1. INTRODUCTION
1.4 G LYCOGEN S YNTHASE K INASE 3β (GSK3β)
Uma das maneiras de se apreender o movimento e as transformações sociais é através das alterações quantitativas e qualitativas do espaço habitado (SANTOS, 1988). No campo da geografia científica, a interpretação de espaço, isto é, do espaço habitado tal como ele se apresenta, está relacionado a um produto histórico (SANTOS, 1978). A sua gênese, o seu funcionamento e a sua evolução são elementos tão importantes quanto a sua identificação. Como um produto histórico, esse espaço geográfico, a ser explicado e teorizado
[...] é a natureza modificada pelo homem através do seu trabalho. A concepção de uma natureza natural onde o homem não existisse ou não fora o seu centro, cede lugar à idéia de uma construção permanente da natureza artificial ou social, sinônimo de espaço humano. (SANTOS, 1978, p. 119). O esforço de definição do espaço vem desde Platão e Aristóteles (LEFÈBVRE, 2010; FERREIRA, 2009), cobrindo uma variedade de objetos, de dimensões e de significados. Por exemplo, um utensílio doméstico, uma casa, uma cidade, bem como o universo, são espaços (SANTOS, 1978).
No entanto, para a geografia científica e também no caso particular desta tese interessa o espaço humano (ou espaço social) que, como dito anteriormente, é um produto histórico. A definição desse objeto não é tão simples, pois:
[...] quando a nossa curiosidade se transfere para o espaço humano, enormes dificuldades se levantam porque ele é a morada do homem, é o seu lugar de vida e de trabalho. As formas com que se apresenta e o seu conteúdo são tão variados, que a tarefa de incluir em uma unidade de definição uma tão grande multiplicidade fatual surge como um obstáculo de peso, sobretudo porque, tanto a terminologia cotidiana como a própria conceituação estão carregadas das múltiplas acepções correspondentes aos outros tipos de espaço. Que é, então, o espaço do homem? É o espaço geográfico, pode-se responder. Mas o que é esse espaço geográfico? Sua definição é árdua, porque a sua tendência é mudar com o processo histórico, uma vez que o espaço geográfico é também o espaço social. (SANTOS, 1978, p. 120). Para agravar o já tão complicado esforço de definição de espaço humano, Santos (1978), mais uma vez, questiona: há uma única definição dessa categoria espaço? Ou existem duas definições diferentes (e que se completam), em que a primeira é o espaço como categoria universal e permanente e a segunda é o espaço como categoria histórica?
Segundo este mesmo autor, o espaço como categoria universal e permanente é caracterizado por relações não transitórias, isto é, relações permanentes que atravessam tempos e lugares específicos – é o espaço de todos os tempos. Além disso, o espaço como categoria histórica tem diferentes significados, valores, conteúdos e relações, como resultados da dinâmica histórica – é o espaço de cada tempo.
Quando os dois conhecimentos interagem, o do espaço como categoria permanente (leis universais) e o do espaço como categoria histórica (comportamentos históricos ou sociais), o resultado é a elaboração não de uma definição, mas sim de um conceito de espaço:
O espaço deve ser considerado como um conjunto de relações realizadas através de funções e de formas que se apresentam como testemunho de uma história escrita por processos do passado e do presente. Isto é, o espaço se define como um conjunto de formas representativas de relações sociais do passado e do presente e por uma estrutura representada por relações sociais que estão acontecendo diante dos nossos olhos e que se manifestam através de processos e funções. (SANTOS, 1978, p. 122).
Assim, o espaço, sendo um produto histórico, é real, um fator social, dinâmico (em permanente evolução), não é passivo, isto é, não é apenas o reflexo da sociedade, mas também intervém no processo histórico. Como produtor e produto simultaneamente, ele adquire, ao mesmo tempo, “[...] uma significação autêntica [...]”, mas “[...] atribui um sentido a outras coisas” (SANTOS, 1978, p. 130).
