4 Konsekvenser og fremtidsutsikter
4.3 Fremtidsutsikter for norske forsvarsbudsjetter
Esta seção analisa os modais poder e dever, posto que considero fundamental o papel das escolhas modais na transmissão de significados do ponto
de vista assumido pelo autor dos artigos diante de sua posição dentro da interação, em relação ao seu texto e em relação ao seu possível leitor.
Dessa forma, a análise da modalidade aqui apresentada não parte das noções semânticas modalização/modulação ou mesmo proposição/proposta. O objetivo pretendido é o de buscar apreender o significado das ocorrências de modalidade a partir de um contexto maior de interação. As funções exercidas pelos modais nos artigos analisados são apresentadas a seguir, juntamente com os seus exemplos. O uso dos operadores modais poder e dever talvez estejam mais visíveis na tabela abaixo:
PODER % OCORRÊNCIASNO. DE DEVER % OCORRÊNCIASNO. DE
PODE 46,2 548 DEVE 59,1 194 PODEM 18,5 219 DEVEM 19,5 64 PODEMOS 10,8 128 DEVERIA 10,4 34 PODERIA 6,0 71 DEVERIAM 5,5 18 POSSA 4,1 49 DEVERÃO 2,4 8 POSSAM 3,0 36 DEVA 2,1 7 PODENDO 2,4 28 DEVAM 0,9 3 PODERIAM 2,1 25 TOTAL 100,0 328 PODERÍAMOS 1,3 15 PÔDE 1,2 14 POSSO 0,8 10 PUDESSE 0,8 10 PUDESSEM 0,8 9 PODEREM 0,5 6 PODEREMOS 0,5 6 POSSAMOS 0,3 4 PODERMOS 0,3 3 PODIA 0,3 3 PODERÁ 0,1 1 PODERÃO 0,1 1 TOTAL 100,0 1.186 Tabela 9: Os operadores modais no corpus
Observando a tabela pode-se notar claramente a presença maciça de modalidade, especialmente no que se refere à modalização. O modal pode e suas variações somam um total de 1.186 ocorrências no corpus. Pode é o mais utilizado com 548 ocorrências, o que equivale a 46,2% do total de ocorrências desse
operador modal. Em seguida vêm podem e podemos com 219 ocorrências do primeiro (18,5% do total de ocorrências) e 128 ocorrências (10,8% do total de ocorrências no corpus) do segundo. Podemos apresenta um outro aspecto – o (nós) inclusivo , sugerindo uma partilha no que se refere ao assunto tratado no texto. Poderia aparece com 71 ocorrências (6,0%) como elemento modalizador, sugerindo baixa modalidade. Possa, possam e podendo apresentam percentuais semelhantes em relação ao uso, porém possa tem 49 ocorrências, enquanto possam 36 e podendo 28 como operadores modais. Poderiam aparece com 25 ocorrências, o equivalente a 2,1% do total de uso de modais. Poderíamos apresenta o mesmo sentido que poderia, porém neste caso foi usada a terceira pessoa do plural. Poderíamos tem 15 ocorrências com um percentual de 1,3%. O (nós) incluso sinaliza um convite do autor no sentido de partilhar o seu texto com o leitor, mas ao mesmo tempo poderíamos sugere uma ação que expressa incerteza, irrealidade. Pôde apresenta praticamente o mesmo número de ocorrência de poderíamos, ou seja, 14 ocorrências com 1,2%. Apesar dos operadores modais posso, pudesse(em), poderem(emos), possamos, podermos, podia e poderá(ão) aparecerem com frequência baixa, decidi juntá-los ao quadro dos modais por considerar importante para esta parte da análise a verificação dos elementos modais utilizados pelos autores dos artigos. Sendo assim, posso, pudesse(em), poderem (emos), possamos, podermos, podia e poderá(ão) detêm no corpus 67 das 1.186 ocorrências totais de operadores modais, o equivalente a 5,6% e suas variações somando 1.186 ocorrências.
Em relação à modulação, o operador modal deve e suas variações totalizam 334 ocorrências no corpus. O operador modal deve tem 194 das 334 ocorrências totais, o que corresponde a 59,1% de uso desse modal no corpus. Devem aparece com 19,5%, equivalentes a 64 das 334 ocorrências totais. Deveria e deveriam aparecem respectivamente com 10,4% (34 ocorrências) e 5,5% (18 ocorrências). Os operadores modais deverão, deva e devam têm 18 das 328 ocorrências desses modais, equivalentes a 5,4%.
