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5.2 Discussion of the results

5.2.6 Future research

As discussões sobre trabalho e seu papel na sociedade contemporânea devem trazer, senão em seu escopo, mas pelo menos no cenário que possibilita a reflexão, a relação do mesmo com aspectos como a história pré-industrial, a transição das formas feudais de trabalho para o trabalho industrial, as mudanças ocupacionais, o papel do Estado, o surgimento do sindicalismo e o impacto das guerras e das políticas trabalhistas (Dias, 2009). Estes aspectos tomados em consideração possibilitam escapar de uma narrativa sobre trabalho homogênena, ahistórica e naturalizante.

19 Contextualizar sócio-historicamente a categoria trabalho implica buscar compreender seu papel na organização e funcionamento da sociedade capitalista. Um aspecto inicial importante é o deslocamento do trabalho como realização produtiva para meio de acumulação de capital. É justamente esse novo significado do trabalho que lhe atribui alta centralidade e o instrumentaliza como recurso de sucesso econômico ao mesmo tempo em que confere o estranhamento já que tanto o produto final como o próprio processo do trabalho tornam-se controlados por quem detém os meios de produção e exerce a capacidade de dominação sobre o trabalhador (Albornoz, 2008; Bendassolli, 2009; Borges, 1999; Ramos, 2009).

Outro aspecto a ser destacado é a aparente confluência no discurso entre trabalho e emprego, o que torna os dois conceitos supostamente intercambiáveis. Entretanto, é preciso ressaltar que o emprego surge especificamente com a sociedade capitalista; é, pois, produto da modernidade que se consolida nos séculos XIX e XX, concomitantemente à consolidação do sistema capitalista e na medida em que se aperfeiçoa a divisão do trabalho. É a sociedade de mercado que veio transformar o homem necessariamente em um detentor de emprego (cf. Adam Smith,1776, apud Ramos, 1989 : 101) já que “o emprego é uma relação contratual de trabalho entre proprietário e o não-proprietário dos meios de produção e/ou renda pela qual se estabelecem as condições de compra e de venda da força de trabalho” (Lazzareschi, 2007 : 7-8). Sguarezi e Borges (2016) ressaltam a distinção, afirmando que emprego e trabalho não são sinônimos e definem o emprego como forma monetarizada de trabalho que advém do impacto da reestruturação do processo produtivo proveniente do desenvolvimento de tecnologias e das formas de organização e gestão do trabalho. A divisão do trabalho, que opera uma divisão entre trabalho material e intelectual, causa significativa transformação nas relações sociais, qualificando as contradições entre indivíduos entre si e entre indivíduos e sociedade (Sguarezi & Borges, 2016). Casaca (2005) aponta que foi na segunda metade do século XX que o trabalho, permanecendo uma categoria econômica, passou a ser sinônimo de emprego e acrescenta:

A actividade laboral permitia que os indivíduos partilhassem do sentimento de integração na sociedade ("laço social"), num quadro em que os salários e a segurança material eram vistos como um instrumento central do bem-estar social, que a participação individual na actividade económica se vinculava a um sentimento de utilidade

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(contributo individual para o crescimento económico), e também à possibilidade de beneficiar de direitos e de segurança social. (Casaca, 2005 : 2)

Estas distinções são relevantes para melhor dimensionar a concepção moderna de trabalho, fundamentada em um vocabulário econômico e na divisão e racionalização dos processos de trabalho. Entende-se que neste período o exercício do trabalho foi submetido a premissas convergentes com as exigências produtivas do sistema de produção ascendente, tais como a racionalização e as diretrizes científicas e, assim, desenvolveu-se o ambiente propício ao desenvolvimento de disciplinas científicas aplicadas à organização do trabalho (Batista-dos-Santos et al., 2014).

No cenário acima demarcado, destacaram-se teorias apresentadas pelo engenheiro americano Frederick W. Taylor e o sistema fordista de produção (Antunes, 2005; Bendassolli, 2009; Ramos, 2009; Paranhos, Neves & Silva, 2008). Taylor tem seu papel de destaque assegurado por associar capitalismo, administração e trabalho via o conceito de Organização Racional do Trabalho (ORT) (RAMOS, 2009) e por desenvolver um sistema de organização da produção sustentado pelo estudo de tempos e movimentos, na observação de como os trabalhadores realizavam suas atividades, sistema este que ficou conhecido como administração científica. A administração científica pretendia-se um sistema de administração superior, de base científica, superioridade esta vinculada ao critério da eficiência industrial (Taylor, 1986). Para Taylor (1986), era preciso desenvolver estruturas que garantissem a funcionalidade e eficiência do sistema produtivo, tendo como resultado o controle das possibilidades de produção dos trabalhadores. Para tanto, os princípios da administração científica compreendem o trabalho padronizado, uniforme, de rendimento previsível via a transformação da experiência dos trabalhadores em dados objetivos (Paranhos, Neves & Silva, 2008). O taylorismo buscava a melhor maneira de desempenhar determinada tarefa e preconizava que isto era obtido pela padronização do processo de trabalho, padronização obtida via decomposição do processo em movimentos elementares e redução ao tempo mínimo da execução das operações. O método científico, neste contexto, colaborava na legitimação da separação entre o saber e o fazer, favorecendo a transferência do conhecimento do trabalhador para um sistema impessoal e transferindo o controle do processo de trabalho para distante de quem o realizava (Batista-dos-Santos et al., 2014). Como indica Saviani (2003), o conhecimento relativo ao conjunto, após ser sistematizado, torna-se propriedade privada dos donos dos meios de produção e/ou dos seus representantes. São eles

21 que passam a ter o domínio da concepção do processo e a compreensão da totalidade. O trabalhador, a seguir treinado de forma parcelada, passa a ter domínio apenas relativo do trabalho que realiza.

Pode-se afirmar que a administração científica consolidou a estrutura de uma divisão de trabalho fundamentada da heterogestão. Essa cisão entre gerência, concepção, controle e execução se exemplificou e se aprofundou nos métodos introduzidos por Henry Ford na produção industrial automobilística. O fordismo introduziu a linha de montagem e, com ela, o aprimoramento do controle do tempo de realização das tarefas. A velocidade de deslocamento da linha de montagem enrijece a velocidade com que o trabalhador deve desempenhar sua tarefa e disciplina, mecanicamente, as etapas do trabalho (Paranhos, Neves & Silva, 2008). Um aspecto central da lógica fordista é a diminuição do desperdício de tempo e de espaço, o outro é a crença de que a recompensa do trabalhador deve corresponder à sua produtividade, tendo em vista que era esperada a submissão dos trabalhadores à manutenção de altas taxas de produtividade independente das condições de trabalho (Ramos, 2009).

O aumento da velocidade e a intensidade da produção, submetendo o trabalhador a uma adequação, no limite de suas capacidades físicas, ao ritmo da máquina, são os produtos da conjugação linha de montagem fordista com plena abreviação e simplificação das tarefas decorrentes da aplicação dos princípios tayloristas (Paranhos, Neves & Silva, 2008). O trabalho, neste contexto, reduzido à realização de tarefas altamente especializadas, repetitivas, fixas, monótonas e desenvolvidas em uma rotina artificialmente planejada, torna-se causa de adoecimento e sofrimento. Casaca (2005), discutindo as ideias de Meda (1999), indica que atualmente mantem- se e se sustenta a concepção tradicional de trabalho, apesar das transformações no modelo fordista, da insegurança relativa ao emprego, das altas taxas de desemprego e da crise do Estado-Providência.