A paisagem na região da área estudada é caracterizada por vastos campos nativos (BOLDRINI et al., 2009), os “Campos de Cima da Serra” (IGANCI et al., 2011), e remanescentes da Floresta Ombrófila Mista, a “Mata de Araucárias” (KLEIN, 1960), em altitudes entre 800 e 1600 m a nível do mar. O clima é temperado subtropical, tipo Cfb (KÖPPEN, 1948), com temperatura média anual de 14º C e com precipitação média anual de 1600 mm (ANDRADE et al., 1999; INMET, 2012) e nos banhados dessa região predominam os solos do tipo Gleissolos e Organossolos (ALMEIDA et al., 2007). As áreas de estudo situam-se em três municípios do estado de Santa Catarina, descritos a seguir com suas respectivas coordenadas geográficas e altitude: Bom Jardim da Serra (28º19‟53.8” S, 49º40‟46.24” O, 1213 m), Lages (28º17‟12.16” S, 50º32‟38.98” O, 993 m) e Painel (27º59‟07.8” S, 50º 05‟57.5” O, 1252 m). As áreas escolhidas para as coletas possuem, em média, 10.000 m2 cada, solos saturados por água permanentemente, e lâmina de água com profundidade < 20 cm.
O levantamento florístico (ver anexo 1) foi realizado em seis coletas por banhado, durante o período de agosto de 2011 a janeiro de 2013 (1ª coleta: agosto de 2011; 2ª coleta: outubro de 2011; 3ª coleta: janeiro/fevereiro 2012; 4ª coleta: setembro de 2012; 5ª coleta: novembro/dezembro de 2012; 6ª coleta: janeiro de 2013). A amostragem de espécimes férteis e/ou vegetativos foi realizada em duas transecções (4x27 m), alocadas lado a lado (10 m de distância entre elas),
estabelecidas em diferentes locais do banhado e sempre no sentido borda-interior, totalizando 216 m2/banhado/coleta. A borda dos
banhados foi estabelecida pelo início da ocorrência de solos hidromórficos e pela presença de plantas adaptadas ao ambiente aquático. Além das coletas nas transecções, foram realizadas coletas assistemáticas, onde foram incluídos espécimes férteis, que favoreceram a identificação e que contribuíram para a lista florística. Flores e frutos foram armazenados em álcool 70% e espécimes em estádio vegetativo foram cultivados para acompanhamento da floração. O material botânico foi coletado e processado segundo técnicas usuais de herborização (MORI et al.,1989) e depositado no Herbário Lages da Universidade do Estado de Santa Catarina (LUSC).
A identificação das espécies foi realizada in loco, a partir do reconhecimento das características vegetativas e reprodutivas, quando possível. Por consulta a bibliografia especializada e por comparação com materiais dos acervos do LUSC, Herbário Barbosa Rodrigues (HBR), Herbário do Departamento de Botânica de Universidade Federal de Santa Catarina (FLOR), Herbário do Departamento de Biociência da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (ICN) e Herbário do Instituto de Botânica de São Paulo (SP). Além disso, a confirmação de espécies contou com o auxílio de especialistas destas instituições, que se dedicaram a analisar minuciosamente o material botânico. A classificação das famílias botânicas segue Crosby et al.(1992) para as briófitas, Smith et al. (2006) para pteridófitas e Angiosperm Phylogeny Group (APG III, 2009) para angiospermas. Os nomes científicos das espécies foram atualizados de acordo com a listagem do Missouri Botanical Gardens (TROPICOS, 2008) e a Lista de Espécies da Flora do Brasil (2013).
Para a verificação da frequência (F) das espécies nas transecções foram utilizados os dados de presença das espécies, em cada metro linear das transecções, amostradas nos meses de janeiro (mês que obteve o maior número de espécies férteis, facilitando o reconhecimento das espécies em campo). As espécies foram classificadas em três categorias (abundante: F > 50%; comum: 10% < F ≤ 50%; rara: F ≤ 10%), de acordo com o método proposto por Lobo; Leighton (1986).
