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4. RESULTS

4.5 R ESULTS FROM I NTERVIEWS

Nos últimos anos a sociedade acadêmica vem discutindo a viabilidade de tornar a EaD uma modalidade de ensino significativa. Nesta perspectiva é que, atualmente, há um grande movimento para a consolidação dos ambientes virtuais de aprendizagem para administração, criação, uso e disseminação dessa categoria de ensino que são resultantes de um processo histórico que vem sendo desencadeado ao longo dos anos.

Franco, Cordeiro e Castilo (2003) apontam que na metade da década de 1990 surgiram os primeiros AVAs, em decorrência de a internet deixar de ser utilizada meramente como rede acadêmica. Ao passar a incorporar atividades empresariais, a internet sofreu modificações significativas com a criação do primeiro navegador da Web2.

Os mesmos autores mencionam que as primeiras versões dos AVAs possuíam quatro aspectos fundamentais: 1) incorporavam elementos existentes na web (correio eletrônico e grupos de discussão); 2)agregavam elementos específicos da informática (gerência de arquivos e cópias de segurança); 3) criavam módulos para o conteúdo e avaliação; e 4) adicionavam elementos de administração acadêmica sobre cursos, alunos, avaliações e relatórios.

No contexto atual os AVAs agregam um mister de dados e informações disponibilizados em diferentes ferramentas (textos, hipertextos3, imagens, sons, áudios, vídeos etc.), conectadas em links que tanto podem direcionar o usuário dentro do próprio ambiente quanto no ambiente externo (ALMEIDA,2003).

Esses ambientes são considerados dinamizadores do processo de ensino e aprendizagem. Alunos e mediadores redimensionam o ensinar e o aprender, ampliando a aprendizagem nas dimensões espaciais e temporais. Além disso, ocorre uma mudança nos papéis do aluno e do professor que faz com que eles alcancem um novo patamar: o aluno passa a ter mais autonomia para aprender e o professor passa a ser um moderador/facilitador do processo de aprendizagem

2Web ou WWW (World Wide Web) – conjunto interligado de documentos em linguagem HTML (Hiper

Text Markup Language) armazenados em servidores HTTP (Hiper Text Tranfsfer Protocol) ao redor do mundo (PELEGRINA, 2012).

3Hipertexto- Acrônimo formado pela junção das palavras Hiperlink + texto. Modo de apresentação de

informações escritas, que utilizam hiperlinks para acessar trechos de um mesmo ou outro documento (PELEGRINA, 2012).

durante a interação através das redes que permitem discussões síncronas e assíncronas (BARRETO; GUIMARÃES; MAGALHÃES; LEHER, 2006).

Os primeiros ambientes virtuais de aprendizagem começaram a ser utilizados como uma mera extensão da sala de aula presencial, isto é, era um ambiente em formato eletrônico cujo objetivo era o envio e o recebimento de material entre o professor e os alunos. No entanto, não havia uma preocupação com a fundamentação teórica e metodológica desses ambientes. Essas primeiras experiências, embora tímidas, sem dúvida já podem ser consideradas mudanças significativas (ARAÚJO JÚNIOR; MARQUESI, 2009).

Na utilização dos ambientes virtuais de aprendizagem, como ferramenta potencializadora do processo de ensino e aprendizagem, o primeiro e mais importante passo a ser analisado é o critério didático-pedagógico do ambiente, pois a base do processo educacional deve estar alicerçada em duas premissas: como se dá a aquisição do conhecimento e como o sujeito aprende (SCHLEMMER, 2005).

A concepção interacionista defende que o conhecimento ocorre em um processo de interação entre sujeito e objeto de conhecimento, entre o indivíduo e o meio no qual está inserido. Becker (1993, p.122) afirma que “a aprendizagem do aluno só acontece na medida em que este age sobre os conteúdos específicos e age na medida em que possui estruturas próprias, previamente construídas ou em construção”.

Partindo desta concepção o professor deve ser mediador, problematizador, instigador, orientador e articulador do processo de aprendizagem. Deve, ainda, favorecer o acesso às informações para que o aluno possa se apropriar delas e construir seu próprio conhecimento (SCHLEMMER, 2005).

