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3. Metode

3.4. Planlegging og gjennomføring

3.4.1. Forarbeidet

Ainda na década de 90 do século XX, Pierre Lévy dedicou-se à identificação dos gêneros próprios da cibercultura, enquadrando:

composições automáticas de partituras ou textos, música «trecho» emitidas por um trabalho recorrente de padronização e de arranjos a partir de músicas já existentes, sistema de vida artificial ou robôs autónomos, mundos virtuais, sites na Web com a intervenção estética ou cultural, hipermédia, acontecimentos confederados pela rede ou que envolvem os participantes através de dispositivos digitais, hibridações diversas do «real» e do «virtual», instalações interativas, etc (LÉVY, 1997, p. 141).

Sendo esta a expressão da diversidade, convém agora separar traços próprios do que Lévy descreve como cibercultura, que sejam mais relevantes para a investigação em curso e que são representativos das principais tendências. Podemos citar o declínio da musicografia braille enquanto participação na construção de sentidos e intervenção direta na atualização de sinais e acontecimentos – materialização, visualização, edição e desenrolar efetivo aqui e agora. Pese embora a diversidade, há traços distintos da cibercultura que são representativos dessa tendência. Mesmo não estando presentes em todas as obras participam na construção do seu sentido e têm parte ativa na atualização, fazendo parte de uma sequência de sinais e acontecimentos.

Todavia, apesar da importância da literacia musical para pessoas cegas na educação e oportunidades de emprego, certo é que nas últimas décadas assistimos à dramática deterioração da alfabetização musical entre os jovens cegos, provocada pela mudança para o sistema integrado (TOMÉ, 2003d).

Sabemos que a música presta um enorme contributo ao desenvolvimento do domínio criativo como arte inteiramente acessível, quer a quem a ouve, quer a quem a compõe ou interpreta. A música impacta diretamente no desenvolvimento de cada indivíduo porque proporciona e estimula uma imagem; porque promove habilidades sociais enquanto origina um tipo específico de interação social quando tocada em conjunto, em que o estímulo da comunicação entre pares proporciona um retorno

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emocional imediato do desempenho, espelho e correção ou ainda porque promove capacidades cognitivas a que a construção musical obriga por meio de uma sequência particular de movimentos organizados.

A música sujeita também o indivíduo a uma elaboração mental lógica e matemática porque o ato de ordenar, selecionar, encontrar valores iguais ou diferentes, incluir e excluir ou comparar são essenciais à concretização dos sons e da música. Efetivamente, algumas operações aritméticas possuem na sua representação uma correspondente estrofe musical correspondente à multiplicação e, quando parada em determinado ponto, semelhante à subtração. Funções heurísticas, como é a realidade visual, pode representar-se por meio de música, tal como o claro e escuro; a perspectiva de uma paisagem, elementos visuais como o sol, o amanhecer ou a luz da lua.

Sendo uma forma de comunicação, a música é ainda passível de ser representada por meio de um código, ou sistema de símbolos, segundo Vilém Flusser (2015). Servindo ao objetivo de facilitar a comunicação entre os homens os “símbolos são fenômenos que substituem (“significam”) outros fenômenos”. Assim sendo, como afirma Flusser: “a comunicação é, portanto, uma substituição: substitui a vivência daquilo a que se refere” (2015, p. 130). Para o mesmo autor “o homem é um animal “alienado” (verfremdet) e, “por sê-lo, vê-se obrigado a criar símbolos e a ordená-los em códigos, caso queira transpor o abismo que há entre ele e o mundo”. Uma compreensão mútua por meio de códigos é o que o homem precisa para mediar (“vermitteln”) a sua compreensão do mundo, dando-lhe um sentido (Ibidem, p.131).

A musicografia braille é também um código que possui um alfabeto, um léxico, sintaxe e a sua história inerente. A língua musical pode ser codificada de diferentes formas como MIDI, que evita a notação, ou braille, símbolos digitais. A notação em braille representa, com precisão, todos os elementos contidos na notação da pauta original, impressa: informação musical (notas, pautas, acordes e atributos desta); a informação orientadora da execução (notas, pausas, acordes e atributos desta) e informação gráfica, para ajudar o professor de música cego (BORGES, TOMÉ, 2012).

