No que diz respeito à Parceria Universidade – Escola, Foerste (2005) nos aponta que esta é uma relação necessária e almejada na Formação de Professores, seja inicial ou continuada, entretanto é uma questão polêmica para ambas as instituições e para o próprio governo:
A parceria do governo, segundo o discurso oficial, favorece condições necessárias para a criação de laços entre governo-universidade-escolas na formação de professores, cuja inexistência é criticada pelas escolas a própria academia na parceria dirigida. Por meio desses laços seriam
desenvolvidas atividades de cooperação em que as escolas e a universidade teriam benefícios porque passariam a compreender melhor a realidade e as funções umas das outras. No seu papel de legislador, o governo “orquestra” a implementação das parcerias, disponibilizando alguns recursos e ditando normas. (FOERSTE, 2005, p. 117, grifos do autor)
Para compreendermos melhor o que este autor entende por Parceria Dirigida, apresentamos a seguir um quadro destacando a existência, segundo Foerste (205), de três tipos de Parceria na Formação de Professores:
Tipo Característica
Colaborativa
Decorre de um longo processo de trabalho articulado de professores da universidade com profissionais do ensino básico, com o objetivo de garantir pressupostos teórico-práticos nos currículos dos cursos de formação de professores.
Dirigida
Nessa modalidade de relação, a instituição formadora – a universidade – detém todo o poder de decisão, do que fazer e como fazer, principalmente nos chamados estágios curriculares. Quer dizer, a universidade pensa e à escola resta a função de executar tarefas.
Oficial
O governo apresenta sua alternativa, é oficializada por decreto. O governo define previamente tarefas e as distribui entre as instituições que são designadas a participar desta parceria.
Quadro 9: Tipos de Parcerias na Formação de Professores. Fonte: baseado em Foerste (2010, p. 113-119).
Como podemos perceber, quando Foerste (2010) aponta que a ausência de Parceria Oficial é criticada pelas escolas e pela própria academia, ele está nos remetendo à ideia de que as pesquisas voltadas à Formação de Professores se voltam para a necessidade de se estabelecer vínculos mais consistentes entre as escolas e os cursos de Formação de Professores e que uma forma possível para que isso aconteça, seja o estabelecimento de uma Parceria Oficial, como o PIBID, por exemplo.
Mesmo diante desta necessidade, a Parceria Oficial recebe inúmeras críticas, sobretudo por, de certa maneira, engessar o estabelecimento desse vínculo entre Universidade – Escola. No PIBID, por exemplo, o governo, por meio da CAPES abre um edital para que as universidades proponham projetos e apontem quais escolas serão parceiras. Esse fluxo nos transmite uma ideia de hierarquização e se distancia da tão almejada Parceria Colaborativa.
Diante deste cenário, entendemos que é necessário que a escola seja entendida, também, como uma instituição formadora de professores e que seus professores, que recebem licenciandos em suas salas, sejam inseridos como co- formadores destes futuros professores. Neste sentido, a proposição de Parcerias Oficiais poderia ter seu fluxo invertido, de modo que as escolas tivessem voz e direito de dizer com quem e de que forma querem estabelecer parcerias.
Como a universidade acolhe o professor da escola pública, quando ele recebe seus estudantes, pelo PIBID ou pelos estágios. E como estabelece parcerias para que o professor da escola pública tenha noção, na perspectiva da sua carreira docente, de que ele passa a ser co-formador, junto com a universidade pode colaborar muito, construir com as redes públicas municipais uma perspectiva para a carreira docente da educação básica, que possa valorizar o trabalho do professor que recebe estudantes das licenciaturas. (FREITAS, 2011, p. 18)
Como podemos perceber, as Parcerias entre Universidade e Escola poderiam ser incluídas nas discussões sobre a carreira docente, ou seja, é necessário que sejam criadas condições para que ações desenvolvidas em Programas como o PIBID sejam incorporadas à jornada de trabalho do professor, como uma atividade integrante de suas atribuições. Isso, talvez, possibilitaria um envolvimento maior dos professores das duas instituições.