A classificação de formas de vida seguiu a proposta de Irgang; Pedralli; Waechter (1984). A priori, todas as espécies encontradas nos ambientes aquáticos são consideradas macrófitas aquáticas, de acordo com a definição de Irgang; Gastal-Júnior (1996), sendo que, espécies que ocorrem também em ambiente terrestre, são classificadas como espécies anfíbias. Logo, a lista de espécies levantada neste estudo foi
comparada com outras listas, já publicadas, de plantas aquáticas (COOK et al., 1974; COOK, 1996; IRGANG; GASTAL-JÚNIOR, 1996; POTT; POTT, 2000; AMARAL et al., 2008 e USDA, 2012), além das citações de espécies hidrófilas (REITZ, 1965-1989; REIS, 1989-2005), para confirmar o registro anterior de ocorrência em ambientes aquáticos e/ou terrestres das espécies levantadas no estudo. A classificação de forma de vida foi baseada em Irgang et al. (1984), dividida em sete classes: 1. Anfíbia; 2. Emergente; 3. Flutuante fixa; 4. Flutuante livre; 5. Submersa fixa; 6. Submersa livre; 7. Epífita. O hábito foi baseado em observações in loco e em bibliografia específica (REITZ, 1965-1989; REIS, 1989- 2005).
Para a proposta de divisão artificial das espécies em classes de altura, neste estudo utilizou-se o conceito de estratificação de espécies, comumente aplicado em tipologias florestais (MUELLER-DOMBOIS; ELLENBERG, 1974). O estabelecimento das classes de altura foi arbitrário e realizado a partir de pré-observações de campo, onde foram propostas quatros classes de altura, assim definidas: Estrato I: < 7 cm de altura; Estrato II: ≥ 7 e < 50 cm de altura; Estrato III: ≥ 50 e < 100 cm de altura e Estrato IV: ≥ 100 cm de altura. A altura média dos espécimes adultos em fase fértil foi mensurada in loco com auxílio de uma trena, nos meses de janeiro de 2012 e janeiro de 2013, e após a mensuração as espécies foram alocadas nas classes.
A relação de potencialidades econômicas foi baseada nas informações disponíveis na Flora Ilustrada de Santa Catarina (REITZ, 1965-1989; REIS, 1989-2005), na Lista de Espécies da Flora do Brasil (2013), além destas referências, foram utilizados artigos científicos obtidos por busca livre realizada no site Periódicos Capes (CAPES, 2013), sendo estes citados nos resultados do presente estudo. Foram consideradas informações sobre o potencial bioativo das espécies (óleo essencial, uso medicinal, toxidade), comprovado em testes laboratoriais ou por meio de estudos etnobotânicos, além dos potenciais de usos ornamental, forrageiro, entre outros. A avaliação de espécies indicadoras de estado de conservação foi baseada nos critérios propostos pela Resolução CONAMA n° 423 de 2010, para Campos de Altitude associados ou abrangidos pela Mata Atlântica (BRASIL, 2010).
A avaliação climática da região foi obtida pela série histórica de dados diários (1961-2012), da Estação Meteorológica de São Joaquim, Santa Catarina (INMET, 2012), que serviram para a elaboração do climadiagrama, pelo método de Walter (1986).
4.3 RESULTADOS
Nas áreas amostradas foi registrada a ocorrência de nove briófitas, quatro pteridófitas e 143 angiospermas, totalizando 156 táxons (142 identificados em nível de espécie, nove em nível de variedade e cinco em nível de gênero), distribuídos em 47 famílias e 96 gêneros (ver Tabela 7; fotos das espécies em campo ver Apêndice 1). Destes táxons, 133 foram amostrados nas transecções e 23 nas coletas assistemáticas. Entre as espécies amostradas, 77 delas (49,4%) foram consideradas como macrófitas aquáticas ou hidrófilas seletivas; 63 espécies foram referenciadas como de ambiente terrestre, embora tenham apresentado capacidade adaptativa à saturação de água por longos períodos, de maneira que foram classificadas neste estudo como espécies de forma de vida anfíbia; 16 espécies não foram mencionadas, na literatura utilizada, quanto ao habitat de ocorrência.
