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A FTER INDEPENDENCE : PARTY POLITICS AND RELIGIOUS INSTITUTIONALISATION

CHAPTER 1: PRESENTATION OF HINDU NATIONALISM

1.4 A FTER INDEPENDENCE : PARTY POLITICS AND RELIGIOUS INSTITUTIONALISATION

A Análise de Redes Sociais (ARS) é uma técnica interdisciplinar que propicia uma leitura dinâmica das interações sociais e uma alternativa à interpretação “estática” do papel social do indivíduo ou grupo dentro de um contexto (MARTELETO, 2001).

Por sua importância, vem cada vez mais sendo estudada pelas grandes corporações. Elas procuram entender melhor o funcionamento e fomentar os relacionamentos, ou seja, suas redes, para alcançar os objetivos estratégicos, pois já não apostam todas suas fichas na estrutura formal hierárquica. O diagnóstico desses relacionamentos, ou seja, das redes sociais, possibilita o conhecimento de aspectos críticos e pouco conhecidos das organizações, tais como: nível de colaboração, nível de confiança e compartilhamento de conhecimento entre os diversos atores.

A ARS tem se transformado em um importante instrumento para mudanças nas organizações. As redes organizacionais são, portanto, elementos-chaves para a consecução das estratégias de sobrevivência e de avanço estabelecidas para a organização, pois são fontes geradoras das inovações necessárias para o atendimento de expectativas atuais e futuras, além de propiciar um ambiente de alto desempenho (Von KROGH et al., 2001).

De acordo com Cross; Parker (2004), quem conhecemos possui um impacto significativo no que sabemos, uma vez que os relacionamentos são críticos para a obtenção de informações, solução de problemas e aprendizado.

Dessa forma, quanto melhor for a gestão dos relacionamentos em uma empresa, maior será a conectividade existente entre as pessoas e equipes (exercendo influência nos processos de produtividade pessoal e aprendizagem), e conseqüente melhora do desempenho organizacional. Para Cross; Parker (2004), fomentar o desenvolvimento de redes sem perder o foco não é fácil. Os gerentes devem ter planos com metas estratégicas para redes de relacionamento para, rapidamente, alavancar na organização eficiência, eficácia e inovação.

Essas ações estratégicas podem ser acompanhadas por meio de instrumentos que a Análise de Redes Sociais oferece para a gestão desses relacionamentos na organização. Para isso, é necessário mapear relações existentes por meio de uma pesquisa quantitativa, que revelará a estrutura dos relacionamentos a serem analisados.

3.2.1. Histórico da Análise de Redes Sociais

Segundo Scott (2000) houve três principais correntes teóricas que originaram o atual conhecimento e teoria sobre redes sociais:

• Analistas sociométricos que produziram avanços técnicos e metodológicos com a teoria dos grafos.

Teoria da Gestalt Sociometria (Moreno) Dinâmica de Grupo Teoria dos Grafos Escola Antropológica Escola de Harvard (Warner, Mayo) Teoria Matricial (Homans) Escola de Manchester (Gluckman)

Barnes, Bott, Nadel

Michell

Estruturalistas de Harvard

Análise de Redes Sociais

• Pesquisadores de Harvard que exploraram padrões de relacionamentos interpessoais informais e formação de subgrupos.

• Antropólogos de Manchester que utilizaram os conceitos das vertentes anteriores e investigaram a estrutura das relações sociais em pequenas comunidades e sociedades tribais.

Na Figura 2, estão representadas as correntes citadas:

Figura 2. Vertentes teóricas da Análise de Redes Sociais Fonte: Adaptado de Scott (2000)

a. Analistas sociométricos

Nos anos 1930, um grupo de teóricos migrantes alemães, influenciados pela teoria da “Gestalt”, foi trabalhar nos Estados Unidos com psicologia cognitiva e social. Os analistas sociométricos trabalharam em pequenos grupos criando técnicas avançadas como a teoria dos

grafos9. Este trabalho produziu estudos importantes em fábricas e comunidades, enfatizando

as pesquisas sobre a estrutura de grupos. Jacob Moreno é o representante de maior destaque dessa corrente, responsável pelo desenvolvimento da utilização de sociogramas10 para representar as propriedades formais de configurações sociais. (LAGO JÚNIOR, 2005)

