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Fulbe Orientations and Meanings of Life

In document Managing Fulbe Identity (sider 110-140)

direções ocupacionais, vistas as exigências do novo estado de desenvolvimento. Os valores são reformulados ou recontextualizados, considerando as novas expetativas do adolescente. Os princípios e valores que em parte o orientavam, na fase da infância, entram numa fase de redefinição e até de reconstrução (Marcia, 2002). O autor entende que as regras e os conhecimentos da infância devem ser reformulados enquanto decorre a adolescência. O processo de mudança nesta fase é todo ele marcado por reinterpretações contínuas das experiências de vida, que se vão sucedendo à medida do tempo (Ferreira & Santos, 2007).

A adolescência é a primeira fase do ciclo do desenvolvimento em que a identidade pode ser formada e em que existem todos os ingredientes necessários para a sua construção. Na adolescência, o desenvolvimento físico, sexual, cognitivo, moral e afetivo coloca-se com toda a intensidade, proporcionando a construção da identidade. O adolescente, neste período de mudança e de redefinição, necessita de explorar e experimentar outros modelos de comportamento para conhecer novas necessidades de índole social e sexual, assumindo, deste modo, novas posturas perante si próprio, os pares e os adultos. O sujeito, ao assumir novos enquadramentos de compromisso devido à exploração, necessita de sentir um apoio forte nas suas alternativas, idealmente transmitido no âmbito familiar, social, do seu semelhante ou parceiros (Marcia, 2002; 1989; 1983). A procura do conceito de si próprio constitui o aspeto central no processo de mudança do indivíduo e no seu processo de desenvolvimento. A fase da adolescência, como período do ciclo de vida, é toda ela marcada pelo conceito de desenvolvimento, pela socialização e pelo desejo de integração (Claes, 2010). Dele dependem um certo nível de bem-estar e motivação para agir, assim como predisposição para determinar cada ação nas diversas valências da sua vida (Fontaine & Antunes, 2002/2003).

O conceito de identidade é essencial para se perceber as questões relacionadas com a adolescência, o que tem vindo a ser referido como fundamental para a análise psicológica da relação indivíduo/sociedade (Azevedo, 1992). O período da adolescência é o tempo da procura de “quem sou eu, de que sou capaz e do que gosto em mim” (Neuenschwander et al., 2007a), tempo de procura do autoconceito, aspeto central no desenvolvimento do sujeito. O autoconceito (“quem sou eu?”) surgirá como a principal tarefa do adolescente, face à fulcralidade da identidade como um dos maiores desafios que tem no seu quotidiano. É o tempo de busca de si mesmo e de indagação sobre o significado da vida (Silva & Costa, 2005).

Assim, podemos considerar a adolescência como a fase da última descentração, a libertação em relação ao concreto, para uma nova fase que poderemos designar como a idade quimérica, das elaborações teórico-filosóficas acima das apropriações do aqui e agora da vida (Piaget & Inhelder, 1973). Uma das características mais espantosas do adolescente é a sua capacidade de criar e elaborar teorias abstratas (Piaget, 1990a). Os adolescentes tornam-se

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dados ao debate filosófico, à política, à estética, à música, etc.; uns escrevem, outros falam. Deixam de se referir a si próprios para apresentarem os seus sistemas e teorias que transformariam o mundo (Piaget, 1990a). São colocadas hipóteses de uma forma mental sobre um conjunto de explicações possíveis (Piaget & Inhelder, 1973).

A adolescência, enquanto período marcado pela formação da identidade (Claes, 2010), é igualmente o período de mudança nas relações com as figuras parentais e no surgimento de outros com significado nas suas vidas; é a fase da autonomia parental, da escolha de novas relações importantes, quer de amigos quer de namorados (Silva & Costa, 2005). A adolescência é uma fase de transformações, revelações, tentativas e ensaios, tendo como medida principal a conquista da independência pessoal. A mudança está presente em todo o processo de desenvolvimento nas diversas áreas de desenvolvimento do indivíduo, seja a nível físico, cognitivo, afetivo, moral e até espiritual (Taborda Simões & Lima, 2004).