Tabela 7 – Lista de espécies botânicas (V = Voucher; F = Frequência; A = Ambiente; FV = Forma de vida; H = Hábito; C = Classe de altura; U = Potencial de uso econômico; IC = Indicadora
de conservação), amostradas em áreas úmidas nos municípios de Bom Jardim da Serra, Lages e Painel, Santa Catarina. (Continua...)
Família Táxon Nome popular V F A FV H C U IC
BRIOPHYTA
Bartramiaceae Breutelia subtomentosa (Hampe) A. Jaeger Musgo 389 C A SF E I * *
Bryaceae Bryum limbatum Müll. Hal. Musgo 390 ** A SF E I * T
Dicranaceae Atractylocarpus brasiliensis (Müll. Hal.) R. S. Williams Musgo 361 C A SF E I * Am
Dicranaceae Campylopus occultus Mitt. Musgo 385 C A SF E I * *
Geocalycaceae Clasmatocolea humilis (Hook. f. & Taylor) Grolle Musgo 388 ** A SF E I * *
Hypnaceae Isopterygium tenerifolium Mitt. Musgo 363 C A SF E I O *
Pottiaceae Leptodontium viticulosoides (P. Beauv.) Wijk & Marg. Musgo 392 C * SF E I * *
Sphagnaceae Sphagnum cuspidatum Ehrh. ex Hoffm. Musgo-do-brejo 387 ** A SF E I * T
Sphagnaceae Sphagnum recurvum P. Beauv. Sphagnum 337 C A SF E I BI T
PTERIDOPHYTA
Blechnaceae Blechnum schomburgkii (Klotzsch) C. Chr. Samambaia-do-banhado 330 R A/C A A III * Av
Lycopodiaceae Lycopodiella alopecuroides (L.) Cranfill Licopodium 246 ** C E E II B Av
Thelypteridaceae Thelypteris interrupta (Willd.) K. Iwats. Samambaia-do-brejo 357 C A E E II * Am
Thelypteridaceae Thelypteris opposita var. rivolorum (Vahl) Ching Samambaia 356 C A E E II * *
ANGIOSPERMAE
Alismataceae Echinodorus grandiflorus (Cham. & Schltr.) Micheli Chapéu-de-couro 112 C A E E III B *
Alismataceae Echinodorus tenellus (Mart.) Buchenau Erva-do-pântano 113 C A SF E I O *
Apiaceae Eryngium ebracteum Lam. Caraguatá-do-banhado 394 ** A E E III * *
Apiaceae Eryngium floribundum Cham. & Schltdl. Caraguatá-do-banhado 118 R A A E IV * Av
Apiaceae Eryngium mesopotamicum Pedersen Caraguatá-do-banhado 116 C * A E IV * *
Apocynaceae Oxypetalum sp. * 165 ** C A L II * *
Araliaceae Hydrocotyle ranunculoides L. f. Chapéu-de-sapo 121 C A/C SF E I O Av
Asteraceae Achyrocline alata (Kunth) DC. Macela-do-brejo 161 R * E S III B Av
Asteraceae Achyrocline satureioides (Lam.) DC. Macela-do-campo 150 R C A S III B Av
Asteraceae Baccharis breviseta DC. Alecrim-do-campo 162 C C A A IV * *
Asteraceae Baccharis crispa Spreng. Carqueja 143 A C A A IV B *
Asteraceae Baccharis megapotamica Spreng. * 139 C A/C A A III B *
Asteraceae Baccharis spicata (Lam.) Baill Alecrim, vassoura 146 C C A A III B *
Asteraceae Baccharis cf. organensis Baker * 153 C C A A III * *
Asteraceae Campovassouria cruciata (Vell.) R. M. King & H. Rob * 395 R C A E III * *
Tabela 7 - Lista de espécies botânicas (V = Voucher; F = Frequência; A = Ambiente; FV = Forma de vida; H = Hábito; C = Classe de altura; U = Potencial de uso econômico; IC = Indicadora de conservação), amostradas em áreas úmidas nos municípios de Bom Jardim da Serra, Lages e Painel, Santa Catarina. (Continuação...)
