No que respeita ao presente caso de estudo, o caráter adverso da ocorrência de afluências indevidas encontra-se devidamente fundamentado, através da aplicação dos métodos de quantificação selecionados e dos fatores de conversão económico e ambiental adotados. Constata-se a correlação entre a problemática em análise e a ocorrência de fenómenos pluviométricos.
O comportamento dos métodos revela-se concordante, sendo que possibilitaram a aferição do valor médio de 71% e 76,5% de afluências indevidas para os anos de 2015 e 2016, respetivamente. A presença de cursos de água próximos à rede de drenagem e as caraterísticas climáticas e geológicas da região da bacia hidrográfica na qual esta se encontra implementada, podem revelar-se fatores potenciadores desta problemática.
Para efeito prático e numa perspetiva conservadora, mediante o volume médio anual de afluências indevidas obtido pelo Método do Mínimo Móvel, será possível afirmar que, em média, aproximadamente 10% da precipitação incidente sobre as sub-bacias de Ermesinde e Alfena afluem diretamente à rede de drenagem.
O presente estudo encontra-se complementado com a análise de sensibilidade, indicativa da preponderância da capitação na quantificação de afluências indevidas, face ao fator de afluência à rede.
No que respeita à análise económica, energética e ambiental, é possível concluir que a mitigação da ocorrência de afluências indevidas resultará numa redução substancial dos custos de exploração e das emissões de GEE.
Uma vez que, nas últimas décadas, a questão financeira se revelou prioritária no seio dos modelos de gestão adotados, destacam-se os valores médios obtidos para o custo de tratamento dos caudais indevidos de, aproximadamente, 93 mil euros e 132 mil euros, para os anos de 2015 e 2016, respetivamente.
Não obstante a amplitude dos cenários calculados, os valores mínimos obtidos para os parâmetros energético e ambiental configuram encargos acentuados e revelam-se justificativos de intervenção no sentido da sua minimização (realização de investimentos com vista à reabilitação dos elementos constituintes da rede de drenagem em pontos críticos, detetados através da realização de estudo prévio do local, e à melhoria do aproveitamento do biogás produzido, por exemplo).
6.2. TRABALHOS FUTUROS
Relativamente à metodologia implementada, considera-se pertinente a obtenção dos volumes horários ou diários de caudais residuais de origem doméstica e industrial produzidos em cada sub-bacia, para um período temporal mais alargado, com vista à melhoria da qualidade dos resultados obtidos.
Revela-se de fundamental importância a validação dos métodos de quantificação executados, através da aplicação de outras metodologias como, por exemplo, o Método dos Isótopos Naturais e o Método das Séries Temporais de Cargas Poluentes.
Recomenda-se o aprofundamento desta investigação através da aplicação dos indicadores de desempenho específicos para afluências indevidas em redes de drenagem no presente caso de estudo, bem como através da conceção de indicadores específicos desta problemática para ETAR. Deste modo, seria possível proceder à definição de intervalos adequados ao correto funcionamento do sistema de drenagem e tratamento e contribuir para a atualização da regulamentação em vigor.
A construção e aplicação destes indicadores necessitaria da monitorização contínua e extensa das características físicas e químicas da água, em vários pontos estratégicos da fileira de tratamento (entrada e saída do decantador primário e do tanque de arejamento, por exemplo).
Com vista à completa quantificação dos encargos associados ao tratamento de caudais indevidos, seria fundamental dispor da contabilização dos custos associados à operação de cada equipamento, ao tratamento e disposição das lamas produzidas, à aquisição de reagentes químicos, entre outros.
Perante os resultados obtidos, dado que esta problemática não se revela exclusiva ao presente caso de estudo, conclui-se que será relevante a condução desta análise em várias EG que operem em território nacional.
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