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Folkestyre, lokalsamfunn og regionalpolitikk

Ver SUBSISTEMA VI – BARRETO

5. As famílias produtoras

As notas biográficas que se seguem nestas linhas foram elaboradas com recurso a documentação do ALB e completadas com outra bibliografia – livros de Chancelaria Régia, estudos publicados quer em monografias quer em publicações periódicas, assim como genealogias – Damião de Góis412, Alão de Morais413 e Felgueiras Gaio414. Para as

histórias da família recorremos a vários documentos existentes no ALB, cruzando informação dada por uma grande diversidade de documentos como sentenças, testamentos e ainda árvores genealógicas elaboradas pelos próprios. As biografias pessoais encontram-se no volume II – Anexos, Anexo 1, desta dissertação.

I - SUBSISTEMA VALADARES (flor. 1480-1653)

Considerámos o início da família Valadares com o casamento de Fernão de Valadares, o velho, com Beatriz Eanes de França, filha de João Eanes Machucho e Maria de França. Segundo Felgueiras Gaio a família Valadares teve origem galega415, embora não exista no ALB qualquer documento relativo aos antepassados de Fernão de Valadares. No entanto, seria com certeza de família da elite portuense, pois Fernão de Valadares foi escudeiro da casa real, escrivão dos contos e acompanhou D. João II numa campanha militar em África, tendo-se casado com um elemento de outra família da elite da mesma cidade, os Machucho, como se verá adiante.

412 GÓIS, Damião de – Livro de linhagens de Portugal. Introdução e transcrição paleográfica de António

Maria Falcão Pestana de Vasconcelos. Lisboa: Instituto Português de Heráldica, Universidade Lusíada, 2014.

413 MORAIS, Cristóvão Alão de – Pedatura Lusitana: nobiliário de famílias de Portugal. 12 vol. Porto:

Livraria Fernando Machado, 1943-1948.

414 GAIO, Manuel Felgueiras – Nobiliário de famílias de Portugal. 17 vol. [Braga]: Agostinho de

Azevedo Meirelles: Domingos de Araújo Affonso, 1938-1941.

126 O filho de ambos, João de Valadares, sucedeu na casa de seu pai e exerceu vários cargos de importância, nomeadamente na vereação da cidade no Porto. Casou com Ana de Azeredo, filha de Álvaro Rodrigues de Azeredo e de Constança Soares, filha de Paio Rodrigues de Araújo. Ana de Azeredo faleceu em 1585, tendo, no entanto, instituído em 1575 uma capela na Sé do Porto para sua sepultura.

Implantada no Porto, a família Valadares veio a unir-se, por via de casamento, com elementos da família Carneiro e Rua já na segunda metade do século XVI. A procura de fortuna em África e na Índia, a presença de filhas em conventos demonstra uma tentativa de reforço da fortuna, a qual foi aumentada com heranças por linha materna416.

O casal João de Valadares e Ana de Azeredo teve quatro filhos: o primogénito Luís de Valadares, herdou os bens de seu pai, foi feitor em Achem417 e veio a falecer em

África onde servia uma comenda, casou com Vitória Carneiro, filha de Francisco da Rua, feitor na Flandres e Isabel Carneira. O casal teve uma filha, Ana Carneira, dotada com um morgadio “do Paço de Valadares” quando casou com Francisco de Sousa de Almeida418.

O secundogénito, Álvaro de Valadares, foi vereador da câmara do Porto em 1577 e cavaleiro da Ordem de Cristo. Casou com Antónia Carneiro, filha de Pantaleão Carneiro e Filipa Moreira e foram pais de João de Valadares Carneiro, sucessor da casa de seu pai e de várias capelas instituídas pelos seus familiares: a avó Ana de Azeredo, as primas Maria Carneiro Pamplona e Ana Carneiro. O casal teve ainda mais dois filhos, Pantaleão Carneiro, que seguiu vida religiosa, Fernão de Valadares Carneiro, escudeiro, que foi para a Índia em 1597 quando tinha apenas dezoito anos419 e quatro filhas, todas freiras, duas no convento de Santa Clara e as outras no de S. Bento de Avé Maria.

João de Valadares teve ainda duas filhas: Beatriz de Azeredo, solteira, instituidora de um vínculo e Inês de Azeredo, freira no convento de Santa Clara.

