foi dada a conhecer aos alunos a equipa multidisciplinar que compõe a unidade de saúde, assim como os diferentes espaços e acessos (quartos, gabinetes, copa, stocks, farmácia e salas de tratamentos). Esta apresentação não foi realizada por mim, visto só ter iniciado a minha supervisão no dia 17 de Janeiro. No entanto, esta apresentação prolongou-se nos dias seguintes, porque os alunos de enfermagem ainda tinham dificuldade em integrar-se e orientar-se no espaço físico. Também lhes foi explicado por mim, a articulação do serviço de cirurgia com o bloco operatório, a unidade de cuidados intensivos polivalentes, o serviço de urgência e a consulta de estomaterapia, porque seriam agendados por mim os dias de estágio de observação no bloco operatório e consulta de estomaterapia. O serviço de urgência e cuidados intensivos polivalentes
seriam, a posteriori, objectos de outros estágios clínicos programados pela instituição de ensino.
Assim, para programar as actividades do ensino clínico, elaborei com os alunos, um cronograma (Quadro 5).
Quadro 5. Descrição do estágio por aluno
Mês Janeiro e Fevereiro de 2011 Dia da semana 10 11 12 13 14 17 18 19 20 21 24 25 26 27 28 31 1 2 3 4 7 8 9 10 S T Q Qt S S T Q Qt S S T Q Qt S S T Q Qt S S T Q Qt Sofia TC TE B X Maria TC X TE Rafaela X Hélder TE TC X B TC Joana X TC TE Carina TC X TE Dia da semana 11 14 15 16 17 18 21 22 23 24 25 S S T Q Qt S S T Q Qt S Sofia E TC A Maria TC B A Rafaela TC TE B TC A Hélder E A Joana TC B A Carina B TC A
NOTA: TC - Tarde no serviço de Cirurgia das 15h às 22h; B - Bloco Operatório das 8h30 às 15h30; TE- Tarde na consulta de Estomaterapia das 13h às 20h; X - Avaliação Intercalar; A - Avaliação Final; E - Exame de recurso de Anatomia na instituição de ensino.
O ensino clínico decorreu em sete semanas, sendo que as minhas funções de supervisão se iniciaram na segunda semana de estágio. Os alunos estagiaram de segunda a sexta-feira e a distribuição dos turnos de supervisão (Manhãs das 8h30 às 15h30) foi acordada entre mim e o orientador do Instituto e, mais tarde, entre mim e a outra enfermeira do serviço, consoante a disponibilidade e horário de trabalho de cada um. Desta forma, foi delineado um mapa de trabalho (Quadro 6).
Quadro 6. Mapa de trabalho dos supervisores Mês Janeiro e Fevereiro de 2011 Dia da semana 10 11 12 13 14 17 18 19 20 21 24 25 26 27 28 31 1 2 3 4 7 8 9 10 S T Q Qt S S T Q Qt S S T Q Qt S S T Q Qt S S T Q Qt Cláudio X X X X X X X X X X Isabel X X X X X X X X X X X Beatriz X X X Dia da semana 11 14 15 16 17 18 21 22 23 24 25 S S T Q Qt S S T Q Qt S Cláudio Isabel X X X X X X X Beatriz X X X
Nota: Dos nomes apresentados apenas o meu é verdadeiro
Os objectivos do ensino clínico foram estabelecidos previamente entre a escola e o campo de estágio, mas a condução do ensino clínico foi feita por mim como enfermeira do serviço que supervisa o estágio. De comum acordo com o Cláudio e mais tarde com a Beatriz, a coordenação das actividades do ensino clínico foi assumida por mim, sendo eu a pessoa com mais experiência no domínio da supervisão. O Cláudio tinha concluído a sua licenciatura em 2006 e tinha uma experiência profissional de três anos em cuidados continuados e nenhuma em supervisão. A Beatriz tinha seis anos de experiência profissional em cirurgia e três anos de experiência de supervisão.
Foi explicado aos alunos aquando da apresentação do contexto de estágio que o serviço de cirurgia geral do Piso 2 do Hospital, é um serviço que está integrado no Departamento de Cirurgia, também composto pelo serviço de cirurgia geral do Piso 3. Cada um destes serviços tem médicos integrados em unidades funcionais distintas. O serviço de cirurgia do Piso 2 trata preferencialmente doentes com patologia colorectal e patologia hepatobiliopancreática assim como doentes do foro cirúrgico em geral. No serviço de cirurgia do Piso 3 são tratados preferencialmente doentes com patologia esofagogástrica e patologia da cabeça e pescoço assim como doentes do foro cirúrgico em geral. Entende-se como doentes do foro cirúrgico em geral, os doentes cuja patologia não se insere nas unidades funcionais descritas mas que necessitam de tratamento por cirurgia, e de que são exemplo o doente politraumatizado, o doente submetido a cirurgia laparoscópica, o doente com patologia cirúrgica secundária, o doente com apendicite aguda, quisto sacrococcígeo, pé diabético, etc.
respeita às patologias. O que eu pretendi foi que alternassem o maior número de experiências e não cuidassem sempre dos mesmos doentes. Assim, optei por manter no mínimo dois a três dias o aluno com o mesmo doente. Tive em atenção o facto de passarem pela experiência do pré operatório, fazendo a admissão do doente e exercitando a colheita de dados através do preenchimento da folha de avaliação inicial ao doente. Do mesmo modo, os alunos experienciaram cuidar de doentes na fase do pós- operatório. Tentei que alternassem as patologias diagnosticadas no serviço para ampliar o leque de conhecimentos médicos, e propiciei a mesma alternância no que respeita às técnicas cirúrgicas (laparotomia, laparoscópica, etc.) e aos procedimentos e técnicas realizados no serviço.
Possibilitei o cuidar de doentes com ostomias de eliminação, doentes oncológicos e em fase terminal. É importante que todos os alunos possam lidar com este tipo de doentes, pois são situações complexas e ansiogénicas para qualquer profissional de saúde. Lidar com a dor, o sofrimento e a morte é uma tarefa para a qual o aluno deve receber preparação.
Toda esta metodologia e distribuição foram registadas nos planos de trabalho do serviço.
Durante o ensino clínico, esperou-se que o aluno fosse responsável pela sua aprendizagem de uma forma pró-activa, fazendo a pesquisa documental e outras que fossem pertinentes, desenvolvendo a reflexão crítica dos momentos de aprendizagem.
O ensino clínico foi planeado de modo a proporcionar ao aluno o desenvolvimento de competências para cuidar o doente do foro cirúrgico e sua família, nos domínios definidos pela Ordem dos Enfermeiros. Para além dos objectivos citados no ponto anterior, e propostos pela equipa pedagógica do Instituto, foi fundamental para mim, enfermeira e supervisora das práticas, que os alunos finalizassem o ensino clínico com aproveitamento no que respeita à utilização da metodologia científica em enfermagem.
Construir um plano de cuidados que passa pela colheita de dados, o diagnóstico, o planeamento, as respectivas intervenções e a avaliação dessas mesmas intervenções de enfermagem no cuidar do doente de foro cirúrgico e da sua família, é essencial para integrar o que são verdadeiramente os cuidados de enfermagem. Integrar os
conhecimentos éticos e deontológicos na prática do cuidar e comunicar com assertividade e de modo profissional, tanto a nível de registos escritos como verbais, foram também objectivos que eu tentei que o aluno atingisse no final do ensino clínico.