As funções exercidas pelos modais nos artigos analisados são apresentadas a seguir, juntamente com os seus exemplos.
a - expressão de possibilidade
1) A desqualificação da ênfase concedida à concepção de sujeito ideológico pode ser
argumentada por vários caminhos. Optamos aqui por trazer a voz de Foucault: a noção de
ideologia me parece dificilmente utilizável por três razões. A primeira é que, queira-se ou não, ela está sempre em oposição virtual a alguma coisa que seria a verdade.
O autor sugere o estabelecimento de uma posição diante do assunto, reforçado pelo uso de outro participante para o discurso – no caso, as palavras de Foucault apresentadas em citação sem aspas.
b - expressão de probabilidade
2) Acredita-se, ainda assim, que este mapeamento inicial pode fornecer indicações relevantes quanto aos rumos e tendências da pesquisa em tradução no Brasil, que se evidencia, desde o início, como um trabalho altamente diversificado e fragmentado quanto à sua afiliação institucional a diferentes programas de pós-graduação, o que nos relembra a apreciação de Pym (1999:35) sobre o caráter nômade (homeless) dos Estudos da Tradução.(002)
3) Acreditamos, por conseguinte, que o monismo materialista, que concebe a realidade como um complexo constituído e formado pela estrutura econômica e, portanto, por um conjunto de relações sociais que os homens estabelecem na produção e no relacionamento com os meios de produção (id. ib.:105) pode constituir a base para uma teoria crítica da linguagem.(033) 4) A visão privilegiada não esgota as múltiplas possibilidades de construção de sentido, mas, a nosso juízo, pode colaborar para o planejamento de futuros sociais mais justos, posto que se pauta por princípios éticos de respeito às diferenças.(030)
As três construções em destaque exemplificam casos de modalização, pois o que se troca nesses trechos são informações, proposições. Nos exemplos, o operador modal pode (média modalização) é usado pelos autores na expressão de incerteza quanto à sua ação em relação ao assunto apresentado; sendo assim, o autor não pode ser responsabilizado pelos resultados do que está sendo dito.
c - expressão de potencialidade em relação ao assunto tratado
5) É esperado, no final, que os alunos percebam o grau de especificidade que algumas escolhas implicam, os vários sentidos que existem para uma mesma expressão, a adequação desses sentidos no contexto em que se insere o texto-fonte e o texto-alvo, como a intuição costuma ser falha (insuficiente ou enganosa) e como corpora eletrônicos podem oferecer uma quantidade ampla e rica de informação vital para o tradutor, para melhor ajudá-lo na consecução dos trabalhos.(041)
6) O intuito ao apresentá-las é o de mostrar algumas possibilidades de tópicos de pesquisa que podem ser explorados dentro de um cenário onde há limitação de recursos disponíveis. Embora a meta principal a ser atingida com elas seja a de propiciar uma maior conscientização sobre as especificidades das escolhas linguísticas no texto traduzido e no
texto-fonte, outro aspecto importante que elas suscitam é o de fazer com que os alunos 'ponham a mão na massa'.(041)
7) Criar inteligibilidade sobre tais discursos, principalmente sobre aqueles que circulam na mídia, devido ao seu grande alcance, é uma contribuição que pesquisadores que atuam no campo da linguagem podem dar.(030)
Os exemplos 5 e 6 pertencem ao mesmo autor/texto. O uso de podem nesse contexto estabelece um sentido de maior polidez, contrariamente ao que ocorre com os exemplos com o modal pode. Aqui há troca de informações – uma proposição. Nos dois exemplos, o caminho persuasivo fica claro se acompanharmos a proposição realizada pelo autor desde o início: X=intuição para análise é falha, Y=corpora eletrônicos oferecem rica informação. O mesmo ocorre com o exemplo 5 no qual, mais uma vez, há o uso de modalização no sentido de optar por um discurso mais polido; porém, é óbvia a ênfase dada à opção de preferência do autor. Nessa proposição, o autor apresenta ao leitor o que este considera relevante e reforça a importância do que será apresentado com a oração seguinte: “Embora a meta principal a ser atingida com elas seja a de propiciar uma maior conscientização sobre as especificidades das escolhas linguísticas no texto traduzido e no texto- fonte, outro aspecto importante que elas suscitam é o de fazer com que os alunos 'ponham a mão na massa' ”.
