O presente momento visa a explicitação da estratégia metodológica e técnicas adotadas no decorrer desta investigação.
Estado da arte da metodologia de estudos sobre pirataria
Na meta-revisão da literatura Watson e a sua equipa (Watson et al., 2014) concluíram que as abordagens quantitativas, fazendo uso de inquéritos, têm dominado o panorama da recolha de dados no estudo das infrações de direitos de autor online. Para além do apoio neste tipo de técnicas denotou-se ainda, no que toca à amostragem, um centramento na população estudantil e no sector da música em detrimento de outro tipo de conteúdos - generalizando de seguida para os outros tipos de conteúdos e para toda a população.
Reflexões anteriores
Com uma preocupação metodológica sobre quais as melhores práticas para o estudo da infração de direitos autorais online, a entidade reguladora da comunicação no Reino Unido (Ofcom) encomendou uma série de estudos de reflexão. Neste sentido, os relatórios, “Illegal File-sharing Pilot Survey” (2010) e “Illegal Filesharing Pilot - Peer Review” (2010), pretendiam aferir a adequabilidade de várias técnicas e apontar para boas práticas. Estavam em confronto três tipos de mediações da inquirição: face-a-face, telefone ou online – tendo como principais critérios de avaliação o grau de representatividade e honestidade das respostas. Tais relatórios despontaram algumas pistas metodológicas interessantes. Após comparação sistemática, as diferentes equipas inclinaram-se para uma estratégia mista, mas dando, contudo, primazia aos métodos de inquirição online.
A eleição justifica-se por uma série de mais valias específicas deste tipo de dispositivo metodológico que faz uso da internet. Num primeiro momento, pela adequação entre o objeto empírico e sujeitos em questão – pirataria digital em rede realizada por utilizadores de internet. Acresce-se o facto de se constituir, à partida, como o melhor método para alcançar respostas mais honestas e próximas da realidade, dado que, pela introdução individual e assíncrona dos dados, remove a interação com um entrevistador o que poderá minorar alguma distorção das respostas quando comparado com contextos de inquirição face-a-face.
Quanto ao desenho do guião do inquérito, denotaram as dificuldades inerentes à investigação da pirataria, revelando que os níveis reais de infração de propriedade intelectual deverão ser claramente superiores aos auto-relatados. Concomitantemente, advogam estratégias como a diluição destas questões com questões de media mais vastas, o uso de indicadores compósitos e alternativos.
Especificidade e desafios desta pesquisa
Qualquer pesquisa sobre a realidade social levanta desafios metodológicos e epistemológicos. Cientes destas vicissitudes transversais à investigação, convém adicionar ainda preocupações mais finas, refletindo sobre as especificidades da investigação deste fenómeno particular. Ora, esta prática é na maioria das vezes realizada individualmente, sob anonimato, camuflada, circunscrita à privacidade doméstica e confinada ao domínio do não expresso explicitamente. Ou seja, esta investigação lidou com informação minimamente sensível, porque controversa e normalmente com fraca visibilidade social. Como tal, particularmente suscetível a distorções logo no momento crucial da recolha de dados.
Desarmonia dos dados
Como resultado empírico de algumas edições dos inquéritos Sociedade em Rede, emergiram indícios destes efeitos de dissimulação por parte dos inquiridos. As contradições internas reveladas pela comparação entre, por um lado, perguntas sobre práticas de download e acesso online desvinculadas de marcadores simbólicos (como pirata, não autorizado, não pago, ilegal), e, por outro, perguntas com esse tipo de conotações foram nota dominante. Quando as questões eram catalogadas e revestidas de um peso simbólico ilícito, as respostas alcançavam sistemática e transversalmente um menor grau de aceitação discursiva junto dos inquiridos. Os inquiridos tenderam, ao longo das várias edições, a descolar-se de rótulos menos positivos como os supracitados.