b. Pesquisadores de Harvard

Também nos anos 1930, pesquisadores de Harvard exploraram os padrões das relações interpessoais e a formação de subgrupos (cliques)11. Os trabalhos desenvolvidos pelos antropólogos e sociólogos foram baseados em algumas idéias do sociólogo britânico Radcliffe-Brown, além de W. Lloyd Warner e Elton Mayo, que também são destaques dessa corrente ao produzirem estudos importantes em fábricas e comunidades, enfatizando a importância das relações informais e interpessoais nos sistemas sociais. Scott (2000) destaca os estudos na fábrica “Hawthorne” e de “Yankee City”, bem como outro estudo similar a este último, realizado por um grupo ligado a Warner e denominado de “Old City” (LAGO JÚNIOR, 2005).

Outras idéias emergiram de estudos de pequenos grupos entre 1930 e 1940, dando origem aos trabalhos de Homans, que se centrava na consideração de que as atividades humanas conduzem as pessoas a interagirem umas com as outras, e essas interações variam de acordo com a freqüência, duração e direção, e são a base sobre a qual os sentimentos se desenvolvem entre as pessoas. Homans desenvolve a idéia de que a sociometria, desenvolvida por Moreno, provê a base metodológica para aplicação desta teoria em situações sociais particulares. Reexaminando um número de recentes estudos para ilustrar suas idéias, dentre os quais “Hawthorne” e “Old City”, este autor deu origem à teoria matricial12. Apesar de uma matriz conter a mesma informação que um respectivo grafo, a padronização e utilização apoiada nos softwares foram fundamentais para o crescimento do uso da primeira a partir dos

9 Ramo da matemática que permite a resolução de problemas complexos, por meio de representações gráficas

que incluem pontos, arcos, arestas, etc.

10 Representações gráficas que indicavam as relações sociais dos indivíduos, em vilas, tribos e, até mesmo

cidades.

11 Clique em uma tradução livre seria a conhecida panelinha, que indica um subgrupo mais unido. 12 Teoria matricial é a utilização de matrizes para representar relações em grupos sociais.

anos 1940. A partir da utilização de métodos matriciais, otimizou-se a apresentação ainda confusa dos grafos de ordem elevada (muitos pontos) melhorando a padronização dos sociogramas (LAGO JÚNIOR, 2005).

c. Antropólogos de Manchester

Os antropólogos de Manchester construíram sobre as duas correntes anteriores a fundamentação para investigar a estrutura de relações comunitárias em tribos e pequenas vilas. Trata-se de uma linha paralela de desenvolvimento do trabalho de Radcliffe-Brown, enfatizando a análise dos conflitos e contradições, ao invés da integração e coesão, aplicando essas idéias ao estudo de sociedades tribais africanas e, um pouco mais tarde, a pequenas cidades rurais da Inglaterra. John Barnes, Clyde Mitchell e Elizabeth Bott são os nomes a serem destacados pela contribuição na construção dos alicerces da teoria de análise de rede social (LAGO JÚNIOR, 2005).

Os pesquisadores de Manchester focavam a atenção nas configurações reais das relações que surgiam do exercício do conflito e do poder. As teorias passadas, centradas na compreensão de sociedades simples baseadas em relações de parentesco haviam-se tornado inadequadas para se analisar estes fenômenos. Reconhecendo essa inadequação, esses autores iniciaram uma sistematização das noções metafóricas de teia e rede de relações sociais. Inicialmente, manteve-se o significado metafórico, entretanto, John Barnes (apud Scott, 2000), nos anos 1950 assumiu a idéia de rede social de forma mais rigorosa e analítica (SILVA, 2003).

Segundo Mitchell (apud Scott, 2000), as redes sociais incorporam tanto o fluxo de informações, que envolve a transferência de informações entre os indivíduos, o estabelecimento de normas sociais e a criação de certo consenso, quanto uma transferência de recursos e serviços, que ele denomina de ação instrumental. Segundo Scott (2000), a interpretação de Mitchell para a teoria dos grafos e para a sociometria o levou a focar, exatamente, nas características de organização informal e interpessoal que foram ressaltadas por Mayo, Warner e Homans. Essas escolas caminharam juntas até os anos 1960 e 1970, novamente desembocando em Harvard, quando a análise de redes sociais contemporânea foi criada. (LAGO JÚNIOR, 2005)

3.2.2. Tipos de análises de redes sociais

As redes são basicamente constituídas por dois componentes: atores ou nós e suas ligações. Nesse trabalho, os atores são o conjunto de produtores, ou unidades familiares, selecionadas dentro do escopo da pesquisa e são representados graficamente por pontos. Mas podem ser setores, departamentos de uma empresa ou mesmo corporações inteiras e ou até mesmo países. As ligações são as relações entre esses atores e são representações gráficas de setas que indicam a direção do relacionamento, conforme a Figura 3.