Família Táxon Nome popular V F A FV H C U IC
Asteraceae Eupatorium niederleinii Hieron * 132 ** C A A III O *
Asteraceae Eupatorium serratum Spreng. Erva-milagrosa 133 C C A A III B *
Asteraceae Gamochaeta americana (Mill.) Wedd. * 149 R C A E III * In
Asteraceae Jaegeria hirta (Lag.) Less. Botão-de-ouro 148 ** A/C A E III * *
Asteraceae Leptoltelma catharinensis (Cabrera) A. Teles & Sobral * 127 C C A E III * En
Asteraceae Leptostelma maxima D. Don Margarida-do-brejo 124 A C A E III * *
Asteraceae Lessingianthus glabratus (Less.) H. Rob. Assa-peixe-roxa 131 R C A E III B *
Asteraceae Porophyllum lanceolatum DC. Margarida-do-banhado 152 ** C A E III B *
Asteraceae Senecio brasiliensis (Spreng.) Less. Flor-das-almas 398 C C A E III B *
Asteraceae Solidago chilensis Meyen Arnica-brasileira 154 R A/C A A III O In
Asteraceae Stevia veronicae DC. * 156 C C A E III * *
Asteraceae Symphyotrichum graminifolium (Spreng.) G. L. Nesom * 160 R C A A III * *
Asteraceae Trixis lessingii DC. * 126 C C A E III * *
Asteraceae Urolepis hecatantha (DC.) R. M. King & H. Rob. * 135 ** C A E III * *
Begoniaceae Begonia cucullata var. cucullata Willd. Begônia-do-banhado 164 R A/C A E II O *
Campanulaceae Siphocampylus verticillatus (Cham.) G. Sifocâmpilo 358 C A E S III B *
Campanulaceae Lobelia hederacea Cham. * 367 C A SF E I * *
Commelinaceae Floscopa glabrata (Kunth) Hassk. * 167 C A/C A E II * *
Convolvulaceae Cuscuta racemosa Mart. Cipó-dourado 245 ** C Ep L II B *
Cyperaceae Ascolepis brasiliensis (Kunth) Benth. ex C. B. Clarke * 206 C A/C A E II * *
Cyperaceae Carex feddeana H. Pffeif Tiririca 204 C C A E II * *
Cyperaceae Carex polysticha Boeckeler Tiririca 201 C C A E II * *
Cyperaceae Carex purpureovaginata Boeckeler Tiririca 377 C C A E II * *
Cyperaceae Cyperus haspan L. Tiririca 168 A A/C A E II * Av
Cyperaceae Cyperus reflexus Vahl Tiririca 171 R A/C A E II * *
Cyperaceae Eleocharis contracta Maury Junco-manso 185 C * E E II * *
Cyperaceae Eleocharis maculosa (Vahl) Roem. & Schult Junco-manso 209 C A E E II * *
Cyperaceae Eleocharis montana (Kunth) Roem.& Schult Junco-manso 183 C A E E II * *
Cyperaceae Eleocharis niederleinii Boeckeler Junco-manso 211 C * E E II * *
Cyperaceae Eleocharis rabenii Boeckeler Junco-manso 210 R * E E II * *
Cyperaceae Eleocharis sellowiana Kunth Junco-manso 180 C A E E II * *
Cyperaceae Eleocharis subarticulata (Nees) Boeck Junquinho 181 C A E E II * Av
Cyperaceae Lypocarpha humboldtiana Nees * 198 C C A E II * *
Cyperaceae Pycreus niger (Ruiz &Pav.) Cufod * 177 A C A E II * *
Tabela 7 - Lista de espécies botânicas (V = Voucher; F = Frequência; A = Ambiente; FV = Forma de vida; H = Hábito; C = Classe de altura; U = Potencial de uso econômico; IC = Indicadora de conservação), amostradas em áreas úmidas nos municípios de Bom Jardim da Serra, Lages e Painel, Santa Catarina. (Continuação...)
