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2. TEORETISK RAMMEVERK OG FORSKNING

2.2 FINANSTILSYNETS TEMATILSYN 2012

de FLcon:EXcon, e analisar o efeito de um exercício intermitente exaustivo específico do futebol nas razões FLcon:EXcon, FLexc:EXcon, FLisom:EXisom e FLtdf:EXtdf. Os principais achados deste estudo foram que jogadores com grandes diferenças (ET = 6,2) (COHEN, 1988) na FLcon:EXcon, apresentam comportamento similar na FLtdf:EXtdf, porém não houve correlação significante entre estas variáveis. Além disso, as razões calculadas por meio do pico de torque foram proporcionalmente mais sensíveis aos efeitos do exercício intermitente exaustivo do que as razões calculadas por meio da TDF no início da contração. Portanto, estes resultados sugerem que os mecanismos que influenciam e/ou determinam as razões calculadas com base no pico de torque ou na TDF podem não ser exatamente os mesmos.

6.1. FLtdf:EXtdf entre jogadores de futebol profissional com diferentes valores de FLcon:EXcon

No futebol, a avaliação da força e da potência muscular é uma importante ferramenta da avaliação e dos atletas, não somente para a avaliação e o acompanhamento das adaptações ao treinamento, mas também para a avaliação da capacidade de estabilização articular. Neste sentido, a razão FLcon:EXcon é uma das variáveis que mais tem sido utilizada para avaliar o desequilíbrio muscular dos músculos do joelho, e considera o valor do pico de torque dos músculos FL e EX. A FLcon:EXcon tem sido utilizada como parâmetro da avaliação do estado de condicionamento neuromuscular dos atletas, como um parâmetro importante de análise, preditor do risco de lesões dos FL e para analisar as respostas a um período de reabilitação e ao longo de uma temporada (COOMBS e GARBUTT, 2002; HEWETT et al.,

2008; CROISIER et al., 2008). Portanto, a utilização deste índice é importante também para um acompanhamento longitudinal dos atletas.

Além da possibilidade da análise dos valores absolutos de pico de torque e TDF, a utilização das razões de pico de torque ou da TDF permite também que se tenha também uma análise qualitativa da ação dos músculos antagonistas (FL) em relação aos agonistas (EX) no movimento de extensão do joelho, que é a condição na qual ocorre grande parte do estiramento dos músculos FL. No futebol, os FL tendem a ter uma função importante na extensão do joelho, que é de auxiliar o LCA a evitar o deslocamento excessivo da tíbia em relação ao fêmur (MORE et al., 1993) e a prevenir a hiperextensão do joelho. De fato, tem sido demonstrado que a co-ativação dos FL diminui de forma importante o estresse no LCA, quando comparado com a ação isolada dos EX (MORE et al., 1993), o que pode reduzir o risco de lesão neste ligamento. Vale ressaltar que, o movimento de extensão do joelho muitas vezes é realizado com muita força e velocidade, o que exige dos músculos FL uma elevada produção não somente de força mas também de potência. Portanto, é importante que estes músculos tenham a capacidade de produzir um nível de força em relação aos EX, que seja de pelo menos de 0,6 para a FLcon:EXcon. Este tem sido considerado o valor mínimo para a prevenção de lesões dos FL (HEISER et al., 1984). Para os atletas que estão com valores abaixo deste, poderia então ser importante uma preparação específica para se tentar chegar a valores que representem uma maior capacidade de estabilização do joelho.

A importância não somente da avaliação do estado da aptidão neuromuscular dos atletas, como também o acompanhamento destes ao longo da temporada tem sido considerado essencial, já que o risco de lesões pode ser diferente, dependendo da fase do treinamento. Nos atletas que apresentam valores abaixo do que é considerado como equilíbrio na fase de pré-temporada, estudos sugerem que a correção do desequilíbrio muscular pode reduzir o risco de lesões dos FL na temporada (CROISIER et al., 2005; 2006). No estudo de

Croisier et al. (2008) os autores verificaram uma incidência menor de lesões nos atletas com equilíbrio muscular ou nos que o desequilíbrio foi corrigido, do que aqueles sem tratamento ou nos quais não foi restabelecido o equilíbrio dos músculos. Como algumas lesões podem afastar os atletas temporariamente do esporte, as possibilidade de se controlar o nível de força dos atletas em diferentes fases da temporada, pode ser também um importante aspecto a ser considerado.

Ao se analisar a resposta da força muscular, verificou-se que o valor pico é obtido somente na fase tardia da contração (> 300 ms) (THORSTENSSON et al., 1976). Como muitas ações esportivas são bastante rápidas, com menos de 300 ms de duração (BOSQUET et al., 2009), a força exercida nestas condições não é máxima. Já o pico da TDF é atingido ainda na fase inicial da contração (ANDERSEN e AAGAARD, 2006).

Estudos na literatura têm analisado alguns importantes aspectos das lesões em jogadores de futebol. Com relação à a lesão do LCA, que é um dos tipos mais comuns de lesões no futebol, foi verificado que esta ocorre em um momento bem inicial da contração (menos do que 50 ms) (KROSSHAUG et al., 2007), no contato do pé com o solo. Este é um momento relativamente próximo do qual ocorre o pico da TDF. Portanto, tanto a capacidade máxima de produção de força muscular como também a capacidade de produção rápida de força parecem ser importantes.