Figura 3. Componentes da Rede Fonte: elaborado pelo autor.

A seta pode representar relações unidirecionais, como na Figura 4, ou bidirecionais, como na Figura 5.Nesse caso, a relação é mais forte, pois revela reciprocidade entre os atores, por exemplo: A confia em B e B confia em A.

Figura 4. Ligações de unidirecional (sentido único) Fonte: elaborado pelo autor.

Figura 5. Ligações de Reciprocidade (sentido duplo) Fonte: elaborado pelo autor.

Ligações

Outro tipo de relacionamento importante é “o amigo do amigo”, pois ele indica o potencial de crescimento da rede (Wasserman; Faust, 2008). Esses relacionamentos são conhecidos como ligações tríades transitivas e estão demonstradas a seguir pela Figura 6.

Figura 6. Tríades Fonte: elaborado pelo autor.

A ARS dispõe de alguns instrumentos para sua análise. De uma forma geral, a rede pode ser analisada de maneira visual ou por indicadores quantitativos. A análise visual permite uma visão geral da rede social a ser analisada. Segundo Cross; Paker (2004) seus principais padrões de relacionamentos observáveis são:

• Conectores centrais - pessoas que possuem um desproporcional número de relacionamentos na rede;

• Interfaceadores - são pessoas que conectam subgrupos de uma rede fazendo o papel de interface entre esses subgrupos;

• Intermediários de informação - são as pessoas que estão mais próximas, mesmo que indiretamente, a todos os membros da rede;

• Pessoas periféricas - são pessoas que possuem poucas conexões dentro da rede.

A análise quantitativa dispõe de um conjunto de indicadores que possibilita uma visão mais precisa da estrutura da rede. Silva (2003) propõe uma abordagem em três etapas: análise estrutural, análise relacional e identificação de atores críticos. A análise estrutural aborda as características como tamanho, densidade, diâmetro e distância geodésica. A análise relacional explora a coesão e mapeia os subgrupos. A análise dos atores críticos analisa o papel dos atores na referida. A seguir, na Tabela 1, são apresentados os conjuntos de métricas usados nesta dissertação.

a

b

Análise Indicador Conceito Fórmula de Cálculo

Densidade É o indicador que retrata a potencialidade da rede: quanto maior a

densidade, mais intensas são as trocas que ocorrem em uma rede6. Quociente entre o número de conexões existentes dividido pelo número de conexões possíveis. Distância

Geodésica

É a distância entre dois atores de uma rede6. A distância média de todas

as interações de um ator é uma importante medida de coesão das relações de uma rede.

A distância geodésica é a quantidade de interlocutores que existem entre dois atores. Por exemplo:

A B = A está 1 grau de distância de B. A B C = A está 2 grau de distância de C. A B C D= A está 3 grau de distância de D.

Diâmetro É a maior distância geodésica absoluta entre quaisquer pares de atores

de uma respectiva rede6. Após o cálculo das distâncias de cada relação X Y de uma matriz de relacionamentos, o diâmetro é a maior distância entre os atores. Estrutural

Grau de

Centralização do Grupo

É análise de estrutura que demonstra o grau de concentração de relações distribuída na rede pelos indivíduos.

Quanto maior o índice, mais concentradas em poucos atores estão as relações6.

É uma medida da dispersão comparando a centralização de um ator (quantidade de relações) com o índice máximo atingido por qualquer ator da rede.

Reciprocidade Indica qual a proporção de conexões que tem uma relação de reciprocidade.

Quociente do número de ligações recíprocas (bidirecionais) pelo número das ligações existentes.

Transitividade Indica a quantidade de tríades existentes. Quociente do número de tríades transitivas divididas pelas tríades existentes de qualquer tipo.

