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Forholdet mellom forventningane og opplevde forventningar

Com o intuito de conhecer, apreender e compreender as representações sociais dos docentes de enfermagem em relação ao trabalho do enfermeiro, uma vez que as representações produzem e determinam comportamentos; formulamos questões com o objetivo de desvelar os significados que os sujeitos atribuem e a imagem que constroem. Para tanto elaboramos as seguintes perguntas:

1. Se o trabalho do enfermeiro(a) fosse um OBJETO, qual seria e por quê? 2. Se o trabalho do enfermeiro(a) fosse um ANIMAL, qual seria e por quê? 3. Se o trabalho do enfermeiro(a) fosse uma COR, qual seria e por quê?

A escolha destas questões se fundamenta em Kowalski (2001) que afirma que uma imagem pode ser melhor captada por meio da evocação de objetos, animais e cores e que concentram conjuntos de significações e indagações dos sujeitos.

Para análise das questões acima elaboramos as seguintes categorias:

a) morfologia/classes das palavras; buscamos explorar os substantivos, adjetivos, verbos presentes no discurso do sujeito;

b) associação com os quatro pilares do trabalho do enfermeiro: cuidar, gerenciar, educar e pesquisar;

c) utilização da subcategoria: positivo(+) e negativo (-).

Ressaltamos que para análise do objeto acrescentamos a subcategoria P (utilização símbolo próximo – diretamente relacionado ao trabalho/uso diário do enfermeiro) e D (utilização símbolo distante – uso indireto, corrente da cultura. Para análise do animal acrescentamos as subcategorias: animais não domésticos; animais domésticos e aves.

4.1.4.1Análise das respostas do professor à questão: Se o trabalho do enfermeiro fosse um OBJETO qual seria? (APÊNDICE 3)

Os objetos evocados pelos sujeitos compreenderam: computador, caneta, corda, lâmpada, livro, papeleta, mesa, cajado, diamante, relógio, cama, carro, faca, dominó. Permitiu verificar que para simbolizar o trabalho do enfermeiro maioria dos sujeitos buscam objetos distantes de seu dia a dia, há um predomínio do uso corrente da cultura, como o uso da lâmpada, mostrando a permanência de um símbolo desde Florence.

Mesmo distantes do uso corrente há uma relação do trabalho do enfermeiro, e a análise das classes de palavras, associado aos quatro pilares do trabalho do enfermeiro evidencia maior predominância de verbos relacionados à gerência: respaldar, anotar, detectar, planejar, sistematizar, registrar, lapidar, buscar. Em seguida constatamos qualidades afetivas: atenção, luz, próximo, amor, paciência, Jesus; o que reafirma os achados do EVOC, sentimentos estes que os sujeitos atribuem serem necessários ao cuidar. Observamos que o profissional está sempre em uma posição de ajuda e amparo ao outro.

Considerando que 82,4% dos sujeitos trabalham em hospitais ou policlínicas, é esperado que estes pela vivência no cotidiano desenvolvam uma percepção do que é exigido do enfermeiro em sua profissão. Os resultados são direcionados à atividades gerenciais, administrativas e o cuidar, reforçando os achados em nosso levantamento bibliográfico.

O que chama atenção é a pouca relação com o Educar e Pesquisar, é como se o profissional não se reconhecesse como produtor do conhecimento. Exemplo claro, é os dois sujeitos que evocaram o objeto “computador” [...] computador porque é amplo, cheio de surpresas, novidades [...] (P, nº 1) computador é minucioso, cheio de detalhes[...] (P, nº 7). No exemplo acima não há menção a um computador com conhecimentos científicos, mas com surpresas, detalhes. É como se faltasse domínio do conhecimento, do sabido.

4.1.4.2Análise das respostas do professor à questão: Se o trabalho do enfermeiro fosse um ANIMAL qual seria? (APÊNDICE 4)

Os animais evocados pelos sujeitos compreenderam: elefante, cachorro, canguru, águia, pombo, andorinha, leão, macaco, formiga, tigre. Analisando as classes de palavras encontramos um discurso carregado de afetividade, um enfermeiro repleto de qualidades a desempenhar, um “super” enfermeiro com características humanas muito claras; referendando um cuidar desprovido de conhecimentos.

Assim se delineia um perfil de profissional amoroso, atencioso, amigo, companheiro, sempre disposto, ao lado, que cuida, trata, ajuda, acolhe, abraça; simbolizados principalmente pelo cachorro que foi mais mencionado.

Fica evidente uma valorização do outro, bem como, um profissional que se encontra em uma posição de doação plena, atitudes heroicas e de sacrifício e uma Enfermagem não relacionada à profissão, mas ao sacerdócio. Representações estas que estão ancoradas em raízes históricas, reforçadas através da comunicação, como constatado em discursos proferidos à primeira turma de formandas em Enfermagem do Brasil.

Nada porém, mais estável e firme do que as acções heróicas. Mudam-se as rligiões, as ideas, a acção; porém o heróe é sempre lembrado. O sacrifício ao bem é a norma do heróe. É o sacrifício da alma que acolhe com firmeza e continuamente as dores alheias. (CAPRIGLIONE, 1932 apud NASCIMENTO, 2002, p.310).

Sem vocação e sem abnegação faz-se da Enfermagem um meio de vida, um officio e não o que ela deve ser: um sacerdócio. (PORTO-ALEGRE, 1935 apud NASCIMENTO, 2002, p. 310).

Pode-se levantar possíveis hipóteses de não ter ficado pela análise do EVOC o trabalho a ser exercido pelo enfermeiro, uma vez que através das imagens levantadas constata-se que o seu trabalho não possui características como profissão para produzir conhecimento, para se ter lucro. O que fica evidente são características afetivas, a doação total.

Os sujeitos reconhecem em sua profissão um trabalho árduo ao exercer diversas atividades, bem como, uma desvalorização destas pela equipe de saúde ao desempenharem suas funções, como constatado no discurso abaixo,

[...] formiga “trabalha muito, mas ninguém vê” (P10).

Da mesma forma Gomes & Oliveira (2005 a); Bellato et al. 1997 e Kemmer & Silva (2007) constataram em seus estudos estes achados. Por outro lado, Rosa & Lima (2005) descrevem que as diferentes atividades que o enfermeiro desenvolve em seu cotidiano evidenciam a multidimensão característica de seu trabalho.

4.1.4.3 Análise das respostas do professor à questão: Se o trabalho do enfermeiro fosse uma cor qual seria? (APÊNDICE 5)

As cores evocadas foram: branco, azul, verde, vermelho, preto e laranja; com predominância do branco. As classes de palavras que foram usadas para justificar a escolha se resumiram em sentimentos, subjetividades, ou seja, estado de espírito do profissional; como descrito a seguir: paz, harmonia, limpeza, pureza, afeição, infinito, tranquilidade, intenso, esperança, amor,. Afeto, carinho, alegre. Somente um sujeito mencionou a cor preto, se referindo “muito pesado”. Dados estes reforçam o núcleo central “Amor” encontrado na palavra indutora “Enfermagem” e evidencia cuidar humano extremamente afetivo como trabalho a ser exercido pelo enfermeiro.

Interessados nestes resultados nos perguntamos: Como o docente de enfermagem diferencia o cuidar humano, do cuidar da Enfermagem? Estudos como de Tanaka

(2008); Waldow (2007) tem demonstrado que muitos enfermeiros tem dificuldade de diferencia-los.