Família Táxon Nome popular V F A FV H C U IC
Cyperaceae Rhynchospora corymbosa (L.) Britton Campim-navalha 191 C A/C A E III * Am
Cyperaceae Rhynchospora emaciata (Nees) Boeckeler * 194 R C A E III * Av
Cyperaceae Rhynchospora junciformis (Kunth) Boeckeler * 193 ** C A E III * *
Cyperaceae Rhynchospora marisculus Lindl. & Nees * 189 C A/C A E III * *
Cyperaceae Rhynchospora rugosa sub. americana (Vahl) Gale * 187 C C A E III * *
Cyperaceae Rhynchospora tenuis Link * 195 C A/C A E III * *
Cyperaceae Scleria leptostachya Kunth * 196 R C A E II * *
Eriocaulaceae Eriocaulon ligulatum (Vell.) L.B.Sm Caraguatá-manso 212 C A/C A E III B Av
Eriocaulaceae Syngonanthus caulescens var. caulescens (Poir.) Ruhland Sempre-viva-do-campo 215 R A/C A E II * En
Fabaceae Desmodium triarticulatum Malme * 217 ** C A E II * *
Hydrolaceae Hydrolea spinosa var. paraguayensis (Chodat) L. J. Davenp. Carqueja-do-pântano 166 A A E E II F Al
Hypericaceae Hypericum brasiliense var. brasiliense Choisy Mil-facadas 265 ** C A S III B *
Hypericaceae Hypericum rigidum A. St.-Hil. Orelha-de-gato 266 C C A S III O *
Iridaceae Phalocallis coelestis (Lehm.) Ravenna Iris 224 C * E E III O *
Iridaceae Sisyrinchium cf. luzula Klotzsch ex Klatt Canchalágua 218 C C A E II * *
Iridaceae Sisyrinchium micranthum Cav. Canchalágua 223 R A A E II * Av
Iridaceae Sisyrinchium cf. pachyrhizum Baker Canchalágua 222 R C A E II * *
Iridaceae Sisyrinchium cf. pendulum Ravenna Canchalágua 219 R C A E II * *
Iridaceae Sisyrinchium vaginatum cf. var. marchioden Spreng. Canchalágua 221 R A/C A E II B Av
Juncaceae Juncus effusus L. Junco 229 C A E E III O Av/Am
Juncaceae Juncus microcephalus Kunth Junco 226 A A E E III * Av
Juncaceae Juncus ramboi Barros Junco 230 R * E E III * *
Juncaceae Juncus scirpoides Lam. Junco 380 A A E E III * *
Lamiaceae Cunila galioides Benth. Poejo-do-campo 237 R C A E II B Av
Lamiaceae Hyptis lappulacea Mart. ex Benth. Mentrato-grado 236 R A/C A E III B *
Lamiaceae Hyptis muelleri Briq. Mentrato-grado 235 ** A/C A E III * *
Lamiaceae Prunella vulgaris L. Brígula, erva-férrea 234 R A/C A E II B Av
Lamiaceae Salvia procurrens Benth. Salvia-rasteira 240 C C A E II B *
Lentibulariaceae Utricularia tridentata Sylvén Boca-de-leão-do-banhado 242 R A SL E I O *
Linaceae Linum littorale A.St.-Hil * 374 ** C A E II * *
Loganiaceae Spigelia kleinii L. B. Sm * 397 ** * E E II * *
Lythraceae Cuphea ingrata Cham. & Schltdl. Sete-sangrias 248 A A/C A S III B *
Lythraceae Cuphea lindmaniana Bacig. Sete-sangrias 251 C C A E II B *
Mayacaceae Mayaca sellowiana Kunth Musgo-do-brejo 254 C A SF E I O *
Tabela 7 - Lista de espécies botânicas (V = Voucher; F = Frequência; A = Ambiente; FV = Forma de vida; H = Hábito; C = Classe de altura; U = Potencial de uso econômico; IC = Indicadora de conservação), amostradas em áreas úmidas nos municípios de Bom Jardim da Serra, Lages e Painel, Santa Catarina. (Continuação...)
