5.2 Grensesetting og autoritet
5.2.1 Foreldre som rollemodeller i oppdragelsen
Como em todos os processos de investigação, não é possível continuar a avançar sem ter em conta os aspectos metodológicos deste trabalho, consistindo “em precisar como o fenómeno em estudo será integrado num plano de trabalho que ditará as actividades conducentes à realização da investigação” (Fortin, 1999:131).
Este trabalho de investigação tem o seu inicio numa questão que suscita interesse ao investigador. Como esta é trabalhada, a abordagem a aplicar e o método sob o qual vai incidir o estudo, conduzem este trabalho na sua essência ao que se pretende estudar e a forma como se pretende abordar esses mesmos aspectos.
A enfermagem é definida como uma profissão consciente dos seus deveres. Esta deve levantar questões que mereçam originar pesquisas, estar preparada a permitir investigações inerentes à sua actividade e fazer passar à prática o objecto das suas investigações (Colliére, 1989). Assim sendo, um trabalho de cariz investigativo requer as chamadas decisões de carácter metodológico.
É nesta fase, a metodológica, que qualquer trabalho de investigação apresentará as respectivas implicações para a qualidade, integridade e interpretabilidade dos resultados.
Deste modo é necessário avançar para um conjunto de componente que no seu todo constituem o apoio sobre os quais irão fazer emergir os resultados da investigação, onde convergem diversos aspectos para a construção de um plano ou desenho de forma a clarificar as questões levantadas pela problemática da investigação e com o fim de alcançar os objectivos propostos (Fortin, 1999:131).
Ao longo deste capítulo, procuramos descrever e fundamentar as opções de investigação tomadas ao longo deste percurso, ou seja, da problemática às opções metodológicas.
Assim, serão referidos os seguintes aspectos: o tipo de estudo, questões de investigação e objectivos, a população e os participantes do estudo, a estratégia de colheita de dados, a análise de dados e as questões éticas.
1 – A PROBLEMÁTICA, AS QUESTÕES DE INVESTIGAÇÃO E OS
OBJECTIVOS
Ao contemplar a nossa mortalidade, é possível ter uma perspectiva coerente sobre o fenómeno vida versus morte.
Baseando-me neste jogo de palavras, a Enfermagem, entra como a semântica necessária para tornar este tabu numa realidade tangível, materializando este aglomerado de letras, a fim de o transformar em texto.
Sendo assim, foi definida a seguinte questão de partida:
• «Quais as intervenções dos enfermeiros de saúde comunitária na continuidade de cuidados à pessoa em fim de vida e família, no domicilio?».
Este estudo torna-se pertinente devido ao facto de ainda não existirem muitos estudos sobre o tema, propriamente dito. Existem porém estudos feitos relativamente aos enfermeiros face à morte, ou mesmo a morte de uma maneira geral, que poderão dar algum tipo de sustentação a esta temática.
Tendo por base a questão de partida, surgem as questões de investigação, que nortearam o desenvolvimento deste estudo e visam explorar um domínio com vista a obter novas informações. Como refere, Fortin, (1999:101) estas questões são “enunciados interrogativos, escritos no presente que incluem habitualmente uma ou duas variáveis e a população a estudar”. Assim surgiram as seguintes questões:
– Quais as intervenções realizadas pelos enfermeiros de saúde comunitária à pessoa em fim de vida e respectiva família?
– Quais as dificuldades sentidas pelo enfermeiro de saúde comunitária na continuidade de cuidados à pessoa em fim de vida?
– Quais as estratégias mobilizadas pelos enfermeiros de saúde comunitária para melhorar a intervenção junto da pessoa e da família em fim de vida?
Com as questões de investigação traçadas, surge a necessidade de traçar objectivos. Estes indicam o porquê da investigação. É o enunciado declarativo que vai precisar as variáveis, a população e a orientação da investigação (Fortin, 1999).
Assim, e indo de encontro à questão de partida foi traçado como objectivo geral: - Conhecer a intervenção do enfermeiro de saúde comunitária junto da pessoa em fim de vida e família.
Da mesma maneira foi necessário, para dar resposta ao objectivo geral, a definição de objectivos específicos sendo eles no contexto deste trabalho, os seguintes:
- Identificar quais as intervenções realizadas pelo enfermeiro de saúde comunitária junto da pessoa em fim de vida e família.
