Além desses, existem grupos alternativos, ou para-folclóricos, que seguem essa mesma linha, como o conhecido Boizinho Barrica, na verdade Companhia Barrica de Teatro de Rua, que se apresenta durante todo o ano em diversas expressões da cultura maranhense. Nascido no bairro da Madre Deus, berço de muitos grupos culturais da Ilha de São Luis, guarda proximidade com o Governo do Estado e tem um de seus criadores como secretário de Estado
da Cultura. Seu nome teve projeção nacional ao ser utilizado como título de uma operação da Polícia Federal, realizada em 2009 na capital maranhense.
O bairro da Madre Deus, na região central da cidade, tem sua proximidade com a cultura popular reforçada em 1998 quando recebe o primeiro Viva, em sua maioria praças públicas adaptadas para serem equipamentos urbanos destinados a reprodução de expressões culturais, com banheiros, bares e, em alguns, pequenas arquibancadas. Cardoso (2008) concebe os Vivas como espaços apropriados pelo governo para a promoção de eventos e festas populares, oportunamente adequados às encenações simbólicas próprias do poder.
Para alguns historiadores, a festa em torno do boi foi trazida pelos Jesuítas e aqui incorporou elementos típicos da cultura e formação do povo brasileiro, com a presença do branco, do negro e do índio, as práticas sociais do interior e a pajelança. Para outros, foi introduzida no período do ciclo do gado, a partir de antigas cerimônias europeias. Existem referências em São Luis dessa festa, que alia o profano e o sagrado, desde 1883, mas somente com a circulação dos jornais Folha do Povo e Tribuna, nos anos 20 e 30, que passa a ser possível conhecer suas remotas características (BARROS, 2008). Entretanto, há um registro de 5 de julho de 1868 em que era anunciada no Semanário Maranhense apresentação na casa do administrador do Matadouro Público do bumba meu boi da Madre Deus (CARDOSO, 2011).
Isso leva à compreensão de que o festejo junino em São Luis tem fortes raízes na tradição e na religiosidade, cuja reprodução do bumba meu boi se submete aos dias dos santos do ciclo junino. Tanto é que o feriado de 24 de junho (São João) foi transferido para o dia 29 de junho (do padroeiro São Pedro) e os dois grandes momentos da festa são a madrugada do dia 29 de junho, quando os bois de matraca depois de brincar na véspera, seguem direto para a Capela de São Pedro e lá amanhecem pedindo sua proteção, e o Dia de São Marçal, comemorado no dia 30 de junho.
Desde 1928, bois de matraca se encontram no dia de São Marçal no bairro do João Paulo, quando as “coisas de preto” eram impedidas pela Polícia de entrar no perímetro urbano. Hoje esse encontro é considerado Patrimônio Cultural Imaterial de São Luís pela Lei Municipal nº 4.626/2006, e ainda mantém suas características baseadas na espontaneidade, se limitando os governos municipal e estadual a apoiar o evento com a organização e o policiamento do local.
Em São Luis é difícil ir a um arraial que não os oficiais. Até mesmo os terreiros de iniciativa comunitária, de empresas e shoppings recebem patrocínio público e, portanto, dependem do calendário geral das festas promovidas pelos governos, afinal, são eles que
pagam as apresentações. Os arraiais seguem o formato retangular, com as atenções voltadas para o palco principal, ladeado de barracas que servem bebidas e comidas típicas. Se também são oferecidos a canjica e o mingau de milho, esse é o momento de pedir o prato junino padrão para o ludovicense: arroz de cuxá, vatapá e torta de camarão, ou de caranguejo, ou de sururu e, quem sabe, guarnecida pela boa e velha tiquira, aguardente levemente arroxeada feita a partir da mandioca.
Fora o apoio a alguns arraiais comunitários, em 2011 o governo municipal montou o arraial oficial da Praça Maria Aragão, que teve como tema "São João de São Luís: vem cá, Brasil!". Foram R$ 3 milhões investidos em 33 dias de festa, de 1º de junho a 3 de julho, quando um público estimado em 242 mil pessoas assistiu a 250 atrações e 40 shows de artistas maranhenses, e consumiu, em média R$ 3,86 por dia nas 26 barracas de comida e bebida e nas duas de artesanato. Segundo dados divulgados pela prefeitura145, foram 400 pessoas envolvidas na realização da temporada junina, entre servidores municipais, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e terceirizados, 172 empregos temporários gerados pelas barracas e 30 ambulantes cadastrados para o comércio informal na área interna do arraial.
Como o prefeito João Castelo faz atualmente oposição ao grupo político da governadora Roseana Sarney, a festa junina municipal é noticiada em espaço reduzido no jornal O Estado do Maranhão, de maior circulação no Estado, de propriedade da governadora e seus familiares (Anexo D), em relação ao São João patrocinado pelo governo do Estado (Anexo E), cujo título já exalta as 2.000 apresentações que “farão a festança nos arraiais no período de 17 a 29 de junho”. O prefeito foi deputado federal, senador e governador biônico indicado pelo então presidente Ernesto Geisel. É casado com ex-prefeita de São Luis e a filha tem seu primeiro mandado como deputada estadual.
Em 2010, o orçamento municipal para a cultura foi da ordem de R$ 12 milhões, e em 2011 foi reduzido para R$ 9 milhões, sendo destinados R$ 3 milhões para o carnaval, R$ 3 milhões para o São João, R$ 1,2 milhões para a Feira do Livro, e R$ 1,8 milhões para as demais ações culturais, capitaneadas pela Fundação de Cultura. São Luis não conta com uma secretaria de cultura em sua estrutura administrativa.
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Disponível em <http://www.saoluis.ma.gov.br/func/frmPagina.aspx?id_pagina_web=206> Acesso em 09 maio 2011.
Foto 18: Prefeito batendo matracas/São Luis