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Forskning og utvikling i statsbudsjettet som helhet

5. Merknader til kapitler på forskningsområdet

5.1 Forskning og utvikling i statsbudsjettet som helhet

“Artes   performativas   e   envolvimento da comunidade – que contributo para a formação   de   públicos?”   interessa-se, tal como o próprio título sugere, sobretudo pela questão dos efeitos dos projectos em causa no que à predisposição para o consumo cultural diz respeito. Estes, que pretendem ser motor para a participação e envolvimento de uma comunidade específica nas artes performativas, envolvem uma população e conceitos adjacentes que urge analisar.

O objecto de estudo desta pesquisa é a comunidade participante em cada um dos projectos analisados. Para a utilização deste conceito, é necessário ressalvar a passagem de uma comunidade convocada para o grupo formado, quer em Atlas quer em Oxalá, que aqui se designa como comunidade participante. Enquanto a primeira partilha um espaço virtual constituído por todos aqueles que estabeleceram contacto com essa mesma convocatória, a segunda é construída sob um sentido de pertença suportado em mais do que a componente espacial. Interagindo na partilha de outras dimensões, formam-se espaços de representação de memórias; espaços de criação, participação e partilha de uma mesma experiência.

Deste modo, analisando as motivações, objectivos e as várias dimensões do lado da oferta e da procura, pretende-se cruzar as especificidades dos festivais tratados, as intenções dos directores artísticos e dos criadores das respectivas performances com uma caracterização que se pretende plural do grupo de participantes. Interessa, portanto, ir ao encontro de uma pluralidade interna e perceber os efeitos reais da experiência.

Materializando as referências utilizadas na abordagem teórica, importa perceber os diferentes modos de relação com a cultura e o modo como a trajectória de vida, as práticas dos indivíduos e as disposições activadas ao longo de tudo isso despertam diferentes   sentidos   no   modo   de   “relacionar”   e   como   tal   influencia   a   experiência   de   recepção. Concordando que uma pesquisa deste género implica uma análise plural, o estudo propriamente dito da “comunidade  participante” engloba três dimensões.

Partindo   do   princípio   já   enunciado   de   Jauss   de   que   a   recepção   depende   “do   presente,   do   passado,   do   que   somos,   do   que   já   vimos”   (JAUSS,   1978:   5),   todos   os   indivíduos que chegaram a Atlas ou a Oxalá levam bagagem cultural, conhecimentos, interesses e experiências de vida. Assim sendo, a trajectória de vida enquanto caminho para perceber as motivações-base de cada um dos indivíduos no que diz respeito aos

21 consumos culturais, assume-se como a primeira dimensão tratada. Considera-se o perfil socio-demográfico (sexo e idade), escolaridade e profissão, mas sobretudo o contacto e o interesse perante as práticas artísticas e culturais e as experiências de socialização cultural.

A segunda dimensão trata o contexto e a própria experiência em si. Para além das práticas artísticas noutros âmbitos, interessa perceber o nível de conhecimento prévio que os participantes têm dos festivais, como o grau de proximidade que mantêm com os mesmos: ao nível da frequência de espectáculos ou outras actividades e ao nível da participação expressiva nos projectos incluídos nas programações anteriores. O nível de relação mantida é, portanto, considerado um factor de influência na participação e no sentido atribuído à própria experiencia.

Com ênfase numa análise não isolada da experiência, parte-se também de um conjunto de factores através da qual ela surgiu. O modo como tiveram conhecimento do projecto, a relação prévia que já mantinham com outros participantes e o espaço em que surge, ou determinados interesses específicos relacionados com o espectáculo são factores que desempenham um determinado peso na participação e na experiência que se retira dela. Relativamente à experiência propriamente dita importam as expectativas, o tempo de preparação, os motivos de satisfação e insatisfação, os momentos de convivialidade e as relações estabelecidas.