A mudança ocorre igualmente na postura e na forma como é visto e se dá a reconhecer àqueles com quem interage direta e indiretamente. A nova posição espacial e histórica conduz o indivíduo à elaboração de um novo índice de funções sociais (Cloutier, 1985). Nesta perspetiva de mudança, e com maior expressão na cultura ocidental, é possível, de forma sucinta, sinalizar a mudança sobre três planos psicossociais: a) um sentido maior da responsabilidade e do compromisso; b) da submissão à procura do domínio e do reconhecimento; c) descoberta e acesso à sexualidade (Cloutier, 1985). Vários são os fatores sociais e culturais que influenciam o natural e necessário processo de mudança do indivíduo no seu caminho em desenvolvimento.

A identidade é submetida a vários requisitos e determinações sociais (Denoux, 1994), às autoestradas da informação (Gates, 1995), aos amigos virtuais e redes sociais, às metamorfoses derivadas das solicitações sociais, etc. O sujeito vive numa “encruzilhada cultural” (Denoux, 1994), numa teia complexa (Cassirer, 1995). Na mudança acontece a permanência que dá solidez à própria mudança. O final da adolescência é, assim, relacionado com o êxito de um sentido de identidade pessoal (Marcia, 1983), considerando o processo, dito normal, do desenvolvimento psicossocial.

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2.2. Desenvolvimento: um Tempo de Caminho

As mudanças são oportunidades de desafios no crescimento humano, social, tecnológico, etc. As mudanças, enquanto estímulos ao desenvolvimento, alteram as circunstâncias da vida de tal forma, que as pessoas necessitam de encontrar novamente o seu caminho. O desenvolvimento sobrevém da interação da atividade pessoal e das influências circundantes (Neuenschwander, 2002). O desenvolvimento implica, assim, o decurso de uma etapa da vida para outra, numa dinâmica percecionada e congruente com as características do sujeito e do contexto de desenvolvimento.

Neste período da adolescência, o desenvolvimento consiste na procura de estados de estabilidade e de tranquilidade, de aumento do bem-estar e da autoestima, sendo marcado por uma crescente autonomia nos vários níveis e áreas do desenvolvimento cognitivo e afetivo (intimidade e relações sociais) em ordem ao sentimento de si realizado (Taborda Simões & Lima, 2004). O desenvolvimento marcado pela mudança atinge a sua plenitude/realização à medida que as tarefas psicológicas são alcançadas, confluindo em novas competências conquistadas e atribuídas a novos papéis sociais, num clima de bem-estar e integrados na história pessoal e social. O desenvolvimento saudável imprime a experiência da reciprocidade entre continuidade e mudança na vivência de novas experiências de vida. A capacidade de reação pessoal pelo domínio sobre si mesmo, sobre os outros e sobre as coisas torna possível a experiência de se ser alguém independente e exclusivo (Neuenschwander, 2002).

As experiências de vida, a valorização das mesmas e as respetivas consequências pelo modo como se exerce o controlo interno ou externo sobre as mesmas experiências, em parte, são modos operacionais do desenvolvimento humano. Atrevemo-nos a dizer que as experiências são desencadeadas por processos de necessidade, interesses, motivações, expetativas e estímulos. Piaget (1990a) entende a ação de todas as pessoas, desde os mais pequenos aos mais adultos, como um pressuposto do desejo desencadeado por uma necessidade psicológica afetiva ou intelectual, assumindo esta última a forma de uma questão ou de um problema. O sujeito vê-se todos os dias confrontado com novas situações que o motivam para um movimento, para uma pergunta, para uma ação. A necessidade está na origem da resposta de qualquer movimento, pensamento ou sentimento. A necessidade manifesta um desequilíbrio que obriga o sujeito a um exercício de procura na concretização de uma ação, para satisfazer essa necessidade. Muitas poderão ser as formas de necessidade; tudo o que procuramos deve-se a necessidades por nós identificadas (sentir fome, brincar, dormir, responder a uma pergunta, estabelecer laços afetivos, manter a opinião, defender a teoria apresentada). Assim, poder-se-á dizer que o ato de agir é condicionado pelas variantes

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