No exemplo 7 há o uso de operador modal podem na indicação da posição do autor, levando-nos a crer que a sua proposta é a melhor ação em relação ao discurso da mídia. Vale observar o complemento que se refere ao exemplo 7: “Nossa linguagem em uso pode, portanto, ser entendida como um instrumento de estímulo à ação guerreira, uma vez que os significados por ela articulados podem conduzir ao enfrentamento bélico, justificá-lo e construí-lo como valor perante o Direito Internacional.”
d - expressão de opinião acerca do assunto do texto
8) Por este motivo, ainda que se possa tratar do letramento como um conceito isolado na Educação, é impossível concebê-lo à margem da teoria da gramática, da qual se esperam explicações acerca de fenômenos lingüísticos encontrados pelo professor no cotidiano escolar. (023)
9) Embora o valor de 500 palavras possa ser alterado pelo usuário, a questão ainda permanece sobre qual seria um número razoável que garantisse a representatividade das palavras-chave.(041)
Os exemplos acima revelam opiniões expressas pelos autores acerca do assunto central do texto. No exemplo 9 isso aparece como justificativa por alguma questão que não consiga ser resolvida através do texto proposto. Nos exemplos, os autores deixam uma incógnita em relação à postura que deve ser adotada pelo leitor, ou seja, concordar com o conceito sobre letramento a partir de uma dada teoria no exemplo 8, ou como ter certeza do número coerente de palavras para uma análise eficaz em 9. De alguma forma, a expressão de opinião acaba levando o autor a uma posição mais confortável frente ao leitor.
e - relato dos resultados e conclusões sobre os dados
10) Enfim, apresentar uma avaliação geral sobre essa experiência, com as conclusões a que
podemos chegar até o momento e com novas hipóteses e considerações de ordem teórica e
metodológica referentes aos procedimentos de elaboração do material didático, ao desenvolvimento de conhecimentos dos professores e ao trabalho de assessoria.(005) 11) Com base nos resultados acima, podemos afirmar que, entre português e espanhol, a transferência de conhecimento, idealmente, pode chegar a mais de 90%.(015)
Nos exemplos acima pode-se perceber que o autor, ao empregar podemos, reforça o trabalho realizado. O traço que se destaca é a assertividade mostrada diante dos fatos apresentados. Há um traço de argumentação, especialmente no exemplo 11, reforçado pelo processo verbal afirmar e também pelo dado estatístico apresentado, no sentido de dar crédito à informação oferecida pelo autor.
f - relato sobre o tema central do artigo
Nota-se, nos exemplos a seguir, a presença do operador modal poder na forma poderia expressando um traço de ‘irrealidade’ à asserção. Nesse sentido, percebe-se um evidente envolvimento do autor no sentido de esclarecer ao leitor questões referentes ao assunto do texto.
12) A não-compreensão destes, certamente, compromete a compreensão do texto como um todo. Tomemos, como exemplo, a frase " La niña vio unos lindos pimpollos a la izquierda de un escritorio." Um falante de português poderia entender que havia algumas crianças à esquerda de um escritório quando, na verdade, o que havia eram botões de rosa à esquerda de uma escrivaninha. (015)
13) O contexto em que tais sentenças poderiam surgir é o de um diálogo em que se discutem quais tipos de sentenças complexas são fáceis, ou difícieis, na aquisição do PB, quando um dos interlocutores opinaria: "São as relativas que são fáceis!", ou até mesmo numa contra-argumentação a uma suposição de que as relativas poderiam ser difíceis para as crianças pequenas.(027)
14) Foi somente em 1957, determinado, sobretudo, pelas idéias de Saussure, que Stokoe, professor do Gallaudet College em Washington, levantou como hipótese que as línguas de sinais dos surdos poderiam ser consideradas "naturais".(004)
Nos exemplos 15 e 16, quando o autor faz uso do operador pudesse, está se referindo a ações incertas, hipotéticas ou desejadas no presente. Nos exemplos a seguir, o autor não sugere assertividade em relação às discussões propostas sobre o tema central do texto.