Viés
A ausência de sintonia entre alguns indicadores (intra-inquéritos e entre os vários anos de inquirição) indiciou desta forma potenciais distorções nas respostas, em particular o viés de desejabilidade social. Este poderá ser definido como a tendência para a (re)produção de respostas, por parte dos inquiridos, em conformidade com o que é comummente e hegemonicamente aceite como expectável ou com aquilo que o entrevistado julga que o entrevistador quer ouvir no contexto da interação (de Vaus, 2014: 107). Neste caso, como ultrapassar este viés da desejabilidade social - que poderá inclusive se dar nos dois sentidos? Ou seja, há, é claro, que equacionar o contrário, ou seja, da mesma forma que alguns podem ser renitentes discursivamente, outros poderão sê-lo apenas discursivamente – o fator “fanfarronice”. Há ainda que ter em atenção as respostas afirmativas e confirmatórias dadas apenas por mera aquiescência (de Vaus, 2014: 107-108) e não necessariamente “verdadeiras”. A investigação longitudinal sobre (novos e tradicionais) media
Passemos agora para outros desafios metodológicos. A par com os já avançados, o tempo é uma variável presente em qualquer investigação. Contudo, esta vertente dinâmica parece sentir-se com maior acutilância em estudos que relacionam os agentes sociais com as TIC. De facto evidenciaram-se dificuldades e desafios da continuação das séries quantitativas ao longo das
várias edições dos inquéritos e tal deve-se a uma dinâmica dupla no estudo dos media: por um lado, a transformação dos usos sociais dos new media levada a cabo pelos próprios utilizadores e, por outro, a inovação tecnológica159 (Wajcman, 2002; Livingstone, 2004).
A pluralidade de mapas representacionais, detalhes legalistas e a transversalidade da compreensão
Registe-se ainda o desafio dos múltiplos universos de representação e de falta de consenso no vocabulário, nem sempre partilhado, e agravado pelo uso de jargão técnico, seja este em inglês ou um português (de Portugal ou do Brasil). A falta de consenso comunicacional entre uma série de terminologias mais ou menos correntes poderá levar à má interpretação das perguntas. Por exemplo, no plano das práticas, atente-se na multiplicidade de denominações como: download, descarregar, sacar, partilhar, piratear, streaming, acessar (sic), “ver na net” (sic), compartilhar, fazer upload, carregar, disponibilizar, aceder. Já no que toca a termos técnicos e protocolos, denota-se, por um lado uma grande complexidade e perícia e, por outro, o uso de jargão em inglês: peer-to-peer, torrents, ftp, usenet, cloud, darknet, warez, crack, keygen, patch. Acrescente-se ainda a esta nebulosa a dificuldade muitas vezes sentida em aferir de forma cabal os reais detentores de direito de um dado conteúdo e, como tal, se um dado acesso ou consumo poderá ser enquadrado como não autorizado.
Estratégia metodológica mista
Justificação da escolha
Consciente e crítico quer das insuficiências na literatura académica disponível, quer dos desafios no estudo da pirataria digital, Steven Brown (2014a), apelava à inovação nos métodos de pesquisa. Como tal, a opção por uma estratégia metodológica mista (Creswell, 2014; Bryman, 2012: 627-651) apresentou-se como a melhor escolha para o desenho desta pesquisa. Sendo que por desenho da pesquisa entenda-se “(…) a plan for collecting and analyzing evidence that will make - it possible for the investigator to answer whatever questions he or she has posed. The design of an investigation touches almost all aspects of the research.” (Ragin, 1994, 26). Ou seja a “framework for the collection and analysis of data” (Bryman, 2012: 46).
Definição
Segundo Creswell (2014) a pesquisa de métodos mistos poderá ser definida como uma estratégia de investigação que combina metodologias de cariz quantitativo e qualitativo. Implica o uso em conjunto e de forma coordenada de ambas as abordagens, de modo a que o alcance
159 Temos como exemplo a dissonância entre as potencialidades das mensagens de texto (Short Message Text - SMS) relegada para segundo plano entre os fabricantes de telemóveis na sua origem, sendo entendida por estes como um extra sem grande valor e que contrasta com a forte adesão e utilização massiva e domesticada pelos utilizadores – é certo que se assiste atualmente a uma nova tendência, a saber, o abandono da prática de SMS em favor da troca de mensagens através de protocolos de internet e dispositivos móveis.
heurístico seja superior à adição trivial dos dois tipos de pesquisa e recolha de dados de forma independente. A grande mais valia deste tipo de estratégia passa pela convenção de que a combinação das duas abordagens potenciará uma compreensão da realidade mais holística e potente, introduzindo um valor acrescentado face ao uso de qualquer uma das estratégias mobilizada de forma isolada (Creswell, 2014: 4).