Em contato com as entrevistas por nós realizadas, pudemos identificar que os futuros professores não percebem o PIBID Exatas – PUC/SP como uma Parceria entre Universidade – Escola:
“Se existe essa relação? [...] eu não percebo essa comunicação.” (Júlia, entrevista realizada em 21/03/2012)
Esta fala nos remete a reflexão que fizemos anteriormente sobre a Parceria Oficial, ou seja, Júlia nos dá indícios de que não há um envolvimento, por parte da escola e nem da própria universidade, que a faça perceber que estas duas instituições estão vivenciando um regime de colaboração no processo de Formação Inicial de Professores. Este indício é confirmado na entrevista com o Lucas:
“Não, a única coisa que tinha, que eu creio, foi a relação da coordenadora do PIBID Exatas, mais nenhum outro professor...” (Lucas, entrevista realizada em 21/03/2012)
É possível perceber que não houve um envolvimento dos demais professores da Universidade e que a Parceria é percebida como Governo – Coordenador do PIBID Exatas – PUC/SP.
“[...] a coordenadora, ela representa a universidade não é isso? É ela que representa essa ponte, de universidade com a escola e ela é uma pessoa muito presente e preocupada. Toda hora ela manda e-mail, cobra, ela é muito presente, muito preocupada [...].” (Diogo, entrevista realizada em 19/03/2012)
Diante do exposto até aqui, fica evidente que a Parceria Oficial instituída com o PIBID Exatas - PUC/SP foi uma ação importante para a Formação Inicial dos futuros professores, uma vez que viabilizou o acesso e o conhecimento da escola como um todo, além de possibilitar a vivência destes professores num projeto que visava a colaboração e a interdisciplinaridade. Entretanto, a percepção que os futuros professores tiveram foi diferente da visão que, possivelmente, era esperada, como tentamos ilustrar na Figura 3:
Figura 3: Parceria Governo-Universidade-Escola: percepção esperada x percepção dos bolsistas do PIBID Exatas – PUC/SP.
Analisando as entrevistas é possível inferir que, com a atuação dos futuros professores esta Parceria Oficial pode assumir características de uma Parceria Colaborativa. Isso fica evidente quando analisamos as ações desenvolvidas na escola B. Isto seria o ideal, embora, em alguns casos, podemos perceber uma Parceria Oficial com as características de uma Parceria Dirigida.
Neste sentido, é possível dizer que discussão sobre a importância de estabelecer Parceria na Formação de Professores precisa ser ampliada, sobretudo quando esta Parceria é Oficial. É preciso que sejam propostos meios para que toda universidade e toda a escola assumam e desenvolvam as ações previstas nesta Parceria. Isso, pois, a Parceria sendo percebida como a ação de apenas um professor, não a configura como uma ação valorizada pela instituição e, muito menos, pelos formadores dos cursos de licenciatura. É necessário, ainda, reconhecer que as ações desenvolvidas em colaboração com a escola favorecem não só a Formação inicial, como também a continuada dos demais professores envolvidos, seja da escola ou da universidade.
Por fim, é necessário que os cursos de formação inicial de professores repensem o estabelecimento de vínculo com a escola, sobretudo no que diz respeito, por exemplo, aos Estágios Supervisionados, entendidos, muitas vezes como uma Parceria Dirigida. Esta necessidade é apontada pelos futuros professores na categoria que analisaremos a seguir.
Governo Universidade Escola P PIIBBIIDD E Exxaattaass - - P PUUCC//SSPP Governo Coordenador PIBID-Exatas – PUC/SP Parte da Escola P PIIBBIIDD E Exxaattaass - - P PUUCC//SSPP Como é percebida
5.5 Formação inicial com vistas a minimizar o “choque com a realidade”