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Fremgangsmåte Plassering av prøvehullene

Esta pesquisa foi realizada no PEFI, uma UC urbana com aproximadamente 526 hectares, localizada na região sudeste do município de São Paulo-SP, fazendo limite com a cidade de Diadema-SP (FERNANDES; REIS; CARVALHO, 2002). É uma UC completamente circundada pela malha urbana, com a Rodovia dos Imigrantes passando bastante próxima de um lado, a Avenida Cursino de outro e seu interior cortado pela Avenida Miguel Estéfano, caracterizando-a como uma grande ilha verde na região (Figura 1). A

vegetação predominante é classificada como ombrófila densa, pertencente ao domínio da Mata Atlântica (BARBOSA; POTOMATI; PECCININI, 2002).

O PEFI foi criado oficialmente em 1969, todavia, sua história se inicia mais de cem anos antes. Em 7 de setembro de 1822, é declarada a independência do Brasil por D. Pedro I, às margens do Riacho do Ipiranga. As nascentes deste histórico riacho encontram-se exatamente dentro do PEFI, e é por conta delas que esta UC recebeu seu nome oficial. Hoje, as águas das nascentes se juntam sob a Rodovia dos Imigrantes e percorrem um trecho já canalizado de cerca de 7 Km a céu aberto, dividindo as Avenidas Ricardo Jafet e Abraão de Moraes, portas de entrada a São Paulo para quem é proveniente da Baixada Santista. Em seguida, as águas afloram em frente ao famoso Museu do Ipiranga (Museu Paulista da USP) e deságuam no Rio Tamanduateí, um afluente do Rio Tietê, pertencente da sub-bacia hidrográfica do Alto Tietê (BARBOSA; POTOMATI; PECCININI, 2002).

Retomando o histórico desta UC, o primeiro ato legal que dá início a sua criação é o Decreto 204-A de 12 de setembro de 1893, no qual são indicadas áreas a serem desapropriadas na região do Riacho do Ipiranga, com a justificativa de que as águas deste local seriam um importante incremento ao abastecimento do município de São Paulo (SÃO PAULO, 1893). Então é realizada a primeira demarcação do Parque, conhecido na época como Parque da Água Funda; a partir de 1917, obras passam a ser realizadas para o aproveitamento dessas águas, mas com o aumento da poluição e com a adequação de outras fontes de abastecimento, a utilização da região para o abastecimento de água é encerrada na década de 1920 (BARBOSA; POTOMATI; PECCININI, 2002).

Figura 1. Vista aérea do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga.

Fonte: Google Earth

Após este período, surge a ideia de se utilizar o local como parque público e, a partir de então, a UC passa a apresentar uma de suas características que mais a diferenciam de outras áreas protegidas, a presença de instituições em seu interior. As primeiras delas foram o Jardim Botânico de São Paulo e o Departamento de Botânica, futuro Instituto de Botânica (IBt), criados oficialmente em 1938 (JARDIM BOTÂNICO DE SÃO PAULO, 2015a), seguidas pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) ligado à USP, em 1941 (MANTOVANI; MASSAMBANI, 2004) e pelo Departamento de Produção Animal, que se tornaria a Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (SAA). Em 1958, é inaugurado o Zoológico de São Paulo, consolidando-se como fundação no ano seguinte (FPZSP, 2015b). Em 1968 é criado o Hospital Psiquiátrico da Água Funda, que futuramente seria conhecido como Centro de Atenção Integrada em Saúde Mental (CAISM) "Doutor David Capistrano da Costa Filho" (LAPLA; PLANTEC, 2006).

Em 17 de janeiro de 1969 é publicado o Decreto n. 10.353 que declara que os bosques e matas do então Parque da Água Funda passam a ser de preservação permanente.

Neste mesmo ano, em 12 de agosto é publicado o Decreto 52.281 que cria o Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, oficializando também a mudança do nome de Parque da Água Funda para PEFI.

Os anos foram se passando e a região passou a ser cada vez mais habitada, incluindo a construção da Rodovia dos Imigrantes, que separou o Parque em duas áreas, processo que foi acompanhado pela ocupação de boa parte da área por habitações irregulares (BARBOSA; POTOMATI; PECCININI, 2002). Em 2001, é inaugurado na área do IAG, o Parque de Ciência e Tecnologia da USP, o Parque Cientec (PARQUE CIENTEC, 2015). Assim, até 2002, faziam parte do PEFI as seguintes instituições: IBt, IAG, Parque Cientec, SAA, FPZSP composta pelo Jardim Zoológico e Zoo Safári, Fundação Estadual para o Bem- estar do menor (FEBEM), 3º Batalhão da Polícia, 97ª Delegacia da Polícia Civil (97º DP) e o CAISM. Algumas destas instituições foram desativadas como a FEBEM, o 3º Batalhão da Polícia e a SAA, as duas últimas em 2013 a partir do Decreto n. 14.944/13, sendo a área destinada à construção de um grande recinto de exposições anexo ao que já existe atualmente na região, o Centro de Exposições Imigrantes (São Paulo Expo). Além disso, atualmente está em construção o Centro Paraolímpico Brasileiro na área do PEFI entre o Centro de Exposições e o 97º DP. A Figura 2 mostra a área do PEFI destacando as instituições atualmente em seu interior, bem como o Centro de Exposições.

