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2. Theoretical framework

2.2. Factors Influencing the Policy Responses of Host governments

2.2.3. External Factors

Mais recentemente, antes da criação do Programa Mais Educação (2007), outras experiências de escola de tempo integral foram iniciadas em Juiz de Fora – MG, Em Fortaleza - CE e em Curitiba - PR.

Em Juiz de Fora, a implantação iniciada em 2006 pelo governo municipal tem sido gradual e procura respeitar a formação do quadro de profissional, a autonomia e a liberdade das escolas para elaborarem seus currículos. A rede municipal de ensino de Juiz de Fora, que contava com 96 escolas em 2006, iniciou o programa em quatro delas. Na segunda metade do mesmo ano, criou-se um novo projeto a partir da parceria entre a Secretaria de Educação de Juiz de Fora e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que visava subsidiar a implementação do programa e garantir seus princípios nas escolas. Assim, em 2008, outras quatro escolas iniciaram a implantação do tempo integral, Conforme Luciana Pacheco Marques et. al. (2009).

No Ceará, a experiência de tempo integral se restringiu a um projeto-piloto iniciado em 2006 no primeiro ano do Ensino Médio de um colégio estadual localizado na capital do estado. Segundo Valdeney Lima (2009), esse seria o primeiro passo de um projeto do

governo do estado que tinha como objetivo ampliá-lo para as demais escolas da rede estadual. Com a mudança de governo, porém, o projeto se manteve restrito numa só escola.

Em Curitiba, a experiência de educação de tempo integral é mais antiga, as discussões iniciaram em 1986. No ano seguinte, a primeira escola municipal, das oito criadas para funcionarem em tempo integral, começou suas atividades conforme o previsto. Nos anos que se seguiram, outras escolas passaram a fazer parte do projeto. O prédio de algumas dessas escolas foram adaptados para funcionar em tempo integral. Só em 2005, criou-se uma comissão que deu início a um processo que visava definir princípios comuns da educação de tempo integral para as escolas da Rede Municipal de Curitiba, de acordo com Maria Stival, Marília Mira e Simone Withers (2009).

Em Belo Horizonte, o movimento de ampliar o tempo escolar surgiu entre os professores e tinha como objetivo superar as dificuldades de aprendizagem de parte dos alunos da RME-BH. Havia na época, no início dos anos 2000, um grande mal-estar entre os docentes em relação aos adolescentes que chegavam ao 3º Ciclo sem terem concluído a alfabetização.

A ampliação do tempo escolar foi, então, uma das soluções encontradas. Com a autorização da Smed-BH, a partir de 2003, várias escolas municipais criaram projetos que receberam o nome de Turmas de Tempo Ampliado. Por volta de 2005, esses projetos foram incorporados pela Smed-BH e nomeados de Rede do 3º Ciclo. A cada turma formada com 30 alunos, a Smed-BH colocava à disposição um professor da Rede Municipal de Ensino e autorizava a contratação de um agente cultural na comunidade para atuar junto a esses alunos no contraturno36. A ampliação do tempo se destinava a um pequeno número de alunos, que não tinha o seu direito de aprender assegurado. Não era, portanto, uma proposta voltada para todos os alunos e nem fora criado na perspectiva de se constituir como uma proposta de educação integral, mas apenas num reparo de um problema específico do processo de ensino.

A partir de 2007 a Rede de 3º Ciclo deixou de existir. No mesmo ano, foi implantado na RME-BH o Projeto Escola Integrada, que conta com recursos do Programa Mais Escola do Governo Federal.

36 Nas escolas da RME-BH, todos os professores do ensino regular são concursados, inclusive os que assumiam

De acordo com a Smed-BH, o Projeto Escola Integrada foi executado em 2010 em 88 escolas municipais das 186 existentes no município37. O Portal da PBH oferece as seguintes informações sobre o programa:

A Escola Integrada é uma política municipal de Belo Horizonte, que estende o tempo e as oportunidades de aprendizagem para crianças e adolescentes do ensino fundamental nas escolas da Prefeitura. São nove horas diárias de atendimento a milhares de estudantes, que se apropriam cada dia mais dos equipamentos urbanos disponíveis, extrapolando os limites das salas de aula e do prédio escolar. Estas oportunidades são implementadas com o apoio e a contribuição de entidades de ensino superior, empresas, organizações sociais, grupos comunitários e pessoas físicas38 (BELO HORIZONTE, 2011, p.1).

Embora a Smed-BH anuncie que atende a milhares de estudantes, número bem superior ao número que as Turmas de Tempo Ampliado atendiam, o programa não é universalizado na RME-BH e nem mesmo nas escolas onde funcionam. Só uma parcela dos estudantes da RME-BH frequentam as atividades da Escola Integrada. Não há espaço físico suficiente para atender a todos os alunos.