Como instância social, o espaço humano adquire uma expressão territorial no qual a sociedade exerce relativo poder. Relativo, pois “nenhum dos objetos sociais tem tanto domínio sobre o homem, nem está presente de tal forma no cotidiano dos indivíduos” como o espaço social (SANTOS, 1978, p. 137). Assim, Santos (1978, p. 131) assinala que:
Não se pode negar a tendência que tem a organização do espaço de fazer com que se reproduzam suas principais linhas de força. Se examinarmos por exemplo os mapas da distribuição do povoamento durante quatro séculos e meio de história moderna da Venezuela, vemos que as manchas representativas da presença humana no território são repetidas, embora com nuanças. Os caracteres, tanto qualitativa como quantitativamente, conheceram mudanças, como é natural, mas as raízes do povoamento influenciaram o que veio em seguida.
Cada momento de um modo de produção7 social cria formas espaciais que perduram
mesmo com a mudança para um novo modo de produção. Essas formas representam o espaço construído. Desta forma,
O espaço portanto é um testemunho; ele testemunha um momento de um modo de produção pela memória do espaço construído, das coisas fixadas na paisagem criada. Assim o espaço é uma forma, uma forma durável, que não se desfaz paralelamente à mudança de processos; ao contrário, alguns processos se adaptam às formas preexistentes enquanto que outros criam novas formas para se inserir dentro delas. (SANTOS, 1978, p. 138, grifo do autor).
7 De acordo com Santos (1978, p. 198) a noção de modo de produção “[...] é responsável pelo valor
Porém, o que faz com que o espaço (e, que fique claro, a referência é a espaço humano) seja considerado como uma estrutura social com a mesma importância que os outros níveis da sociedade (econômico, jurídico-político e cultural-ideológico)? Em primeiro lugar, deve-se identificar que características definem uma estrutura social, para, em seguida, verificar-se se essas mesmas características também se encontram na estrutura espacial. Santos (1978, p. 144) debruçou-se nessas questões e considera que “[...] não há por que hesitar em incluir o espaço na lista das estruturas sociais”, pois:
[...] o espaço, como as outras instâncias sociais, tende a reproduzir-se, uma reprodução ampliada, que acentua os seus traços já dominantes. A estrutura espacial, isto é, o espaço organizado pelo homem é como as demais estruturas sociais, uma estrutura subordinada-subordinante. E como as outras instâncias, o espaço embora submetido à lei da totalidade, dispõe de uma certa autonomia que se manifesta por meio de leis próprias, específicas de sua própria evolução. (SANTOS, 1978, p. 145).
Nesse sentido, assim como qualquer outra dimensão da estrutura social, o espaço humano não é um reflexo do modo de produção social a cada momento, e sim sua memória. Materializado em sua forma espacial, tem atributos que o tornam equivalente a outras dimensões sociais, pois o mesmo é também “[...] capaz de agir e de reagir sobre as demais estruturas da sociedade e sobre esta como um todo” (SANTOS, 1978, p. 145). Exemplo disso é o fato de, por exemplo, a estrutura econômica ser também subordinada – e não apenas subordinante – ao espaço organizado8, pois ela sozinha não produz nada, dependendo dos
outros aspectos sociais para se edificar.
Assim, a estrutura espacial é ativa, embora com autonomia relativa. Analisando o espaço organizado – que em um dado momento histórico resulta em uma forma construída – observa-se que as suas formas são o resultado de uma “inércia dinâmica” (ou ativa), em que “[...] são tanto um resultado como uma condição para os processos” (SANTOS, 1978, p. 148).
Essa estrutura espacial age e reage em face das transformações dos conjuntos das relações sociais, sendo permanentemente estimulada pelo movimento da sociedade. Por isso, uma das especificidades do espaço (um papel próprio) como estrutura social vem da durabilidade de suas formas construídas (forma espacial, forma geográfica ou forma material). A durabilidade aqui é utilizada no sentido de a forma espacial possuir uma natureza material, uma rugosidade, que se manifesta não como algo inerte e sim com uma inércia dinâmica.
