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De acordo com o recorte teórico-metodológico, adotamos os aspectos semiolinguísticos inseridos na composição da webnotícia do G1 para efeitos de análise, tais como a situação de comunicação em que são produzidas as notícias online, o tipo de contrato de comunicação previsto e as estratégias discursivas no tocante à visada da informação e de captação usadas pelo sujeito comunicante em relação ao seu interlocutor.

Na análise do processo de composição do gênero, consideramos a (re)definição do contrato de comunicação e o contexto situacional em que acontece a encenação do Dizer, por meio das estratégias de credibilidade e de captação usadas pelo sujeito comunicante.

Na Teoria Semiolinguística, Charaudeau (2014) apresenta os conceitos e as categorias de base que participam da comunicação verbal, isto é, a interação autor/leitor nas condições de produção e recepção da webnotícia do G1. O teórico considera o ato de comunicação como um dispositivo onde os parceiros (locutor e interlocutor) se interagem, de forma intencional, exercendo um grau de influência sobre o outro.

Em síntese, o teórico apresenta, basicamente, os quatro componentes desse dispositivo cênico, a saber:

a) a situação de comunicação (o quadro físico e mental no qual há a troca linguageira entre os parceiros) e eles estão ligados por um contrato

de comunicação (o “acordo prévio);

b) os modos de organização dos discursos (os princípios de organização da matéria linguística);

c) a língua (o material verbal, que contém forma e sentido);

d) o texto (o resultado do material do ato de comunicação e das escolhas, que são as estratégias discursivas) feitas pelo falante dentre as categorias da língua e os modos de organização, em função das restrições impostas pela situação de comunicação.

E onde entra o gênero? Essa categoria, de acordo com a teoria, resulta do cruzamento entre um tipo de instância enunciativa (a origem do sujeito falante e seu grau de implicação no domínio social onde circulam os saberes), um tipo de

modo discursivo, um tipo de conteúdo (o propósito ou o domínio temático) e o tipo

de dispositivo (o suporte físico e/as condições materiais). Estes dois últimos constituem parte dos dados externos do contrato.

Para a Teoria Semiolinguística, há três aspectos que devem ser levados em conta para determinar um gênero (ou uma classe textual): o lugar de construção de sentido do texto, o grau de generalidade, com suas características constituintes ou específicas) e o modo de organização discursiva dos textos.

Conforme explicamos ao longo deste trabalho, os textos noticiosos foram extraídos diretamente do site do G1, sofrendo, assim, alterações na configuração

textual do gênero jornalístico em função do dispositivo cênico, isto é, não apresentam imagens, nem vídeos, tampouco os infográficos por razões já expostas.

Por uma problemática de gêneros, com base em Charaudeau (2004, 2005a, 2010, 2012, 2015a), apresentamos a seguir um esquema para demonstração dos principais conceitos e das categorias de base propostos pela Teoria Semiolinguística (TS).

Figura 14 – O contexto de composição do gênero

Fonte: Elaborado pelo próprio autor.

O esquema acima representa a inclusão de um domínio sobre o outro, de forma não autônoma, por serem espaços que se encaixam um no outro. O

macrodomínio da prática social (o espaço midiático onde circulam os saberes e os

conhecimentos dos sujeitos) mantém, de forma linear e hierárquica, a relação com o

domínio de comunicação marcado pela situação de comunicação do webjornalismo, que, por sua vez, depende da troca linguageira imposta pelas

restrições do contrato de informação do G1.

Começamos então a análise de uma amostra contendo seis webnotícias do G1 (os textos foram adaptados para a versão impressa), para termos uma ideia clara da situação de comunicação em que elas são produzidas e o tipo de contrato,

Domínio do espaço midiático (imaginários sociodiscursivos) Situação de comunicação jornalística

Contrato de informação WEBNOTÍCIA DO G1

que é estabelecido no contexto de produção e recepção dos textos. As outras aparecem nos anexos deste trabalho.

