Com a intenção de promover melhorias tanto no planejamento pedagógico quanto no processo ensino-aprendizagem, foi criada pelo MEC em 1994, uma comissão especial para estudar a evasão nas IES. Contextualizando essa realidade, Ristoff (1999) apresenta que
Neste contexto de desqualificação ganhou centra- lidade e questão da evasão. Em fevereiro deste ano, quando todo o governo tinha seus canhões voltados contra as universidades, começando pe- lo Presidente da República, a SESu chamou a ANDIFES para uma reunião com o propósito precípuo de discutir evasão. Esta seria a primeira de uma série de reuniões temáticas. Seria a pri- meira, mas acabou sendo, de fato, a única do gê- nero. A ANDIFES, à ocasião, encomendou um estudo rápido ao Fórum de Pró-Reitores de Gra- duação, que ficou encarregado de fazer uma a- presentação de índices nacionais. A expectativa era de que nós pudéssemos desfazer a imagem negativa criada com a divulgação do então Secre- tário de Ensino Superior do MEC, Prof. Décio Leal de Zagottis, de que a evasão nas universida- des chegava a alarmantes 56% (RISTOFF, 1999, p.120-121).
Ristoff (1999) conta ainda que em uma reunião em Brasília para preparar a apresentação, percebe-se a falta de confiabilidade dos dados em função da ausência de uma metodologia comum, então foi proposto a formação de uma comissão nacional para definir o que parecia uma necessidade óbvia - uma fórmula comum de cálculo de índices, uma fórmula que pudesse auxiliar, a partir destes índices, identificar causas e, talvez, propor soluções.
O MEC constituiu, então, a Comissão, para a definição dos ín- dices a partir de uma fórmula comum. “É inegável, no entanto, que a questão merece a nossa atenção, até porque a evasão precisa ser desmis- tificada e contextualizada para retirá-la do isolamento a que alguns insis- tem em relegá-la” (RISTOFF, 1999, p. 121).
Após dois anos de estudo, essa comissão encerrou suas ativida- des com a elaboração do documento denominado “Prováveis fatores determinantes do desempenho da graduação”, conforme as categorias: fatores referentes a características individuais do estudante, fatores in- ternos às IES, fatores externos às IES (MEC, 1996). Neste relatório há uma menção às razões para a constituição da Comissão e, entre elas, a de que o trabalho pudesse contribuir concretamente para que fosse al- cançada em médio prazo a meta de um índice de evasão em torno de 20% nas IFES, considerando que os indicadores oficiais da SESu, à época, apontavam para uma média nacional de 50% de evasão nas IFES (CISLAGHI, 2008).
Pode-se citar como exemplos de fatores referentes a caracterís- ticas individuais do estudante: relativos à habilidade de estudo; relacio- nadas à personalidade; decorrentes da formação escolar anterior; vincu- lados à escolha precoce da profissão; relacionados à dificuldades pesso- ais de adaptação à vida universitária; decorrentes do desencanto ou da desmotivação dos alunos com cursos escolhidos em segunda ou terceira opção; decorrentes de dificuldades na relação ensino-aprendizagem, traduzidas em reprovações constantes ou na baixa frequência às aulas; decorrentes da desinformação a respeito da natureza dos cursos; decor- rente da descoberta de novos interesses que levam à realização de novo vestibular (MEC, 1996).
Já os principais fatores internos às IES são: peculiares a ques- tões acadêmicas; currículos desatualizados, alongados; rígida cadeia de pré-requisitos, além da falta de clareza sobre o próprio projeto pedagó- gico do curso; relacionados a questões didático-pedagógicas, como por exemplo, critérios impróprios de avaliação do desempenho discente; relacionados à falta de formação pedagógica ou ao desinteresse do do- cente; vinculados à ausência ou ao pequeno número de programas insti- tucionais para o estudante, como Iniciação Científica, Monitoria, pro- gramas PET (Programa Especial de Treinamento), etc.; decorrentes da cultura institucional da desvalorização da docência na graduação; decor- rentes de insuficiente estrutura de apoio ao ensino de graduação (labora- tórios de ensino, equipamentos de informática, etc.); inexistência de um sistema publico nacional que viabilize a racionalização da utilização das vagas, afastando a possibilidade de matrícula em duas universidades (MEC, 1996).
