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5 Utslipp fra treforedlingsindustrien

8.1 Follum

Como referido, uma das aplicações iniciais vislumbradas para os supercondutores, e actualmente a mais divulgada, é a construção de electromagnetos de elevada densidade de fluxo, como são exemplo os utilizados em dispositivos de ressonância magnética. Analisando os dados da Tabela 2.1 e da Tabela 2.2 verifica-se que, em regra, comparando supercondutores do tipo II com tipo I, tem-se

. O problema destes electromagnetos reside, contudo, no facto de serem necessárias

elevadas correntes de transporte, para gerar a densidade de fluxo, na presença de campos magnéticos.

a) Linhas de fluxo da corrente que suporta os fluxoides. Estas linhas são coincidentes com a densidade de fluxo e com . Retirado de (Brandt, 2006).

b) Primeira visualização da rede de Abrikosov, a 1,1 K, por microscopia electrónica, através de decoração magnética do material (Pb-In) com partículas de cobalto (Essmann & Träuble, 1967).

Figura 2.18: Rede de Abrikosov.

B

ap

Φ

0 Vórtice de corrente Corrente de blindagem diamagnética

33 Cada fluxoide que penetre no supercondutor sofre uma força de Lorentz, num sentido perpendicular à corrente, cuja densidade por unidade de comprimento do mesmo é dada por

(2.37)

onde é a densidade de corrente de transporte e é um vector cujo módulo tem o valor de um fluxoide e cuja direcção é a da densidade de fluxo no centro do vórtice. Num supercondutor puro, o fluxoide mover-se-á com velocidade , por acção desta força, induzindo um campo eléctrico:

(2.38)

Admitindo que a densidade de corrente de transporte e a densidade de fluxo são perpendiculares, então o campo eléctrico é paralelo à densidade de corrente, e resultam as seguintes perdas de Joule no volume do supercondutor, :

(2.39)

Assim, num supercondutor puro, desde que haja penetração de fluxo, qualquer corrente de transporte leva ao aparecimento de perdas óhmicas no material. Por outras palavras, a corrente crítica, definida como a corrente a partir da qual aparece resistência no supercondutor, torna-se, consequentemente, nula.

a) . b) . Surgem correntes de blindagem.

c) . O fluxo penetra sob a forma de fluxoides.

d) . Os fluxoides sobrepõem-se e o material passa ao estado normal.

Figura 2.19: Magnetização de um supercondutor do tipo II, desde o estado Meissner até ao estado normal, por aplicação de um campo .

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Nos supercondutores reais, o deslocamento de vórtices é evitado pela existência (natural ou artificial) de heterogeneidades no material, designados centros de ancoramento, e que consistem em defeitos, limites de grão, vazios, impurezas ou fases não supercondutoras. O ancoramento de apenas alguns fluxoides permite elevar a corrente de transporte, já que toda a rede fica ancorada. A corrente crítica é assim determinada pelas propriedades de ancoramento do material, e não existem perdas desde que a força de Lorentz seja inferior à força de ancoramento.

Uma consequência do ancoramento de fluxo consubstancia-se nos magnetos de fluxo residual. Um supercondutor do tipo II puro, isto é, sem centros de ancoramento, quando sujeito a um campo aplicado variável permite a penetração de campo reconfigurando a malha da sua rede de Abrikosov, isto é, ajustando a distância entre vórtices. Desta forma, o campo penetra de modo uniforme no supercondutor, e, se for extinto, também o será no interior do material. O mesmo supercondutor com centros de ancoramento terá um comportamento substancialmente diferente. Supondo-o sujeito a um campo aplicado crescente, então, a partir do campo crítico inferior, será induzida a formação de vórtices no interior do supercondutor, junto à fronteira. Estes penetram no interior do material, por difusão e pelas forças de repulsão entre eles, ficando alguns alojados em centros de ancoramento. A rede de vórtices reconfigura-se de modo a atingir o estado energético mais favorável. Os vórtices penetram no material a partir da sua extremidade, pelo que a densidade de fluxo será mais elevada junto da fronteira. Quanto mais fracas forem as forças de ancoramento, maior será a profundidade de penetração da densidade de fluxo a partir da fronteira do material (ou inversamente, quanto mais fortes forem as forças, menor será a penetração). Esta sequência encontra-se representada na Figura 2.20. Assim, enquanto no supercondutor puro o campo penetra uniformemente, no material com centros de ancoramento a densidade de fluxo varia espacialmente. Consequentemente, onde existir esta variação espacial da densidade de fluxo (ou do número de vórtices) existirá uma densidade de corrente de blindagem dada pela lei de Maxwell

(2.40)

isto é, e são sempre perpendiculares. Nas regiões onde for constante ou nulo, será zero. Se, a partir da situação anterior, o campo for sendo progressivamente diminuído, então existem vórtices junto à fronteira do material que vão sendo destruídos para acompanhar a diminuição de campo. Desta forma, a densidade de fluxo cresce da fronteira para o interior do material, eventualmente voltando a diminuir. Isto corresponde a uma inversão da densidade de corrente a partir da fronteira do material, que se propaga para o interior enquanto a densidade de fluxo continuar a diminuir. Esta situação está representada na Figura 2.21.

35 Quando o campo exterior se anula, chega-se a uma situação em que existem vórtices ancorados no material, isto é, existe fluxo magnético suportado por correntes que fluem sem resistência. O material magnetizado recebe a designação de magneto de fluxo residual, possível à custa do fenómeno de ancoramento. Estão descritos na literatura magnetos deste tipo com densidade de fluxo ancorado superior a 17 T a 29 K (Tomita & Murakami, 2003), algo impensável com magnetos permanentes.

a) Campo aplicado fraco. Só há penetração de fluxo numa camada superficial. O interior do material, a vermelho, corresponde a uma zona sem campo e corrente.

b) As zonas a azul e amarelo no interior do material correspondem a densidades de corrente (de sentido inverso) que suportam o fluxo que penetra no mesmo.

c) O material apresenta densidade de corrente em todo o seu volume, isto é, encontra-se totalmente penetrado por fluxo magnético.

Figura 2.20: Penetração de fluxo num supercondutor com centros de ancoramento, sujeito a um campo aplicado crescente.

a) O campo começa a diminuir, dando- se a inversão do sentido da densidade de corrente a partir da periferia, por forma a diminuir a densidade de fluxo.

b) O campo decresce, pelo que a densidade de corrente continua a evoluir a partir das extremidades.

c) O campo exterior anula-se. Não havendo perdas, o ancoramento dos vórtices origina fluxo residual no material, que permanece magnetizado.

Figura 2.21: Evolução do fluxo num supercondutor com centros de ancoramento, sujeito a um campo aplicado decrescente. Quando o campo aplicado se anula, o material permanece com fluxo residual.

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