4.6 F REMTIDSPLANER OG YRKESLIV
4.6.4 Forskjeller mellom LAP-studenter og andre realfagsstudenter
Na atualidade, a produção científica tem crescido significativamente em todas as áreas da ciência (Thompson et al., 2013). De facto, tem-se vindo a assistir a um aumento exponencial das investigações disponíveis, com novas publicações científicas a serem difundidas todos os anos e com o surgimento de várias bases de dados que facilitam o acesso à informação científica (Petticrew & Roberts, 2006; Ribeiro, 2014).
Esta acessibilidade é um privilégio. No entanto, estar atualizado é quase impossível (Thompson et al., 2013), a não ser que se despenda uma grande quantidade de tempo a ler e a
28 avaliar as informações disponíveis. Com efeito, as evidências dos estudos individuais podem ser enviesadas, metodologicamente imperfeitas, dependentes do tempo e contexto em que foram realizadas e dar origem a conclusões que se contradizem ou que conflituam entre si. Assim, nem sempre é fácil perceber que resultados são válidos ou a quais é que os especialistas podem recorrer para utilizar na sua prática profissional (Centre for Reviews and Dissemination, 2009).
As revisões de literatura surgem como forma de ultrapassar estas dificuldades, sendo que existem diversos tipos de estudos de revisão, cujas características variam, por exemplo, dependendo do tipo de perguntas de investigação às quais pretendem responder, das razões pelas quais estas questões são efetuadas, das perspetivas teóricas e ideológicas em que se baseiam e dos métodos a que recorrem (Gough, Thomas, & Oliver, 2012; Petticrew & Roberts, 2006; Ribeiro, 2014). Podem, por exemplo, examinar teorias já existentes e propor novas, identificar e resumir as evidências sobre determinada temática, fornecer recomendações com implicações práticas tanto para a investigação futura, quanto para a intervenção e analisar metodicamente as razões pelas quais estudos com as mesmas perguntas de investigação chegam a conclusões diferenciadas (Petticrew & Roberts, 2006).
Os diferentes tipos de revisão podem caracterizar-se por procedimentos mais rígidos, baseando-se em guiões previamente estabelecidos e criteriosamente detalhados (e.g. RSL, Meta-análise), ou ser de caráter mais aberto e qualitativo, sendo o foco principal a análise, avaliação e síntese dos resultados identificados sob opinião e orientação do autor que conduz a investigação (e.g. Revisão narrativa) (Ribeiro, 2014).
A RSL é uma forma de investigação que surgiu na área da Medicina nos anos de 1970, cujo racional se encontra baseado na tradição positivista/ científica (Mallett, Hagen- Zanker, Slater, & Duvendack, 2012; Torgerson, 2003). Tinha como objetivo, então, avaliar a eficácia de determinados medicamentos/ intervenções nos cuidados de saúde e apoiar a prática da medicina baseada na evidência (Mallett et al., 2012; Perry & Hammond, 2002). Devido aos seus inúmeros benefícios, a sua utilização começou a ser desenvolvida numa série de outras áreas, incluindo a Psicologia (Perry & Hammond, 2002).
Este método científico tem por objetivo reunir toda a evidência empírica existente que vai ao encontro dos critérios de inclusão e que permite responder aos objetivos e perguntas de investigação, utilizando um procedimento sistemático que pretende minimizar o enviesamento e fornecer informações válidas a partir das quais se podem alcançar conclusões
29 e tomar decisões (Liberati et al., 2009). Para além de ser relevante no sentido de organizar e sintetizar as descobertas científicas sobre determinado tema e contribuir para a resposta a diversas perguntas, é também um método que permite identificar áreas de incerteza e registar temáticas nas quais a investigação é inexistente ou insuficiente e, portanto, onde existe a necessidade de desenvolver novos estudos (Petticrew & Roberts, 2006).
Para a reduzida subjetividade desta metodologia, contribui a elaboração prévia de um protocolo que, para além de guiar os investigadores ao longo de todo o processo de revisão (não os deixando afastar-se do estabelecido a priori), contribui para a transparência metodológica (Mallett et al., 2012). Neste protocolo são identificados clara e explicitamente os aspetos/ etapas importantes do processo como, por exemplo, os objetivos e perguntas de investigação, os critérios de inclusão/ exclusão de artigos e a estratégia de pesquisa (e.g. bases de dados, palavras-chave) (Buehler, Figueiró, Cavalcanti, & Berwanger, 2012; Moher et al., 2015).
Para o alcance de uma maior objetividade, é também sugerido que a RSL seja efetuada por uma equipa de especialistas que, durante a fase de pesquisa, elaboram uma comparação dos artigos selecionados individualmente (inclusões e exclusões), para posteriormente se efetuar uma discussão e se alcançar um acordo perante eventuais divergências (Liberati et al., 2009; Moher et al., 2015; Petticrew & Roberts, 2006; Torgerson, 2003). Todo o processo é documentado e descrito, de modo a que seja passível de ser replicado por outros investigadores (Liberati et al., 2009; Mallett et al., 2012; Petticrew & Roberts, 2006). Segundo Mallett et al. (2012), as RSL são consideradas métodos rigorosos que, da forma menos enviesada possível, permitem mapear as evidências existentes sobre uma determinada temática e sintetizar e avaliar a qualidade dos dados.
