PEDAGÓGICA.
Na investigação do objeto, é de grande importância assinalar os problemas e situações- problemas gerais (atuais e perspectivas) da atividade docente. Ressalta-se a importância para a prática, dos próprios entendimentos dos professores sobre sua prática. Desta forma, poderá haver uma abertura a novas perspectivas, facilitando assim, o atrelamento dos estudos pontuais com as investigações realizadas pela comunidade científica, visando o desenvolvimento de uma orientação teórica à atividade docente, necessária à formação de competências profissionais necessárias a serem desenvolvidas.
Assim, para Pozo, (2002, p.23) os conhecimentos dos futuros professores carecem de estarem fundados “no contexto social” de uma prática educativa, que atenda um currículo voltado para as competências desejadas neste cenário contemporâneo, ou seja, que esteja de acordo com o contexto social e cultural do indivíduo. A partir dessa referência, entende-se que os futuros professores, em consonância com os conhecimentos, possam trabalhar mobilizando saberes, habilidades e atitudes profissionais durante a formação, utilizando e aplicando técnicas que valorizem esses conhecimentos permitindo assim, a reflexão, a crítica e a pesquisa neste processo.
Nesta configuração, percebe-se que a participação do sujeito em relação à construção de sua aprendizagem, vai além da formação comum e estável, pois demonstra sua dinâmica dentro do processo educacional, tendo em vista uma participação ativa dos professores e alunos, partindo da premissa de que todos são sujeitos de aprendizagem, estimulando, desta forma a conscientização crítica em relação à realidade em que estão inseridos tirando, assim,
proveito das diversidades culturais e das identidades dos indivíduos envolvidos com a educação, que, por fim, transcendem a prática em sala de aula. Assim, Freire (1993) trata esta identidade principalmente em relação aos professores afirmando que:
[...] perguntar-nos em torno das relações entre a identidade cultural, que tem sempre um corte de classe social, dos sujeitos da educação e a prática educativa é algo que se impõe. É que a identidade dos sujeitos tem que ver com as questões fundamentais de currículo, tanto o oculto quanto o explícito e, obviamente, com questões de ensino e aprendizagem. Discutir, porém, a questão da identidade dos sujeitos da educação, educadores e educandos, me parece que implica, desde o começo de tal exercício salientar que, no fundo , a identidade cultural, expressão cada vez mais usada por nós, não pode pretender exaurir a totalidade da significação do fenômeno, cujo conceito é identidade. O se, não esgota a compreensão do termo identidade. No fundo, mulheres e homens nos tornamos seres especiais e singulares. (FREIRE, 1993, p.93)
Ressalta-se então que a educação necessita trabalhar o ensino de forma totalitária, num cenário que valorize as diferenças, através da convivência e do entendimento utilizando-se de um currículo multicultural, que tenha por finalidade básica o incentivo à valorização da cultura dos envolvidos na ação direcionada ao processo do ensino-aprendizagem.
O que se observa, na verdade, é que a escola continua trancada no seu mundo, incentivando a divisão de classes sociais. Apesar das mudanças à sua volta persiste em tentar camuflar as velhas práticas com a utilização de tecnologias, só como modismo, sem o devido direcionamento educacional, crendo fazer os alunos a mudar sua posição passando a participativos, criadores e construtores, ampliando assim, suas cognições e assim, contribuírem para as suas aprendizagens de maneira inovadora, empreendedora, responsável e autônoma.
Por onde começar a inovação? Eis o questionamento. Nota-se a necessidade de um paradigma educacional capaz de estender o homem multidimensional, com suas particularidades de aprendizagem e soluções de problemas, através de espaços criados para este fim. Diante do exposto percebe-se que para atender a este mundo é necessário além do holístico, outras formas de percepção do mundo e o entrosamento do homem com a natureza, a ciência e a tecnologia.
Portanto, observa-se que o modelo educacional deverá atender o homem neste contexto de humanização, instrumentalização e transcendência, integrando a inteligência do
homem e das máquinas com consciência de que o indivíduo tem a capacidade de transcender e criar. Os professores deverão ter astúcia em relação aos modelos científicos, e as teorias de aprendizagem para que as práticas pedagógicas interajam, buscando solucionar problemas da educação que o modelo da modernidade exige. É urgente uma inovação para atender os indivíduos da pós-modernidade.
Para Moraes (1997), a tecnologia chega como ferramenta de mudança ou de continuidade, o que irá fazer a diferença é justamente a forma de sua utilização no desenvolvimento do homem de maneira individual e grupal. Na tentativa de se encontrar uma solução poderão ser utilizados os critérios e as noções decorrentes de um novo paradigma científico baseado na teoria da relatividade, na teoria da física quântica e suas implicações na área educacional.
Percebe-se, que diante de tal ferramenta há uma perspectiva em estimular novas competências na formação dos professores, com vistas a propor práticas direcionadas para o desenvolvimento de habilidades que atendam as dimensões intelectuais, práticas e humanísticas dos alunos e alunas. Assim, os Parâmetros Curriculares Nacionais – PCN se refere ao uso da tecnologia na educação Brasil (1998):
O mundo vive um acelerado desenvolvimento, em que a tecnologia está presente direta ou indiretamente em atividades bastante comuns. A escola faz parte do mundo e para cumprir sua função de contribuir para a formação de indivíduos que possam exercer plenamente sua cidadania, participando dos processos de transformação e construção da realidade, deve estar aberta e incorporar novos hábitos, comportamentos, percepções e demandas. Ao mesmo tempo que é fundamental que a instituição escolar integre a cultura tecnológica extra-escolar dos alunos e professores ao seu cotidiano, é necessário desenvolver nos alunos habilidades para utilizar os instrumentos de sua cultura. (BRASIL, 1998, pp. 138-139)
Os PCN proporcionam uma ênfase na educação voltada para o social, através da utilização da ferramenta tecnológica e não apenas como mais um recurso didático. Essa é apenas mais inclinação de uma expectativa inovadora na área educacional. Pois, é desta maneira, que a educação e as práticas dos professores que formam professores vão se modificando de forma a se adaptarem a este novo cenário, voltado para uma sociedade globalizada, beneficiando uma atuação que facilite o acesso da população às novas tecnologias de comunicação e informação, observando e refletindo criticamente o processo ensino-aprendizagem individual de cada um, envolvido na produção do seu conhecimento.
CAPÍTULO II
2 PRÁTICA PEDAGÓGICA: INOVAÇÃO E AS POSSÍVEIS CONSEQUÊNCIAS