2. Teori
2.4 Forurensinger i overvannet og forurensningsbegrensende tiltak
Num manejo de base ecológica, as características biológicas dos solos são as que mais respondem positivamente aos impactos ambientais do sistema agrícola, sendo os mais utilizados como indicadores de qualidade e sustentabilidade, como práticas simples e pouco onerosas (VASCONCELOS et al., 2013). Tanto a biomassa microbiana, representada pela parte viva da matéria orgânica dos solos como a riqueza e diversidade de bactérias podem representar indicadores de sustentabilidade em sistemas de conversão agroecológica (JESUS et al., 2005) e precisam ser avaliados para o entendimento das respostas nos sistemas agroecológicos. A utilização de resíduos orgânicos gerados na propriedade, associados a cultivos simultâneos com outras espécies em sistemas de produção de mandioca, em transição agroecológica, podem interferir positivamente, permitindo melhoria nos aspectos produtivos e sócio-econômico-ambientais da propriedade, trazendo benefícios diretos e indiretos para o produtor e para o ambiente.
Mesmo sem estudos aprofundados dos aspectos microbiológicos do solo, pode-se inferir positivamente numa unidade produtiva de base agroecológica, tomando-se como base a biomassa gerada, que muitas vezes é desperdiçada ou subutilizada. Serão considerados no presente trabalho resíduos gerados em uma propriedade de base familiar como sendo restos de culturas em campo das diferentes espécies até sobras de processamento de alimentos (crueira, manipuieira, etc.) ou mesmo urina das vacas e esterco caprino. O conhecimento acerca de onde estão sendo produzidos esses resíduos e como eles poderão ser utilizados para a melhoria do sistema produtivo servirão como bons indicadores de sustentabilidade num sistema de base familiar e agroecológica.
Com o entendimento de que os resíduos orgânicos são importantes para a produção agrícola e tendo em vista a manutenção da qualidade do solo ao longo do processo de transição agroecológica, o acesso a algumas políticas públicas pode contribuir como alerta para reduzir a prática da comercialização e descarte inadequados dos resíduos orgânicos das propriedades, principalmente das que apresentarem déficit de fertilidade do solo, incentivando o seu uso para a melhoria do sistema de produção.
Antes de propor qualquer forma de gestão de resíduos gerados na propriedade e acessar as políticas públicas para isso, é importante conhecer a composição desses resíduos, tanto quanto ao teor de nutrientes como ao de elementos que possam ser tóxicos ao homem e à natureza. Além do conhecimento da composição desses resíduos pode-se observar a reação dos mesmos quando em uso ou armazenados em sistema aeróbio ou anaeróbio, para que a utilização dos mesmos seja mais equilibrada.
Os solos do semiárido, de uma maneira geral, apresentam normalmente baixos índices de aspectos microbiológicos, obtendo respostas satisfatórias quando submetidos a incremento de matéria orgânica e água. Mesmo assim, considera-se fundamental certificar-se de metodologias que permitam avaliar a capacidade dos agroecossistemas em resistir e recuperar-se quando submetidos a condições climáticas severas (ALTIERI, 2013), daí a importância em observar características relacionadas com a saúde do solo, como aspectos microbiológicos.
Em busca de atributos sensíveis às mudanças provocadas pelo manejo do solo pela agricultura, de modo a compreender o grau de sustentabilidade de um sistema, os índices biológicos surgiram como um mecanismo que avalia qualitativa e quantitativamente tais questões, buscando um indicador que espelhe a robustez da vida do solo e reflita o seu grau de perturbação.
Entre os tratamentos avaliados (Figura 57) observa-se um aumento do carbono da biomassa microbiana nos tratamentos 2 (V19 solteira), 5 (Brasília + feijão) e 8 (V19 + esterco + feijão), em que o tratamento 2 destaca-se com 0,25 mg C kg⁻¹ solo, mostrando que a correção do solo, através da aplicação de calcário e fósforo, favorece o incremento de carbono microbiano no mesmo.
Figura 57. Carbono da biomassa microbiana do solo nos diferentes tratamentos na comunidade Vira Beiju, Petrolina-PE.