Família Táxon Nome popular V F A FV H C U IC
Melastomataceae Tibouchina gracilis (Bonpl.) Cogn. Quaresmeira 257 C A/C A A III O *
Melastomataceae Tibouchina sp. * 259 ** C A A III * *
Myrsinaceae Lysimachia filiformis (Cham. &Schltdl.) U. Manns & Anderb. * 369 C * SF E I * *
Onagraceae Ludwigia longifolia (DC.) H. Hara Cruz-de-malta 261 C A/C A A III * *
Onagraceae Ludwigia sericea (Cambess.) H. Hara Cruz-de-malta 264 C A/C A A III * *
Onagraceae Ludwigia sp. * 115 R * E A III * *
Orchidaceae Habenaria macronectar (Vell.) Hoehnell * 274 R * E E III O Av
Orchidaceae Habenaria montevidensis Spreng. * 269 R * E E II O Av
Orchidaceae Habenaria repens Nutt. * 272 C A E E II O T
Orobanchaceae Buchnera longifolia Kunth * 348 C * E E II * *
Orobanchaceae Stemodia stricta Cham. & Schltdl. * 346 C * E E II * *
Oxalidaceae Oxalis sp. Azedinha, trevo 275 ** C A E I B *
Plantaginaceae Mecardonia procumbens Souza var. flagellaris (Cham. & Schltdl.) V. C. * 364 R A SF E I * *
Poaceae Agrostis lenis Roseng. et al. Pasto-de-sanga 304 C A/C A E III * Av
Poaceae Agrostis hygrometrica Nees Pastinho-de-quintal 307 C C A E III * In
Poaceae Andropogon lateralis Nees Capim-caninha 287 A C A E IV F Av
Poaceae Andropogon macrothrix Trin Capim-serrano 295 C C A E III * Av
Poaceae Andropogon virgatus Desv. * 290 R A/C A E III * Av
Poaceae Axonopus compressus (Sw.) P.Beauv. Grama-sempre-verde 284 R C A E III O Av
Poaceae Axonopus fissifolius (Raddi) Kuhlm Grama-missioneira 283 C C A E II F *
Poaceae Axonopus ramboi G. A. Black * 278 R C A E IV * Av
Poaceae Briza calotheca (Trin.) Hack. Treme-treme 317 C A/C A E IV O Av
Poaceae Calamagrostis longiaristata (Wedd.) Hack. ex Sodiro Palha-de-prata 308 C A/C A E III F En
Poaceae Deschampsia caespitosa (L.) P. Beauv. Aveia-de-burro 313 C A/C A E III * Av
Poaceae Dichantelium sabulorum var. polycladum (Ekman) Zuloaga Capim-alastrador 282 C A/C A E III F Av
Poaceae Eriochrysis cayennensis P. Beauv. Capim-rabo-de-gato-roxo 299 C A E E IV * *
Poaceae Eriochrysis villosa Swallen Capim-rabo-de-gato-roxo 300 C A E E IV * *
Poaceae Glyceria multiflora Steud. Pastinho-do-banhado 310 C A/C A E III * *
Poaceae Holcus lanatus L. Capim-lanudo 298 R C A E II F In
Poaceae Panicum schwackeanum Mez. Capim-do-banhado 280 C A/C A E III * *
Poaceae Paspalum dilatatum var. dilatatum Poir. Capim-mimoso 277 R A/C A E IV F *
Poaceae Paspalum exaltatum J. Presl. Macega-do-banhado 276 R A/C A E IV * *
Poaceae Paspalum urvillei Steud. Capim-das-roças 279 R C A E IV F *
Tabela 7 - Lista de espécies botânicas (V = Voucher; F = Frequência; A = Ambiente; FV = Forma de vida; H = Hábito; C = Classe de altura; U = Potencial de uso econômico; IC = Indicadora de conservação), amostradas em áreas úmidas nos municípios de Bom Jardim da Serra, Lages e Painel, Santa Catarina. (Conclusão)
V = voucher (número do coletor principal: T.Lobato), espécimes depositados no Herbário Lages da Universidade do Estado de Santa Catarina (LUSC). F = frequência das espécies nas transecções, sendo A: abundante; C: comum; R: rara.A = habitat (ambiente), sendo A: aquática; C: terrestre; A/C: aquática seletiva. FV = forma de vida, sendo A: anfíbia; E: emergente; Ep: epífita; SL: submersa livre; SF: Submersa enraizada. H = hábito, sendo A: arbusto; E: erva; L: liana; S: subarbusto. C = classes de altura, sendo I: < 7 cm; II: ≥ 7 e < 50 cm; III: ≥ 50 e < 100 cm; IV: ≥ 100 cm.U = potencial de uso econômico, sendo B: Bioativa; BI: Bioindicadora ambiental; F: Forrageira; O: ornamental. IC = indicadora de conservação, sendo Al: áreas alteradas; Am: ameaçada de extinção; Av: estágio médio ou avançado; En: endêmica dos Campos de Cima da Serra; In: estágio inicial; T: indicadora de turfeira. * Sem informação. ** Espécie amostrada somente em coletas assistemáticas.
