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3.2 Prøvetaking og bearbeiding av prøver

3.2.6 Fisk

Tanto na análise dos professores entrevistados quanto dos alunos, aspectos positivos e negativos do ProUni são ressaltados. De modo geral os professores entrevistados mostram-se simpatizantes ao Programa, o consideram “incrível”, “um fator de inclusão”, uma forma de fazer “uma ponte entre igualdade formal e igualdade material”, trazendo esperança para esses alunos.

[...] é uma política pública de verdade e ela tem um alcance muito grande (PROF 01).

Eu acho um programa maravilhoso. Eu acho que todos os programas de inclusão do Governo Federal são programas que objetivam fazer a ponte entre a igualdade formal e a igualdade material (PROF 02).

[...] eu sou entusiasta do ProUni em especial em relação ao tipo de público que o ProUni traz pra dentro das universidades privadas (PROF 04).

As limitações da política do ProUni também foram abordadas pelo grupo de professores. Apontada como uma medida insuficiente que minimiza porém não resolve o problema de acesso de alunos de classes menos favorecidas à educação superior; é criticada também por tirar do Estado a responsabilidade de abrir vagas em IES públicas. A crítica feita por Catani et al. (2006) em relação à qualidade questionável dos cursos superiores ofertados nas IES privadas e filantrópicas é ratificada pelo PROF 04, que considera que, salvo algumas exceções dentre as quais a IES pesquisada se inclui, são concedidas muitas bolsas em IES de qualidade ruim. Tendo em vista que, historicamente, a educação superior no Brasil tem sido destinada às elites, enquanto a universalização da educação popular sempre foi negligenciada (OLIVEIRA, 2004), o PROF 03 salienta que, considerando esse contexto anterior, o ProUni é um avanço.

Acho que foi uma medida, digamos, talvez mais política, no sentido de talvez de minimizar o problema do que resolver. Mas antes isso do que nada, porque antigamente as pessoas que não podiam pagar simplesmente não estudavam (PROF 03).

[...] é importante abrir a possibilidade de o aluno estudar, mas é importante também que as boas universidades estejam abertas pra receber esses alunos e também haja uma reconstrução dos alunos das universidades públicas que é onde estes alunos também têm que estar, ou seja, a gente tem que pensar em qualidade do ensino. Aqui (na IES) é certeza de sucesso, que vai ter qualidade de ensino, agora em outras universidades... É essa a crítica que se faz ao ProUni (PROF 04).

A estrutura e o calendário do Programa são alvos da reprovação dos professores, que traz consequências diretas para o aluno prounista. PROF 01 sinaliza que o calendário do ProUni, embora usado pelas IES particulares, foi criado para as públicas e sugere haver um desconhecimento por parte de alguns professores acerca das especificidades do Programa, sendo o aluno a maior vítima.

Você pega um professor no curso de Direito ele só vai saber: ele chegou um mês depois e ele está me pedindo para fazer uma atividade... então para ele é mais serviço. Ele não percebeu que foi toda uma estrutura que foi desenhada desse jeito, e que esse aluno também é uma vítima, que ele queria estar aqui um mês antes (PROF 01).

A orientação assistencialista do ProUni, que oferece benefícios ao invés de direitos aos bolsistas, tem sido criticada por pesquisadores (GRAMPA, 2013; CATANI et al. , 2006). A limitação da política do ProUni é criticada também pelos alunos. P6M-IM indica que nas discussões em sala de aula “Quando eles entram nessas medidas compensatórias, eles já começam a levantar debate, e aí essa política assistencialista do país é muito criticada”.

NP5M-FM diz que “Todo mundo critica essas formas de beneficiar um aluno e não corrigir o

problema em si... [...] tentar tapar o problema com uma peneira [...]”. NP2M-FM considera ser necessário “Mudar todo o sistema. Esse eu acho que é o grande problema, as pessoas não pensam em mudar o sistema de educação. Elas pensam só em injetar o dinheiro”. Embora sejam críticas procedentes, destaca-se que as críticas ao caráter assistencialista da Política ProUni provêm de alunos não prounistas, que apresentam certa resistência a medidas compensatórias. Na percepção dos alunos prounistas entrevistados, as necessidades são maiores do que a simples concessão da bolsa, contemplada pela política, e argumentam que “só livrar o aluno da mensalidade [...] não é o suficiente” P12M-FM.

As principais críticas indicadas pelos alunos prounistas entrevistados referem-se à abrangência do Programa, que se mostra insuficiente para democratizar o acesso ao ensino superior, a dificuldade de acesso a faculdades de qualidade, a imagem de um programa assistencialista, que concede oportunidade de formação, assegurada constitucionalmente, como um benefício e não como um direito.

Embora aspectos críticos sejam apontados, na fala dos bolsistas entrevistados percebe- se o caráter determinante que o Programa tem para a vida desses alunos. Sendo a educação considerada um dos mais importantes fatores de ascensão social, uma vez que a obtenção de melhor qualificação possibilita o alcance de melhores posições profissionais e torna possível a conquista de melhores condições de vida (RIBEIRO, 2006), o acesso a uma boa formação é percebida como decisiva pelos prounistas entrevistados. A oportunidade de uma boa formação, o contato com pessoas, a obtenção de posições de prestígio no mercado de trabalho e a possibilidade de mobilidade social são vislumbrados como maiores benefícios obtidos. Nas falas desses alunos fica perceptível que a oportunidade de acesso à educação superior obtida por meio do ProUni é vista como meio de salvação, sendo dada uma conotação de que estavam condenados à exclusão social, cheios de sonhos e aspirações, e que agora vislumbram uma oportunidade de inclusão e ascensão social.

Oportunidade de vida. Simples. Direto. Uma maneira de alcançar o que eu quero (P1H – IM).

Contatos. Isso em qualquer profissão é necessário. No Direito mais ainda. O Direito é basicamente contatos. Nós temos bons professores e temos vários colegas na sala que são filhos de pessoas influentes e, querendo ou não, ajuda. E ajuda bastante (P1H – IM).

O ProUni veio para mim, como um salva-vidas mesmo. Uma esperança de que eu podia sim, ter um ensino superior, eu podia sim estudar numa faculdade de renome (P5M-IN).

ProUni para mim foi tudo. Foi o diferencial entre a vida que eu achava que eu ia ter e a vida que eu queria ter (P5M-IN).

Eu acho que é uma oportunidade. Eu vejo como uma megaoportunidade. Estou encarando como uma ultraoportunidade de efetivamente poder concretizar esse sonho, que é advogar ou, enfim, ter uma função essencial à justiça (P6M-IM).

O ProUni para mim, foi a salvação da minha vida, assim... uma chance de mudar de vida, com certeza. Se não fosse o ProUni eu não sei o que ia acontecer com a minha vida, o que eu ia fazer... (P7H-FN).

[...] a chance de ingressar numa universidade e me qualificar para o mercado de trabalho, faz toda diferença (P11M-FM).

A utilização das expressões “salva-vidas”, “salvação da minha vida” e “oportunidade de vida”, utilizadas pelos alunos, denotam um sentimento de privação, de falta de oportunidades e de exclusão. Esses alunos consideram que o ProUni “[...] traz esperança para muita gente” (P5M-IN) e constitui-se “[...] um aspecto de inclusão”, que tem um “[...] fator social” P1H - IM, portanto, valorizam o Programa e manifestam um sentimento de gratidão à IES.