A sua correta condução obedece a algumas diretrizes, em particular a incorporação dos procedimentos metodológicos desde a génese do desenho da pesquisa. Ou seja, requer, não só a recolha de dados qualitativos e quantitativos em resposta a questões de pesquisa minimamente partilhadas, mas também a análise integrada de ambas as formas de dados. Dependendo do desenho da pesquisa estas duas abordagens, a quantitativa e a qualitativa, poderão mesmo ser integradas de forma recursiva e dialética, em que uma produz reflexos na outra e vice-versa. Tipo de estratégia mista
Segundo a classificação das estratégias mistas de Bryman (2012: 632), refinada posteriormente por Creswell (2014: 15-16), alicerçada nos critérios de 1) sequencialidade e 2) primazia dos métodos, a estratégia mobilizada nesta tese pode ser descrita como método misto explanatório e sequencial160 (Creswell, 2014: 224-225). Isto é, esta estratégia mista consiste numa primeira aproximação quantitativa, seguida de uma abordagem qualitativa de acompanhamento no terreno, sendo dado maior relevância às técnicas quantitativas.
Claro que importa sublinhar que esta é uma catalogação ideal-tipo, no sentido weberiano, e assente num plano teórico. Na prática as metodologias não foram empregues de forma tão estanque. Senão vejamos, todo o processo de pesquisa foi assistido por uma certa dose de convergência de métodos, desenrolando-se em paralelo abordagens qualitativas, tais como a observação e conversas informais paralelamente aos vários inquéritos. Aliás, as técnicas qualitativas auxiliaram a condução das quantitativas, desde as dimensões a analisar ao guião dos questionários, contudo foi dada voz de comando à recolha quantitativa. Assim, procurou-se uma certa criatividade na recolha de dados, procedendo a uma complementaridade integrada e triangulação de técnicas.
Diferentes finalidades
Cientes das virtualidades e limites das diferentes técnicas, e tendo em consideração que diferentes modos de recolha tenderão a produzir resultados diferenciados, foram acionados tendo em consideração a adequação das mesmas a objetivos distintos, mas complementares. As técnicas extensivas utilizadas (inquéritos Sociedade em Rede nas suas várias edições seguidos do inquérito online) serviram para ter um primeiro acesso a uma visão panorâmica e representativa, evidenciando tendências gerais, relações entre variáveis e padrões macroestruturais de usos da internet em geral, e os usos não autorizados, em particular.
Num segundo momento da pesquisa, os dados qualitativos auxiliaram uma explicação em maior detalhe e profundidade as informações quantitativas, recorrendo a uma amostra mais circunscrita (já não representativa), mas delineada em função dos resultados provindos dos inquéritos.
Quantitativo a informar o qualitativo
Isto é, a pesquisa extensiva enformou e justificou a opção pela seleção de um grupo de entrevistados mais jovem, por ser comprovado empiricamente pelos vários inquéritos que este é o grupo etário, não só com maior incidência de utilizadores de internet, bem como com maiores indícios da prática de mediações não autorizadas – pelo menos discursivamente.
É certo que os métodos quantitativos são importantes para uma visão representativa, mas são, contudo, mais talhados para a inquirição de práticas (o que os utilizadores fazem), do que para a captação densa dos seus universos de sentido e gramáticas de reflexividade sobre um fenómeno ambivalente como a chamada pirataria (Klein et al., 2015: 97).
Este acompanhamento qualitativo posterior permitiu dar luz sobre alguns aspetos que, de outra forma, ficariam na sombra – nomeadamente dar conta da perceção dominante de que um consumo em streaming é automática e necessariamente legal e algo não captado pelos inquéritos. Ou seja, a pesquisa de tipo mais intensivo e denso serviu para enriquecer a recolha de dados introduzindo novos focos de luz sobre este recorte social.
