5 Irregular to regular price cycles
5.2 Estimating the intertemporal price elasticity of demand
Inerente à caracterização do tipo de relação Instituição/Família esteve um processo de reflexão sobre a existência/consciencialização desta colaboração, os contributos que as mesmas trazem para todos os intervenientes e os obstáculos sentidos (grelha de análise II – quadro 4.2.).
A análise aos resultados apresentados na secção anterior evidencia que os educadores de infância e pais entrevistados referem que a colaboração Instituição/Família no geral se resume maioritária e esporadicamente à participação dos pais em actividades voluntárias da Instituição, sendo que uma relação e envolvimento significativos parecem não existir. No que se refere à colaboração Instituição/Família no processo de avaliação das aprendizagens, a mesma análise parece revelar que os pais das crianças não participavam no processo de avaliação das aprendizagens dos filhos, estando esta tarefa a cargo dos educadores de infância e recebendo os
pais uma grelha de observação no final do ano lectivo com informação do que a criança consegue fazer, do que está a adquirir e/ou do que não consegue fazer.
Contributos da colaboração Instituição/Família
Relativamente aos contributos que poderão advir de uma colaboração Instituição/Família, a análise aos resultados obtidos permite extrair dados que evidenciam que o olhar dos educadores e dos pais entrevistados coincidem, salientando a sua importância para:
(i) um maior conhecimento e valorização do trabalho desenvolvido, permitindo uma continuidade do mesmo em ambiente institucional e familiar;
(ii) a criança, pois permitiria um maior conhecimento da criança e esta progrediria mais rapidamente e num mesmo sentido;
(iii) uma maior consciencialização da Instituição e da família sobre a criança, uma vez que os educadores teriam acesso a mais informação sobre como a criança é em ambiente familiar e os pais saberiam o que as crianças fazem na Instituição e como aprendem, o que também por sua vez levaria a sentimentos de maior segurança e confiança no trabalho desenvolvido;
(iv) a melhoria das práticas pedagógicas, que é o objectivo máximo da avaliação.
Além dos contributos já mencionados, quatro dos pais entrevistados ainda acrescentam a interacção e diversão que advêm dessa colaboração com todos os elementos da Instituição, nomeadamente com as crianças, como um contributo bastante relevante.
Os excertos seguintes explicitam a análise efectuada sobre os contributos da colaboração Instituição/Família:
Porque eu acho que é o que mais gratifica o meu trabalho, o envolvimento com os pais e as crianças (…) é muito gratificante nesta profissão, haver essa confiança da parte dos pais e até alguma cumplicidade relativamente àquela criança e para o bem-estar dela (Entrevista a P.).
Para nós realmente, também, ficarmos satisfeitos que conseguíssemos fazer alguma coisa pelas crianças, não é só aqui, que eles em casa também aprendem alguma coisa e que damos continuidade ao trabalho que dão aqui, não é? (…) ela (educadora) também iria querer porque também é dar valor ao trabalho dela, não é? Eu acho que ela até ficava satisfeita se nós, em casa, fossemos continuar o trabalho dela para realmente ver o que é que ela tinha feito, acho que sim (Entrevista a P9).
Para a criança é importante porque quanto mais eu souber dela mais a posso ajudar (Entrevista a L.).
E é bom também para [a criança] se sentir apoiado pelos pais em relação a todas as actividades que ele vai tendo na escola, isso também é importante (Entrevista a P17).
Porque é que ele é diferente aqui e como é que é com os pais em casa’. (…) Isto serve depois ‘então isto terá que melhorar, quem é que vai melhorar?’, ‘é aqui ou é em casa, ou é em casa ou é na escola?’. Portanto e fazer este ponto de interrogação que é muito importante (Entrevista a M.).
Se o miúdo tem mais dificuldade aqui, vamos tentar perceber porquê e vamos ver quem é que da melhor forma consegue fazer com que ele supere (Entrevista a P7).
No momento privilegiado de estar também com as outras crianças (…) e divertir-me também um bocadinho e interagir com elas (Entrevista a P4).
Obstáculos da colaboração Instituição/Família
Quanto aos obstáculos que dificultam a colaboração Instituição/Família, a análise dos resultados obtidos permite evidenciar algumas semelhanças, mas também diferenças entre os olhares e discursos dos educadores e pais entrevistados.
Como aspectos comuns, salienta-se (i) a dificuldade na gestão de tempo, referindo que uma efectiva colaboração Instituição/Família requer uma gestão de tempo bastante eficaz do ponto de vista de todos os intervenientes, e (ii) a personalidade tímida ou a falta de naturalidade e/ou de competência das pesssoas em determinada área, o que impossibilitaria alcançar a qualidade pretendida com essa colaboração.
Quanto à análise dos resultados obtidos relativos aos educadores de infância entrevistados, esta permite explicitar que estes também mencionam como obstáculos a falta de adesão dos pais às suas iniciativas e a discordância de ideias sobre o trabalho desenvolvido:
Os pais que não se envolvem também já conheço (risos). (…) Desinteresse e não só, porque paga muito (Entrevista a M.).
Eu dou muita importância a todo o envolvimento (processo) das crianças e não só àquilo que é visível (resultado) o que nem sempre é privilegiado pelos pais (Avaliação do Projecto Curricular de Grupo de 2007/2008 de C.).
Centrando-nos agora na análise dos resultados obtidos relativos aos pais entrevistados, é visível que estes, por oposição aos resultados obtidos relativos ao olhar dos educadores, consideram como obstáculo a falta de oportunidade e/ou abertura da Instituição à sua participação e de envolvimento na vida da mesma e a falta de comunicação sobre o trabalho desenvolvido:
Também nunca houve muitas oportunidades para isso. (…) não solicitam (Entrevista a P2).