Por fim, tem-se os fatores externos às instituições: relativos ao mercado de trabalho; relacionados ao reconhecimento social da carreira escolhida; afetos à qualidade da escola de primeiro e segundo graus; vinculados a conjunturas econômicas específicas; relacionados à desva-
lorização da profissão, por exemplo, o ‘caso’ das Licenciaturas; vincu- lados a dificuldades financeiras do estudante; relacionados às dificulda- des de se atualizar a universidade frente aos avanços tecnológicos, eco- nômicos e sociais da contemporaneidade. Relacionados à ausência de políticas governamentais consistentes e continuadas, voltadas ao ensino de graduação (MEC, 1996).
Esse estudo do MEC (1996) foi determinante para que pesqui- sas e análises pontuais ao processo de evasão viessem a ser empreendi- das por outras IES.
Ao empreender estudo afim, Biazus (2004) identificou um con- junto de fatores determinantes para o processo de evasão, apresentando- se assim uma sistemática de avaliação do processo de ensino- aprendizagem para o ensino superior com ênfase em Cursos de Ciências Contábeis. Esse modelo divide os fatores em externos e internos às IES.
A categoria interna é formada por três componentes: atitude comportamental; motivos institucionais e requisitos didático- pedagógicos, os quais podem influenciar nas prováveis causas da eva- são.
Ainda de acordo com Biazus (2004) apresenta-se a seguir a di- mensão externa, formada por quatro componentes, que identificam de- zoito (18) indicadores considerados relevantes para o estudo do modelo proposto pelo pesquisador, e conforme os estudos existentes sobre as causas da evasão. Os quatro componentes externos identificados são: vocação pessoal; características individuais; conjunturais e sócio- político-econômicas, cujas categorias tem por finalidade detectar pro- blemas de ordem pessoal, vocacional, mercado de trabalho, financeira, dificuldades ambientais e sócio-culturais.
Neste caso, a instituição (curso) deve estar acompanhando e tomando providências, continuamente, no sentido de interagir com as oportunidades e ameaças ambientais, levando em consideração sempre atividades da instituição e nunca esquecendo sua missão e seus objeti- vos, porque o papel da universidade também é de garantir a qualidade do curso, como a de sua conclusão por parte do aluno (BIAZUS, 2004).
Para que se possa melhor organizar e entender a importância de cada dimensão, componentes e indicadores do instrumento proposto, estes foram organizados conforme Ilustração 4. Acrescenta-se ainda que para se chegar à definição deste instrumento, buscou-se mediante dis- cussões com os grupos focais sobre suas opiniões a respeito da estrutura, principalmente no que se refere às dimensões, chegando assim aos com- ponentes e aos indicadores a este sistema proposto (BIAZUS, 2004).
Em estudo similar, Cislaghi (2008) desenvolve um modelo de permanência discente para o contexto particular das IES brasileiras, podendo ser analisada por meio da ilustração 3.
Ilustração 3: Modelo de permanência discente na graduação em IES brasileiras Fonte: Cislaghi (2008, p.74)
Sobre este modelo, Cislaghi (2008) ressalta que estas variáveis contemplam um conjunto de possibilidades de intervenções institucio- nais para a promoção da permanência discente e tais intervenções po- dem, em princípio, serem considerados sob diferentes perspectivas. Uma delas diz respeito às intervenções para apoiar o estudante para que ele tenha condições de se manter estudando.
Além disso, às intervenções institucionais que visem influir na vontade do estudante permanecer frequentando o curso no qual ingres- sou, objetivando manter um nível elevado de satisfação, motivação, segurança, de condições para progresso no aprendizado etc. É nesta perspectiva que as IES têm um espaço maior para desenvolver políticas e programas mais ambiciosos e obter resultados mais significativos (CISLAGHI, 2008).
Tem-se desta forma, a explanação sobre as universidades, e seus fatores de evasão. Mas neste contexto tem-se uma em tipo peculiar de educação, denominado educação a distância, a qual possui caracterís-
ticas diferentes da contexto tradicional. Assim, é relatado a seguir essa peculiaridade.
Ilustração 4: Instrumento das causas de evasão Fonte: Biazus (2004)