8 O espaço organizado “[...] é também uma forma, um resultado objetivo da interação de múltiplas
Pode-se dizer das formas em geral que elas se metamorfoseiam em outras formas quando o conteúdo muda ou quando muda a finalidade que lhes havia dado origem. Com a forma espacial, a questão é diferente. Pode-se adicionar-lhe uma outra forma nova, pode-se adaptá-la, ou então impõe-se destruí-la e substituí-la completamente. Mas neste último caso já não será mais a mesma forma. (SANTOS, 1978, p. 149-150, grifo do autor).
O espaço social é que age e reage e não os seus objetos geográficos (forma construída) considerados apenas como existência física. Entretanto, quando esses objetos são apreendidos como existência social, isto é, composto por forma-conteúdo, são “[...] predestinados a um certo tipo de ações, a cuja plena eficácia se tornam indispensáveis. São as ações que, em última análise, definem os objetos, dando-lhes um sentido” (SANTOS, 1997, p. 70). Ademais, o espaço que se define com uma inércia dinâmica, “[...] não é jamais um produto terminado, nem fixado, nem congelado para sempre” (SANTOS, 1978, p. 150). Como forma material, possui um elemento que é fixo no solo: a forma espacial.
Outra especificidade do espaço, segundo Santos (1978, p. 151), que se visualiza principalmente em nossos dias, é a de surgir “[...] como uma mercadoria dotada de indivisibilidade, pois as infraestruturas, por sua própria natureza, não são descontínuas.”
Até aqui, considerou-se o espaço como história – por ser testemunho dos diversos momentos do modo de produção –, mas também como estrutura – organizado em formas, que possibilitam apreender “[...] proporções entre as variáveis que dão como resultado uma situação tal qual ela é e permite falar de sua estrutura atual” (SANTOS, 1978, p. 151).
Tem-se, então, uma estrutura espacial que é um testemunho histórico dos modos de produção estruturados em formas-conteúdo. Nesta situação, este espaço, testemunho histórico das relações sociais, contém ingredientes sociais (relações sociais) e formais (materiais). Logo, o espaço aqui analisado é composto por forma e conteúdo ou, em outras palavras, é composto pelo movimento dialético entre forma e conteúdo visto que “[...] o espaço, a partir das alterações ocorridas na sociedade, responde e interfere nesta por meio de suas próprias alterações” (TRINDADE JÚNIOR, 1996, p. 135). Nessa perspectiva, Santos (1978, p. 152) diz que:
E tais formas, como formas-conteúdo, influenciam o curso da história pois elas participam da dialética global da sociedade. A questão que tantos outros já colocaram explicitadamente ou implicitamente sobre se o espaço é, ao mesmo tempo, um suporte e um fator, agora se começa a dar um começo de resposta.
Nos primeiros tempos da humanidade, à medida que o homem social se tornava consciente dos instrumentos de trabalho, a natureza foi se tornando cada vez mais modificada por seu trabalho, transformando-se em uma natureza socializada. A atividade social que surge a partir dessa ação do homem, isto é, de produção, realiza-se, cada vez mais, por meio tanto da organização social quanto da organização do espaço. O paralelismo entre essas duas organizações deve-se ao fato de que“o ato de produzir é igualmente o ato de produzir espaço” (SANTOS, 1978, p. 161).
Com o tempo, a produção vem a ser indispensável à sobrevivência do homem, implicando tanto seus próprios ritmos e formas de vida quanto “[...] uma utilização disciplinada do tempo e do espaço” (SANTOS, 1978, p. 162). Assim,
Cada atividade tem um lugar próprio no tempo e um lugar próprio no espaço. Essa ordem espácio-temporal não é aleatória, ela é um resultado das necessidades próprias à produção. Isso explica porque o uso do tempo e do espaço não é feito jamais da mesma maneira, segundo os períodos históricos e segundo os lugares e muda, igualmente, com os tipos de produção. (SANTOS, 1978, p. 162).
