Part II. Unruly engagements with Indigenous peoples
6. Further disentanglements
Esta categoria inclui alimentos ricos em vitaminas e minerais, além de proteínas e eventualmente fibras. Estes alimentos, em geral frescos, são classificados como saudáveis e são recomendados para consumo regular e diário, embora hajam algumas restrições em relação ao consumo de laticínios derivados de leite integral e orientação para preferência a frutas in natura ao invés de sucos10,36.
Análise estatística
Para comparação das escolhas alimentares entre as duas escolas, foi aplicado o teste do Qui-quadrado, adotando-se p<0,05 como nível de significância. Nas tabelas de contingência 2x3, quando o resultado foi significante, calculou-se a partição do Qui- quadrado. Os cálculos estatísticos de todas as variáveis foram efetuados utilizando-se o software Sigma StatTM for Windows 2.0 (SPSS Inc. User’s Manual. United States of America, 1997).
Resultados
A Tabela 1 apresenta os resultados de procedência e freqüência de consumo de alimentos, segundo o sexo e o tipo de escola. Meninas levavam alimentos de casa diariamente em maior proporção, tanto na escola pública como na privada, e em ambas as escolas os meninos relataram não levar alimentos de casa para consumo na escola em maior proporção. Os meninos consumiam diariamente alimentos adquiridos na cantina em maior proporção nas duas escolas, com diferença estatisticamente significante.
Na escola pública, meninas e meninos relataram consumir os alimentos listados nas mesmas proporções, com exceção apenas de biscoito doce, mencionado significantemente em maior proporção pelas meninas (89/226 versus 46/169; p=0,016). Na escola privada, meninas apresentaram proporções significantemente maiores de consumo de bolo (20/69 versus 4/47; p=0,015), pão de queijo (9/69 versus 0/47;
p=0,026) e suco natural (22/69 versus 6/47; p=0,032).
Alimentos procedentes da cantina apresentaram consumo em proporções semelhantes por meninas e meninos, tanto na escola pública como na privada. A tabela 2 mostra que salgadinhos e doces industrializados foram consumidos em proporções significantemente maiores na escola pública, tanto por meninas como por meninos,
enquanto suco natural processado apresentou consumo em proporção significantemente maior na escola privada, também por meninas e meninos. Entre as crianças da escola privada, observou-se elevada proporção de escolha de salgados caseiros procedentes da cantina. Estes alimentos não estavam disponíveis na cantina da escola pública. Leite foi o alimento com menor proporção de consumo, enquanto refrigerante foi o alimento consumido em maior proporção pelas crianças, independente de sexo e escola.
Discussão
Diferenças de comportamento alimentar foram observadas, tanto em relação ao tipo de escola como em relação ao sexo. As crianças da escola privada consumiam alimentos da cantina com maior freqüência, enquanto meninos levavam alimentos de casa com menor freqüência, tanto na escola privada como na pública. A proporção de crianças da escola pública que levava alimentos de casa de 1 a 5 vezes por semana foi de 67% (266/395). Em estudo com pais de crianças de 4 a 11 anos de idade, na Inglaterra, 84% dos pais relataram preparar lanche para os filhos levarem à escola mais que 3 vezes na semana46, e outra pesquisa no Reino Unido, observando crianças em um dia normal de atividade escolar, encontrou 48% das crianças de 6 a 11 anos levando lanche de casa para a escola33. Crianças da escola pública relataram consumir alimentos procedentes da cantina em menor proporção, o que pode ter ocorrido porque tinham também disponível alimentação escolar.