Fonte: dados da pesquisa
Já na comparação com a respiração basal do solo são observadas maiores taxas de emissão de CO2 entre os tratamentos 1 e 2; pode-se perceber que a adubação afetou significativamente a taxa de respiração da biomassa microbiana (Figura 58). No ambiente de Caatinga não antropizada também foi avaliado a respiração basal e verificaram-se valores bem acima dos encontrados na área experimental (Figura 59), aspecto esse que reforça o equilíbrio existente nesses espaços ainda não alterados mecanicamente nas atividades agrícolas.
Nas condições experimentais, o tratamento 2, em todos os índices avaliados, destaca-se em seus valores. Observou-se um aumento no teor de BMS (0,25mgC/g solo), liberação eficiente de CO2 para o sistema, dados estes comprovados pela redução nos valores encontrados de qCO2 da microbiota do solo.
Figura 58. Respiração Basal do solo nos diferentes tratamentos na área adubada e não adubada da comunidade Vira beiju, Petrolina-PE
0 0,5 1 1,5 2 2,5 Brasília
solteira solteiraV19 Brasília +esterco estercoV19 + Brasília +feijão V19 +feijão Brasília +esterco + feijão V19 + esterco + feijão R B S (m g de C -CO ₂ g⁻ ¹ s ol o ho ra ⁻¹) Tratamentos Área adubada
48 HORAS 168 HORAS 360 HORAS
0 0,5 1 1,5 2 2,5 Brasília solteira V19 solteira Brasília + esterco V19 + esterco Brasília + feijão V19 + feijão Brasília + esterco + feijão V19 + esterco + feijão R B S (m g de C -C O₂ g⁻ ¹ s ol o ho ra ⁻¹) Tratamentos
Área não adubada
48 HORAS 168 HORAS 360 HORAS
Figura 59. Respiração Basal do solo no ambiente da Caatinga não antropizada adjacente aos ensaios de mandioca na área da comunidade Vira beiju, Petrolina-PE.
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
48 horas 7 dias 15 dias
Re sp ira çã o B asa l d o so lo ( m g.cm -3)
Tempo após a incubação CAATINGA 01 CAATINGA 02
Fonte: dados da pesquisa
A adubação favorece maior acúmulo de nutrientes no solo estimulando a proliferação de microrganismos e aumentando a atividade biológica nesse ambiente. As raízes das plantas também influenciam no enriquecimento microbiano, pois liberam exsudados que são fontes de nutrientes para microbiota, além de CO2 dinâmica de fonte de carbono para o ecossistema.
Em relação à redução dos níveis de qCO2 (quociente metabólico), os tratamentos 2 e 5 possuíram os menores valores, indicando a eficiência do aproveitamento dos substratos pelos microrganismos nesses sistemas (Figura 60).
Figura 60. Quociente metabólico (qCO2) nos diferentes tratamentos aplicados na área dependente de chuva da comunidade Vira Beiju, Petrolina-PE
Fonte: dados da pesquisa
Diversos outros autores trabalhando com ambientes semiáridos também encontraram incremento nas características microbiológicas com práticas com o uso de matéria orgânica (CONCEIÇÃO et al., 2012, SILVA et al., 2013, FERREIRA et al., 2015), o que reforça mais ainda a certeza de que em sistemas frágeis e inóspitos para a microbiologia, como os do semiárido, não se pode deixar de lançar mão dessas práticas sustentáveis e recomendadas na agroecologia.
Não foi possível relatar os resultados de produção de resíduos num segundo período (chuvoso) da área por conta da chuva ter sido realmente insuficiente para a geração de resíduos mensuráveis.
Quando se aborda o tema matéria orgânica do solo é importante observar que nem todas as fontes de resíduos são igualmente benéficas para a microbiota do solo e crescimento das plantas. Moreira e Siqueira (2006) estudando a adição de matéria orgânica ao solo e as mais diversas reações possíveis, alertam exatamente para o uso indiscriminado de resíduos orgânicos em todas as situações, o que pode incorrer em contaminação, caso sejam usados resíduos contaminados, ou mesmo a indisponibilização de alguns elementos químicos. Este aspecto foi o que mais estimulou o desenvolvimento do presente capítulo, para que fosse desmistificado de
todas as maneiras o uso do esterco caprinovino nas propriedades com criação de animais e geração desse resíduo. Apesar das condições climáticas adversas no trabalho conduzido para o presente capítulo, ficou claro que a atividade microbiana obteve benefícios com o uso do resíduo orgânico testado (esterco caprino ovino), e, portanto, não restaram dúvidas que é um resíduo importante e útil para o solo naquela região.