O objetivo deste trabalho foi o de investigar alguns determinantes do sucesso eleitoral dos candidatos ao poder legislativo do município de Fortaleza, com base nos dados socioeconômicos e demográficos disponibilizados pela justiça eleitoral, relativos ao período 2008–2016, buscando avaliar a influência da profissão de “médico” sobre a probabilidade de eleição, vis-à-vis os gastos de campanha e a experiência do candidato.
Para a estimação foi utilizado o modelo de variável dependente binária
Logit, que é apropriado ao caso presente, que busca quantificar os efeitos das
variáveis objetos do estudo sobre a probabilidade de um candidato a vereador por Fortaleza ser eleito, empregando em seguida simulações com o propósito de avaliar o impacto particular (a magnitude) de cada um dos fatores no sucesso eleitoral.
A investigação centrou-se na hipótese de que o profissional da medicina (médico) traz consigo vantagem comparativa em relação a outras categorias profissionais, vale dizer, ser “médico” contribui para as chances de sucesso eleitoral. O resultado evidenciou que o fato de ser médico contribui positivamente para as chances de sucesso eleitoral (7,9%), mas investigações adicionais necessitam ser submetidas a ensaio, para que se tire conclusões mais robustas, uma vez que outros atributos associados à profissão podem estar correlacionados com a significativa concentração de recursos experimentada pela categoria, como também com o prévio exercício na função pública (fato comum entre os médicos), seja no legislativo (ocupando a “função de vereança”), seja no executivo (ocupando “cargos de direção”), hipótese que não foi aqui objeto de investigação.
Sobre a importância do financiamento de campanha, o presente estudo só confirma diversos achados, de que dinheiro tem correlação positiva com o resultado eleitoral. A análise dos investimentos e os respectivos resultados eleitorais dos médicos em Fortaleza, no entanto, parece evidenciar que o dinheiro vem perdendo força no poder de explicação do sucesso eleitoral, com os profissionais da medicina se apresentando com gastos (médio) de campanha crescente e correspondentes resultados eleitorais (positivo) decrescente. Os médicos foram uma das quatro categorias profissionais que tiveram os maiores gastos de campanha no universo estudado e neste último pleito só um indivíduo obteve sucesso.
Consoante visto, ser candidato à reeleição (político) também proporciona ao candidato vantagem na probabilidade de ser eleito (19,3%), o que significa expressividade na magnitude da variável estudada. O resultado está coerente com a hipótese de que benefícios diversos atrelados ao exercício da função parlamentar, aumentam as chances do candidato eletivo.
A variável “idade” não se mostrou relevante, que de certo modo está coerente com a média do universo da amostra (e dos eleitos).
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