João Valadares Carneiro, o primeiro elemento da família a usar o duplo apelido, casou por duas vezes, a primeira com Maria da Costa Soares e a segunda com Catarina Pereira, da qual nasceram dois filhos: Luís de Valadares Carneiro, que casou com Ana do Amaral, filha de João Soares do Amaral e de Sebastiana Vieira, e que trouxe à

416 BRITO, Pedro de – Patriciado urbano quinhentista…, p. 77. 417 ANTT, Chanc. D. João III, liv. 55, fl. 169.

418 BRITO, Pedro de – Patriciado urbano quinhentista…, p. 76-77.

419 REGO, Rogério de Figueiroa – “Soldados da Índia séc. XVI - Notícias genealógicas e biográficas”. Ethnos, revista do Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia. II (1942), p. 161.

127 família diversos bens vinculados, nomeadamente os de Roque Tavares do Amaral (escrivão da câmara do Bispo de Coimbra, D. João Soares) e Gaspar Monteiro; e os bens de Beatriz de Azeredo. Ambos os irmãos constituíram vínculo dos seus bens, sendo que Luís de Valadares Carneiro instituiu uma capela que ostentava o seu brasão na Sé do Porto.

A família continuou com o filho primogénito de Luís de Valadares Carneiro, João Valadares Carneiro casado com Margarida Machado da Silva Sotomaior420, da qual teve uma filha, Mariana Luísa de Valadares, que casou com Francisco Furtado de Mendonça Meneses, cujo filho, João Manuel de Meneses e sua mulher Maria Rosa Meneses serão os avós de Miguel Pereira Forjaz, titulado Conde da Feira em 1820.

420 Filha de Rodrigo Pereira Sotomaior, alcaide mor de Caminha em 1643. CARDOSO, Maria Teresa –

“João de Valadares Carneiro”. In SOUSA, Fernando de (coord.) – Os provedores da Santa Casa da

128 João Soares do Amaral c. c. Sebastiana Ana do Amaral João Geraldes c. c. Inês Sanches c. c. Leonor Vasques c. c. Isabel Vasques João Eanes Machucho c. c. Maria de França Beatriz Eanes França c. c. Fernão de Valadares João de Valadares c. c. Ana de Azeredo Beatriz de Azeredo Álvaro de Valadares Luís de Valadares c. c. Vitória Carneiro Ana Carneiro c. c. Francisco de Sousa Almeida Inês de Azeredo Isabel de França Maria Nunes c. c. Rui Gramaxo Pedro Eanes Machucho António

Machucho Helena de Araújo

João de Barros I Briolanja de Barros João de Barros II Senhorinha Eanes c.c. João Gonçalves Leonor Eanes Machucho c. . Gil Carneiro Diogo Pires Carneiro c.c. Maria Vieira Inês Carneiro c.c. Francisco de Figueiroa

Ana Carneiro Cristóvão de Figueiroa

Leonor Carneiro c.c. João Álvares Pamplona

Maria Carneiro c. c. Ana de SousaGaspar Pamplona

Pantaleão Carneiro I c.c. Filipa Moreira Antónia Carneiro João Valadares Carneiro c.c. Catarina Pereira Luís Valadares Carneiro João Valadares Carneiro c.c. Margarida Machado

Vila Sotomaior

Mariana Luísa Valadares c.c. Francisco Furtado de Mendonça Meneses Pantaleão Carneiro II Martim Carneiro c. c. Leonor Fajoa Isabel Carneiro c. c. João Álvares Riscado Beatriz Carneiro c. c. Fernão Soares Catarina Carneiro

c. c. Simão Correia Gaspar Soares Maria Carneiro c.

.c. Diogo Garcês Manuel Carneiro

Afonso Carneiro Gomes Carneiro Francisco Soares c. c. Beatriz Mendes de Vasconcelos Maria da Costa

