3.2 Byggeaktivitet
3.2.3 Eksempler på naturmessige utfordringer ved fritidsboligutbygging i dag
Queremos analisar ainda aspectos místicos e visionários na literatura posterior ao Apocalipse de João. Numa história apócrifa sobre a queda do ser humano, descrita na Vida de Adão e Eva e no Apocalipse de Moisés,306 Deus, apesar de punir Adão, no final da
302
“Este anjo me disse: ‘Isaías, filho de Amoz, [é suficiente para você], pois estas (são) grandes coisas, pois você observou o que ninguém nascido da carne tinha observado. E você voltará à sua veste até que seus dias fiquem completos; então você virá para cá.” Estas coisas eu vi. E Isaías (as) contou a todos que estavam em pé diante dele, e eles cantaram louvores.” As Is 11,35-36 (tradução nossa).
303
“E quando o viram, todos os justos que eu tinha visto e todos os anjos vieram a ele. E Adão e Abel e Seth e todos os justos aproximaram-se primeiro e o adoraram, e todos eles o louvaram com uma única voz, e também eu estava cantando louvores com eles, e meu louvor era como o deles.” As Is 9,26 (tradução nossa), 304
Cf. NOGUEIRA, Religião de visionários, p.21-23. Cf. também: OTTERMANN, Monika; LECH, Leszek. Viagens extáticas entre o sétimo céu e os quintos do infernos: a Ascensão de Isaias e o Apocalipse de Pedro. In: NOGUEIRA, Religião de visionários, p.301-306.
305
Cf. a tradução inglesa do texto em: JOHNSON, Marshall D. Life of Adam and Eve. In: CHARLESWORTH, James Hamilton (ed.). The Old Testament Pseudepigraph Volume II: Apocalyptic Literature and Testaments. Nova Iorque: Doubleday, 1983, p.249-295. Cf. também: DOCHHORN, Jan. Die Apokalypse des Mose: Text, Übersetzung und Kommentar. Tübingen: Mohr Siebeck, 2005, 656p. Nossas traduções que seguem se baseiam nessas traduções inglesa e alemã.
306
Em parte, a história do Apocalipse de Moisés pertence à mesma tradição do Livro dos Jubileus e de 2 Enoque.
história o leva ao Paraíso.307 No paraíso, Adão contempla a merkavah, é julgado por Deus, louva a Deus com um cântico próprio que destaca as qualidades de poderoso e misericordioso, e recebe a promessa de uma exaltação clemente. Finalmente, o tema da entronização forma o clímax da história de Adão. O corpo dele é levado ao paraíso, onde recebe a renovação da sua glória e a promessa do trono no céu308 e, posteriormente, é queimado na tumba do Paraíso. Desta maneira, Adão recebe a promessa da ressurreição à vida que coincide com a idéia de que sua exaltação e entronização aconteceriam na ressurreição do último dia (Ap Mos 41,3).309
Nesta história apurada dos dois escritos judaicos mencionados, que sofreram vários acréscimos de tradições cristãs,310 percebemos características do misticismo apocalíptico que são comuns para a literatura apocalíptica judaica. Porém, o cenário litúrgico do templo celestial e a visão merkavah parecem estar incorporados dentro da concepção do paraíso, o lugar dos justos. A finalidade da viagem celestial do visionário é a sua entronização no céu. Assim, Adão é um protótipo não apenas de um patriarca, mas da humanidade exaltada, cuja entronização é situada num panorama da história da salvação. A experiência mística da figura visionária de Adão testemunha a existência de um amplo contexto comunitário destas experiências, como também da crença das comunidades de que na história humano- divina o poder do mal finalmente será destruído e lhe será dado um trono no céu.
307
“Bendita seja a glória do Senhor sobre suas obras; ele teve misericórdia de Adão... e assim, o Senhor de tudo, sentado sobre o seu trono sagrado, estendeu suas mãos e tomou Adão e o entregou ao arcanjo Miguel, dizendo: ‘Leve-o ao Paraíso, ao terceiro céu, e deixe(-o) até o dia grande e temível que eu estabeleci para o mundo.’” Ap Mos 39,2-5 (tradução nossa).
