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3. Arguments and Assumptions: From Online to On-Street Mobilization? . 27

3.2 Forming Networks

A adaptação das pessoas, com IRCT em tratamento hemodialítico aos estressores percebidos, depende do processo de enfrentamento desencadeado a partir do momento em que é recebido o diagnóstico da doença. Tanto os estressores quanto os modos de enfrentamento a serem usados por essas pessoas são resultados da avaliação individual e da relação do indivíduo com o meio externo (BALDREE, MURPHY, POWERS, 1982; FOLKMAN, 1984).

Para avaliar os modos de enfrentamento utilizados pelas pessoas em tratamento hemodialítico, foi escolhido o “Inventário de Estratégias de Enfrentamento de Folkman e Lazarus (1985)”, tradução do original em inglês “Ways of Coping”. Segundo Custódio e Jorge (1999), quando o pesquisador utiliza instrumentos padronizados, tenta minimizar diferenças na coleta e registros das observações, bem como no resultado final das avaliações, essa padronização também possibilita a comparação dos resultados com outros estudos que utilizam o mesmo procedimento.

Os modos de enfrentamento do IEEFL foram selecionados por meio da análise por rotação oblíqua em oito fatores, descritos por Folkman et al. (1986) e utilizados neste estudo, da seguinte forma:

• Confronto: descreve esforços para alterar a situação estressante;

• Afastamento: descreve esforços da pessoa para se afastar da situação estressante; • Autocontrole: descreve esforços da pessoa para controlar seus próprios

sentimentos;

• Suporte social: descreve esforços da pessoa na busca de informações e suporte emocional;

Discussão Bertolin, DC 92

• Aceitação de responsabilidades: descreve o conhecimento sobre a contribuição da pessoa no problema e a tentativa de fazer a coisa certa;

• Fuga-esquiva:descreve desejos, pensamentos e esforços comportamentais para fugir ou anular o problema;

• Resolução de problemas: descreve esforços para alterar a situação com avaliação analítica para resolver o problema;

• Reavaliação positiva: descreve esforços para criar um significado positivo, enfocando o crescimento pessoal, tem também uma face religiosa.

Os escores das estratégias do IEEFL variam de 0 (para estratégias não usadas pela pessoa) a 3 (para estratégias usadas em grande quantidade). No presente estudo, os valores médios dos escores encontrados para os oito fatores do IEEFL (calculados de acordo com o número de itens em cada fator) variaram entre 0,60 e 1,41, como pode ser observado na tabela 6.

Os fatores que apresentaram maiores escores médios foram: Reavaliação positiva (1,41); Resolução de problemas (1,36); Fuga-esquiva (1,35). Já os fatores que apresentaram menores escores médios foram: Confronto (0,60); Afastamento (0,86); Aceitação de responsabilidades (0,94).

Draigle e Stewart (1997), em estudo sobre modos de enfrentamento de homens em tratamento hemodialítico no Canadá, utilizando o Ways of Coping (versão original em inglês do IEEFL), obtiveram maiores escores médios para os fatores: Suporte social (1,44); Autocontrole (1,28) e Afastamento (1,27). E menores escores médios para os fatores: Confronto (0,80); Fuga-esquiva (0,93) e Aceitação de responsabilidades (0,96). Neste estudo, classificando os fatores como enfrentamento focado no problema e enfrentamento focado na emoção, os autores destacam a predomínio modos de enfrentamento focados no problema.

A classificação utilizada por Draigle e Stewart (1997) englobava os fatores da seguinte forma:

_Enfrentamento focado no problema: suporte social, resolução de problemas, reavaliação positiva e confronto;

_Enfrentamento focado na emoção: afastamento, fuga-esquiva, aceitação de responsabilidades e autocontrole.

Através dessa classificação, pode-se dizer que, no presente estudo, também houve predomínio dos modos de enfrentamento focados no problema, em particular reavaliação positiva.

Segundo Lazarus (1984), os modos de enfrentamento focados no problema são estratégias usadas para resolução de problemas, assim, os esforços são freqüentemente direcionados para definir o problema, gerar soluções alternativas, pesar as alternativas em termos de custos e benefícios, escolher uma alternativa e agir.

Folkman e Lazarus (1988), classificam os fatores do IEEFL, como já mensionado, da seguinte forma:

_Enfrentamento focado no problema: fatores “Confrontive coping”, e “ problem-

solving”;

_Enfrentamento focado na emoção: fatores “Distancing”, “Self-control”, “Accepting

responsibility”, “Positive reappraisal” e “Escape-avoidance”;

_Ambos: fator “Seeking social support”.

De acordo com essa classificação, no presente estudo houve o predomínio dos modos de enfrentamento focados na emoção.

Na maioria dos estudos encontrados na literatura, que classificam os modos de enfrentamento das pessoas em tratamento hemodialítico, podemos perceber que são utilizados

Discussão Bertolin, DC 94

tanto os modos de enfrentamento focados na emoção quanto os modos de enfrentamento focados no problema, entretanto, há predomínio dos modos de enfrentamento focados no problema (BALDREE, MURPHY, POWERS, 1982; DRAIGLE, STEWART, 1997; LOK, 1996; MOK, TAM, 2001; WELCH, AUSTIN, 2001).

Lindqvist, Carlsson e Sjodén (1998) consideram os modos de enfrentamento focados na emoção menos efetivos que os modos de enfrentamento focados no problema. Lok (1996) refere que os modos de enfrentamento focados no problema têm sido usados na Austrália com melhores resultados, obtendo correlação positiva com a qualidade de vida, sugerindo que quanto mais as pessoas utilizavam os modos de enfrentamento focados no problema apresentavam melhor qualidade de vida.

Welch e Austin (2001), estudando as relações entre estressores, modos de enfrentamento e depressão de pessoas em tratamento hemodialítico, descreveram que os estressores psicossociais estavam relacionados à depressão, e que conseqüentemente a redução desses estressores também reduziria a depressão. Esses autores também consideraram os modos de enfrentamento relacionados à fuga como preditivos de sintomas de depressão. Takaki et al. (2005) referem não ter encontrado relação positiva entre depressão e fuga em seu estudo, sugerindo que outros estudos devam ser realizados sobre este assunto para confirmar estes achados.

No presente estudo, embora não tenha sido realizada análise semântica da questão reflexiva sobre os estressores relacionados à IRC e ao tratamento hemodialítico, obteve-se nove pessoas que relataram não haver coisas ou situações que as deixavam estressadas, mesmo assim, essas pessoas responderam ao IEEFL referindo utilizar os modos de enfrentamento presentes no inventário. Outras 54 pessoas referiram pelo menos uma situação estressante; 28 pessoas referiram duas situações estressantes; e 15 pessoas referiram três situações estressantes. Entre as situações estressantes referidas por essas pessoas estão as

restrições de ingesta de líquidos e alimentos; dificuldades para viajar e conseguir emprego em decorrência da freqüência do tratamento; falta de condições físicas para trabalhar; a freqüência do tratamento (três dias/semana); o tempo de tratamento (quatro horas/dia); e o mal-estar sentido após as sessões de hemodiálise.

6.3 Associação entre os modos de enfrentamento e variáveis sociodemográficas,