O tempo de nove horas diárias de atendimento, na escola onde a pesquisa se realizou, estava assim organizado: 1) alunos do matutino – o turno se inicia às 7 horas da manhã com atividades regulares em sala de aula e se encerra às 11 horas e 20 minutos. O almoço é oferecido em seguida e os alunos ficam com tempo livre até às 13 horas, porém, sob a vigilância dos monitores. Das 13 às 16 horas e trinta minutos, os alunos são organizados em grupos e participam de duas atividades diárias de uma hora e meia cada. 2) alunos do vespertino – iniciam a jornada diária a partir das 8 horas com duas atividades de uma hora e meia. Às 11 horas e vinte minutos, eles vão para o almoço, têm um tempo livre até às 13 horas e, em seguida, são encaminhados para as aulas regulares, que se encerram às 17 horas e vinte minutos.

As atividades da Escola Integrada são organizadas de acordo com o planejamento de cada escola e dependem da disponibilidade de espaço e pessoal “especializado”. Geralmente, as atividades desenvolvidas com os alunos da Escola Integrada são as seguintes: acompanhamento do dever de casa, inclusão digital, atividades artísticas, atividades

37 Na Agenda da Educação de 2011, distribuída aos professores da RME-BH no início deste ano, a PBH informa

que a “jornada ampliada já é realidade em mais de 120 das 186 escolas da rede municipal” (BELO HORIZONTE. Agenda da Educação 2011).

38 Na Agenda da Educação de 2011, a PBH acrescentou o seguinte trecho: “O Escola Integrada se baseia no

conceito de Cidade Educadora, ao procurar integrar os diversos projetos sociais já existentes na Prefeitura com os programas desenvolvidos pela sociedade civil e ONGs que trabalham nas proximidades das escolas.”

esportivas, tais como capoeira, dança, flauta doce. Durante o ano, as escolas organizam excursões a parques, museus, cinemas e teatros.

Parte dos alunos desenvolve suas atividades diárias dentro da própria escola e a outra parte em locais diversos fora da escola, como casas, galpões e ginásios alugados de particulares ou cedidos por instituições (igrejas, por exemplo) e equipamentos públicos.

O atendimento é coordenado na escola por um docente pertencente ao quadro de professores da Prefeitura; sua jornada diária é de nove horas. A Smed-BH denomina esse profissional de Professor Comunitário. Os demais profissionais da equipe são estagiários cursando o Ensino Superior em alguma instituição conveniada com a Prefeitura e agentes culturais contratados na comunidade. Os estagiários cumprem uma jornada semanal de vinte horas semanais, dezesseis horas com atividades na escola e quatro horas na sua faculdade, onde são orientados com vista a atuar na Escola Integrada. Os agentes culturais cumprem uma jornada de vinte horas semanais com atividades na escola. Em 2009, o salário bruto do agente cultural era R$ 275,00 por mês, referente a uma jornada de vinte horas semanais, sem direito ao vale-transporte. O salário bruto do estagiário era R$ 350,00, referente a uma jornada de vinte horas semanais (dezesseis na escola e quatro na faculdade), com direito ao vale- transporte. Essa diferença de benefício dificultava, às vezes, o relacionamento entre o pessoal da equipe. Alguns agentes culturais, na escola onde a pesquisa se realizou, reclamavam ainda de serem obrigados a colaborar no controle dos alunos no horário do almoço, obrigação que não era exigida dos estagiários.

Alguns relatos informam que é mais fácil contratar agentes culturais39 do que estagiários, principalmente no mês de fevereiro, quando as faculdades estão de férias ou retornando às aulas. Com isso o desenvolvimento das atividades com os alunos, no início do ano letivo, fica prejudicado. Há ainda uma rotatividade de pessoal muito grande ao longo do ano letivo devido a várias razões, com destaque para o baixo salário e as precárias condições de trabalho. No caso dos estagiários, a rotatividade é alta ainda porque, ao final de cada seis meses, vários completam a graduação e são obrigados a se desligarem do projeto, quando não o fazem antes, em troca de estágios com salários e condições de trabalho melhores.

Se as Turmas de Tempo Ampliado estavam fortemente focadas nos problemas do ensino, a Escola Integrada se volta para a oferta de atividades diversas, porém com pouco ou nenhum diálogo com a proposta de ensino das escolas onde funciona o projeto. A dicotomia é

39 Na maioria das vezes, os agentes culturais têm uma formação apenas prática, adquirida por meio da

experiência, e baixa escolaridade, que os deixam mais vulneráveis ao desemprego e predispostos a aceitar trabalhos menos valorizados, considerados precários.

bem visível e não se reduz à falta de diálogo entre o projeto da escola e da Escola Integrada. A Escola Integrada simplesmente não faz parte do projeto político-pedagógico da escola. É um projeto alheio; a escola o tem como intruso. E não é porque os docentes rejeitam a escola de tempo integral, mas porque não se sentem seus autores. Há, com isso, um mal-estar, um estranhamento entre os diversos profissionais que estão envolvidos com os dois projetos.

Dessa forma, a Escola Integrada perde a oportunidade de desenvolver uma prática educativa mais ampla, mais integral. A potencialidade educativa e de socialização dos espaços escolares e não-escolares, dos docentes e não-docentes não se somam, não se articulam, não produzem sinergia em favor da infância e da adolescência popular.