- Identificar as dificuldades sentidas pelo enfermeiro de saúde comunitária, na continuidade de cuidados à pessoa em fim de vida.
- Perceber as estratégias mobilizadas pelo enfermeiro de saúde comunitária, para intervir junto à pessoa em fim de vida e família.
2 – TIPO DE ESTUDO
O tipo de estudo surge como uma condicionante inquestionável, em que se identifica como o esqueleto onde se afirmam todos os aspectos subjacentes e constituintes dum processo de investigação. O delineado para este trabalho foi uma abordagem qualitativa, pois o que pretendemos com o desenvolvimento de um trabalho desta natureza é reter dos participantes “(…) a experiência de um fenómeno particular (…) e uma experiência e um saber pertinente (…)” (Fortin, 1999:148) e que vá de encontro às pretensões traçadas.
É através da abordagem da investigação qualitativa que é possível a produção de conhecimento e respectiva compreensão, de modo a que, os enfermeiros possam actuar melhor. Para além disso, este vai centrar o investigador, tanto nas capacidades como nas necessidades e/ou problemas das pessoas. Estes aspectos podem ajudar os enfermeiros a conseguirem uma concepção mais equilibrada dos indivíduos em estudo.
Este tipo de abordagem é a mais adequada para compreender a complexidade da temática que pretendemos estudar - cuidar da pessoa em fim de vide vida no domicilio.
Segundo Polit (1995:269,270), citando Benoliel, “a pesquisa qualitativa é caracterizada como modos de inquisição sistemática preocupados com a compreensão dos seres humanos e da natureza de suas transacções consigo mesmos e com seus arredores”.
Num estudo desta natureza, o investigador não se coloca como perito, uma vez que se vai formar toda uma nova relação sujeito-objecto, marcada pela inter- subjectividade. Como refere Fortin (1999:148), “o sujeito produtor de conhecimentos está, enquanto ser humano, ligado ao seu objecto e o seu objecto, igualmente um sujeito humano, é dotado de um saber que se lhe reconhece”.
Assim, o que acontece numa abordagem qualitativa será a realização de um estudo «com» e não «para» as pessoas de interesse. Muitas vezes os investigadores denominam os indivíduos que participam num estudo desta essência de co- investigadores (Fortin, 1999).
São estes elementos que constituem o epicentro de uma investigação qualitativa, já que, como afirma Polit (1995:270) “esse tipo de pesquisa baseia-se na premissa de que os conhecimentos sobre os indivíduos só são possíveis com a descrição da experiência humana, tal como ela é vivida e tal como ela é definida pelos seus próprios actores”.
A investigação qualitativa, permite-nos também, analisar a trajectória vida-doença- morte e ter uma percepção subjectiva sobre o acto de morrer.
Dentro da vertente qualitativa, este estudo enquadra-se no estudo descritivo simples, pois limita-se a caracterizar um fenómeno pelo qual alguém se interessa, ou seja, “consiste em descrever simplesmente um fenómeno ou um conceito relativo a uma população, de maneira a estabelecer as características desta população ou de uma amostra desta” (Fortin, 1999:162, 163).
Deste modo, e indo de encontro ao objectivo do estudo descritivo, pretendo conhecer as intervenções dos enfermeiros de saúde comunitária junto da pessoa em fim de vida e família
3 – PARTICIPANTES DO ESTUDO
A selecção da população é um processo que surge ao longo de todo o trabalho, encontrando-se intrínseco ao mesmo, mas que só depois da enunciação da problemática e a elaboração do referencial teórico se começa a materializar, e portanto a tomar forma, aos olhos do investigador (Fortin, 1999:201).
Tendo em conta as referências bibliográficas consultadas e os autores acima mencionados e tratando-se de um estudo qualitativo, há a necessidade de definir critérios de inclusão, que no caso deste estudo definimos os seguintes:
- Enfermeiros de saúde comunitária da ilha Terceira;
- Que tenham dois ou mais anos de experiência em enfermagem de saúde comunitária;
- Que possuam experiência com utentes em fim de vida em enfermagem de saúde comunitária.
