Uma das técnicas mais usadas, para solução de problemas que envolvem o planejamento de recursos hídricos, é a simulação, onde, através da geração de cenários futuros, o presente é estimado para possíveis adversidades. As variáveis envolvidas devem estar relacionadas, entre si, através de vários modelos; as operações devem, pois, ser integradas, para o aproveitamento racional dos recursos hídricos, servindo de base para as tomadas de decisão. As simulações, em diferentes cenários hidroclimatológicos, possibilitarão ao gestor antecipar-se aos eventuais problemas, provendo mecanismos para o desenvolvimento sustentável.
O modelo integrado de análise é recomendado, para a aplicação, principalmente no semiárido brasileiro, onde a falta de recursos é secular e, o que for economizado com o planejamento e gestão, poderá ser revertido no fomento aos compromissos sociais.
O planejamento das operações de sistemas de reservatórios é, possivelmente, o momento em que mais emprega a programação dinâmica. Considerando um cenário complexo, deverá haver clareza em relação às responsabilidades de execução, e as decisões somente serão politicamente viáveis, se houver razoável certeza de serem atingidas as metas traçadas.
Com frequência, os modelos de previsão não examinam os fenômenos hidrológicos no contexto geográfico, utilizando apenas uma representação simplificada dos elementos espaciais, assumindo a bacia hidrográfica uma condição uniforme. Essas limitações podem ser superadas, com a utilização de modelos semi-distribuídos ou distribuídos, capazes de permitir a detecção de efeitos e anomalias locais, de forma a considerar a heterogeneidade fisiográfica das bacias e a espacialização das simulações. Ferramentas de Sistemas de Informações Geográficas (SIG) são valiosas, nesse contexto, para manipulação desses dados, possibilitando uma visão integrada do sistema holístico.
Chega-se, enfim, à conclusão de que:
1. As decisões, frequentemente, são falhas e tardias, apontando para a necessidade de uma maior integração entre os agentes decisores e para o melhoramento da rede de comunicação, bem como de uma visão holística do cenário em estudo; 2. A falta de percepção sistêmica do ambiente leva a operações equivocadas.
Com base no estudo realizado, sugere-se:
a) Para trabalhos futuros:
1. Promover a integração de modelos de otimização para a operação das comportas;
2. Adicionar ao SAD operação, com níveis de alerta, em tempo real;
3. Incorporar modelos baseados em redes neurais artificiais, para previsão de eventos futuros, em curto e médio horizontes; e,
4. Observar e analisar as consequências e impactos das decisões tomadas (Análise de sensibilidades).
b) Para os operadores do reservatório:
1. Promover efetividade na rede de comunicação;
2. Criar um ambiente colaborativo, para as conferências de decisão; e,
3. Aceitar a condição de que, somente com a união do conhecimento multidisciplinar e ações conjuntas, há sustentabilidade e resultados positivos das ações tomadas.
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