As informações sobre a importância da força explosiva para a capacidade de estabilização do joelho ainda são bastante escassas. Zebis et al. (2011) analisaram alguns parâmetros neuromusculares em jogadoras de futebol e propuseram um índice que representa a capacidade rápida de estabilização do joelho, que é a razão FLtdf:EXtdf. Como algumas lesões ocorrem na fase inicial da contração, os autores sugeriram que a razão baseada na TDF poderia ser também um índice interessante de ser utilizado. A razão FLtdf:EXtdf expressa a proporção da TDF exercida pelos FL em relação aos EX e é representativa da capacidade

rápida de estabilização da articulação do joelho. No estudo de Zebis et al. (2011), além dos autores terem verificado uma boa reprodutibilidade desta medida (ICC = 0,66-0,93), duas atletas, que apresentaram lesão do LCA no ano subsequente à realização do estudo, tinham, no momento da realização do estudo, valores similares de FLisom:EXisom ao das outras voluntárias do grupo, porém valores baixos de FLtdf:EXtdf durante a fase inicial da contração (< 50 ms) comparado ao valor das outras atletas. Os autores sugeriram que a FLtdf:EXtdf na fase inicial da contração (< 50 ms) pode ser utilizada para identificar os jogadores com maior risco de lesões do joelho. Portanto, para os atletas, a capacidade rápida de produção de força também pode ser um fator importante a ser considerado na prevenção de lesões. No entanto, ainda não há estudos na literatura que tenham analisado a resposta deste índice durante uma temporada, como também da relação deste índice com a incidência de lesões.

A força máxima e a força explosiva têm sido considerados parâmetros importantes da avaliação neuromuscular. As correlações moderadas a elevadas entre índices que expressam tanto a força máxima quanto a força explosiva, verificadas em alguns estudos (BELL et al., 1989; PAASUKE et al., 2001; MECKEL et al., 1995), sugerem que alguns mecanismos que influenciam estas variáveis podem ser os mesmos. No início da contração, a TDF tende a ser influenciada por fatores como o drive neural (AAGAARD et al., 2002) e as propriedades intrínsecas (ANDERSEN e AAGAARD, 2006). Na fase tardia, tem sido sugerido que fatores como a área de secção transversa (SCHANTZ et al., 1983), o drive neural (HAKKINEN et al., 1985) e o stiffness do complexo tendão-aponeurose (BOJSEN-MOLLER et al., 2005) são importantes. A correlação entre o pico de torque e a TDF no início da contração tende a ser moderada (~0,45-0,60) e maior (~0,80-0,90) na fase tardia da contração (AAGAARD e ANDERSEN, 2006). Estes dados sugerem que alguns mecanismos que influenciam estas variáveis podem ser os mesmos. De fato, enquanto que a força máxima e a TDF medida no

início da contração podem não ter respostas similares com o treinamento (HAKKINEN et al., 1985), estes comportamentos tendem a ser similares na fase tardia da contração (HAKKINEN et al., 1985; AAGAARD et al., 2002). Na fase tardia da contração, a força máxima pode explicar 80% da variação da TDF (ANDERSEN e AAGAARD, 2006). No nosso estudo, ao se analisar a resposta da FLtdf:EXtdf nos grupos GTA e GTB, o comportamento desta variável foi similar ao da FLcon:EXcon, com os maiores valores apresentados pelo GTA e os menores pelo GTB. No entanto, não houve correlação significante entre estas variáveis nos dois grupos analisados. Alguns fatores podem auxiliar a explicar em parte estes dados. Primeiramente, a FLcon:EXcon é determinada por meio de contrações isocinéticas concêntricas, enquanto que a FLtdf:EXtdf é determinada com contrações isométricas. Como as condições de contração muscular são diferentes, este fator pode ter influenciado as relações entre as razões (CORVINO et al., 2009). Um outro aspecto importante, que pode auxiliar a explicar nossos resultados, é que, apesar de alguns mecanismos que determinam estas variáveis serem os mesmos, a resposta da força máxima (i.e., pico de torque) e da TDF pode não ser similar em algumas condições. Em um estudo realizado por Holtermann et al. (2007), os autores verificaram estas respostas não foram respostas não completamente similares com o treinamento de força. No estudo de Molina e Denadai (2012), os autores analisaram as respostas destas variáveis após um exercício que gerou dano muscular e verificaram uma recuperação mais rápida da TDF do que do pico de torque. Oliveira et al. (2012) analisaram o efeito de um alongamento prévio no pico de torque e na TDF e verificaram que houve redução do pico de torque e da TDF na fase tardia da contração somente. Portanto, o pico de torque e a TDF podem não responder de forma similar. Um outro aspecto que também pode auxiliar a compreender nossos resultados, é que foram utilizados músculos diferentes (FL e EX) para calcular as razões, e isto pode aumentar o número de combinações e os fatores que podem influenciá-las.

Portanto, os significados fisiológicos e clínicos da FLcon:EXcon e da FLtdf:EXtdf para a avaliação e o acompanhamento dos atletas ao longo do tempo (ao longo de uma temporada, antes e após um período de reabilitação) podem ser diferentes. De qualquer forma, a avaliação das razões baseadas tanto no pico de torque quanto na TDF podem trazer informações importantes da aptidão neuromuscular e da estabilidade articular dos atletas. No entanto, as informações referentes à FLtdf:EXtdf ainda são bem escassas. Portanto, estudos com diferentes delineamentos experimentais (por exemplo, treinamento, reabilitação, atletas com diferentes estados de condicionamento físico) poderão auxiliar na maior compreensão da capacidade da FLcon:EXcon e da FLtdf:EXtdf em predizer o risco de lesões em membros inferiores de jogadores de futebol.

6.2. Efeito da fadiga de um exercício exaustivo específico de futebol realizado no