A versão da Vida de Adão e Eva é um pouco diferente:
“Adão disse a Set, ‘Escuta meu filho Set o que te contarei do que ouvi e vi depois de que a tua mãe e eu fomos expulsos do paraíso. Quando estávamos orando, veio junto a mim Miguel, o arcanjo e mensageiro de Deus. E vi uma carruagem como o vento, e suas rodas eram de fogo. Fui levado ao Paraíso dos justos, e vi o Senhor sentado e sua aparência era fogo flamejante de modo insuportável. E muitos milhões de anjos estavam à direita e à esquerda da carruagem.’” Vida de Adão e Eva (25,2-3) (tradução nossa).
308
“Adão, por que tu fizeste isso? Se tu tivesses guardado meu mandamento, aqueles que te trouxeram neste lugar não teriam se regozijado. Já agora te digo que sua alegria tornar-se-á em tristeza, mas tua tristeza tornar- se-á em alegria; e quando isso acontecer, estabelecer-te-ei em teu domínio no trono do teu sedutor: e eles lamentarão e chorarão grandemente ao ver-te sentado no seu trono glorioso.” Ap Mos 39,1-3; cf. Vida de Adão e Eva (47,3) (tradução nossa).
309
Cf. ESKOLA, Messiah, p.111-113; HALPERIN, Faces, p.96-103. 310
Além dos conceitos de que “Deus mora na terra de forma visível”, ou que “com água, pessoas são purificadas do pecado”, parece que João de Patmos e o autor de Vida de Adão e Eva utilizaram a mesma tradição da merkavah, ao descreverem o trono de Deus rodeado por “um mar vítreo, semelhante a cristal” (Ap 4,6) e “as águas que rodeiam o paraíso” que, ao serem tocadas pela mão do anjo “congelam fortemente” para que Adão e Miguel possam caminhar sobre elas (Vida de Adão e Eva [27,3-4]).
3.7 Resumo
Nestas amostras de experiências visionárias apocalípticas de viagens místicas pelos céus encontramos alguns pontos comuns que precisamos destacar. Descobrimos que o cenário destas visões é prioritariamente litúrgico, dentro de um templo celestial. Embora a experiência de Enoque não descreva a espacialidade dos céus, as descrições posteriores do mesmo livro introduzem uma noção de um templo celestial hierarquizado que, segundo o escrito, contempla até dez céus. O coração de cada experiência é a visão do trono merkavah, uma visão na qual o visionário participa ativamente, unindo-se às vozes das multidões angelicais. Esta visão é uma imagem sublime do sagrado, do poder e da criação do mundo, cujo acesso é restrito aos seres celestiais. Os visionários conseguem participar destas visões deixando suas aparências humanas e transformando-se sucessivamente durante a ascensão e, ao final, participam ativamente nas atividades litúrgicas do templo celestial. A simbologia das vestes, coroas ou mitras, que eles usam, sugere a atribuição de funções sacerdotais. Eles não apenas repetem os ritos existentes, mas são criativos e ensinam aos anjos cânticos que logo são utilizados durante a celebração cúltica. Em alguns casos, o acesso ao céu e a progressiva transformação dos visionários em seres celestiais chegam a ser coroados com a entronização destes visionários. O sentido da entronização não é somente a renovação da glória e do poder do humano, mas também a ressurreição e a vida eterna.
Por detrás de cada uma destas experiências individuais das figuras idealizadas, que ascendem ao céu, estão comunidades ou círculos de pessoas. Em alguns momentos das descrições e narrativas visionárias, eles aparecem sutilmente no cenário litúrgico do templo celestial. A forma, o lugar e as narrativas em que aparecem revelam seus pensamentos, idéias, expectativas e desejos, que são diferentes em cada escrito. Poder-se-ia afirmar que ali se revelam suas identidades ocultas, mas, verdadeiras. Uma análise perspicaz do discurso proclamado nestas visões poderia discutir as diferentes finalidades das experiências místicas, e definir ainda melhor as identidades das pessoas que se ocultam por detrás das figuras da história de Israel. O fator que une todas estas identidades é a crença e experiência das realidades divinas alcançadas através do arrebatamento pelo espírito, ou do êxtase religioso, ou do transe cúltico, fenômenos comuns para quatro séculos do
apocalipticismo. Embora essa dimensão comunitária das experiências visionárias seja mais oculta nos apocalipses judaicos, e uma personagem proeminente desempenhe o papel principal do sumo sacerdote no templo celestial, a presença de grupos proféticos visionários fica mais visível nos escritos cristãos, como a Ascensão de Isaias ou o Apocalipse de João, cuja ligação com os ritos estritos da tradição templar judaica não era tão estreita.