2. Historiske og nyere bidrag til debatten om religionens betydning
4.3 Fatalisme
Ao observar nosso entorno, podemos constatar que tudo o que foi construído pelo homem, em algum momento, foi desenhado por alguém; o desenho
participa do projeto social e representa os interesses da comunidade, inventando formas de produção e de consumo (DERDYK, 1994).
Para Lizárraga e Passos (2007), o termo “desenho” pode assumir diferentes significados, como traço, registro da forma, projeto, meio de expressão; aparecendo em muitos momentos como uma forma preparatória para obras que se concretizariam por meio de outras formas expressivas, como um registro do pensar do artista ou do arquiteto, em algo que se transformaria em pintura, gravura, escultura, entre outras possibilidades. Nesse sentido, o desenho era considerado apenas um elemento de passagem ou um esboço.
A ampliação dessa visão surge com Edgar Degas, artista francês da segunda metade do século XIX que, ao dizer que o desenho não é a forma, mas a maneira de ver a forma, conduziu “a um entendimento do desenho como um espaço para pensar, refletir e registrar esse pensamento por meio de recursos gráficos, que podem nos conduzir do traço técnico à obra” (LIZÁRRAGA; PASSOS, 2007, p.67).
Apenas no século XX o desenho passa a ser visto como linguagem autônoma; ganha independência e é adotado por diversos artistas como linguagem, tendo a linha como ponto de partida para seu discurso (LIZÁRRAGA; PASSOS, 2007).
O desenho é considerado um instrumento de conhecimento e linguagem não só para a arte, mas também para as diversas áreas do conhecimento humano, tendo grande capacidade de abrangência como meio de comunicação e de expressão, servindo tanto para os artistas como cientistas e técnicos. Porém, Derdyk (1994) afirma que os sistemas educacionais, por força das circunstâncias, voltaram-se mais para a educação técnica e profissionalizante, inibindo o ato perceptivo e, consequentemente, dificultando a visão do desenho como linguagem.
O desenho como linguagem, segundo a mesma autora, possui uma natureza particular e específica em sua forma de transmitir uma ideia, uma imagem, um signo por meio de suportes, papéis diversos: cartolina, sulfite, crepom, cartão, seda, lousa, muro, chão, areia, madeira, tecido, corpo etc., utilizando determinados instrumentos: giz de cera, giz pastel, lápis, carvão, pincel, caneta hidrográfica, vareta, palitos, dedos e pontas de variados tipos.
Tanto o desenho como a criança são produtos históricos que pertencem a uma certa cultura e nela se desenvolvem, sendo fundamental o papel do outro na atividade gráfica e na vida psíquica do ser humano para que ambos se desenvolvam
(SILVA, 2002).
Sabendo disso, é preciso ter cautela ao se ensinar as crianças da educação infantil para que o foco não permaneça no ensino de técnicas para “aprender a desenhar”, porque essa forma de ensino inibe o desenvolvimento do imaginário da criança; inibe “qualquer tipo de exploração ou ‘subversão’, tanto em relação ao uso do material quanto à manifestação de elementos gráficos que expressem um imaginário pessoal” (DERDYK, 1994, p.19). É preciso ter em mente que a criança, enquanto desenha imagina, conta histórias, canta, dança, ou até silencia, impulsiona outras manifestações em uma unidade indissolúvel, possibilitando uma grande caminhada no território do imaginário (DERDYK, 1994).
Com o objetivo de ampliar o olhar sobre o desenho e suas possibilidades, é importante destacar que as manifestações gráficas não se restringem somente ao que é feito pelo homem no uso do lápis e papel. Para além dos desenhos criados pelo homem, o desenho pode manifestar-se também por meio de sinais: uma trinca no muro, uma impressão digital, impressão das mãos; marcas de pegadas de animais, de pessoas; as nervuras das folhas e flores das plantas (Figura 1), as rugas do rosto, a nervura das asas das borboletas (Figura 2); o desenho nas peles dos diversos animais, os desenhos em conchas, pedras, dos galhos das árvores etc. (DERDYK, 1994).
Figura 1 - Nervuras da Hortência Figura 2- Borboleta
A ampliação do olhar em relação ao desenho é importante porque, segundo a teoria histórico-cultural, os sentidos também são desenvolvidos socialmente. Desta forma torna-se relevante ensinar a criança a olhar e perceber o que existe ao redor; observar a natureza, mostrar a beleza existente em cada elemento circundante, ensinar a fazer relações, comparações; perceber as cores, nuances, formas, texturas e linhas, que são elementos das artes visuais. Dessa maneira, o olhar não
se torna passivo à percepção do mundo, pois “ao ativar seu olhar, o sujeito mostra- se também expressivo ” (AUGUSTO, 2014, p.45).
Além do desenvolvimento da percepção visual, é também importante desenvolver os outros sentidos como a percepção dos aromas, dos sons, o paladar, etc. E isso pode ser feito por meio de situações de ensino muito simples, como um passeio pela escola, pelo jardim, pomar, que constituem situações favoráveis para ensinar a criança a ver e sentir. É uma grande oportunidade para se desenvolver a percepção e a sensação desde a educação infantil.
Ao desenvolver a percepção, ao ensinar a criança a ver, o professor favorecerá a ampliação de seu repertório não só no sentido de aumentar o material para o exercício da imaginação, como também para melhor compreensão de sua realidade e, consequentemente, para o desenvolvimento do desenho.
O desenho, numa visão mais ampla, não se restringe a uma manifestação gráfica por meio do lápis e papel, mas serve como instrumento de reflexão, abstração, conceituação e objetivação. Desta forma, o desenho, como linguagem, requisita uma postura global.
Desenhar não é copiar formas, figuras, não é simplesmente proporção, escala. A visão parcial de um objeto nos revelará um conhecimento parcial desse mesmo objeto. Desenhar objetos, pessoas, situações, animais, emoções, ideias são tentativas de aproximação com o mundo. Desenhar é conhecer, é apropriar-se. (DERDYK, 1994, p. 24).
O desenho também pode ser entendido como “uma tradução gráfica de estruturas que encadeiam um pensar, denunciando um modo de ver o mundo. As linhas podem ser lidas como atitudes isoladas, flashes do movimento de um ponto (LIZÁRRAGA; PASSOS, 2007, p.69).
Desse ponto de vista, a linha é um elemento essencial da linguagem gráfica e não se subordina a uma forma que neutraliza suas possibilidades expressivas.
A linha revela nossa percepção gráfica. Quanto maior for o nosso campo perceptivo, mais revelações gráficas iremos obter. A agilidade e a transitoriedade natural do desenho acompanham a flexibilidade e a rapidez mental, numa integração entre sentidos, a percepção e o pensamento (DERDYK, 1994, p.24).
Enfim, nas palavras da mesma autora, a linha pode ser precisa, uniforme e instrumentalizada, como também ser ágil, densa, redonda, reta, espessa, fina, firme,
favorecendo infindáveis possibilidades expressivas. E “tal como a linha, o homem tem direito ao sonho. O exercício do ato visionário pode se realizar em qualquer atividade, seja de natureza prática ou teórica, artística ou científica” (DERDYK, 1994, p. 25).
No próximo item, para refletir sobre a necessidade do planejamento intencional das ações pedagógicas, será discutido o desenho e sua importância para o desenvolvimento da criança, no período da educação infantil.