Como já referido, existem diversos métodos de revisão da literatura. Na presente dissertação recorreu-se à RSL por se considerar ser a que mais se adequava a responder aos objetivos e perguntas de investigação propostos. Em seguida, referir-se-ão outros dos principais métodos utilizados em psicologia para a revisão de investigação. É importante salientar que todos são úteis se responderem às perguntas para as quais foram implementados e se forem reportados de forma a serem compreendidos e passíveis de reprodução por outros investigadores (Ribeiro, 2014).
Tal como na RSL, a Meta-análise implica a formulação explícita de perguntas e objetivos de investigação, recorrendo a procedimentos sistemáticos para identificar e avaliar a
30 investigação relevante (Sousa, Firmino, Marques-Vieira, Severino, & Pestana, 2018). Segundo Ribeiro (2014), a diferença destas duas metodologias reside na utilização de métodos estatísticos para a análise e sumarização dos resultados dos estudos selecionados. As RSL podem recorrer à Meta-análise para efetuar a análise e resumo das evidências, no entanto, isto só é possível quando os estudos incluídos são muito semelhantes entre si (Petticrew & Roberts, 2006). Quando os dados são heterogéneos (e.g. quando provêm de estudos metodologicamente diferentes), é necessário elaborar uma análise mais qualitativa dos resultados, uma vez não ser possível a aplicação de métodos estatísticos (Perestelo-Perez, 2013; Petticrew & Roberts, 2006).
Diferente das demais, na Revisão Scoping é efetuada uma avaliação preliminar, na qual se identifica a natureza e extensão das evidencias existentes, com o objetivo de compreender a sua abrangência e âmbito, podendo ser incluídas investigações ainda em curso (Sousa et al., 2018). Um dos seus objetivos fundamentais relaciona-se com o foco na identificação de lacunas na literatura, bem como com a inclusão de todos os resultados encontrados acerca do tópico pretendido. As principais diferenças, por comparação à RSL, relacionam-se com alguns fatores, nomeadamente: a Revisão Scoping possuir uma pergunta inicial mais ampla (ao invés de específica e focada); os critérios de inclusão/ exclusão poderem ser definidos posteriormente à revisão (e não incluídos no protocolo prévio), originando maior subjetividade; a qualidade dos artigos incluídos não ser tida como prioritária; e não ter necessariamente de implicar a extração de dados (Ribeiro, 2014).
A Revisão Narrativa é qualitativa, fornecendo um resumo narrativo e compreensivo da investigação publicada anteriormente (Ribeiro, 2014). Caracteriza-se por ser um método mais subjetivo uma vez que a recolha dos artigos se baseia maioritariamente na perspetiva do investigador que seleciona e interpreta a literatura que considera relevante, não existindo um protocolo prévio (Torgerson, 2003). Neste tipo de revisões, não são explicitadas a estratégia de pesquisa, as razões para a inclusão/ exclusão de determinados artigos, nem os critérios de avaliação das investigações selecionadas (Ribeiro, 2014). Assim, existe maior probabilidade de o autor optar por artigos que vão ao encontro da sua própria opinião e excluir outros que a contrariam, originando enviesamentos e possivelmente interpretações incorretas das evidências (Mallett et al., 2012; Torgerson, 2003).
Como pode ser percebido, a RSL distancia-se da subjetividade da revisão bibliográfica tradicional, pois a sua metodologia transparente, rigorosa e sistemática permite que investigadores independentes alcancem aproximadamente a mesma revisão (Howitt &
31 Cramer, 2017). Por estas razões, a RSL tem vindo a tornar-se cada vez mais importante na área da saúde (Moher, Liberati, Tetzlaff, Altman, & Group, 2009), sendo que os clínicos podem utiliza-la como meio de se manterem atualizados sem despender muito tempo ou recursos (Perestelo-Perez, 2013).
Através de uma pesquisa nas bases de dados Scielo, Redalyc e EBSCO, foi possível perceber que a RSL não é uma metodologia muito utilizada em Portugal, parecendo que os investigadores em psicologia dão tendencialmente preferência à revisão narrativa da literatura. No que concerne às RSL em Portugal, as temáticas que se encontram exploradas em psicologia encontram-se descritas no Quadro 1 (pág. 32).
Relativamente ao Brasil, foi possível perceber que a RSL é uma metodologia muito mais explorada, por comparação a Portugal. Através da pesquisa nas bases de dados referidas anteriormente, identificou-se algumas das temáticas mais estudadas em psicologia – Quadro 2 (pág. 35).
Neste contexto, e como já referido, o objetivo principal desta dissertação prende-se com a identificação e análise do conhecimento científico existente sobre o bem-estar na adolescência no contexto português e brasileiro. Recorrendo-se ao método da RSL, pretende- se responder às seguintes perguntas de investigação (PI):
PI1. Até à data, que variáveis/ constructos foram estudados em relação ao bem-estar na adolescência?
PI2. Quais dessas variáveis/ constructos demonstraram impacto no bem-estar na adolescência?
PI3. Que tipo de impacto no bem-estar na adolescência foi observado?
PI4. Tendo em conta o conhecimento adquirido com as questões anteriores, que sugestões podem ser feitas para pesquisas futuras?