15) O texto em si forneceria vários elementos para uma análise linguística que pudesse levar em conta a produção de sentidos através de relações ou elos de coesão. (040)
16) Isso significou, segundo Sampson (1980), que os estudos da linguagem passaram a abordar o seu objeto como uma "espécie de entidade que pudesse ser descrita objetivamente da mesma forma que os outros elementos do mundo natural" (:17). (040)
g - convite à partilha
17) Afinal, no texto criado pelo Autor, que emergeria de seu desejo de ser invulnerável ao desejo autoral do outro, ou, como poderíamos argumentar a partir de Nietzsche, de seu "desejo de potência", não deve haver lugar para a "criatividade" do leitor, ou qualquer versão da "visibilidade" do tradutor, vistos como forasteiros que, sobretudo conscientemente, poderiam acabar usando o texto alheio como tela para a projeção de seu próprio desejo de potência.(037)
18) Poderíamos nos perguntar, também, dizem Antos & Tietz (1997), se, nestes trinta anos de existência, a Linguística Textual desempenhou apenas um papel de "hóspede" da Linguística, talvez um modismo como tantos outros, ou, então, se ela se tornou uma ciência integrativa de várias outras ciências (Retórica, Estilística, Teoria dos Gêneros, Teoria da Argumentação, Narratologia etc.), vindo a constituir uma "Ciência ou Teoria da Linguagem". (van Dijk, 1978) (017)
Ao usar o modal poder (poderíamos), o autor inclui o leitor e compartilha dos assuntos tratados nos dois exemplos, que abrangem o sujeito nós como um convite à partilha dos possíveis questionamentos levantados pelos autores.
h- expressão de argumentos em relação à atitude do autor
19) Nossa argumentação é que a análise crítica do discurso, por seu trânsito nas áreas sociais, culturais, e pós-coloniais, pode possibilitar a desejada ampliação do olhar e da escuta dessas vozes e, simultaneamente, a necessária focalização do aspecto discursivo da prática social de produção e consumo também dos gêneros do discurso literário dos afro- descendentes brasileiros, os quais se articulam em torno de um projeto de afirmação identitária sociocultural e pós-colonial.(003)
20) A discrepância nos dois primeiros grupos se deve, a nosso ver, à ajuda do contexto, aliada à capacidade de inferência dos sujeitos. No terceiro grupo, a discrepância pode ser
explicada em função das alterações vocálicas, consonantais e silábicas, ocorridas de uma língua para a outra, dificultando a inferência. (015)
Um aspecto importante do uso do operador modal nos exemplos 19 e 20 sugere que o autor, embora esteja modalizando a fala, argumenta com apoio na teoria de análise mencionada no exemplo (Análise Crítica do Discurso) e na discussão dos resultados obtidos no exemplo 19.
Como pode-se observar nos exemplos a seguir, a modulação apareceu nos modais deve, devem e deveria.
i - expressão de necessidade
Nos exemplos abaixo – 21 e 22 –, os autores não assumem a responsabilidade por uma necessidade. No entanto, a necessidade é decorrente de circunstâncias externas, algo que está fora do seu controle. Desse modo, os autores procuram conseguir a compreensão dos leitores na busca de outros elementos e ações para o assunto do texto. Nos exemplos listados, observa-se que de alguma forma os autores se protegem ao não assumirem declaradamente posições frente ao que está sendo tratado.
21) Diferentemente de outras teorias possíveis, a que se reporta ao conceito de letramento ganha materialidade fora do contexto acadêmico, concebendo-se, portanto, como algo a ser absorvido pela cultura imanente às práticas sociais, não sujeita a determinações acadêmicas. Daí resulta que sua construção deve se dar com certa isenção, relativamente à precedência dos preceitos científicos já estabelecidos sobre os demais, não científicos, presentes na sociedade.(023)
22) Mesmo levando em conta que a situação que conhecemos possa ser contingencial, uma proposta para ser viável nesse cenário deve, portanto, fazer exigências mínimas de infraestrutura, exigindo apenas corpora e ferramentas básicas. (041)
23) As pesquisas descritas abaixo, portanto, devem ser entendidas como fundamentalmente aplicáveis a alunos iniciantes, com conhecimentos básicos de informática, tais como navegar na Internet, e pouco ou nenhum conhecimento de Linguística de Corpus.(041)
Nos exemplos abaixo os autores utilizam para as suas proposições o modal dever (deveria), adicionando um traço de incerteza à proposição. De alguma forma, o autor se exime de quaisquer responsabilidades levantando hipóteses sobre a necessidade de mudar o olhar para então atender a mudanças nas práticas pedagógicas (exemplo 24). Em outras palavras, havia uma hipótese para o
desenvolvimento do trabalho, porém quem deveria ter efetivamente participado do processo não o fez (nesse caso, os professores da universidade). Já no exemplo 25, o autor do texto chama a atenção para a necessidade imediata de mudança de postura dos pesquisadores sobre os estudos levantados (deveriam ser reestruturados), sugerindo que esses linguistas já possuem algumas hipóteses sobre a linguagem visual-gestual. Nesse caso, todavia, parece que para o autor do texto o caminho para a obtenção de resultados deveria ter sido outro e não foi.