A escolha desses critérios deve-se em primeiro lugar à limitação do terreno, visto tratar-se de uma Ilha, e que esta mesma ilha possui características culturais específicas; em seguida, o número de anos vai implicar um melhor conhecimento da comunidade em que o enfermeiro se encontra inserido, permitindo-lhe melhores intervenções e procura de estratégias que lhe facilitem o trabalhar com pessoas em fim de vida, por último, porque só possuindo experiências com pessoas em fim de vida é possível ir ao encontro da questão de investigação e dos objectivos traçados.
Face à utilização de critérios de elegibilidade, a selecção dos participantes será através de uma amostra por selecção racional, que segundo Fortin (1999:363) é "uma amostra de tipo não probabilístico em que os elementos da população são escolhidos por causa da correspondência entre as suas características e os objectivos de estudo".
3.1 - CARACTERIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES
Sendo assim, surge a necessidade numa primeira instância de fazer a caracterização dos participantes (seis enfermeiros) quanto ao sexo, idade, experiência profissional, o número de anos em enfermagem comunitária e a última vivência de acompanhamento de uma pessoa em fim de vida no domicílio (quadro 1).
Quadro 1 – Caracterização dos participantes
Entrevista Sexo Idade Experiência Profissional Tempo em Enfermagem Comunitária Última vivência de acompanhamento de uma pessoa em fim de
vida no domicílio
1 F 38 13 anos 13 anos 4 meses
2 F 40 19 anos 19 anos 2 anos
3 F 44 21 anos 19 anos 6 meses
4 F 59 34 anos 20 anos 3 anos
5 F 31 8 anos 6 anos 3 meses
6 F 44 19 anos 15 anos 6 meses
Analisando o Quadro 1, é possível constatar que todos os elementos entrevistados são do sexo feminino. No que concerne ao factor idade esta varia entre os 31 e os 59 anos, sendo a respectiva média de 43 anos. Relativamente à experiência profissional os valores vão desde os 8 anos até aos 34 anos, com uma média de 19 anos. Dessa experiência profissional o tempo mínimo passado em enfermagem comunitária é de 6 anos, enquanto o máximo é de 20 anos, perfazendo uma média de quinze anos. Por fim temos a última vivência de acompanhamento de uma pessoa em fim de vida no domicílio que vai desde 3 meses até 3 anos, fazendo uma média de 13 meses ou 1 ano e 1 mês.
Face a esta análise podemos realçar os seguintes pontos essenciais nesta caracterização:
- O tempo de experiência profissional dos entrevistados em saúde comunitária é significativa, surgindo apenas um indivíduo com 6 anos nesta área, enquanto todos os outros se situam entre 13 e 20 anos de idade;
- E que apesar de existirem dois indivíduos em que a última vivência de acompanhamento de uma pessoa em fim de vida no domicílio à 2 e 3 anos, os restantes tiveram uma experiência recente, sendo o mais elevado à 6 meses e o mais recente à 3 meses.
4 – ESTRATÉGIAS DE COLHEITA DE DADOS
O processo de recolha de dados deve assentar na natureza do objecto em análise, podendo ser realizado de diferentes formas.
Assim, e segundo Fortin (1999:240) “cabe ao investigador determinar o tipo de instrumento de medida que melhor convêm ao objectivo do estudo, às questões de investigação colocadas (…)”.
Face aos objectivos e aos participantes do estudo, pretendemos recorrer à entrevista semi-estruturada como instrumento de recolha de dados.
A entrevista, segundo Fortin (1999), é um modo particular de comunicação verbal e não verbal, que se vai estabelecer entre o investigador e os participantes, com a finalidade de colher dados para dar resposta aos objectivos de investigação previamente elaborados.
Minayo (1998) argumenta que a entrevista, enquanto técnica de colheita de dados, privilegia a obtenção de informações através da fala individual que revela condições estruturais, sistemas de valores, normas, símbolos, além de transmitir, por um porta-voz, a representação de determinados grupos. A autora ainda lembra que com a entrevista é possível uma situação de interacção na qual as informações dadas pelos sujeitos podem ser profundamente afectadas pela natureza das suas relações com o entrevistador.
