5. PRESENTASJON AV FUNN OG RESULTATER
5.3 R ESPEKT FOR FORELDRENE
A presente dissertação teve como objetivo geral, analisar, sob as perspectivas da Aprendizagem em Ação, as estruturas de Estágio Supervisionado em cursos de Administração. A pesquisa realizada em duas instituições de ensino superior partiu da descrição do processo do Estágio Supervisionado nos dois cursos de Administração, onde se pôde também identificar as percepções sobre aprendizagem dos discentes durante a experiência do Estágio Supervisionado, bem como definir seus fatores facilitadores e limitantes. Foi possível ainda, perceber que entre os docentes havia pouca informação sobre a Aprendizagem em Ação, com exceção de uma professora, que em seus discursos ressaltou a importância desta metodologia.
De um modo geral, o estudo trouxe a tona um problema que não é novo nem tão pouco se limita à área da administração, estando presente em vários estudos realizados com ensino-aprendizagem no ensino superior. Trata-se da necessidade de conhecer e aplicar, de maneira coerente, as teorias da aprendizagem, sobretudo a aprendizagem de adultos, que traz fundamentos importantes para desenvolver os processos de ensino-aprendizagem neste nível de escolarização. Compreender as necessidades deste aluno, que embora inicialmente ainda não esteja consciente da sua condição de “adulto”, é um primeiro passo no sentido de torná-lo não só consciente, mas também engajado com sua própria formação.
Outra teoria, de bastante relevância, é aprendizagem experiencial, que parte do pressuposto que aprendemos de várias maneiras diferentes. No entanto, quanto mais diversificadas forem as situações de aprendizagem, maiores serão as chances que o aluno terá de ampliar o seu repertório de conhecimentos, consequentemente a sua aprendizagem estará sendo potencializada de uma forma significativa, independente do seu estilo de aprendizagem. A Aprendizagem em Ação pode ser compreendida a partir de várias escolas, que trazem propostas similares, numa gradação que vai desde uma aprendizagem incidental até uma aprendizagem reflexiva que em comum preservam a ação como fator central para a aprendizagem. Pensar a aprendizagem em ação no curso de administração nos leva a refletir sobre as metodologias desenvolvidas, muitas ainda presas a concepções tradicionais da “pedagogia”, considerando o aluno como um recipiente vazio, a ser preenchido com conhecimentos, geralmente transmitidos em aulas expositivas ou atividades previamente planejadas, com formatos fixos e rígidos. Até mesmo, em atividades que deveriam ser práticas e dinâmicas, como o Estágio Supervisionado, encontramos resquícios destas estratégias, que
parecem não mais satisfazer as necessidades de um aluno, que chega à universidade cada vez mais cedo, mas também cada vez mais questionador e inquieto.
Os professores demonstraram interesse em discutir estas questões, de um modo geral, os que foram entrevistados nas duas instituições, se sentem incomodados com a realidade do ensino superior, em especial de administração; preocupam-se com o futuro, pois reconhecem que o papel do professor tem mudado rapidamente na sociedade; não se tem mais o mesmo respeito e valor, que se tinha há décadas, quando eram reconhecidos como fonte segura de novos conhecimentos.
As metodologias ativas assumem neste contexto, um caráter alternativo para enfrentar essa situação, mas os professores ainda não parecem familiarizados o suficiente para adotarem de forma abrangente em suas aulas e na proposição de atividades. Esta talvez seja uma lacuna a ser preenchida pelas instituições de ensino, que devem voltar-se para essas questões, e dar condições aos professores para se atualizarem, melhorarem suas práticas e consequentemente a qualidade do processo de ensino-aprendizagem. Da mesma forma em relação ao Estágio Supervisionado que deve ser inserido no curso de administração, não mais pela obrigatoriedade de antes, mas pela perspectiva de aprendizado vivencial para os alunos, pela necessidade de fortalecer a relação teoria-prática. Neste sentido, metodologias ativas podem proporcionar um caminho mais favorável à medida que potencializa interações dentro e fora da sala de aula, o que leva o aluno a se tornar um agente ativo no seu processo de aprendizagem e formação.
Outra consideração a ser feita sobre o processo de aprendizagem no curso de administração, diz respeito à necessidade de valorizar e favorecer a experiência profissional do aluno. A necessidade de o aluno desenvolver a experiência durante o curso passa necessariamente pelo papel da IES em proporcionar e acompanhar estas atividades, não apenas “lançar o aluno a própria sorte”, sem para isso assumir sua responsabilidade social, que vai além da assinatura de um TCE. Por outro lado, incluir as experiências do aluno, adquiridas antes do curso ou nas atividades de estágio remunerado ou voluntário, torna-se outra questão central, para a formação do administrador.
A pesquisa também nos fez questionar uma prática bem comum nos cursos de administração, que é a vinculação do estágio com o TCC. Apesar de algumas vantagens em relação a esta prática, parece não haver consenso sobre o fato de que quando estas duas atividades estão juntas no curso, o TCC assume o papel principal, levando o estágio a exercer uma função acessória, que se limita na maioria das vezes, à coleta de dados para o TCC.