Os ambientes virtuais de aprendizagem potencializados pelas tecnologias de informação e comunicação favorecem experiências inovadoras de ensino e aprendizagem diferentes das vivências presenciais. Leite et al. (2006) enumera diversas possibilidades da comunicação mediada pelo computador, a saber:

o Comunicação altamente interativa: aquela que favorece os processos de interação entre educandos-educandos, educandos-educador;

o Comunicação ponto a ponto: esta se utiliza do correio eletrônico, listas de discussão, chats etc.;

o Comunicação síncrona: nesta as informações ocorre simultaneamente, face a face, exige que os interlocutores estejam conectados ao serviço ao mesmo

tempo para que haja a troca de mensagens e pode ser representado pelo ensino presencial, bate-papo (IRC-Chat); teleconferências, internet phone e videoconferências.

o Comunicação assíncrona: caracterizada pela comunicação entre tutores e alunos que não ocorre exatamente ao mesmo tempo, isto é, não é em tempo real (online). Possui momentos para envio e recepção de mensagens em diferentes tempos.

Quadro 2- Modalidades da comunicação na EaD

TIPO DE

COMUNICAÇÃO COMUNICAÇÃO NATUREZA DA SUPORTE TECNOLÓGICO

Um-para-um Síncrona Telefone, videofone

Um-para-um Assíncrona E-mail, FTP

Um-para-muitos Síncrona Transmissão interativa por satélite

Um-para-muitos Assíncrona Listas de discussão

Muitos-para-muitos Síncrona Transmissão interativa por satélite Muitos-para-muitos Assíncrona Reuniões através do Computador

Fonte: Santos e Rodrigues (1999).

Para facilitar a compreensão dessas modalidades de comunicação na EaD faz-se necessário descrevê-las, conforme fundamentação em Mehelcke e Tarouco (2003), Leite et al. (2006), Moore e Kearsley (2007):

 Correio eletrônico (e-mail): forma digital de correspondência enviada pela internet. Permite o envio e o recebimento de mensagens eletrônicas digitalizadas, mediadas pela internet e trocadas entre tutores e alunos, sendo imprescindível que ambos possuam um endereço eletrônico.

 Fóruns de discussão: aplicativos que permitem a comunicação, o registro e a disponibilização de mensagens. Os fóruns estimulam a troca de informações através das mensagens entre os vários membros de uma comunidade virtual que têm interesses afins. Também são conhecidos como listas de discussão.

 FTP e download: disponibilização de arquivos contendo áudio, texto, imagens e ou vídeos.

 Vídeo e áudio sob demanda: permite assistir, assincronamente, vídeos ou áudios previamente gravados e armazenados no servidor.

 Chats ou conversações: Aplicativo para comunicação em tempo real (online) entre duas ou mais pessoas. Também é conhecido como bate-papo.

 Videoconferência: também denominada de televisão interativa (ITV- Interactive Television), permite a transmissão em dois sentidos de imagens televisadas via satélite ou a cabo, ou seja, comunicação bidirecional através de envio de áudio e vídeo em tempo real via Web, por meio de câmeras, que capturam e enviam imagens de vídeo pela internet em qualquer lugar do mundo, monitor (que mostra as imagens), microfones que captam e enviam o som como áudio e caixas de áudio acopladas ao computador que reproduzem o som.

 Teleconferência: todo tipo de conferência a distância em tempo real, por meio de alguma forma de tecnologia de telecomunicação interativa. Envolve a transmissão e recepção de diversos tipos de mídia e suas combinações. Existem quatro tipos dessa tecnologia: áudio, audiográfica, vídeo e computador. Nessa situação, existe um mediador para facilitar a aprendizagem e intermediar a comunicação.

 Audioconferência: sistema de transmissão de áudio conectado por linhas telefônicas recebido por um ou mais usuários simultaneamente.

 Audiográfico: agrega imagens visuais ao áudio e também é transmitida por linhas telefônicas. Os quadros negros eletrônicos podem ser usados, pois transmitem qualquer item escrito ou desenhado em um local para telas de televisão ou unidades de exibição visual.

Nesta perspectiva, as teorias de aprendizagem e as estratégias de ensino utilizadas como referencial didático-pedagógico desses ambientes precisam ser revistas e reformuladas (ARAÚJO JÚNIOR; MARQUESI, 2009).

Pastore (2005) afirma que o ensino e a aprendizagem se apresentam como processos constituídos de elementos sensoriais diversificados. As pessoas aprendem 10% do que leem e 90% do que realizam.

Em 1964, Edgar Dale elaborou uma classificação de recursos didáticos conhecida mundialmente sob a denominação de “Cone das Experiências”. O autor enfatiza que o ensino puramente teórico (simbólico-abstrato) deve ser evitado, enfocando que a aprendizagem mais efetiva ocorre através das práticas e experiências diretas com a realidade (SANTOS, 2009).