Soares Isabel Soares

Manuel da Costa Maria da Costa

Árvore Genealógica 1 Subsistema Valadares

129 II - SUBSISTEMA RIBEIRO (flor. 1411-1596)

Considerou-se para o início do sistema Ribeiro, família, o ano de 1411, primeira data de que temos testemunho de Inês Vasques (fundadora do morgadio do Canidelo no ano de 1458421), casada com Álvaro Afonso Dinis, seu primeiro marido422; e para o seu termo o ano de 1565, data aproximada do casamento da única filha do quarto administrador (bisneto em varonia direta do primeiro), com Francisco Ferreira Furtado de Mendonça, morgado de Argemil e Fajozes, em cuja casa o morgadio do Canidelo passou a estar inserido423. As referências documentais a Inês Vasques indicam-na, em primeiro lugar, como mulher de um rico mercador do Porto, Álvaro Afonso Dinis desde 1411, como foi referido. Após a morte deste, cerca de 1428, contraiu casamento com Gonçalo de Sá, oriundo de uma família, os Sás, de extrato mais elevado e que podemos considerar como nobreza cortesã424, ligados à alcaidaria-mor da cidade do Porto. A

ausência de filhos de ambos os matrimónios levou ao benefício de vários sobrinhos, entre os quais João Álvares Ribeiro, filho de seu irmão Álvaro Fernandes Ribeiro, o qual foi nomeado primeiro administrador do morgadio. Não existem dados adicionais sobre o casamento deste com Beatriz Pinto, mas na geração seguinte a inserção nas famílias ligadas à vereação e ao desempenho de cargos administrativo é clara, nomeadamente com Francisco Ribeiro, vereador e juiz dos órfãos por várias vezes, nas duas primeiras décadas do século XVI; o genro de Fernão Ribeiro, Pedro de Andrade, foi também juiz dos órfãos no mesmo período. Na quarta geração de administradores, o morgado Fernão Ribeiro designa-se como “fidalgo”, ao contrário dos seus antecessores, intitulados cavaleiros da Casa Real. O casamento da única filha de Fernão Ribeiro, Antónia de Sousa, fez-se com Francisco Ferreira Furtado, membro de uma família, ao que os documentos indicam, de um extrato social superior da região do Porto, com vastas propriedades em Barcelos – os Ferreira Furtado de Mendonça. Com efeito, o morgadio do Canidelo passa para o filho de Francisco Ferreira Furtado, Luís Ferreira Furtado, casado com Guiomar de Albuquerque (filha perfilhada de João Fernandes Pacheco e neta do navegador Duarte Pacheco Pereira) de quem Francisco Ferreira fora

421 ROSA, Maria de Lurdes – O morgadio em Portugal…, p. 226 e seg.. Para a inserção da família na

oligarquia municipal do Porto, MACHADO, Maria de Fátima – Os órfãos e os enjeitados da cidade e do

termo do Porto (1500-158). Porto: 2010. Tese de doutoramento apresentada à Faculdade de Letras da

Universidade do Porto, p. 55.

422 BNP, ALB, Enc., cx. 44A, mç. 136, cap. 1, doc. n. n.

423 Sobre a entrada do morgadio na família Ferreira Furtado de Mendonça, e a história subsequente, veja-

se CARVALHO, Andreia Martins; PINTO, Pedro – “Da caça de Mondragón à guarda do Estreito de Gibraltar…”, cit., p. 221-332.

130 nomeado tutor. Luís Ferreira Furtado e Guiomar de Albuquerque terão um filho, Duarte Pacheco Pereira, que herda o morgadio de seu pai e, por sua morte, o transmite ao seu tio, meio irmão de seu pai – Francisco Ferreira Furtado de Mendonça, filho de Luís Ferreira com Francisca da Silva. Francisco Ferreira Furtado de Mendonça casou com Maria Mendonça, herdeira do morgadio da Freiria, instituído por Beatriz Dantas, em 1555, tia de seu avô Bartolomeu Dantas. Os morgadios do Canidelo e Freiria foram transmitidos ao filho do casal, Luís Carlos Mendonça Dantas, o qual faleceu solteiro em 1682, e como tal os morgadios foram transmitidos a sua irmã, Francisca Luísa de Mendonça, casada com João Manuel de Meneses e posteriormente ao filho do casal, Francisco Furtado de Mendonça, casado com Mariana Luísa de Valadares. Foi o filho de ambos, João Manuel de Meneses, casado com Maria Rosa da Câmara, que recebeu o legado, e que o transmitiu a sua filha Luísa Teresa da Câmara Meneses, casada com Diogo Pereira Forjaz Coutinho, pai de Miguel Pereira Forjaz e da viscondessa de Vila Nova de Souto del Rei (por casamento), a qual herdou os bens por morte sem descendentes do seu único irmão.

Árvore Genealógica 2 Subsistema Ribeiro

Antónia de Sousa c. c. Francisco