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Lévy (1997) reflete na sua obra sobre a cibercultura12, sobre o desenvolvimento do ciberespaço13 e sobre o resultado de um conjunto de outras formas de comunicação para além das que são propostas pelos meios clássicos. O autor mapeia novos espaços de comunicação que carecem de exploração para colocar em evidência as suas potencialidades mais positivas no plano econômico, político, cultural e humano.

Não se trata, aqui, de um processo de mudança em que há a destruição do velho, substituindo-o pelo novo. Trata-se, isso sim, da coexistência de espaços e tempos que avançam, tendo como bagagem as suas próprias reminiscências, às quais nunca renunciam diretamente, mas vão deixando inconscientemente ao longo da caminhada, à medida que as suas aquisições lhe permitem assegurar de formas mais eficazes a plenitude dos meios (BORGES, 2009).

De igual modo, se o foco recair sobre a música e as pessoas cegas, a evolução tecnológica poderá propiciar ao sistema braille e ao computador uma coexistência, e uma permanência dos usos e aplicações tradicionais. Podem ainda combinar-se, como no caso de um programa automático de transcrição musical para braille. No entanto, será inevitável que, mais tarde ou mais cedo, as antigas técnicas possam ser progressivamente substituídas por outras, novas, que, por sua vez, também no futuro virão a tornar-se antigas e, portanto, substituídas por outras de maior eficiência.

Perante esta perspectiva, um compositor cego que usa musicografia braille, não será certamente o mesmo compositor cego que usa um programa de musicografia. Sendo que o talento está presente em ambas, os resultados serão certamente diferentes já que existem inúmeros fatores que condicionam e são relevantes para a sua produção. É o caso da velocidade de produção, disponibilidade de materiais, insumos musicais e a interação com outras pessoas, para mencionar apenas alguns (BORGES, TOMÉ, 2011).

O que de fato ocorre é que entre os objetos (passados e presentes) cada ser humano estabelece as suas próprias sinergias, que potenciam novas e diferentes possibilidades e consecuções. Borges (2009) afirma que quando uma pessoa sem

12 “Cibercultura - designação para um conjunto das técnicas (materiais e intelectuais), práticas, atitudes,

maneiras de pensar e valores que se desenvolvem conjuntamente com o crescimento do ciberespaço”.

13 “Ciberespaço, ao qual também chamamos «rede», é o novo meio de comunicação que emerge da

interligação mundial dos computadores. O termo designa não só a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo oceânico das informações que ele alberga bem como seres humanos que nele navegam e o alimentam” (Lévy, 1997, p.17).

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visão passa a usar o computador, ele não será o mesmo, tampouco serão as mesmas coisas as que poderá fazer. O percurso do seu pensamento muda em função da qualidade e quantidade de relações que estabelece, ampliadas pelo recurso a serviços proporcionados pela Internet. Em outras palavras, dá-se uma reconfiguração radical da entidade híbrida, personificada pela pessoa cega, que é resultado dos efeitos múltiplos, diretos e indiretos, ocasionados pelo uso do computador. Há ainda a acrescentar o fato de uma vez usado o computador durante algum tempo, este torna- se imprescindível de modo que pessoa e objeto técnico são já indissociáveis.

Trazemos ainda para a discussão a visão de Winner (1977) que nos permite pensar a relação entre o cego e a tecnologia na sua vertente relacional com o sentido de poder. O autor defende que os artefatos tecnológicos se transformam em objetos políticos na medida em que favorecem, ou não, determinados interesses e influenciam cada indivíduo cego nas suas relações com outros cidadãos de similar condição no resto do mundo. Trata-se ainda de uma construção da política relacional de poder e de capacidade econômica pois quem tem acesso aos objetos, terá também, em última análise, acesso à chave que pode abrir a porta para o sucesso. Em termos práticos, terá também mais valor quem tem acesso. O acesso é, assim, condição sine qua non para a ação pura e simples (BORGES, 2009).