Alimentos para consumo reduzido e moderado apresentaram as maiores proporções de consumo, em ambos os sexos e em ambas as escolas. Chama a atenção o consumo de salgadinhos industrializados, não disponíveis nas cantinas, mas trazidos de casa, principalmente pelos alunos da escola pública. Guloseimas industrializadas e refrigerantes, embora não trazidos de casa, eram comprados na cantina, e constituíram- se os itens com as maiores proporções de consumo entre todos os citados. Além da elevada ingestão de energia, açúcares e/ou gordura que provêm da ingestão dos alimentos para consumo reduzido, há evidências de que a presença freqüente deles na alimentação de crianças diminui o consumo geral de frutas, vegetais e leite10,13,27. O consumo de refrigerantes tem sido negativamente associado ao alcance das recomendações de vitamina A, cálcio e magnésio em crianças47, com menor ingestão de leite e sucos de frutas48 e com obesidade em crianças49. A venda de refrigerantes em
cantinas de escolas públicas e privadas é proibida pela legislação de alguns estados brasileiros37,38,39,40,41, embora ainda sem fiscalização. À época do estudo, não havia lei específica para este fim no estado de Minas Gerais.
Quanto aos alimentos de consumo recomendado, leite foi o item menos citado. Suco natural processado foi o item mais citado pelas crianças da escola privada, nesta categoria de alimentos. Aproximadamente 20% das crianças relataram consumir suco natural trazido de casa. Quanto às frutas, aproximadamente, 70% das crianças não as consumiam. Apesar de não ter havido diferença estatisticamente significante, as meninas consumiram-nas em proporções maiores quando comparadas aos meninos. Estas proporções foram bem menores quando comparadas a um estudo realizado no Reino Unido onde 58% das crianças levavam ao menos uma porção de frutas para a escola33. Nos Estados Unidos, 48% e 25% das crianças de escola pública consumiam frutas e suco natural, respectivamente13.
As elevadas proporções de consumo de refrigerantes e guloseimas industrializadas pelas crianças de ambas as escolas indica a necessidade de mudanças de postura e atitude dos dirigentes responsáveis pela qualidade dos alimentos disponíveis nas cantinas. É necessário considerar a influência da escola no comportamento alimentar e no estilo de vida das crianças13,50. Um ambiente favorável a práticas alimentares saudáveis requer mudanças efetivas e práticas, de modo a possibilitar que as crianças tenham acesso, dentro do ambiente escolar, tanto às informações sobre opções mais saudáveis de alimentos, quanto aos próprios alimentos, em variedade e quantidade adequadas12,33,51. Isto garante coerência entre discurso e prática. A educação nutricional é comprovadamente eficaz na melhora no nível de conhecimentos sobre alimentação adequada, mas seus efeitos na alteração de comportamentos não são consistentes na ausência de mudanças no ambiente12.
No presente estudo, foi possível observar diferenças, em alguns casos estatisticamente significantes, nas escolhas alimentares das crianças na escola, envolvendo fatores como tipo de escola, sexo e procedência dos alimentos. Estes resultados são importantes para a definição de estratégias de orientação nutricional, que devem levar em consideração estas diferenças, no sentido de desenvolver mensagens específicas para cada grupo e torná-las mais efetivas na promoção de mudanças sustentáveis no estilo de vida. Estas estratégias devem envolver os pais, educadores e as próprias crianças. Um estudo brasileiro23 demonstrou que crianças de 9 a 10 anos de escolas públicas e privadas, após a aplicação de uma intervenção nutricional,
aumentaram a freqüência de atitudes e práticas alimentares mais saudáveis. Isto incluiu alteração na proporção de consumo de alguns alimentos trazidos de casa, como a redução no consumo de salgadinhos industrializados e aumento no consumo de frutas. A grande proporção de salgadinhos e sucos artificiais, assim como a pequena proporção de alimentos recomendados vindos de casa, demonstra que qualquer estratégia de orientação nutricional deve começar pelos pais, uma vez que eles têm a responsabilidade pela escolha dos alimentos12 e são modelos na definição das escolhas e preferências alimentares das crianças51.
Estudo americano demonstrou que em escolas que ofereciam maior número de porções de frutas e vegetais, o número de porções destes alimentos consumidas pelas crianças também era maior52. Outro estudo americano mostrou que a redução do acesso a alimentos e bebidas menos saudáveis na escola promoveu mudança nas escolhas das crianças, que passaram a buscar alternativas mais saudáveis36. Este mesmo estudo comparou o consumo de alimentos antes e após a adoção de política que normatizou os alimentos permitidos para a alimentação escolar e para aqueles disponíveis à comercialização dentro das escolas públicas no Texas, e observou aumento significante no consumo de leite, frutas e vegetais, enquanto bebidas açucaradas, doces, salgadinhos industrializados e sobremesas tiveram consumo diminuído.
