No que diz respeito à identificação das PcD na área de abrangência da UAPS Maria de Lourdes Jereissati, os resultados do levantamento das PcD permitiram concluir que aproximadamente 1% da população tinha algum tipo de deficiência, com maior prevalência das PcD mental, seguidas das PcD motora. Esses resultados chamam a atenção para a necessidade de as equipes de saúde dessa área, ao elaborarem as ações de inclusão social das PcD, priorizem essas deficiências, visto que foram as mais prevalentes.
Esta pesquisa possibilitou conhecer o perfil sociodemográfico das PcD da área em estudo, a qual identificou maior predominância de adultos e principalmente de idosos, na sua maioria pessoas solteiras, com pouca diferença entre pessoas do sexo masculino e feminino, sobressaindo PcD adquiridas. Tais resultados, podem remeter à preocupação das equipes de saúde dessa área com a mudança do perfil demográfico atualmente, em que, a população envelhecendo, aumenta a incapacidade funcional do idoso, e assim a prevalência de deficiências adquiridas nessa faixa etária, juntamente com os problemas bucais e doenças crónicas inerentes ao processo de envelhecimento. Sabe-se que as deficiências aumentam com a idade, então, é preciso que os serviços estejam organizados e as equipes de saúde estejam preparadas para atender essa emergente demanda de PcD.
Também no perfil sociodemográfico da amostra, observou-se que o analfabetismo, a baixa renda familiar e falta de ocupação/profissão, predominaram entre as PcD. Supõe-se que estes resultados possam interferir negativamente no acesso à atenção odontológica e nas condições de SB dessa população deficiente, tendo em vista que as desigualdades socioeconômicas e sociodemográficas estão presentes na maioria dos agravos bucais, assim como nos indicadores de acesso e utilização dos serviços odontológicos.
Ao averiguar o acesso à atenção odontológica das PcD na UAPS pesquisada, considerou-se os resultados desfavoráveis. Reitera-se que ainda há muito o que se fazer para garantir que todas as PcD tenham acesso à SB. Verificou- se pouca procura das PcD pelo atendimento odontológico, sendo que a maioria nunca foi atendida pelo dentista da sua unidade, nunca participou de ações de promoção e não recebeu a visita de um profissional de SB, e aproximadamente metade das PcD tinham recebido orientações de higiene oral. Porém, um dado
considerado agravante ao acesso foi o desconhecimento da maioria das PcD sobre o agendamento e a prioridade para o atendimento odontológico às PcD, haja vista que o estudo revelou que as PcD que mais tinham o conhecimento eram as que mais procuravam o atendimento odontológico na unidade. Talvez, o fato do desconhecimento possa ser justificado pela falta de cumprimento da legislação vigente no que remete aos direitos da PcD, a ineficiência no processo de trabalho e organização dos serviços dessa UAPS para acolher e atender PcD, assim como desvirtualização dos princípios do SUS e do papel da AB na rede de cuidados à PcD. Nesse sentido, registra-se como prioridade, a organização do fluxo para atendimento odontológico das PcD desse território.
No que se refere à avaliação das condições de SB das PcD pesquisadas, entre as severidades bucais, prevaleceu uma elevada porcentagem de doenças periodontais, seguida da cárie dentária. As perdas dentárias foram frequentes na maioria das PcD, destacando-se um grupo de edêndulos/desdentados; e quanto ao uso e necessidade de prótese, sobressaiu mais a necessidade do que o uso. Pressupõe-se que estes resultados já eram esperados, levando em conta que as PcD são consideradas grupo de risco para as doenças bucais. Então, recomenda-se que as equipes de saúde devem investir na busca de estratégias para identificar estes fatores e inserir a SB na atenção integral à PcD, como forma de prevenir e/ou reduzir os danos causados pelas doenças bucais, praticando um modelo de promoção de SB, associado aos métodos educativos, preventivos, curativos e reabilitadores.
No geral, espera-se, que os resultados desse estudo tenham contribuído para aprofundar o conhecimento sobre a realidade das PcD dessa área, fornecendo subsídios que possam ajudar posteriormente na organização dos serviços e planejamento de ações, que venham ampliar e priorizar o acesso, qualificar a atenção odontológica dessas pessoas no âmbito local, e, consequentemente, melhorar as suas condições de cuidado e saúde.
Como limitação dessa pesquisa, menciona-se a escassez de estudos na literatura com amostras de PcD, bem como que tenham avaliado duas importantes variáveis, acesso à atenção odontológica e condições de SB. No que se refere à SB, ainda não se dispõe de dados de abrangência nacional e representativos da magnitude dos problemas das PcD, como por exemplo o SB Brasil-2010, isso
diferentes de populações de PcD. Assim como também, os dados utilizados foram do último censo de PcD, que ocorreu em 2010, e futuramente deverão ser atualizados com os resultados da realização de um censo mais recente. Outro fator que contribuiu para essa limitação é atribuído às diferentes definições adotadas e de suas variações para PcD. Ademais, algumas microáreas da UAPS em estudo descobertas de ACS durante a coleta dos dados, a recusa de algumas PcD e/ou familiares/responsáveis em participar da pesquisa, e a própria limitação de algumas deficiências que impediram/dificultaram o exame bucal, influenciaram quantitativamente nos resultados, que, apesar da significância da amostra, podem demonstrar uma resposta aquém da real situação existente.
Por fim, a partir deste estudo, vislumbra-se o desenvolvimento de pesquisa como esta, envolvendo PcD, seja realizada futuramente em outros territórios, com o intuito de promover efetivamente a inclusão, resgatar a cidadania e possibilitar a atenção integral às pessoas que vivem com deficiência.
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