Para além da desvantagem mencionada anteriormente, para a realização de uma entrevista, temos também o tempo necessário para a realizar sendo os seus dados mais difíceis de codificar e de analisar exigindo também mais tempo e energia (Fortin, 1999).
Temos que ter em conta que as entrevistas variam em função de dois parâmetros: o grau de liberdade deixado aos entrevistados e o grau de profundidade da investigação, dependendo deste modo os tópicos com que se irá estruturar a mesma.
Assim, o entrevistador terá que encaminhar a entrevista para os objectivos ambicionados, sempre que ocorrer um certo afastamento por parte da pessoa entrevistada.
A opção pela entrevista semi-estruturada ocorreu, por esta possibilitar uma maior flexibilidade, profundidade, reiteração e reflexão (Goldenberg, 1999). Bogdan e Biklen (1994) referem que a entrevista é um instrumento valioso para recolher dados descritivos na linguagem do próprio sujeito, permitindo que o investigador desenvolva, intuitivamente, uma ideia sobre a maneira como os sujeitos interpretam aspectos do mundo.
Por outras palavras, este género de entrevista fornece ao investigador a liberdade para explorar, aprofundar e clarificar qualquer assunto, num estilo de diálogo fluído, tendo
como base o tema do estudo. Deste modo, é permitido ao entrevistado expressar-se abertamente, possibilitando que estes abordem os pontos mais relevantes ao tema em estudo.
Segundo Polit e Hungler (1995), as entrevistas semi-estruturadas, tendem a ser como conversas, por natureza.
Neste tipo de entrevista “o investigador dispõe de uma série de perguntas-guia, relativamente abertas, a propósito das quais é imperativo receber uma informação por parte do entrevistado” (Quivy, 1992:192). O mesmo autor acrescenta que o entrevistador tem alguma liberdade para conduzir a entrevista, permitindo que o entrevistado “possa falar abertamente com as palavras que desejar e pela ordem que lhe convier” (ibidem).
De maneira a que sejam obtidas as respostas esperadas nas questões elaboradas, surge a necessidade de criar um guião da entrevista (Anexo II), pois sendo uma entrevista semi-estruturada esta possui questões abertas podendo levar os sujeitos a responder de forma livre e como entenderem. Segundo Fortin (1999:247) “utiliza-se um guião com as grandes linhas dos temas a explorar, sem indicar a ordem ou a maneira de colocar as questões (…) porque o investigador ignora o que se vai passar no decurso da entrevista e que tipo de questões será importante colocar em momento oportuno.”
4.1 – PROCEDIMENTOS PARA A ELABORAÇÃO DO
INSTRUMENTO DE COLHEITA DE DADOS
A elaboração de um instrumento de colheita de dados implica a sua preparação e adequação ao que se está a estudar para posterior aplicação do instrumento.
Estando a trabalhar sobre a vertente da abordagem qualitativa, o investigador não está posicionado como perito, dado que se trata de uma nova relação sujeito-objecto e o próprio investigador reconhece que a relação é marcada pela intersubjectividade (Fortin, 1999). Ainda, de acordo com a mesma autora, qualquer investigador ao elaborar uma investigação de cariz qualitativo deve preocupar-se com a qualidade dos seus dados tentando proceder de forma correcta para que estes espelhem o estado actual das experiências humanas.
Segundo Polit e Hungler (1995), para a realização da colheita de dados foi utilizado um guião de entrevista que operacionaliza as vertentes fulcrais para este estudo. Um dos requisitos essenciais para a entrevista é a validade.
Foi, então realizado um pré-teste que tinha como objectivo verificar a validade das questões da entrevista e verificar se seria necessário fazer alguma alteração ao conteúdo destas, de modo a atingir os objectivos a que esta entrevista se destinava.
No pré-teste, foi possível averiguar que as questões orientadoras da forma que estavam, não atingiam totalmente os objectivos a que nos propúnhamos inicialmente, havendo necessidade de, desdobrar algumas questões, e noutras acrescentar a vertente família.