Texto 1

17/08/2016 05h30 - Atualizado em 17/08/2016 12h18 Do G1, em São Paulo

Homens armados atacam e invadem sede da Protege em Santo André, SP

Quadrilha ateou fogo a caminhão e colocou pregos na rua para evitar PM. Ação deixou um ferido; nada foi roubado, segundo empresa e SSP.

Homens armados atacaram e invadiram a sede da empresa de transportes de valores Protege, no Bairro Campestre, em Santo André, no ABC paulista, na madrugada desta quarta-feira (17). Houve tiroteio e explosões. Um segurança ficou ferido e o prédio foi danificado, mas nada foi levado, segundo a empresa. A Secretaria de Segurança Pública confirma que não houve roubo de valores.

Foi o quarto grande ataque a uma sede de transportadora no estado neste ano. Na fuga, os bandidos deixaram um rastro de violência com assaltos a carros e incêndio de menos 11 veículos.

Vizinhos à sede da empresa de transporte de valores Protege, em Santo André, relataram ao G1 os momentos de pânico que viveram na madrugada desta terça-feira durante a ação dos bandidos. Eles afirmam terem ouvido rajadas de tiros por mais de 40 minutos.

“Ouvimos tiros e deitamos no chão. A reação foi de pânico”, afirma a bancária Nayane Matias, que mora em frente à sede da Protege.

Fonte: Disponível em: <http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/08/homens-armados-atacam-e- invadem-sede-de-empresa-de-valores-no-abc.html>. (Acesso em: 20 ago.2016).

De acordo com o texto 1, a webnotícia em questão traz informações relevantes e novas sobre um assunto ligado à área policial: o ataque e a invasão de bandidos a uma empresa de segurança. Sabemos que, durante a produção de uma webnotícia, o grau de relevância apontado pelo jornalista é considerado essencial

para garantia do teor informativo. Isso é demonstrado a partir da manchete da webnotícia, destacando-se a informação considerada de maior importância, trazida para o início do texto.

Conforme a estratégia de captação apontada por Charaudeau (2015a), a manchete e o subtítulo são duas partes da webnotícia, as quais o sujeito comunicante (o G1, de São Paulo) informa ao sujeito interpretante sobre o que vai acontecer, uma forma de “prender a atenção do leitor”, despertando o interesse para continuar a leitura até o final. Mas, pelo contrato de comunicação estabelecido pelo G1, é possível que o TUi consiga compreender o “conteúdo mais importante” da webnotícia, por esta razão é que a manchete aparece no texto em fonte ampliada e em destaque para chamar a audiência de leitura do interlocutor.

Os dados do contrato de comunicação midiática dão conta de que a

encenação do discurso informativo seja realizada de forma interativa (entre autor

e leitor) e intencional, ou seja, que haja uma certa intenção do jornalista sobre seu interlocutor ao se produzir uma webnotícia cujo propósito temático seja do campo jornalístico policial. Para Charaudeau (2015a, p. 129), “o sujeito informante (jornalista e instância midiática) está, pois, situado entre essas restrições, de um lado, e seu projeto pessoal de descrição e de explicação dos acontecimentos, de outro”.

No processo de composição da webnotícia do G1, de forma igual ao gênero jornalístico de outros portais, a manchete e o título, normalmente, trazem a informação mais importante, e por que não dizer, a mais impactante. Mas, dentro do projeto intencional da instância de produção, espera-se que os resultados de audiência de leitura por parte do sujeito interpretante sejam alcançados de forma satisfatória, uma vez que, pela manchete, por exemplo, os portais jornalísticos “costumam destacar as informações julgadas como capazes de despertar mais a atenção do público-leitor, e que, portanto, são consideradas de maior valor informativo” (BARBOSA, 2015, p. 182).

Por tais motivos, a instância de informação (o G1) exige do sujeito informante, como regra estabelecida no contrato, o uso de formas verbais no tempo presente para garantir o caráter de “novidade” da matéria jornalística, já que o

Texto 2

24/08/2016 07h16 - Atualizado em 24/08/2016 09h43 Da Agência Efe

Mais 39 tremores secundários foram registrados após terremoto na

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