 4 3 0 10 15 19 23 16 0 5 10 15 20 25 0 500 1000 1500 2000 2500 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014

Área de Meio Ambiente (milhões R$) Área de Insumos Básicos (milhões R$) Outras áreas (milhões R$)

fortalecimento da produção rural sustentável (R$ 82,37 milhões em 2014), b) Ministério do Meio Ambiente e da Amazônia Legal, para implementar o inventário florestal nacional no bioma Amazônia (R$ 65 milhões em 2013), c) Secretaria do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Tocantins, objetivando a implementação do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e a realização de uma série de ações relacionadas a gestão ambiental e territorial no intuito de contribuir para a redução na taxa de desmatamento no Tocantins (R$ 40 milhões em 2013 por meio dos recursos do Fundo Amazônia).

Os valores contratados diferem dos valores desembolsados, pois seguem um cronograma específico para o repasse do recurso contratado, desta forma, após analisar os valores contratados, a Figura 4.15 descreve a evolução dos desembolsos do BNDES na área florestal.

Figura 4.15 – Desembolsos do BNDES na área florestal (milhões de R$) e Desembolso em floresta por desembolso total (%)

Fonte: IBGE, 2015

Os desembolsos para área de floresta vêm aumentando nos últimos anos, chegando a mais de um bilhão de reais em 2013. Apesar de valor substancial, esses valores não representam nem 1% do total desembolsado pelo BNDES no mesmo ano. Segundo Tomaselli et. al. (2012), entre 2006 e 2012, o BNDES investiu um total de US$ 901 milhões diretamente em projetos relacionados com a floresta no Brasil, o equivalente a US$ 162 milhões por ano. É um valor muito reduzido, no momento em que os investimentos no setor florestal estão em evidência em mercados emergentes, tanto em grande escala, como em pequena escala.

A tendência para investir em silvicultura fora dos EUA é forte. A KPMG (2014) sugere que as principais áreas de interesse são os mercados emergentes do Brasil e da Nova Zelândia, atraindo mais de 50% dos investidores. Austrália, Chile, China, Índia, Malásia, Rússia e África do Sul também atraem a atenção (mais de 15% dos investidores), enquanto o Uruguai, Indonésia e Vietnã recebem menor atenção (cumulativamente, menos de 33%). Dados levantados junto

310 609 619 713 1.059 0,23% 0,36% 0,45% 0,46% 0,56% 0,00% 0,10% 0,20% 0,30% 0,40% 0,50% 0,60% - 200 400 600 800 1.000 1.200 2009 2010 2011 2012 2013 Desembolsos em floresta (Milhões R$)

Desembolso em floresta por desembolso total

aos 80 maiores fundos de pensão dos Estados Unidos mostram que os aportes de investidores institucionais em madeira poderão somar US$ 4 bilhões nos próximos 5 anos (HERZOG, 2008). Nesse contexto, o Brasil é apontado como um provável fornecedor mundial, alvo dos fundos em virtude de sua produtividade no cultivo de eucalipto ser muito superior a dos demais países. No Brasil, observa-se cada vez mais a entrada de diversos fundos de investimento, denominados Fundos Florestais ou Timber Funds, que possuem como objetivo a compra de terras para o plantio de eucalipto ou pinus. Segundo uma empresa brasileira que atua na gestão e manejo sustentável de florestas, esses fundos pertencem a uma classe de ativos que somam US$ 45 bilhões de investimentos em todo o mundo (TIMBER VALUE, 2008).

Segundo Campanale (2009), num período de 20 anos, o retorno na silvicultura tem superado os mercados de ações. A silvicultura recebe retornos superiores sobre uma base de risco ajustado em virtude de sua volatilidade relativamente baixa. O investimento na madeira tem começado a receber uma crescente atenção, particularmente desde o número de investidores institucionais de regiões como Reino Unido, Escandinávia, os Países Baixos e América do Norte. O retorno anual dos EUA em silvicultura ao longo dos últimos 21 anos é, em média, 14,9%, superior para muitas das outras classes de ativos.

Ao analisar as tendências de investimento e a produção florestal, Wear (1994) constatou que, devido à expansão da área e à intensificação da administração, o crescimento foi maior nas terras voltadas à produção industrial do que nas particulares. Portanto, a entrada dos fundos de investimento na administração das florestas pode intensificar ainda mais a produtividade, sendo este um dos objetivos dos investidores. A demanda por madeira certificada das indústrias de papel e celulose, painéis de madeira reconstituída, siderurgia a carvão vegetal e produtos de madeira sólida também vem impulsionando investimentos florestais no Brasil, que devem superar US$ 20 bilhões ao longo dos próximos dez anos (ABRAF, 2008).