Deste modo, foi adicionada uma primeira questão, mais abrangente, para dar inicio à entrevista, sendo ela «Como vê a questão da morte?». Na segunda e terceira questão, «Quais as intervenções que realiza face à pessoa em fim de vida? E à família destes?», «Quais as dificuldades que sente, de modo a prestar uma continuidade de cuidados a uma pessoa em fim de vida? E à família deste?» houve a necessidade de englobar a família na questão por esta ser de real importância para a pessoa em fim de vida. Manteve-se inalteradas as questões três e quatro, nomeadamente «Quais as estratégias que utiliza, de modo a melhorar as suas intervenções face à pessoa em fim de vida?»,«E no pós morte, que assistência é prestada à família?». Foram retiradas duas questões, por estas serem respondidas inerentes à questão dois e três, mais concretamente «Possui condições a nível de material necessárias para ajudar uma pessoa em fim de vida?» e «Possui condições a nível de tempo para ajudar uma pessoa em fim de vida?».
Depois de se proceder à reformulação do guião de entrevista o instrumento de colheita de dados (entrevista) estava pronto a ser utilizado.
A entrevista é composta por duas partes. Numa primeira parte encontra-se uma breve caracterização do entrevistado com sete questões fechadas, nomeadamente o nome (ao qual só o investigador terá acesso para, se necessário entrar de novo em contacto com o entrevistado),sexo, a idade, o local de trabalho, o número de anos que possui o título de enfermeiro, o número de anos passados em enfermagem comunitária e por fim quando foi a ultima vivência face ao processo de morte e ao morrer no domicílio.
A segunda parte é constituída por cinco questões orientadoras que tem a finalidade de orientar a entrevista para os objectivos do estudo.
É de referir que o método utilizado para a recolha dos dados foi um gravador, que permitiu a transcrição das entrevistas na sua totalidade. Todos os entrevistados mostraram estar disponíveis se houvesse a necessidade de um novo contacto com estes.
5 – ANÁLISE DE DADOS
Para dar continuidade e seguimento lógico a um estudo desta natureza, ou seja, um estudo de investigação qualitativa, atinge-se a etapa da análise dos dados em que é feito o reconhecimento dos dados obtidos
Em investigação qualitativa esta é uma fase do processo indutivo de investigação que está intimamente ligada ao processo de escolha dos informadores e às diligências da colheita de dados.
De acordo com Deslauries (1991) citado por Fortin (1999:306) “a análise de dados permite, portanto, guiar o investigador na sua amostragem que é de natureza emocional”. Logo após a colheita de dados existe uma fase anterior à análise deste. Esta fase consiste na organização dos dados, de forma, a que possam ser analisados adequadamente.
No caso do estudo em questão sente-se a necessidade de transcrever o conteúdo das entrevistas de forma a documentar integralmente a mesma (Fortin, 1999). Pretendemos deste modo, facultar ao leitor toda a informação disponível, para que o leitor possa acompanhar na íntegra o raciocínio do investigador e compreender o encadeamento lógico do conteúdo do trabalho.
Após estes procedimentos deu-se inicio à análise de dados propriamente dita, através da técnica de análise de conteúdo. Este método, é considerado por Bardin (1977), como um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter por procedimentos sistemáticos e objectivos de descrição de conteúdo da mensagem, indicadores que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção destas mensagens.
Segundo Fortin (1999), a análise de conteúdo permite a determinação de temas e relações que são de seguida classificados com a ajuda de um processo de análise síntese, de acordo com as finalidades e objectivos do estudo.
Outros autores, tais como Bardin (1977:9) caracterizam também a análise de conteúdo como “conjunto de instrumentos metodológicos cada vez mais subtis em constante aperfeiçoamento, que se aplicam a «discursos» (conteúdos e continentes) extremamente diversificados”.
Deste modo temos um instrumento que “oferece a possibilidade de tratar de forma metódica informações e testemunhos que apresentam um certo grau de profundidade e complexidade…” (Quivy, 1992:224-225), isto é, vai incidir sobre os dados que possuem uma elevada componente subjectiva e que pode levar ao enviesamento da análise dos respectivos dados.
Este método assume total relevância no tratamento dos dados deste tipo, pois “absolve e cauciona o investigador por esta atracção, o latente, o não-aparente, o potencial de inédito (do não-dito), retido por qualquer mensagem” (Bardin, 1977:9).
Dentro de todo este processo incluem-se três fontes ou vertentes que permitem