Cliques É informalmente conhecida como “panelinhas ou “grupinhos” ou “panelinhas” dentro das organizações como esse conceito muitas fazes trás uma carga pejorativa aqui o denominados como sub-grupos.

São grupos onde três ou mais atores tem relações recíprocas entre eles. Existem outras maneiras de identificar grupos como:

. n-clã – diâmetro

. k-plex – pela capacidade de conectividade

Relacional

N-Cliques Mesmo conceito do Clique, porém difere no seu modo de calcular os sub-grupos. .

Identificação de grupos usando a distância geodésica.

Conectores Centrais

É um indicador de quanto um nó está no menor caminho entre outros vários nós da rede. Fornece uma perspectiva de centralidade global. (CROSS; PAKER , 2004)

Somatório da distância entre de um determinado nó para com todos os outros da rede. Esse valor é normalizado em relação ao nó de menor valor.

Intermediários É um indicador de quanto um nó particular está entre os vários outros nós na rede. (CROSS; PAKER , 2004)

Número de vezes em que o nó aparece como caminho entre todos os nós, dividido pelo número de caminhos existentes entre todos os nós.

Poder É um indicador do poder de influência dos atores.13 Leva em consideração, além do grau de centralização do ator, o grau de centralização dos

atores com quem ele se relaciona.

Atores Críticos

Interfaciadores É um indicador de quem faz a conexão entre os diversos sub-grupos de

uma rede. (CROSS; PAKER , 2004) A partir da identificação de diversos sub-grupos ou cliques, são identificados os atores comuns que fazem a conexões entre as redes. Fonte: elaborado pelo autor.

3.2.3. Dimensões de Redes Sociais

Cross; Parker (2004) propõem quatro dimensões, envolvendo diferentes perspectivas ou redes, que podem ser mapeadas conforme a necessidade:

• Relações que revelam a colaboração dos indivíduos em uma cadeia – foco na comunicação, informação, solução de problemas e inovação; • Relações que revelam o potencial de compartilhamento de informações

de uma cadeia – foco na consciência do conhecimento, acessibilidade,

compromisso e segurança;

• Relações que revelam rigidez em uma rede – foco na tomada de decisão, facilidade de comunicação, fluxo de trabalho e poder de influência; • Relações que revelam bem-estar e lazer em uma rede – foco na amizade,

apoio à carreira, confiança e energia.

Existem outras dimensões dos relacionamentos que ainda não foram abordadas por Cross; Parker (2004). No entanto, entre as muitas que já foram teórica e praticamente trabalhadas, qual a dimensão mais aderente com a criação de um ambiente propício a negociações, troca de informações e conhecimento nas Cadeias Logística do ABEF? Neste trabalho, com base no referencial teórico, propõe-se duas novas dimensões:

• Relações que revelam confiança na coordenação de ações – foco na confiabilidade, na competência, na sinceridade e na assertividade.

• Relações que revelam auto-organização – foco no relacionamento, na informação e no propósito.

A confiança na coordenação de ações - foi apontada no capítulo 2 como característica chave para a eficiência da cadeia logística, e isso foi corroborado por Rossetti (2005) quando ele afirma “que construir confiança é o elemento mais importante no estabelecimento de uma rede, devendo estar presente em todo o processo”. No próximo capítulo, no item 4.3.2, serão detalhados os seus componentes: Confiabilidade, competência, sinceridade e assertividade.

A auto-organização também surge no capítulo 2, ao ser apontada como estratégia metodológica para o suporte de cadeias integradas. No capítulo seguinte, Agostinho (2003) indica a auto-organização como uma das propriedades básicas para o gerenciamento de

sistemas complexos e Wheatley (2006) detalhou os seus princípios: relacionamento, informações e propósito.

No contexto da Cadeia Logística do Agronegócio de Base Econômica Familiar, a aplicação da Análise de Redes Sociais configura-se como uma importante ferramenta para a identificação de elementos-chaves a integração da cadeia de produção. A confiança dá o contexto da rede e a auto-organização a sua dinâmica; ambas as dimensões são fundamentais para a construção de uma Cadeia Logística eficiente e por isso foram selecionadas. O capítulo a seguir apresenta a aplicação das cinco etapas para aplicação da metodologia de Análise de Redes Sociais e as adaptações e suposições que foram feitas para mapear e analisar essas duas novas dimensões.