A terceira e última dimensão trata a fase posterior ao espectáculo. Assim sendo, urge perceber os aspectos mais relevantes da experiência, quais as mudanças no consumo e na predisposição para a cultura. Pretende-se também interpretar esta dimensão partindo de elementos retirados das dimensões abordadas anteriormente e perceber, por exemplo, como diferentes percursos influenciam a experiência da participação e as consequências que dela derivam.

Do ponto de vista empírico, a estratégia metodológica utilizada teve por base o inquérito por questionário aplicado por via electrónica e respondido através do Google Drive. Cada inquérito é constituído por vinte e sete perguntas divididas por sete grupos: relação artística aquando da infância, relação actual, avaliação do grau de proximidade com o festival, experiência do espectáculo, sociabilidade no âmbito do mesmo, impactos da participação e caracterização sociodemográfica. A acrescer, considera-se também uma pergunta de resposta aberta, destinada a receber contributos extra dos inquiridos acerca da experiência de participação.

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Os links para os questionários foram enviados por e-mail para os participantes constantes de uma base de dados fornecida pela produção dos festivais em causa. Dos 100 participantes em Atlas, possuía apenas o contacto de 85, sendo este o número total de inquiridos. Relativamente a Oxalá, o número total de inquiridos coincide com a totalidade dos participantes, onze.

Os contactos de e-mail inexistentes foram posteriormente obtidos através de chamadas telefónicas. Aos participantes que concordaram participar no estudo, mas não possuíam endereço electrónico (um em Oxalá, sete no caso de Atlas), aplicou-se o questionário por telefone com inserção das respostas simultaneamente no Google Drive. No total, foram obtidas 7 respostas válidas ao questionário referente a Oxalá (taxa de resposta de 63,6 %) no período de 19 de Julho a 12 de Agosto e 50 relativas ao Atlas (taxa de resposta de 58,8%) de 19 de Julho até 20 de Agosto.

Como complemento ao inquérito por questionário, a estratégia metodológica incluiu também uma pesquisa documental acerca dos festivais (percurso, programação, objectivos, posicionamento) e dos artistas em causa (percurso artístico e projectos que visam a participação da comunidade) e uma componente qualitativa que consistiu na entrevista semi-directiva aos directores artísticos do festival e criadores das respectivas peças.

As dimensões analisadas através das entrevistas aos directores artísticos de ambos os festivais coincidem e prendem-se, numa primeira fase, com a experiência do festival, relativamente ao contexto do nascimento do mesmo, posicionamento e componente   “ligação   à   comunidade”.   Ainda   neste   âmbito   pretende-se compreender como caracterizam o público do festival e que dificuldades detectam na captação de públicos para as artes performativas. Numa segunda fase de entrevista, analisa-se a experiência do espectáculo vista do lado da oferta. As dimensões aqui em estudo são portanto a integração do projecto na programação e respectivos objectivos, a estratégia de comunicação para a constituição do grupo e a experiência com a comunidade em si: caracterização da comunidade participante, consciência das motivações que conduziram à participação. Por último, a avaliação que fazem do projecto quanto à participação da comunidade e captação de novos públicos.

As entrevistas aos criadores artísticos das peças abordam também duas dimensões. A primeira parte incide sobre o trabalho de cada um dos performers e a experiência que mantinham com o trabalho com a comunidade. A segunda relaciona-se

23 sobretudo com a experiência do espectáculo do seu ponto de vista. Assim sendo, interessa perceber os objectivos da criação quer de Atlas quer de Oxalá, a experiência com o grupo, as mais-valias e dificuldades sentidas durante o tempo de preparação do espectáculo e, ulteriormente, o feedback que receberam e a avaliação que fazem quanto ao impacto deste tipo de projectos.

As entrevistas, posteriormente transcritas7, foram realizadas entre 21 de Maio e 14 de Junho.

A análise culmina com o cruzamento entre os resultados provenientes da pesquisa documental, das entrevistas realizadas e dos inquéritos por questionário.

7Consultar anexo III e anexo IV para as entrevistas a Margarida Mestre e Paulo Vasques e Dina

Magalhães, respectivamente; anexo X para a entrevistas a Ana Borralho e João Galante e Anexo XI para a entrevista a Tiago Guedes

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