Portanto, consideramos prudente que essas atividades possam ser pensadas de forma separada; que o estágio consolide sua ação por meio da elaboração de uma produção técnica, onde o aluno possa materializar sua contribuição para a organização, ao passo que aprende durante todo o processo de execução.
Sob a perspectiva da Aprendizagem em Ação, pode-se verificar que algumas atividades se mostram potencialmente mais alinhadas, como é caso do estágio voluntário, da empresa Júnior e do estágio realizado no local de trabalho. O estágio supervisionado deveria então, ser obrigatório, para aquele aluno que de outra forma, não vivenciou uma experiência de trabalho; para este aluno o curso deveria dispor de mecanismos que o levassem, não só ao contato com as organizações, mas principalmente o acompanhamento e o desenvolvimento da sua aprendizagem.
Neste sentido, como sugestão para formatar o estágio no curso de Administração na perspectiva da Aprendizagem em Ação, propomos que:
O estágio seja também desenvolvido nas próprias dependências administrativas da IES, o que facilita o acompanhamento por parte dos professores;
A inserção do aluno na empresa Junior do curso de Administração, possa ser considerada uma atividade de estágio;
Oferecer uma estrutura de laboratórios que congregue diferentes práticas administrativas, para que o aluno possa vivenciar o estágio também de forma simulada;
Regulamentar as diversas modalidades de estágio, considerando a necessidade de acompanhamento docente e a necessidade de elaborar uma produção técnica compatível com a problemática levantada pelo aluno durante a atividade de estágio;
Tornar obrigatória a vivência, por parte do aluno, de pelo menos uma das atividades estruturadas na perspectiva da aprendizagem em ação, seja no laboratório, por meio do estágio voluntário ou de outra experiência de trabalho, considerando as opções disponíveis no curso.
Entre os limites da pesquisa, talvez esteja o fato de não ter sido contemplados os supervisores de estágio, profissionais das organizações concedentes de estágio, que acompanham o aluno. A visão destes profissionais ajudaria a fechar o ciclo, no que diz respeito ao olhar dos atores envolvidos diretamente com o estágio. Outra limitação possa estar
atrelada ao método de coleta de dados, as sessões de focus group, pois permitem uma maior interação entre os membros, no entanto, limita o número de participantes, além do mais o fato de estarem falando todos no mesmo ambiente, pode fazer com que alguns componentes, não expressem todas as suas considerações.
Por fim, espera-se que este estudo possa contribuir para reflexões sobre a prática do estágio na formação de administradores, incentivando as instituições, professores e coordenadores de curso a repensarem seus processos e estratégias, considerando as perspectiva apresentadas, sobretudo da Aprendizagem em Ação, contemplando desta forma a ação esperada da experiência do estágio, com a aprendizagem necessária para um profissional em formação.
Recomenda-se ainda, para pesquisas futuras, pontos que não foram contemplados no presente estudo, ou questões que precisam ser mais aprofundadas ou desenvolvidas em outros contextos:
Realizar pesquisa sobre o estágio voluntário na perspectiva da Aprendizagem em ação;
Desenvolver o mesmo estudo, em outras regiões do Brasil e/ou em cidades do interior do país;
Analisar as percepções dos supervisores, que acompanham os estagiários em suas organizações, sobre a possibilidade de estruturar o estágio na perspectiva da Aprendizagem em Ação.
Analisar o papel do estágio no desenvolvimento de competências.
Propor um sistema de aprendizagem em ação para o estágio supervisionado em administração.
Utilizando uma perspectiva profissional, na qual se fundamenta a proposta do Mestrado Profissional em Gestão de Organizações Aprendentes, o presente trabalho tem a pretensão de contribuir com a formação dos administradores, a partir de um olhar para o Estágio Supervisionado, que busca analisar a contribuição dessas práticas em consonância com a estrutura disponibilizada pelos cursos e o interesse dos alunos. A aprendizagem em ação se apresenta, neste contexto, como uma técnica condizente com os anseios desta atividade que se propõe a colocar o aluno numa situação de aprendizagem vivencial, ao mesmo tempo em que oportuniza possibilidades de reflexão sobre essas práticas.
Como docente, vivenciei na prática as inquietações relacionadas ao processo de Estágio Supervisionado, e via o quanto essas atividades eram subaproveitadas e até mesmo
desvalorizadas, tanto por alunos, que percebiam como uma obrigação simplesmente, ou pelos professores, que não se interessavam em acompanhar essas atividades, em parte devido à falta de estrutura e incentivo por parte da instituição.
Ao desenvolver este trabalho, e mergulhar no estudo sobre o ensino da administração, muitas questões puderam ser esclarecidas e melhor compreendidas; outras angústias encontraram respaldo nas teorias da aprendizagem, principalmente os pressupostos da aprendizagem de adultos, imprescindíveis para compreender as nuances da educação superior, e por outro lado a aprendizagem experiencial que traz uma proposta prática e viável para estimular a aprendizagem do aluno, considerando os diversos estilos de aprendizagem. Por fim, conhecer as técnicas da aprendizagem em ação me colocou em contato com um universo de possibilidades a serem pensadas e refletidas em novas formas de conceber a relação ensino-aprendizagem no curso de administração.
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