A adoção de estratégias de orientação nutricional que tenham como alvo os responsáveis pelas cantinas escolares é condição imprescindível para tornar disponíveis alimentos mais adequados às crianças12,18,53. Para o implemento e sucesso destas iniciativas, parece ser essencial o envolvimento de outros setores do universo escolar, como diretores das escolas e administradores das cantinas. Na França, o envolvimento de administradores de cantinas devidamente treinados sobre nutrição e de especialistas em alimentação no planejamento das refeições escolares, em escolas públicas, foi diretamente relacionado à adequação nutricional destas refeições54. Estas iniciativas devem ter como ponto de partida a definição de políticas governamentais, em âmbito federal, que efetivamente regulem a oferta de alimentos para comercialização nas escolas, tanto públicas como privadas, e que responsabilizem os dirigentes das escolas pelo cumprimento das normas.
As limitações deste estudo incluem a opção por amostra de conveniência, as perdas de crianças da escola privada na constituição da amostra e o método de questionário baseado no auto-relato, que envolve restrições comuns relativas à memória. Entretanto, foram escolhidas as escolas com o maior número de crianças matriculadas
na região central do município de Alfenas. Apesar das perdas, a representatividade da amostra em relação à população da escola foi mantida, e a participação dos escolares oriundos da escola privada na amostra (23%) foi similar à participação original desta escola na população total de crianças (28%). Optou-se por questionário contendo listagem de alimentos previamente definida, o que, somado ao fato de que os alimentos de interesse eram consumidos pelas crianças em evento diário, tende a simplificar a tarefa para a memória das crianças43, permitindo relatos mais confiáveis. Além disto, o inquérito alimentar constitui-se método de fácil aplicação e baixo custo, com validade e reprodutibilidade em crianças comprovadas na literatura28,29,30,31,32. Para melhor avaliação do consumo de alimentos durante a permanência das crianças na escola, futuros estudos poderiam incluir a análise de eventual consumo simultâneo de alimentos procedentes de casa, da cantina e da alimentação escolar oferecida nas escolas públicas. Em conclusão, analisando-se os resultados deste estudo, constatou-se que alimentos para consumo reduzido e moderado foram consumidos em maior proporção, independentemente da procedência, sexo e tipo de escola, exigindo a adoção simultânea de estratégias específicas de intervenção, em âmbito familiar, escolar e governamental.
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Tabela 1 - Freqüência da procedência de alimentos consumidos na escola, segundo o tipo de escola e sexo
Escola Pública Escola Privada
Sexo Feminino (n=226) Sexo Masculino (n=169) p Sexo Feminino (n=69) Sexo Masculino (n=47) p n (%) n (%) n (%) n (%)
Alimentos procedentes de casa
diariamente 53 (23,5) 26 (15,4) 17 (24,7) 8 (17,0)
1-4 vezes/semana 108 (47,8) 79 (46,7) 0,060 33 (47,8) 16 (34,0) 0,062
nunca 65 (28,7) 64 (37,9) 19 (27,5) 23 (49,0)
Alimentos procedentes da cantina
diariamente 6 (2,7) 13 (7,7) 17 (24,6) 24 (51,0)
1-4 vezes/semana 161 (71,2) 105 (62,2) 0,032a 36 (52,2) 13 (27,7) 0,008b
nunca 59 (26,1) 51 (30,1) 16 (23,2) 10 (21,3)
ªPartição do χ2: diferença significante está na freqüência “diariamente”, meninos com freqüência maior que meninas para consumo diário de
alimentos provenientes da cantina.
bPartição do χ2: diferença significante está na freqüência “diariamente”, meninos com freqüência maior que meninas para consumo diário de