É importante ressaltar que atualmente três das instituições que se encontram no PEFI têm como principal função a recepção de visitantes, são elas: o Jardim Botânico de São Paulo, a Fundação Parque Zoológico de São Paulo e o Parque Cientec (PCT). Com a presença de um jardim botânico, um zoológico e um centro de ciências, o PEFI recebe uma quantidade significativa de pessoas todos os anos, sendo aproximadamente 1,5 milhões de pessoas, apenas para a FPZSP (FPZSP, 2014). Dessa maneira, há a oportunidade de realizar projetos e ações educativas que alcançarão um grande número de pessoas, possibilitando grande difusão da temática ambiental.

Com relação à gestão desta UC, a partir do Decreto Estadual n. 43.342/98, houve a criação do conselho gestor do parque, o Conselho de Defesa do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga (CONDEPEFI), o qual tem como participantes representantes das instituições instaladas na UC, bem como representantes do Estado, das prefeituras de São Paulo e Diadema e representantes da sociedade civil. São realizadas reuniões regulares entre os membros deste conselho, para tratar especialmente de questões como a fiscalização, a recuperação e proteção ambiental e a autossustentabilidade do parque (BARBOSA; POTOMATI; PECCININI, 2002).

Figura 2. Vista aérea do Parque Estadual das Fontes do Ipiranga com destaque às instalações das instituições em seu interior e do Centro de Exposições Imigrantes.

Fonte: Google Earth. Edição: autoria própria.

Em conformidade com o SNUC, o PEFI possui um plano de manejo desde 2008. Este plano apresenta o zoneamento da região, sendo importante destacar o fato que dentre as cinco zonas elaboradas para a área do parque (zona primitiva, zona de recuperação, zona de patrimônio histórico e cultural, zona de uso intensivo, zona de uso conflitante) é levada em consideração a presença das instituições, uma vez que estão no interior do PEFI. Segundo o plano de manejo, embora o PEFI seja caracterizado como um Parque Estadual, devido a essas distintas condições, não é possível um enquadramento perfeito como UC de proteção integral, no entanto, uma vez que esta área apresenta o maior fragmento de Mata Atlântica da região metropolitana de São Paulo, sua classificação nesta categoria de UC é justificável (SÃO PAULO, 2008).

Neste documento, constam também os programas de gestão selecionados e suas respectivas atividades propostas para que o PEFI possa alcançar seus objetivos como UC

de proteção integral. Ao todo são nove programas: operacionalização, proteção, manejo, infraestrutura, conservação, educação, monitoramento, lazer e pesquisa. Com relação ao programa de educação, o qual será o assunto desta pesquisa, são propostas duas atividades. A primeira é a implementação de uma proposta de conscientização das/os funcionárias/os das instituições no PEFI e moradoras/es do entorno; e, a segunda, é a articulação das instituições no PEFI para implementar proposta de EA para visitantes (SÃO PAULO, 2008).

Outro ponto do plano de manejo que é interessante ser destacado está presente dentre as seis ações emergenciais propostas para o PEFI. A quarta proposta visa concretizar a vocação ambiental do PEFI e, para isso, indica a necessidade de que seja implementado um programa educacional ligado à valorização dos recursos naturais do PEFI e aos condicionantes de conservação ambiental (SÃO PAULO, 2008). Dessa forma, a educação é ressaltada no plano de manejo como um caminho para o cumprimento dos objetivos do PEFI.

A presença de uma área verde como o PEFI é sem dúvida de grande importância para a região. O PEFI presta serviços ambientais para a população da região metropolitana de São Paulo, tais como um espaço verde para o lazer, possibilitando a prática de exercícios e o contato com a natureza, e regulação climática da região, algo de grande importância quando consideramos a qualidade de ar do município de São Paulo (MANOEL, 2010). Além disso, levando em consideração os aspectos histórico-culturais do PEFI, este local tem grande valor simbólico, sendo parte importante da história de nosso país. De acordo com LAPLA e PLANTEC (2006), isso é algo a ser considerado, uma vez que os aspectos histórico-culturais de uma UC possibilitam o fortalecimento da visão e importância que o local possui.

Assim, podemos verificar que o PEFI desempenha papéis muito importantes seja para a conservação da biodiversidade, para manutenção da história e cultura brasileira ou para trazer qualidade de vida às pessoas que residem na região. Dessa maneira, é importante que as instituições em seu interior, principalmente aquelas que recebem visitantes, possam demonstrar a essas pessoas, bem como para a população do entorno, a grande importância que o PEFI possui, pois dessa forma será possível ressaltar, tornar conhecida e proteger esta tão valorosa UC.

Considerando essas necessidades, as análises realizadas nesta pesquisa trazem um panorama geral do desenvolvimento das atividades educativas e da participação da população do entorno no PEFI. É importante conhecermos este panorama para que seja possível analizar essas ações e buscar caminhos para sua contínua melhoria. Esta pesquisa contribui também buscando e apresentando as opiniões, percepções e sugestões de pessoas

pertencentes aos principais grupos que se relacionam com o PEFI, sua EA e gestão, tanto para formulação deste panorama, como para indicação de novos caminhos para esta UC, além de estimular a criação de um canal de comunicação entre estes grupos, pois desta maneira, será possível pensar coletivamente em ações a serem realizadas, fortalecidas por considerarem as diferentes pessoas envolvidas com a UC de maneira democrática e dialógica, garantindo a manutenção do PEFI e o cumprimento de seus objetivos para a conservação da biodiversidade.