Fonte: produção da própria autora.
Família Táxon Nome popular V F A FV H C U IC
Poaceae Saccharum villosum Steud. Macega-estaladeira 291 R C A E IV * Av
Poaceae Sacciolepis vilvoides (Trin.) Chase * 303 C A/C A E II * Av
Poaceae Sorghastrum nutans (L.) Nash Capim-do-banhado 296 R C A E IV F *
Poaceae Sporobolus indicus (L.) R. Br. Capim-moirão, capeta 312 C C A E II * *
Poaceae Steinchisma decipiens (Neesex Trin.) W. V. Br. * 314 ** C A E II * Av
Polygalaceae Monnina tristaniana A. St.-Hil. & Moq. * 319 C * E S III * *
Polygalaceae Polygala linoides Poir. * 321 C C A E II * Av
Polygonaceae Polygonum acuminatum Kunth Erva-do-bicho 328 R A/C A E II B *
Polygonaceae Polygonum hydropiperoides Michx. Erva-do-bicho 329 ** A/C A E II B *
Polygonaceae Polygonum meisnerianum Cham. Erva-do-bicho 324 C A/C A E II * Av
Ranunculaceae Ranunculus flagelliformis Sm. Ranúnculo-botão-de-ouro 373 R A SF E I B *
Rubiaceae Galianthe centranthoides (Cham. & Schltdl.) E. L. Cabral * 335 C C A S IV * *
Rubiaceae Galium equisetoides (Cham. & Schltdl.) Standl. * 332 C A/C A L II * *
Rubiaceae Galium humile Cham. & Schltdl. * 334 R A/C A E I * *
Rubiaceae Hedyotis thesiifolia (A. St.-Hil.) K. Schum. * 370 C A SF E I * *
Valerianaceae Valeriana salicariifolia Vahl * 339 A C A E II B *
Verbenaceae Glandularia corymbosa (Ruiz & Pav.) O'Leary & P. Peralta * 232 C C A S III O *
Verbenaceae Glandularia hasslerana (Briq.) Tronc. * 344 R C A S III O *
Verbenaceae Verbena alata Otto ex Sweet * 233 C C A A IV O *
Verbenaceae Verbena sp. * 375 ** C A S III * *
Xyridaceae Xyris laxifolia Mart. Botão-de-ouro 350 R A/C A E III * Av
Xyridaceae Xyris jupicai Rich. Botão-de-ouro 352 C A A E III F *
Nos meses mais quentes, janeiro e fevereiro, foi registrado um número maior de espécies em fase reprodutiva (151 spp.), em comparação com o mês de agosto (ver Figura 22A), onde só foram amostradas 15 espécies férteis: Verbena alata Otto ex Sweet, Hydrocotyle ranunculoides L. f., Polygala linoides Poir., Baccharis crispa Spreng. (em floração), Juncus scirpoides Lam. e Juncus effusus L. (em frutificação), além de nove espécies de briófitas com esporófitos. Cinco táxons não foram encontrados em fase reprodutiva no período da amostragem: Baccharis cf. organensis Baker, Oxalis sp., Oxypetalum sp., Tibouchina sp. e Verbena sp.. A pluviosidade manteve-se constante ao longo do ano, apresentando uma queda no mês de abril, contudo sem registro de déficit hídrico, e a variação de número de espécies férteis, nos meses amostrados, acompanhou a curva de variação de temperatura da região (ver Figura 22B).
