/ Le Corbusier. Fonte: MONTEYS, 2008, p. 97. 1.46 Ed. CBI-Esplanada (1946) / Korngold e Jerzy Zalszupin. Fonte: CALLEGARI, 2014, p. 83.
A planta do Edifício de La Marine, em formato lenticular18, assim como
a de 1933, do edifício de escritórios Rentenanstalt, de Zurique, parecem mais associadas formalmente ao caso do Edifício Itália. Do mesmo modo, a organi- zação do espaço interno, com os pilares independentes, destacados da fachada. Estas referências do arquiteto suíço têm duas vertentes: uma, a sua colabo- ração como consultor no projeto do M.E.S.19 (Ministério de Educação e Saúde) de
1936; a outra, a própria colaboração de Franz Heep em seu escritório em Paris, no período de 1928 a 1932.
18. MONTEYS, Xavier. Le Corbusier. Obras e Projetos, Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2008, p. 108.
19. Equipe formada pelos arquitetos: Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Afonso Reidy, Carlos Leão, Jorge Moreira e Ernani Vasconcelos.
1.47
Ministério da Educa- ção e Saúde - M.E.S. (1936), RJ. Fonte: SEGRE, 2013, p. 280. 1.48 La Marine (1938), Argel / Le Corbusier. Fonte: MONTEYS, 2008, p. 131. 1.49 Rentenanstalt (1933), Zurique / Le Corbu- sier. Fonte: MON- TEYS, 2008, p. 108.
1.50
Ed. Itália – plantas 9° e 10° andar. Fonte: BAR-
1.3 AS TRANSFORMAÇÕES DO CENTRO
Os fatores determinantes para o sucesso da verticalização da cidade de São Paulo foram: a criação e o desenvolvimento de uma legislação indutora à verticalização central, os ensaios e a normatização do uso do concreto armado, o acesso aos equipamentos de circulação vertical (elevadores).
As grandes transformações – que se desenvolveram, no período das décadas 1930 e 1960, nas regiões do Centro Velho, Anhangabaú e Centro Novo da cidade de São Paulo –, consolidadas pelos novos projetos de edifícios comerciais e apoia- das pelas obras viárias, possibilitaram a qualiicação dos novos espaços urbanos. Estas grandes transformações estão presentes na criação da Rua Marconi20
20. “A rua Marconi também foi resultado da exigência de uniformização de gabaritos de altura superando os 10 pavimentos. Assim mostram-se os edifícios Dr. Walter Seng, projeto e construção da sociedade Arnaldo Maia Mello Ltda. E os cinco projetos da Richter & Lotufo Ltda., construídos em condomínio para escritório.” (SOMEKH, Nadia. São Paulo anos 30: verticalização e legislação urbanística, In: Espaço & Debates, n. 40, p.78). “O Ato n. 1366, de 19 de fevereiro de 1938, objetivava estabelecer gabaritos de altura a suas do centro novo, formando um desenho característico. (...) Nas ruas Barão de Itapetininga, Xavier de Toledo, Sete de Abril, na praça Ramos de Azevedo, praça da República e na rua Marconi deveriam ter 10 pavimentos com três metros de pé de direito, exclusive os térreos. Acima dessa altura, os térreos deveriam atender ao artigo 145, que permitia
1.51 Anhangabaú (1940) - fotógrafo: WERNER HABERKON – Acervo Museu Paulista_ cod.00224-MP-00.
e, posteriormente, como no caso do Plano de Melhoramentos, na ampliação das Ruas Xavier de Toledo e São Luís, estabelecendo novos parâmetros de ocupação da cidade, como a revisão da concepção urbanística de Bouvard para o Vale do Anhangabaú - com as demolições de seus casarões - e as novas ocupações comerciais junto à Praça da República.
“No centro velho e novo predominava um segmento relativamente novo do mercado imobiliário: o arranha-céu. Nele encontram grande parte das encomendas recebidas por Pilon, que contabilizavam, ao lado das residências unifamiliares de elite, cerca de 90% do total de sua produção, media alcançada por outros arquitetos no período, revelando que a atuação dos proissionais do ramo se deu no espaço consolidado da cidade, para onde convergiam a riqueza, os investimentos estatais em infraestrutura e a regulamentação urbana. (…), ao contrário do que aponta a bibliograia, ao airmar a predominância dos edifícios residenciais a partir de 1940, especialmente em função da promulgação da Lei do Inquilinato (1942), o levantamento da produção de Pilon e de outros arquitetos estrangeiros no período indica a contínua importância do setor terciário no processo de verticalização de São Paulo.” (SILVA, 2010, p. 114).
o escalonamento superior, do Código de 34, não podendo ultrapassar os 50 metros de altura máxima. (...) Além disso, o Ato n. 1366 de 1938, previa que as ediicações da Xa- vier de Toledo e Marconi deveriam subordinar as suas fachadas aos limites dos prédios contíguos, de modo a formar um conjunto arquitetônico.” P. 75 (SOMEKH, Nadia. São Paulo anos 30: verticalização e legislação urbanística, In: Espaço & Debates, n. 40) “Além dessas questões outras eram colocadas pela estrutura fundiária da cidade. Pro- venientes da demolição das antigas construções centrais e da subdivisão das chácaras e arredores da cidade, eram comum a discrepância nas dimensões dos lotes ali formados, no primeiro caso resultados de intervenção nos traçado e na divisão fundiária que re- montavam ao período colonial e no Segundo, consequência do fato da “ lógica do dimen- sionamento [ dos lotes estar] relacionada com partilhas de herança, avanços de legítima, doações, e outros acertos inanceiros, que muitas vezes envolviam, além dos próprios imóveis, bens como fazendas e outros interesses. É o caso da propriedade do médico Walter Seng, localizada entre as ruas Sete de Abril e Barão de Itapetininga, parcelada por seus herdeiros dando origem a um conjunto de lotes distribuídos entre os familiares e vendidos a particulares servidos pela rua Marconi, aberta para dar melhor aproveitamento imobiliário ao terreno.” P.74. (SILVA, Joana Mello de Carvalho O arquiteto e a produção da cidade: A experiência de Jacques Pilon em Perspectiva 1930 – 1960. Tese de Doutorado. São Paulo: Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, 2010.)
A partir da década de 193021, Pilon já se insere dentro deste contexto da pro-
dução dos edifícios de escritórios na região central, tanto do centro velho como em sua expansão, onde destacam-se as seguintes obras: 1933 – Ed. Sulacap, 1937 – Ed. São Manoel, 1938 – Ed. Anhumas, 1938 – Ed. Francisco Coutinho, 1938 – Ed. Henrique de Toledo Lara, 1938 – Ed. Caetano Cardamone, 1938 – Ed. Canadá, 1939 – Ed. Rocha Camargo, 1939 – Ed. Jaraguá e 1939 – Ed. Martinho (demolido).
21. “No período do início do século até 1930, de um total de 84 edifícios verticais, há entre eles 26 com destinação residencial. Estas últimas ediicações, se somadas aquelas destinadas ao uso de hotel, equivalem à metade do total produzido no período. Anali- sando jornais da década de 1920, veriica-se que tal produção era destinada a famílias estrangeiras, funcionários de empresas ou solteiros, e vê-se que datam dessa época seus primeiros expoentes, com produção concentrada na avenida São João e entorno, e, ainda, na rua Carlos de Souza Nazaré, na avenida Liberdade, no parque D. Pedro e no entorno da rua Vinte e Cinco de Março.” (DEVECCHI, 2014, p. 103).
1.52