Figura 2- Cone da experiência de Dale

Fonte: Araújo Júnior e Marquesi (2009)

Pode-se constatar, através da Figura do Cone de Dale, que embora existam diversos meios de aquisição de aprendizagem, alguns fatores podem influenciar substancialmente na retenção do conhecimento. Percebe-se que se aprende mais com a visão do que com os demais sentidos. Retém-se mais conhecimento quando se verbaliza algo que foi resultado de uma ação.

Neste sentido, pode-se inferir que os ambientes virtuais de aprendizagem são estratégias em potencial para a aprendizagem, pois ao transitar pelo ambiente o educando tem a oportunidade de visualizar, participar, interagir, cooperar e construir ativamente seu próprio conhecimento.

Desta forma, os ambientes virtuais de aprendizagem podem ser definidos, sob a ótica do usuário, como ambientes que simulam situações práticas de aprendizagem utilizando recursos das tecnologias de informação e comunicação.

Polo de máximo simbolismo

Para Schlemmer (2002), ambientes virtuais de aprendizagem, ambientes de aprendizagem online, sistemas gerenciadores de educação a distância e software de aprendizagem colaborativa são denominações utilizadas para softwares desenvolvidos para o gerenciamento da aprendizagem via web. Eles são sistemas que sintetizam a funcionalidade de software para a Comunicação Mediada por Computador (CMC) e métodos de entrega de material online.

Apesar da diversidade dos Ambientes Virtuais de Aprendizagem disponíveis tanto no mercado quanto como ferramentas livres, e algumas vezes gratuitas, nota- se que muitas características são comuns a todos esses ambientes.

[...] percebe-se que existem características comuns entre elas: permitem acesso restrito a usuários previamente cadastrados; disponibilizam espaço para a publicação de material do professor e espaço destinado ao envio/armazenamento de tarefas realizadas pelos alunos; possuem um conjunto de ferramentas de comunicação síncrona e assíncrona, como chat e fórum de discussões. [...] (BASSANI; BEHAR, 2009, p.93).

Conforme Silva (2003), o “ambiente virtual de aprendizagem é uma sala de aula online, composta de ferramentas decisivas para a construção da interatividade e da aprendizagem”. Ele acomoda a web roteiro com sua trama de conteúdos e atividades propostas pelo professor, bem como acolhe a atuação dos alunos e do professor, seja na modalidade individual ou colaborativa.

Pontes (2004) enumera alguns atributos necessários aos ambientes virtuais de aprendizagem para que possam favorecer os processos educativos: permitir a criação e a oferta de material hipermídia; avaliar o progresso do aluno; aplicar testes e exercícios; fornecer links para sites correlatos; facilitar a criação de páginas na web; fornecer infraestrutura para comunicação e interação através de e-mails, sala de chats; lista de discussões, newsgroups; quadro de avisos e videoconferências.

Atualmente, existem três modalidades de ambientes virtuais de aprendizagem disponíveis no mercado: sistemas de autoria ou de desenvolvimento (fornecem recursos que auxiliam na criação ou desenvolvimento dos cursos); sistemas de gerenciamento (fornecem recursos que auxiliam no gerenciamento dos cursos) e sistemas mistos (fornecem recursos tanto para a autoria quanto para o gerenciamento) (PONTES, 2004).

Nas diversas instituições de ensino e nos diferentes níveis de educação de dezenas de países, independentemente do seu grau de desenvolvimento econômico, é cada vez mais comum o uso do ambiente virtual de aprendizagem

como ferramenta de educação a distância. Essa mudança da modalidade de ensino presencial para virtual afeta os atores envolvidos no processo de ensino e aprendizagem, ou seja, alunos, professores e instituições de ensino que precisam se reavaliar diante dessa nova modalidade de educação.

Mesmo reconhecendo as potencialidades do AVA é necessário avaliar o currículo, as metodologias pedagógicas, as modalidades de comunicação e de aprendizagem empregadas pelos autores e gestores da comunidade de aprendizagem. Acrescenta-se, ainda, que o item mais importante a ser avaliado é o critério didático-pedagógico, pois não se pode negar que esse produto tecnológico de educação deve nortear os educandos e os demais envolvidos no processo de aquisição de conhecimento.

No entanto, os demais aspectos como a usabilidade, a confiabilidade, a funcionalidade, a eficiência, a manutenibilidade e a portabilidade não devem ser desprezadas, para que não inviabilizem o uso da ferramenta como facilitador do processo de ensino e aprendizagem.