Perante esta inevitabilidade, recuperamos as afirmações de Lipovetsky (1983) que relacionam a realidade atual com a expressão do modernismo que, apesar de tudo, serve mais para personalizar do que para desnivelar:

Pela sua busca incansável de novos materiais, de novos arranjos de signos ou visuais, o modernismo destrói todas as regras e convenções estilísticas; o resultado são obras destandardizadas, personalizadas, no sentido em que a “comunicação” é cada vez mais independente de toda a estética codificada, seja esta musical, linguística ou ótica. O modernismo personaliza a comunicação artística mais do que a destrói, confecciona “mensagens” improváveis onde até o próprio código é singular. A expressão elabora-se sem código preestabelecido, sem linguagem comum, de acordo com a lógica de um tempo individualista e livre (LIPOVETSKY, 1983, pp. 94- 95).

Portanto, focamos a presente pesquisa nas comunicações e nas relações estudadas que possam consentir que tiflologia, especificamente musicografia braille – aliada a um software adequado às práticas infocomunicacionais – possam beneficiar

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do apoio para a aprendizagem, para a formação profissionalizante e, consequentemente, para a empregabilidade de músicos cegos.

Com vista a um alcance empírico de maior amplitude, consideramos primordial traçar um paralelo dos movimentos sociais de pessoas cegas no contexto da globalização e informacionalismo. Castells (2007) descreve que:

os movimentos sociais devem ser entendidos nos seus próprios termos: por outras palavras, eles são o que dizem ser. As suas práticas (e sobretudo as práticas discursivas) são a sua auto definição. Tal enfoque afasta-nos da pretensão de interpretar a “verdadeira” consciência dos movimentos, como se, para vir ao mundo tivessem necessariamente de transportar essas contradições, da mesma forma que levam as suas armas e bandeiras. Uma linha de pesquisa diferente mas necessária, consiste em estabelecer a relação entre movimentos, definidos pelas suas práticas, valores e discurso, e os processos sociais aos quais parecem estar associados por exemplo, globalização, informacionalização, crise da democracia representativa e predominância da política no espaço dos média (CASTELLS, 2007. p. 87).

Sublimamos, portanto, a obra de Castells e a forma como empreende uma análise da revolução operada pelas tecnologias de informação, sob a premissa de movimentos sociais definidos pelas suas práticas. Considerar o contexto social, a penetrabilidade, a dinâmica da transformação e o processo evolutivo da estrutura do emprego são fatores implicados numa análise da sociedade informacional. Por conseguinte, são integráveis num exame cujo alvo seja a comunidade de pessoas cegas que se encontrem inseridas numa cultura tecnológica informacional e que recorram à comunicação eletrônica, tirando partido das redes interativas.

Por outro lado, fazemos uma reflexão com vista a identificar, caracterizar e sistematizar os principais paradigmas envolvidos no campo interdisciplinar das Ciências da Informação e da Comunicação (CIC) num contexto de mediação tecnológica, pelo confronto crítico destes com a cultura na sua definição inerente. Para esse fim recorremos ao pensamento de Morin, que define a cultura como “emergência fundamental da sociedade humana” a que devemos atentar porque “cada cultura concentra em si um duplo capital: por um lado, um capital cognitivo e técnico (práticas, saberes, saber-fazer, regras), por outro, um capital mitológico e ritual (crenças, normas, proibições, valores)” (MORIN, 2002, p. 159).

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Esse capital, de memória e organização é, para Morin, semelhante ao patrimônio genético de cada indivíduo. Tem capacidade de rememoração, de comunicação, de transmissão de indivíduo para indivíduo e constitui-se como uma linguagem própria muito complexa que se regenera a cada geração. O patrimônio cultural está também gravado: na memória, na lei, na literatura, nos textos sagrados, na arte, mas também tem essa capacidade regeneradora que alimenta, ela própria, a regeneração da complexidade social em todas as suas vertentes, quando se inventam novas formas de tratar essa memória (Ibidem).

Portanto, a vivência coletiva é reprodutora de memória, que se transmite e que também se altera pela força da tecnologia. As gerações seguintes carregam na sua memória também o que as tecnologias anteriores produziram e gravaram indelevelmente a cada passo, sendo o espelho dos efeitos diretos no ser humano e na vivência coletiva. É o caso, conforme explica Silva (2006, p.20) da escrita, que possibilitou o contato com semelhantes ao longo do tempo, como no caso da escrita da lei, aplicada em sucessivas gerações, ou ao longo do espaço, quando em determinada área geográfica os cidadãos permanecem ligados pela imprensa. Em 2006 Silva colocava em questão se as Tecnologias de Informação e Comunicação poderiam levar a mudanças semelhantes.

