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Tiende kapittel

10.1 Figurliste 10.2 Kilder

Criado em meados de 1994 por iniciativa da comunidade católica, o centro

comunitário oferece atividades religiosas, educacionais, sociais, culturais, de cuidado à saúde e geração de renda, contemplando crianças, jovens, adultos e idosos moradores do bairro. Dentre as atividades realizadas destacam-se: catequese, alfabetização para jovens e adultos, grupo da terceira idade, cursos de corte e costura, crochê, pintura em tecido, judô para crianças, atividades organizadas a partir do interesse de voluntários. São realizados grupos corporais de tai chi (coordenado por

terapeuta ocupacional da UBS) e diversas atividades de educação em saúde e reuniões de profissionais da UBS Jardim Boa Vista que atendem a população local. O Centro Comunitário também participa do Programa Viva Leite do Estado de São Paulo, que realiza doação de leite às famílias cadastradas. Considerando todas as frentes assistenciais descritas, atende aproximadamente 500 famílias por mês.

Segundo o presidente da instituição, no início da década de 1990, o local onde provisoriamente funcionava a escola municipal de ensino fundamental, foi concedido ao centro comunitário pela prefeitura municipal. Ele é composto por uma sede (salão social) construída de alvenaria, com cozinha e dois banheiros (que não possuem dimensões adequadas para o acesso de cadeira de rodas) e três salas de atividades, construídas em aço modular (as salas de “lata”). A precariedade da estrutura, por muitas vezes nos incomodou, como expresso no diário:

O calor de hoje incomodou muito as pessoas. Conversei com S. (secretária) e obtive autorização para realizar o grupo no salão da secretaria, na próxima semana. A falta de condições estruturais (ventilação, iluminação, higiene) é uma situação concreta que precisa ser pensada e discutida com o grupo e apoiadores. Utilizar este recurso comunitário traz desafios e possibilidade (segundo encontro do grupo de convivência).

A quem o lugar, mal ventilado, iluminado e sujo incomodou? Talvez para a realização de um grupo, este não seja o espaço idealizado por um terapeuta. Este lugar, marcado pela precariedade material, por um modo particular de organizar o espaço que não é o mesmo de técnicos e estagiários, um espaço destinado ao coletivo, mas que poucos se responsabilizam em limpá-lo e arrumá-lo, por vezes foi motivo de reflexões e questionamentos. Nas visitas domiciliares de alguns integrantes do grupo, também nos deparamos com moradias que possuíam uma organização própria: faltava espaço, privacidade para seus moradores, iluminação, ventilação, o calor era intenso e a água, escassa. Quesitos importantes para garantir o

direito a uma vida saudável. Nesta relação entre moradia e a “sala de lata”, realizar o grupo em condições mais favoráveis foi um dos motivos que nos mobilizou a encaminhar o projeto à uma agência financiadora. A verba foi utilizada para comprar cadeiras, mesas, armário, ventiladores e materiais de artesanato, que foram organizadores concretos do grupo. Do improviso, partimos para o uso mais permanente e organizado do espaço, lugar que foi sendo conquistado aos poucos a partir da consolidação e do reconhecimento positivo do grupo no centro comunitário. A falta de estrutura do espaço está relacionada às questões de ordem política e administrativa. A administração pública local não concede o uso permanente do terreno para o centro comunitário, o que impede que a instituição invista em melhorias estruturais nessas edificações, já que a prefeitura pode, a qualquer momento, requisitar o terreno para realização de outras construções.

Tal fato confere precariedade da edificação para realização de todas as atividades assistenciais, sendo a concessão permanente do terreno uma das reivindicações do centro comunitário junto ao poder público. Nesse sentido, a reforma das instalações da instituição pode beneficiar toda a comunidade, inclusive as pessoas com deficiência, que teriam um espaço mais adequado e confortável para usufruir. Possivelmente, este seria um dos temas discutidos com as pessoas com deficiência, na tentativa de reunir esforços e organizar com demais usuários do centro comunitário estratégias de pressão política junto ao poder público para a cessão do espaço.

O centro comunitário é um local de intensa circulação social, frequentado por muitos moradores do bairro que usufruem das atividades aí realizadas. Porém, até o momento da organização do grupo de convivência, as pessoas com deficiência não

frequentavam esse recurso social. O local é de fácil acesso aos moradores e não existem barreiras arquitetônicas expressivas que dificultem a chegada de pessoas com mobilidade reduzida ao local. A facilidade no acesso bem como a diversidade de atividades oferecidas nos fez pensar na importância de sensibilizar serviço e comunidade para a participação de pessoas com deficiência nesse espaço comunitário, usufruindo dos seus recursos e servindo de espaço de encontro dessa população. A presença de pessoas com deficiência neste local seria uma estratégia para dar maior visibilidade às questões referentes à deficiência e sensibilizar a comunidade para o tema. Repensar os preconceitos, promover um pensamento mais crítico sobre as condições de vida dessa população e fomentar a ideia de que esses sujeitos possuem direitos foram algumas das perspectivas que tínhamos e que nos motivaram nesse momento de instalação do grupo. Em que medida os profissionais da unidade de saúde, familiares, pessoas com deficiência e comunidade em geral se envolveriam com a proposta? Que apoios o grupo teria para se constituir, além destes que já foram citados? Quem participaria e qual seria a motivação dos sujeitos para a participação? Hipóteses e perguntas que permearam todo o processo de organização e acompanhamento do grupo. A seguir, a apresentação dos participantes do grupo de convivência.