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Case: European gas import pipelines

6 World Gas Model scenarios for development of the global gas market

6.6 Case: European gas import pipelines

O referencial metodológico desta dissertação, a hermenêutica de profundidade, também foi proposto por Thompson (2009) e articula -se com a sua concepção teórica de ideologia, permitindo relacionar fenômenos simbólicos e dominação.

Segundo Thompson (2009), a tradição hermenêutica concebe as formas simbólicas como construções significativas que exigem interpretação e compreensão e, para tanto, demandam uma análise formal e objetivada. No âmbito dessa teoria, essas formas se apresentam como ações, falas, imagens e textos produzidos, recebidos e colocados em circulação são consideradas por quem as produz e recebe como significativas e reconhecidas em contextos socialmente estruturados.

De acordo com a proposta de “concepção estrutural” de cultura apresentada por Thompson (2009), os padrões de significados associados às formas simbólicas são compartilhados na vida cotidiana dentro dos contextos sócio-históricos, os quais envolvem “relações de poder, formas de conflito, desigualdades em termos de distribuição de recursos e assim por diante”(p.22). Negligenciar o contexto sócio-histórico da vida cotidiana, em que ocorre a produção e recepção das formas simbólicas, é “desprezar que o campo-objeto de nossa investigação é também um campo sujeito em que as formas simbólicas são pré-interpretadas pelos sujeitos que constituem o campo”(p.364), outro aspecto da tradição hermenêutica.

Thompson (2009) afirma que, diferentemente das ciências naturais, o mundo social não é apenas um campo-objeto passível de ser apreendido

35 através da observação, mas é, também, um campo constituído por sujeitos "capazes de compreender, de refletir e de agir fundamentados nessa compreensão e reflexão" (p.359).

Essa interdependência entre sentido e contexto retoma o que já havia sido explicitado na teoria de ideologia: que as formas simbólicas não podem ser ideológicas em si, mas sim, e somente, em circunstâncias particulares, quando criam e sustentam relações de dominação.

Por tal razão, proposta metodológica da HP prevê como primeira etapa da pesquisa, uma análise sócio-histórica, cujo objetivo é a reconstrução de condições sociais e históricas de produção, circulação e recepção das formas simbólicas sob estudo, que, no caso desta dissertação, são os discursos proferidos por ACS sobre creche.

A tarefa da primeira fase do enfoque da HP é reconstruir as condições e contextos sócio-históricos de produção, circulação e recepção das formas simbólicas, examinar as regras e convenções, as relações sociais e instituições, e a distribuição de poder, recursos e oportunidades em virtude das quais esses contextos constroem campos diferenciados e socialmente estruturados (THOMPSON, 1998, p.369).

Thompson (2009) distingue aspectos dos contextos sociais que apelam por diferentes níveis de análise. Os aspectos são:

- espaço-temporais: tempos e espaços específicos de produção, circulação e recepção das formas simbólicas, os quais estão inseridos em campos de interação, que, nesta pesquisa, são as entrevistas realizadas com as ACS;

- campo de interação: locus das trocas simbólicas ou espaço de posições e conjunto de trajetórias que definem algumas relações e oportunidades a que as pessoas têm acesso, no qual essas se utilizam de regras, convenções, recursos, muitas vezes implícitos e passageiros. No caso desta dissertação, situamos a análise no Brasil contemporâneo;

- instituições sociais: conjuntos relativamente estáveis de regras, recursos e relações sociais estabelecidas pelas instituições sociais, que fazem parte e são constitutivas do campo de interação. As instituições sociais, aqui, são a ESF;

36 - estrutura social: assimetrias e diferenças, relativamente estáveis em termos de distribuição e acesso a recursos, a oportunidades e à realização delas. Em sua análise, busca-se, além de identificar quais são essas assimetrias, estabelecer os critérios que garantem sua permanência. Aqui, temos como prioridade o estudo das relações de idade;

- meios técnicos de construção e transmissão de mensagens: características das formas simbólicas e seu determinado grau de fixidez e reprodutividade, como o contrato de trabalho das ACS nesta dissertação.

A segunda etapa da metodologia estabelecida por Thompson (2009), a análise formal ou discursiva, propõe o estudo das formas simbólicas como construções complexas que possuem uma estrutura articulada, nos âmbitos de sua produção de produção, circulação e recepção. A condução do processo analítico é definida de acordo com o objeto de pesquisa e as circunstâncias da investigação. O autor apresenta algumas formas, mas, para esta dissertação, foi eleita a apreensão de discursos de ACS, via entrevistas semi-estruturadas, e a análise de suas transcrições através das técnicas de análise de conteúdo (AC) propostas por Bardin (1977) e Rosemberg (1981).

A interpretação/reinterpretação, terceira e última fase da HP, busca sintetizar de forma criativa as etapas analíticas anteriores: análise do contexto sócio-histórico e análise formal ou discursiva. Thompson (2009) ressalta a importância de ir além de uma análise rigorosa, realizada nas duas primeiras etapas, e elaborar uma interpretação, através de uma construção criativa do que está representado ou do que é dito.

Esta fase recebe esta denominação, porque a interpretação é também um momento de reinterpretação, como assinala Thompson (2009):

(...) no sentido de que a reinterpretação – medida pelas fases da hermenêutica de profundidade – de um objeto-domínio que já está interpretado e compreendido pelos sujeitos que constituem um mundo histórico (p. 34).

Nesta dissertação, a reinterpretação será proposta a partir de argumentos elaborados à luz dos capítulos anteriores e da análise da transcrição das entrevistas, procurando apreender se e como os discursos sobre creche produzem e/ou sustentam relações de dominação.

37 Adotamos, na dissertação, a configuração do estudo nas três etapas sugeridas pela HP, destinando o próximo capítulo à descrição e análise do contexto sócio-histórico desta pesquisa.

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2 CONTEXTO SÓCIO-HISTÓRICO: creches e agentes comunitárias de saúde

Neste capítulo, apresentaremos a análise do contexto sócio-histórico de produção, circulação e recepção da forma simbólica escolhida para esta pesquisa: discursos de agentes comunitárias de saúde (ACS) do município de São Paulo sobre creche. Para tanto, além de revisar a bibliografia já selecionada, utilizada e produzida pelo NEGRI, realizamos uma revisão de literatura e de documentos em diversos bancos de dados disponíveis na internet (SCIELO, CAPES/Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Google acadêmico, Biblioteca virtual da USP) e na Biblioteca Nadir Gouvêa Kfouri da PUC-SP.

Assim, nos debruçamos sobre estudos que abordam a história, políticas e discursos sobre a creche no Brasil e em São Paulo, e também sobre a categoria profissional de ACS, incluindo dados sobre o surgimento e regulamentação da mesma no Brasil e suas possíveis atividades voltadas ao bebê e à creche.