Como certo temos que as Tecnologias de Informação e Comunicação têm contribuído para reposicionar as categorias clássicas em que a informação se achava dividida. Hoje, o mesmo meio eletrônico pode servir para veicular voz, vídeo, dados técnicos e financeiros, imagens fotográficas ou texto escrito, numa polivalência capaz de derrubar classificações tradicionais, com simultaneidade e com papéis reposicionados, como o caso de editor e impressor (LYON, 1992).

Outra certeza ainda, essa identificada por Silva (2006), prende-se com a inevitabilidade da influência exercida por todas as alterações no “figurino disciplinar e científico” que legitima as múltiplas práticas, clássicas e novas, determinada pelo impacto das Tecnologias de Informação e Comunicação. Perante os crescentes desafios da globalização, o surgimento inesperado de problemas com maior complexidade, a evolução imparável dos recursos tecnológicos e as mutações surpreendentes para o quotidiano humano e social é de esperar que a produção epistemológica tenda para a divergência nas propostas. Acreditamos que assim permanecerá, sem consenso e com modelos formativos díspares. Para o autor, as

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agendas de investigação tendem a decorrer dos pressupostos adotados e permaneceremos num processo plural, cuja dinâmica acabará por condicionar, em conjunto com outros fatores, o surgimento de um consenso paradigmático a prazo.

Com tais circunstâncias em mente devemos pensar o paradigma educacional do século XXI como carente de alterações profundas, especialmente quando em apreço está atender pessoas com qualquer tipo de necessidade, independentemente do seu grau de autonomia. Contemplamos aqui pessoas com deficiência física, sensorial (surdez ou cegueira), mental, com múltiplas deficiências ou, ainda, com dificuldades de inserção social. Tal alteração faz-se essencial a qualquer pessoa que esteja no papel de educador, que deve ter preparação para atender as pessoas com necessidades especiais, como as descritas acima, mas não só. Conhecer a evolução da ciência rumo às vertentes do saber, as teorias e formas interpretativas de maneira a que possa adotar-se o melhor método educativo (MORIN, 2001b).

No decurso da reflexão que se impõe para diagnosticar as necessidades educativas, Edgar Morin aponta como a epistemologia de base permaneceu no que se chama o “Paradigma da Simplificação”, ou o modelo de produção, organização, validação e transmissão de saber enunciados no século XVII e que tem permanecido na base dos avanços científicos dos últimos trezentos anos. Acontece que esses princípios e regras não se restringem à ciência mas estruturaram todo um modelo de pensamento, estabeleceram uma visão do mundo e ditaram a organização das ditas sociedades desenvolvidas. Por meio do ensino, tais princípios e regras passaram a assumir-se como uma “segunda natureza”, ou o único modo possível para conceber o real e ordenar a sua ação sobre o mundo.

A progressão da própria ciência é, assim, garantida através da separação de problemas, da divisão por disciplinas, delimitando objetos. Essa divisão é reproduzida pelo sistema de ensino e induz alunos, desde cedo, a uma escolha entre as áreas ditas “vocacionais”. Também a economia se desenvolve no sistema de divisão do trabalho e da especialização que, sendo via para enormes progressos, é também fonte de custos dramáticos devidos ao que Morin chama de «hiperespecialização». O que acontece é que as ciências deixam de comunicar entre si porque cada uma se acha excessivamente especializada. Apesar da imensa produção de saberes, estes não podem integrar-se em visões globais da realidade.

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Por outro lado, a especialização do trabalho isola os indivíduos em áreas restritas de competência, com o consequente desinteresse pelas restantes áreas de atividade. Reproduzem-se, dessa forma, os indivíduos que pela força da «hiperespecialização» se detêm na ignorância acerca de outras dimensões da vida individual e coletiva, com indiferença para com tudo o que esteja na periferia do seu conjunto de “ideias feitas”. O cultivo da especialização reproduz, para Morin, uma “inteligência cega”, ou seja, um conhecimento fora da consciência de si próprio e incapaz de uma visão holística da realidade. Essa sim, poderá ser a “cegueira” com consequências mais nefastas, que se constitui como ameaça à sobrevivência da humanidade e à preservação dos equilíbrios naturais.