Possibilitou encontrar nos interstícios da vida quotidiana indícios aparentemente insignificantes, significados de sarjeta – como diria Machado Pais (2001) – contudo de elevada importância heurística. Permitiu ainda descobrir e aprofundar certas dimensões que escaparam ao crivo mais largo das generalizações e condensações de informação intrínsecas à análise de dados quantitativos - mas que, de resto, constituem a única forma exequível de nos dar uma visão macro e humanamente inteligível de um volume considerável de atributos deste objeto empírico. Desta forma, as entrevistas em particular, deram o seu contributo para uma noção mais refinada e aprofundada, promovendo uma melhor compreensão de certas dimensões, mas tendo o cuidado de não ceder ao empiricismo intrusivo (Black, 2007 apud Ferreira, 2014).
Riscos e desafios: delimitações
Aliás um dos riscos desta abordagem consiste nesse hiper-empiri(ci)smo, que poderá resvalar numa recolha de dados demasiado volumosa, e como tal numa torrente excessiva de dados, requerente de um exercício de sistematização intrincado e demorado e, como tal, muitas vezes inoperante.
Como tal, foi imperativo, logo desde os primeiros momentos, delinear os limites do acervo empírico relevante e passível de recolha e análise da investigação – sendo este processo norteado pelo desenho da pesquisa e seus objetivos e claro minimamente flexível à evolução e novas pistas do projeto. Já na recolha de dados foi importante discernir qual o momento de
saturação, ou seja, quando parar dado terem sido encontradas regularidades e repetições nos discursos. Caso contrário, facilmente se atingiria o ponto de ser esmagado por uma massa indecifrável (e, por vezes, contraditória) de evidências e minudências (Ragin, 1994: 84). Esta é uma relação de compromisso intrínseca entre o volume de dados e o mesmo ser realmente inteligível e produtivo no plano heurístico – estando consciente que qualquer pesquisa será necessariamente uma tradução e uma aproximação mediada à realidade, e não a realidade em toda a sua complexidade161.
Metodologia quantitativa
Inquéritos Sociedade em Rede
Considerações metodológicas específicas aos métodos quantitativos
Interessa antes de entrar propriamente na análise de dados quantitativa expor algumas considerações estatísticas, particularmente opções tomadas e respetivas fundamentações.
As técnicas utilizadas: estatísticas descritivas
Para a análise do considerável acervo de dados recolhidos, recorreu-se, de forma integrada, a estatísticas descritivas; das univariadas às bivariadas e aos métodos quantitativos de análise multivariada. Diferentes técnicas estatísticas foram acionadas com finalidades distintas e para responder a diferentes (sub-)questões específicas que concorreram, de forma consolidada, cumulativa e integrada, para os objetivos centrais da dissertação – cartografar a dita pirataria online de forma multidimensional.
Amostra, subamostras e representatividade
Atente-se ainda nas diferentes proporções relativas, para diferentes grupos sociais – por exemplo, inúmeras vezes se circunscreve o olhar na população total versus utilizadores de internet versus “piratas” online. Alerte-se como tal para o facto de que as amostras recolhidas são representativas como um todo, sendo que a passagem para um plano de análise mais esmiuçado, com subamostras isoladas, arrasta por vezes consigo o perigo da não- representatividade pelo decréscimo do número de inquiridos - o n é parcial, estando, muitas vezes, dependente da questão em análise.
161 Evoca a parábola “Sobre o Rigor na Ciência” de Jorge Luís Borges: “Naquele império, a Arte da
Cartografia alcançou tal Perfeição que o mapa de uma única Província ocupava uma cidade inteira, e o mapa do Império uma Província inteira. Com o tempo, estes Mapas Desmedidos não bastaram e os Colégios de Cartógrafos levantaram um Mapa do Império que tinha o Tamanho do Império e coincidia com ele ponto por ponto. Menos Dedicadas ao Estudo da Cartografia, as gerações seguintes decidiram que esse dilatado Mapa era Inútil e não sem Impiedade entregaram-no às Inclemências do sol e dos Invernos. Nos Desertos do Oeste perduram despedaçadas Ruínas do Mapa habitadas por Animais e por Mendigos; em todo o País não há outra relíquia das Disciplinas Geográficas.” Suárez Miranda: Viajes de Varones Prudentes, libro cuarto, capítulo XIV, Lérida, 1658.” em Borges, Jorge Luís (trad. de José Bento) (1982) “Sobre o Rigor na Ciência”, in História Universal da Infâmia, Lisboa, Assírio e Alvim, pp. 117.