Nunca mais me solicitaram para participar, não participei mas se solicitarem participaria, sim claro (entrevista a P4).
Eu acho que sim, por exemplo, ele agora tem inglês, a partir deste ano, e eu nunca sei o que é que eles deram (…) preciso de acompanhá-lo ao máximo e saber se ele tem mais dificuldade nisto ou naquilo era bom que houvesse uma maior comunicação (entrevista a P5).
4.3. (Re) diálogo entre os resultados obtidos e o referencial enquadrador do estudo – Parte II
Retomando a parte I do (re)diálogo entre os resultados e o referencial enquadrador do estudo, mas colocando o enfoque agora na colaboração Instituição/Família (num olhar global que inclui o papel desta colaboração no processo de avaliação das aprendizagens das crianças), e tendo como base resultados de vários estudos apresentados por Davies (1989, 2002) e Marques (1998, 1999), compreende-se que a falta de colaboração Instituição/Família retratada no presente estudo de caso parece acompanhar os resultados de outros estudos como consequência (i) da forte tradição de separação entre a vida educativa e a vida familiar e (ii) da relutância dos educadores e pais em criar parcerias ou trabalhar colaborativamente.
Relativamente ao primeiro ponto, os pais parecem não ser desejados nas instituições a não ser quando são convidados a colaborar numa ou outra actividade, o que é visível na análise dos resultados obtidos no presente estudo quando os pais e educadores classificam (maioritariamente) o tipo de colaboração Instituição/Família como volunteering, i.e. envolvimento dos pais na Instituição através de actividades voluntárias. Além disso, esta cultura de separação também parece emergir nos resultados obtidos relativos aos seus discursos quando apontam como obstáculo à colaboração Instituição/Família a discordância de ideias sobre o trabalho desenvolvido, o que uma vez mais realça (i) a existência de diferentes expectativas e papéis das duas organizações em jogo, a família de um lado e a Instituição de outro e (ii) o receio dos docentes perderem a sua autonomia profissional, sendo os pais vistos como indivíduos sem competência para intervir no trabalho pedagógico desenvolvido (que é da total função e responsabilidade do docente).
Quanto ao segundo ponto, a relutância no trabalho colaborativo, este também emerge na análise dos resultados obtidos relativos ao discurso quer dos educadores quer dos pais entrevistados quando, apesar da consciência dos aspectos positivos que a colaboração entre ambos poderá trazer (principalmente para a criança), referem como obstáculo a gestão de tempo (educadores e pais), a falta de adesão dos pais (referida pelos educadores) e a falta de abertura da Instituição (referida pelos pais). A responsabilização das famílias pela falta de colaboração também é uma conclusão transversal aos diferentes estudos. Os docentes esperam que haja continuidade do trabalho desenvolvido nas instituições em casa e culpam os pais de falta de interesse e cultura, o que do ponto de vista dos pais não é verdade, pois estes dizem-se bastante preocupados com a educação que é dada aos seus filhos fazendo um esforço, segundo a sua perspectiva, para os acompanhar e tomando consciência que a continuidade do trabalho seria favorável acima de tudo
para a criança (um contributo da colaboração Instituição/Família apontado pela maioria dos pais entrevistados). Quanto à falta de abertura da Instituição ao trabalho colaborativo, referida na análise dos resultados obtidos relativos aos pais entrevistados, esta já não se revela transversal à maioria dos estudos apresentados, sendo que estes explicitam que, por norma, os pais apresentam uma atitude passiva face à vida da Instituição, constituindo-se muito poucos aqueles que apresentam uma postura crítica ou culpam as instituições e docentes pela falta de colaboração Instituição/Família. É de salientar, contudo, que a mesma análise dos resultados obtidos relativos aos pais entrevistados (incluindo aqueles que apresentam uma postura crítica face ao trabalho colaborativo desenvolvido com as famílias) parece explicitar que estes estão satisfeitos, de forma geral, com o trabalho desenvolvido com os seus filhos e o consideram adequado, aspecto comum a outros estudos desenvolvidos pelos autores já mencionados que referem que os pais têm uma perspectiva positiva face ao trabalho das instituições e dos docentes em geral.
Analisando agora mais especificamente a colaboração Instituição/Família no que se refere à avaliação das aprendizagens na EPE, e tomando como referência os estudos desenvolvidos por Crais, Roy e Free (2006), compreende-se que a inexistência de colaboração Instituição/Família neste aspecto se deve à implementação de formas tradicionais de avaliação das crianças, o que, como referem os autores, limita o papel das famílias, restringindo-o a informante e descritor do comportamento da criança. Segundo os autores, as principais razões para a falta de colaboração a este nível relaciona-se com as concepções de avaliação (e aqui uma vez mais se retoma a linha de (re)diálogo dos resultados obtidos com o referencial enquadrador do estudo inerente à parte I) em que os resultados obtidos parecem tornar visível a preocupação dos educadores em medir rigorosamente as aprendizagens tendo como base pressupostos de objectividade, faltando conhecimento à família para avaliar as aprendizagens das crianças neste sentido. Nesta linha de pensamento, os mesmos autores referem então que é urgente compreender a família como aliada da avaliação das aprendizagens, constituindo a sua opinião sobre o desenvolvimento da criança, não só uma base de discussão, mas uma ajuda fulcral para uma visão mais completa dos pontos fortes e das necessidades das crianças por parte dos pais e dos profissionais de educação. Sem conhecimento (i) de como se processa a avaliação das aprendizagens e (ii) das expectativas que as famílias e os educadores têm no que se refere à educação das crianças será muito difícil promover uma participação mais activa e consciencializá-los do seu importante papel em todo o processo educativo das crianças.
5. Avaliação das aprendizagens em colaboração com a família: uma visão integradora