Se o ato de produzir é, igualmente, o ato de produzir espaço, então os objetos produzidos pelo homem não são imóveis ou estáticos, pois, quando se mudam o modo de produzir, as intermediações entre homem e natureza, as técnicas e os instrumentos de trabalho, mudam-se igualmente a produção, a organização, os significados e os valores dos objetos sociais, isto é, muda-se o espaço. Em outras palavras, “quando esse tempo social muda, o espaço muda igualmente” (SANTOS, 1978, p. 163).
Ao mudar o uso social do tempo, muda-se também a organização do espaço, então, isso significa que, “[...] o homem está cada dia e permanentemente escrevendo sua história, que é ao mesmo tempo a história do trabalho produtivo e a história do espaço” (SANTOS, 1978, p. 163).
De uma forma simplificada, as alterações das relações entre o homem e a natureza perpassam desde o trabalho em sociedade (cooperação), com consequência no aumento da produção social, que, por sua vez, trouxe consequência na diversificação da produção, gerando a face do comércio no estágio de troca simples e, mais tarde, o comércio especulativo (no qual o produto se torna mercadoria). Em cada um desses momentos, o tempo e o espaço foram sendo organizados de acordo com exigências das novas atividades do trabalho social (SANTOS, 1978).
Os instrumentos de trabalho, que antes eram móveis, tornam-se cada vez mais fixos ao solo e duráveis no decorrer do tempo. Juntando a isso a ampliação da divisão do trabalho à escala mundial, tem-se que o modo de utilizar o espaço social não é mais feito de forma apenas local, mas também mundial, e assim, este mesmo espaço social deve ser explicado e compreendido tanto por variáveis na escala local quanto na escala mundial (SANTOS, 1978).
O espaço, sendo forma-conteúdo, é composto tanto pela natureza modificada (que é o conjunto de objetos naturais e artificiais) quanto pela sociedade. O modo como os elementos (objetos geográficos) dessa natureza construída estão dispostos sobre um território fornece tanto a configuração espacial quanto a paisagem.
A ideia do espaço social como forma-conteúdo permite compreendê-lo como um sistema, em que suas partes estão conectadas, comunicam-se e interferem-se. Esse sistema é composto por um “[...] conjunto indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ações que formam o espaço” (SANTOS, 1997, p. 51). Um não existe sem o outro, um interfere no outro e vice-versa. Santos (1985, p. 33) considera que:
Um sistema pode ser definido como uma sucessão de situações de uma população em um estado de interação permanente, cada situação sendo uma função das situações precedentes [...]. Uma análise de sistemas que leve em conta esta diacronia requer a utilização de dimensões temporais no estudo do espaço, este último sendo considerado como um subproduto do tempo. [...]. Esta é a razão por que devemos levar em conta as estruturas espaço- temporais.
O enfoque do espaço como um sistema “[...] permite transitar do passado ao futuro, mediante a consideração do presente” (SANTOS, 1997, p. 80-81), pois, ao observar-se a permanente relação entre as partes, entende-se a relação sociedade versus objetos como sendo uma constante busca da sociedade de inferir novo valor a objetos com realidades sociais – e não realidade física – os quais já possuem ações sociais concluídas. De acordo com Santos (1997, p. 88), “a dialética se dá entre ações novas e uma ‘velha’ situação, um presente inconcluso querendo realizar-se sobre um presente perfeito.”
A compreensão do espaço como um sistema é uma questão de método. A ideia de sistemas é uma forma de análise para melhor se entender o todo e suas partes, isto é, serve para dar conta da realidade histórica. Faz parte do método considerar o espaço como um sistema:
Os sistemas de objetos não funcionam e não têm realidade filosófica, isto é, não nos permitem conhecimentos, se os vemos separados dos sistemas de
ações. Os sistemas de ações também não se dão sem os sistemas de objetos. (SANTOS, 1998, p. 90).
A cada instante, a paisagem e a configuração espacial, que são sistemas de objetos, relacionam-se com os sistemas de ações e mudam de função, de significação, isto é, de valor sistêmico (SANTOS, 1997).