Tipo de resultados e importância das estatísticas descritivas
Ainda do ponto de vista das técnicas estatísticas, foram acionadas análises univariadas, com vista a detetar padrões e perfis de distribuição de variáveis; análises bivariadas onde também foram acionadas medidas de associação e, por fim; análises multivariadas, privilegiando análises topológicas que projetam várias variáveis num espaço estruturado a várias dimensões. Note-se que não foram realizados testes de significância em linha com as críticas de David de Vaus162 (2014: 265) e outros, que criticam a ênfase neste tipo de medidas, que devem ser aplicadas em condições muito estritas. Refira-se ainda que a análise de dados resultou da utilização do programa estatístico SPSS, a par com o Excel para a edição de tabelas, cálculos e projeção de gráficos.
Transformação de variáveis e índices compósitos: redução dos dados, complexidade e
níveis de análise
Algumas variáveis foram transformadas algebricamente, desde a construção de variáveis compósitas, agregando dados, ao colapsar163 de categorias em variáveis com vários graus de medida ou com pouca variação.
É certo que em qualquer análise de dados, sobretudo nas estratégias mais quantitativas e a um nível de análise mais macro, há que equacionar os riscos, o que se perde e o que se ganha nas esquematizações e reduções de dados, as suas limitações e virtualidades - seja através de índices sintéticos, a variáveis compósitas.
Podemos até invocar uma relação entre o número de casos e os aspetos/características sobre esses mesmos casos (Ragin, 1994). Quanto maior o número de casos, maior a extensividade e, como tal, menor a intensidade e o volume de informações sobre um dado caso. A análise dos dados mais quantitativos terá necessariamente de ser escrita com traços mais largos.
Esta relação pode ser lida à luz dos níveis de análise em questão. Se o macro lida com um número considerável de indivíduos organizados ao longo do tempo e do espaço, o nível micro remete para a interação quotidiana (Turner, 2005). Jonathan Turner (2005) alerta para o perigo de incorrer na falácia do micro chauvinismo (assumir que o nível micro da interação face-a-face
162 “A number of critics have argued that far too much weight has been placed on tests of significance in
data analysis (Selvin, 1957) and have suggested that such tests should be abandoned (Labovitz, 1970) or used only under very strict conditions. For example, tests of significance are only appropriate when we have a simple random sample. Some tests assume that the variables are normally distributed. There is certainly merit in these criticisms and they highlight that the most important part of data analysis is that which takes place at the sample level where we try to detect relationships and search for explanations. (…) Descriptive statistics help us to make sense of our data and in social research this is crucial. Knowing that our sample results will hold in the population is useful additional information but is sterile unless we have first thoroughly and imaginatively analyzed our sample data using descriptive statistics.” (De Vaus, 2014: 265).
163 Por seu turno, sempre que possível e sobretudo no inquérito online, a idade não foi colapsada em
escalões, para evitar uma perda de informação por essa aglutinação em sub-classes mais abrangentes e, como tal, mais redutoras. A retenção da informação, por não as escalonar, permitiu o uso de técnicas estatísticas mais sofisticadas e sensíveis a variações de medida que de outra forma se perderiam.
precede tudo o resto) ou no macro-chauvinismo (considerar que todos os encontros micro são condicionados apenas pelas estruturas sociais mais vastas). As distinções entre micro e macro são então meramente analíticas e cada nível de análise pressupõe uma estratégia metodológica mais adequada ao seu estudo, sendo que nas quantitativas o nível de análise é mais macro e, por sua vez, mais micro na vertente qualitativa.
Soluções para o desafio da pesquisa quantitativa sobre este fenómeno
Tendo em conta os desafios da pesquisa supramencionados, e dado que a relação entre o indicador empírico e o conceito teórico/abstrato nunca é direta ou absoluta, foram mobilizados mais do que um tipo de medida (Bryman, 2012: 166). Foram seguidas as recomendações para a melhoria da fiabilidade das medidas que aconselham a utilização de questões que englobem