As famílias de maior riqueza de espécies foram Poaceae (26 spp.), Asteraceae (23), Cyperaceae (23), Iridaceae (seis), Lamiaceae (cinco), Juncaceae (quatro), Rubiaceae (quatro) e Verbenaceae (quatro) (Figura 23A) e os gêneros foram Eleocharis (sete spp.), Rhynchospora (seis), Baccharis (cinco), Sisyrinchium (cinco) e Juncus (quatro). Três famílias abrigam aproximadamente 50% das espécies levantadas, enquanto que a maioria das famílias (51%) e dos gêneros (67%) foi representada por apenas uma espécie. A maior parte das espécies apresentou frequência comum (77 spp.), seguidas de raras (44 spp.) e abundantes (11 spp.). 15% das espécies (24 spp.) foram amostradas em coletas assistemáticas, não tendo sido mensurada a frequência destas (ver Figura 23B).
As formas de vida encontradas foram cinco: anfíbias com a maior frequência (107 spp.), seguida de emergente (30 spp.), submersa fixa (17 spp.), submersa flutuante e epífita (uma espécie cada) (ver Figura 23C). A maioria das espécies apresentou hábito herbáceo (124 spp.), seguido pelas de hábito arbustivo (18 spp.), subarbustivo (11 spp.) e liana (três spp.) (ver Figura 23D). Mesmo que a maioria das espécies tenha sido classificada como herbácea, as espécies levantadas apresentaram altura bastante variável (de 3 a 220 cm). Em relação à classificação por altura, a maior parte das espécies se concentrou no estrato III (66 spp.) (ver Figura 23E), onde foram encontradas espécies de hábito herbáceo, subarbustivo e arbustivo e com formas de vida anfíbia ou emergente, assim como no estrato IV, porém, este apresentou menor número de espécies (16 spp.). No estrato II (54 spp.) foram amostradas ervas e lianas, de formas de vida anfíbia e emergente. Já no
estrato I (20 spp.) todas as espécies foram de hábito herbáceo e de formas de vida emergente, submersa fixa ou submersa livre.
Figura 22 - A. Gráfico com número de espécies férteis por coleta, em relação aos meses do ano (meses sem asterisco referem-se aos meses onde não foram realizadas coleta). B. Climadiagrama, dados de temperatura na linha inferior e de pluviosidade na linha superior, Série Histórica (1961-2012) da Estação Meteorológica de São Joaquim, Santa Catarina.
Figura 23 - A. Gráfico de número de espécies por família. B. Gráfico de número de espécies por classe de freqüência. C. Gráfico de número de espécies por forma de vida. D. Gráfico de número de espécies por hábito. E. Gráfico de número de espécies por classe de altura: I = < 7 cm alt.; II = ≥ 7 e < 50 cm alt.; III = ≥ 50 e < 100 cm alt.; IV = ≥ 100 cm alt.. F. Gráfico de número de espécies por potencial de uso econômico.
Aproximadamente 40% das espécies apresentam potencial de uso econômico, a maioria por apresentar princípio bioativo (19%), seguido do uso ornamental (13%), forrageiro (6%) e bioindicador de qualidade ambiental (1%) (ver Figura 23F). Entre as espécies levantadas foram encontradas 30 espécies bioativas, distribuídas em 25 gêneros e 15 famílias (Tabela 8). Na produção de óleos essenciais se destacaram Achyrocline alata; Achyrocline satureioides (GRASSI-ZAMPIERON et al., 2010); Cunila galioides (FRACARO et al., 2002), que é caracterizada pelos compostos citral, ocimeno e menteno (ECHEVERRIGARAY et al., 2003). Além destas, se destacam Echinodorus grandiflorus (PIMENTA; FIGUEIREDO; KAPLAN, 2006), Prunella vulgaris (RASOOL, 2010) e Hypericum brasiliense (CARVALHO, 2003).
Entre as espécies com uso medicinal foram citadas Baccharis spicata e Baccharis crispa, usadas como antioxidante (OLIVEIRA et al., 2004); Baccharis crispa apresenta também ação antimicrobiana (AVANCINI et al., 2000) e atividade mutagênica (FACHINETTO; TEDESCO, 2009); Cuscuta racemosa como anti-inflamatória (FERRAZ