Acresce que, no paradigma da simplificação, dificilmente podem posicionar-se em uma outra perspectiva que lhe permita alterar o estado de coisas. É, portanto, expectável e normal que, quem assume funções de responsabilidade global, não possua a visão estratégica necessária, para espanto de alguns. Tampouco “capacidade de liderança para vencer crises e superar ameaças que decorrem do próprio modelo de pensamento e desenvolvimento de que eles mesmos são um produto” (MORIN, 2000).

Entende-se porque Edgar Morin afirma a necessidade de opor a este paradigma da simplificação uma nova forma de pensamento que seja capaz de apreender a realidade em toda a sua complexidade. Como contraponto, Morin apresenta sistematicamente o paradigma da complexidade, emergente das fissuras desse pensamento simplificador ainda dominante na sua obra, O Método, dividida em seis volumes, publicados entre 1977 e 2004, nos quais Morin descreve evidências da falência da simplificação.

Por um lado Morin identifica o princípio da contradição, mostrando que não é possível separar a ação do sujeito da produção do conhecimento. Como é o caso dos fenômenos resultantes da confluência da música, da ciência da informação e da computação, que não podem reduzir-se a uma relação de causalidade eficiente, da mesma forma que, nas ciências humanas, é impossível reduzir os acontecimentos históricos a leis ou lidar com fenômenos de ação a partir de métodos quantitativos.

Por outro lado, Morin expõe que a realidade é demasiado complexa para poder ser compreendida mediante o paradigma da simplificação. É o caso do sistema inclusivo das escolas, onde se coloca em causa a própria escola e as disciplinas de

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ciência no currículo de alunos com necessidades diferenciadas. Parece-nos evidente que, em relação à escrita e leitura de música convencional, cada aluno cego presente em salas de aula inclusivas será certamente prejudicado nas atividades educativas e na interação com colegas pelo cariz restrito e oral das explicações. A resposta a este problema não está, como confirma Bonilha (2006), em usar diferentes estratégias para ensinar cegos e não cegos que são colocados no mesmo sistema de aprendizagem, já que esse lugar comum apenas conduz a uma dicotomia educativa entre escrita braille e escrita convencional que não é, de todo, desejável. A resposta está, segundo parece, na existência de uma plataforma digital que possa facilitar a convivência mútua de alunos cegos e não cegos, para que os cursos de música possam ser um espelho da interdisciplinaridade.

Falar de interdisciplinaridade é uma tarefa ingrata já que, como afirma Olga Pombo, dificilmente alguém a consegue definir, mesmo as que a praticam, teorizam ou procuram explicar. Talvez porque o conceito em si não goza de muita estabilidade. Todavia, Pombo também reage a esta multiplicação de especializações científicas e recupera a expressão de Ortega y Gasset para a definir como “barbárie do especialismo”. Como a própria explica:

Dantes os homens podiam facilmente dividir-se em ignorantes e sábios, em mais ou menos e mais ignorantes. Mas o especialista não pode ser subsumido por nenhuma destas duas categorias. Não é um sábio, porque ignora formalmente tudo quanto não entra na sua especialidade; mas também não é um ignorante porque é um “homem de ciência” e conhece muito bem a sua pequeníssima parcela do Universo. Teremos que dizer que é um sábio-ignorante – coisa extremamente grave – pois significa que é um senhor que se comportará em todas as questões que ignora, não como um ignorante, mas com toda a petulância de quem, na sua especialidade, é um sábio (POMBO, 2004, p.137).

Olga Pombo pensa a interdisciplinaridade como inerente a qualquer área de investigação e, obviamente, está ligada de forma inseparável à formulação infocomunicacional da plataforma digital a ser utilizada por músicos cegos em contexto lusófono, que nos propomos concretizar. Há que esclarecer, no entanto, que o modelo interdisciplinar de unificação de saberes tende a ser, também ele, redutor e nocivo, já que tirando dele o máximo proveito, o investigador não poderá unicamente estribar-se, e conformar-se, com essa condição interdisciplinar, mas deverá assumir a disciplina científica que, embora avessa ao “especialismo primário” possua uma

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coerência com a dinâmica transdisciplinar (SILVA, 2006, p.106). Este é o caso, por exemplo, da Ciência da Informação, de que Silva faz exemplo, que se desvia do