As formas do lugar (paisagem e configuração espacial) herdadas do movimento do espaço são depositárias de eventos históricos. Santos (1997) denomina isso de evento; Lefèbvre (2010) chama de momento. Os eventos são veículos da ação presente, são todos novos, finitos, não se repetem, não existem isoladamente, ou seja, são, ao mesmo tempo, sucessivos, concomitantes, superpõem-se e são interdependentes.
Consideremos que o acontecer, isto é, os eventos, são consequência da existência dos homens sobre a Terra, agindo para realizar o Mundo. Onde escrevemos homens, leia-se, também, Estados, empresas, instituições de toda natureza, entidades que são, juntamente com os indivíduos, capazes de ação. (SANTOS, 1997, p. 130).
Ao se estenderem cronologicamente, os eventos materializam o tempo em um determinado lugar, “daí poder-se falar numa ordem de eventos, sua ordem temporal” (SANTOS, 1997, p. 123). Os eventos mudam, transformam e dissolvem a identidade dos objetos, propondo novas características, novos valores. Pode-se dividir, por exemplo, os eventos em naturais (um terremoto) e históricos ou sociais (a chegada de um meio de transporte, uma inovação técnica).
Assim como os objetos geográficos e as relações sociais, os eventos “[...] não se dão isoladamente, mas em conjuntos sistêmicos [...]” (SANTOS, 1997, p. 119), de forma que toda alteração em um elemento influencia os demais.
Nos dias de hoje, a ciência, a tecnologia e a informação estão cada vez mais presentes no espaço humano. Os lugares, que antes se caracterizavam por serem meio natural e, mais tarde, meio técnico, caracterizam-se, atualmente, por serem meio técnico-científico- informacional. Sendo assim, o espaço é atualmente um conjunto indissociável de sistemas de objetos, cada vez mais artificiais, e de sistemas de ações igualmente artificiais.
Além disso, apresenta-se, também, com racionalidade e intencionalidade de acordo com interesses sociais hegemônicos: a busca incessante de lucro, a fluidez e a eliminação de obstáculos para o capital hegemônico. Essa nova ordem mundial de dominação faz parte do
processo de globalização, de forma que os lugares globalizados correm o risco de serem falsificados, corrompidos, desequilibrados, destruídos (SANTOS, 1998, p. 55).
A dinâmica dos espaços da globalização supõe adaptação permanente das formas e das normas. As formas geográficas, isto é, objetos técnicos requeridos para otimizar uma produção, só autorizam essa otimização ao preço do estabelecimento e aplicação de normas jurídicas, financeiras e outras, adaptadas às necessidades do mercado. Essas normas são criadas em diversos níveis geográficos e políticos, mas, dada a competitividade mundial, as normas globais, induzidas por organismos supranacionais e pelo mercado, tendem a configurar as outras.
O processo de globalização impõe novos sistemas de ações a velhos sistemas de objetos. Quanto mais o espaço social se torna mundializado, mais os lugares se tornam únicos, pois “cada lugar, não importa onde se encontre, revela o mundo (no que ele é, mas também naquilo que ele não é), já que todos os lugares são suscetíveis de intercomunicação” (SANTOS, 1998, p. 43).
Uma das maneiras de se apreender qualquer lugar do mundo, que é uma pequena fração do espaço social, é tendo como principal referência categorias analíticas que, ao interpretar uma parte do mundo, levam em consideração aspectos mundiais. Levar em consideração as categorias socioespaciais compostas por estrutura, processo, função e forma é uma maneira de apreender o espaço social sem deixar de lado o todo e suas partes.
As variáveis existentes em cada lugar, ao serem analisadas sob o prisma dessas categorias socioespaciais, consideram que os valores das variáveis não são absolutos, e sim relativos, pois esses mesmos valores advêm da relação de sistemas de objetos e de ações, de forma que o valor de cada variável só existe em relação aos valores das demais variáveis presentes no sistema.
Assim, pode-se dizer que a apreensão do Centro Histórico de Belém deverá partir do entendimento do que seja esse espaço social. Ademais, deverão ser observados os valores relativos das diversas variáveis existentes nesse lugar.