24) Nossa hipótese central, nesse trabalho, era a de que a elaboração do material didático
deveria ter a participação efetiva dos professores da universidade, uma vez que essa
participação poderia lhes dar o estatuto de agentes responsáveis por todo o processo e lhes forneceria uma possibilidade efetiva de transformação/refinamento de seus saberes e de suas práticas didáticas.(004)
25) A maioria dos linguistas havia descrito línguas faladas, todos eram ouvintes (...) Quando aceitaram o desafio de analisar uma língua numa modalidade diferente, deveriam reestruturar sua forma de pensar já que estavam tratando com um objeto que, além de não ser a sua língua nativa, era uma língua transmitida numa modalidade visuo-gestual (Massone, 1993: 82).(004)
j- expressão de posicionamento do autor
Nos exemplos que se seguem pode-se observar o uso do modal deve. O exemplo 26 – deve fazer um reforço – revela um traço de indignação e um alto envolvimento do autor com a proposição, visto que esse trecho contém a leitura que o autor faz da fala do trabalhador em aspas, apresentada anteriormente. Temos, assim, a imagem do autor que apoia uma atitude mais assertiva. Já o exemplo 27 – deverá fazer – sugere uma forma mais tênue, relacionada a uma ação que certamente irá acontecer, nesse caso como consequência natural do processo da mulher. No exemplo 28 vemos a posição do autor em relação ao tema central do artigo, a coesão lexical. Há certo desconforto em relação ao lugar que ocupa o tema nas discussões e, como o próprio autor coloca, não se chega a um consenso. Com o uso de deveria ressaltando essa situação, o tema está diretamente relacionado a algo que poderia acontecer em um momento anterior ao ato de fala; em outras palavras, apesar das discussões aqui relatadas e de outras possíveis, não há consenso na academia sobre a coesão lexical. De certa maneira, há um descontentamento do autor em relação a essa situação.
26) “Vamos tampar tudo, vamos fazer um reforço, já que a gente é trabalhador!", que apontam para a preocupação da criança em assumir o ethos do trabalhador, enquanto fiador
que, dotado de coragem, deve fazer um reforço, e não fugir da avalanche, de forma a dar fidedignidade a sua ação.(029)
27) Assim, daquele momento em diante, instala-se na vida daquela pequena mulher o início do aprendizado dos rituais de beleza que deverá fazer parte de sua identidade feminina durante toda a sua vida.(030)
28) Na verdade, a própria noção de coesão lexical não é consensual (ver, por exemplo, Koch,1989 e Fávero, 1993) uma vez que grande parte dos casos de coesão lexical desempenha uma função essencialmente referencial no texto e por isso deveria fazer parte da categoria geral de co-referência, ou simplesmente referência. (040)
O que me chamou a atenção ao final da análise foi a diferença significativa de 50% entre o uso de modalização (78,0%) e o uso de modulação (21,9%). Em geral, nessa parte do texto situa-se a natureza do problema, cuja resolução é desenvolvida ao longo do texto, assim como sua relevância para a comunidade discursiva e o objetivo do trabalho. No que tange à linguagem, as características para a produção do discurso científico pautam-se na clareza, na objetividade e na impessoalidade. Cabe ressaltar que a impessoalidade permite dar um caráter de distanciamento ao autor trazendo, portanto, não subjetividade ao discurso. As escolhas dos modais feitas pelos autores favoreceram o estabelecimento de padrões de significados para o uso desses operadores modais. Apesar de ter analisado todo o texto, isto é, todas as partes constituintes do artigo (entenda-se introdução, desenvolvimento e conclusão), pude perceber que nas introduções a modulação revelou-se quando os autores trataram da necessidade do tema ali proposto.
Essa necessidade está ligada não somente ao desejo do autor em tratar daquele assunto, mas também às necessidades decorrentes de circunstâncias externas, algo que foge ao seu controle. Nesse sentido, a valorização do tema tratado é reforçada por meio do operador modal deve e suas variáveis. Já os modais pode e suas variáveis podem, possa, podemos, poderia, poderiam, poderíamos e pudesse apareceram, nas introduções, em vários padrões de significados.
Em relação à possibilidade do tema apresentado surtir resultados e tornar-se relevante para a área, quando o autor tratava da potencialidade do seu assunto central, o uso desses modais fez-se novamente presente. Na expressão de opinião acerca do tema central e do relato sobre resultados, surgiu o modal pode nas duas