1. BACKGROUND
1.1 Sleep and narcolepsy
1.1.5 Epidemiology
Em 1987, Ramos, Veras e Kalache afirmavam que o Brasil, embora ainda estivesse longe de resolver os problemas relacionados com a infância, já estava tendo que enfrentar as implicações sociais e de saúde decorrentes de um processo de envelhecimento comparável àquele experimentado pelos países mais desenvolvidos, além do que falavam de um boom de pessoas idosas na população brasileira nas próximas décadas. Entre as razões para esta mudança demográfica no Brasil apontavam o processo de urbanização em que o modo de vida dos grandes centros acabou influenciando na composição das famílias e, também, a entrada da mulher no mercado de trabalho. Somado a isto, está o maior acesso à informação e a disponibilidade de métodos contraceptivos.
O Brasil hoje é um “jovem país de cabelos brancos”. A cada ano, adicionam-se ao grupo com mais de 60 anos cerca de 650 mil novos/as idosos/as, a maior parte com doenças crônicas e alguns com limitações funcionais. O número de pessoas idosas no Brasil passou de 3 milhões, em 1960, para 7 milhões, em 1975, e 20 milhões em 2008 - um aumento de aproximadamente sete vezes em menos de 50 anos (Veras, 2009).
Apesar do processo de envelhecimento recente, a população brasileira idosa pode ser considerada uma das maiores do mundo, superior à da França, Itália e Reino Unido. Conforme projeções do IBGE (2001), em 2025, a população de pessoas idosas no Brasil poderá ser superior a 30 milhões.
Conforme o Censo de 2010, a população do Brasil é de 190.755.799 de pessoas2324. Destas, 27% da população, ou seja, 50.840.572 de pessoas estavam com 45 anos ou mais e
23 As estimativas mais recentes indicam que a população brasileira, em julho de 2013, era de 201.032.714
milhões de habitantes.
24 Como a pesquisa de campo tem lugar no Estado brasileiro do Rio Grande do Sul considera-se importante
situá-lo. Em 2010, a população deste Estado somava 10.693929 pessoas, dos quais 51,3% são mulheres. Do total, cerca de 33% tem mais de 45 anos e cerca de 14% tem mais de 60 anos apresentando índices de envelhecimento da populacional superiores aos resultados encontrados para o país. A população da cidade de Porto Alegre era de 1.409.351 pessoas (IBGE, 2011).
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53,61% eram mulheres. Aqueles com mais de 60 anos, os/as idosos/as no caso brasileiro, representavam cerca de 11% da população, sendo a participação feminina ligeiramente superior aquela do recorte anterior: 55,53%, conforme Figura 15. Apesar de não se tratar do mesmo ano de análise, chama a atenção que conforme o relatório da UNFPA de 2012 o percentual daqueles com mais de 60 anos no mundo é de 11,5%, percentual tecnicamente igual ao da realidade brasileira.
Faixa etária 2010 > 45 anos Total 26,65% Homens 46,39% Mulheres 53,61% > 60 anos Total 10,79% Homens 44,47% Mulheres 55,53%
Figura 15 - Percentual da população brasileira acima dos 45 e 60 anos
Fonte: elaborado pela autora a partir de IBGE (2010).
É possível verificar a tendência da maior participação feminina conforme aumentam também os escalões etários. A partir destes dados, em 2010, para cada 100 mulheres com mais de 45 anos havia 85 homens enquanto para cada mulher com mais de 60 anos havia 78 homens no mesmo grupo etário.
As séries históricas do IBGE25 permitem acompanhar a mudança no perfil demográfico dos/as brasileiros/as e a tendência de envelhecimento da população (vide Tabela 1 e Figura 16). Chama atenção que nos últimos anos o número de pessoas com mais de 50 anos está se aproximando do número de crianças de zero a 14 anos. Enquanto o número de crianças apresenta queda nos últimos 20 anos, o número daqueles com 50 ou mais está em crescimento desde os anos 1900 (IBGE, 2007; 2010).
Tabela 1 - População brasileira por grupos de idade – números absolutos
ANO 0 a 14 anos 15 a 49 anos 50 anos ou mais Idade ignorada
1872 3491772 5157290 1270357 11059
1890 5900275 6968437 1406626 58577
25 As informações disponibilizadas na seção de séries históricas do IBGE permite acessar dados desde 1872,
porém muitos destes dados estão parametrizados. No caso da idade, não foi possível acessar a faixa etária de 45 a 49 anos, sendo que os cruzamentos devem ser feitos a partir dos 40 ou dos 50 anos. Optou-se, então, por apresentar os dados a partir dos 50 anos para dar visibilidade à evolução das faixas etárias superiores ao longo de mais de um século, ainda que fosse necessário deixar a descoberto o grupo de 45 a 49 anos.
126 1900 7686323 8279171 1329729 143211 1920 13078323 14806137 2685495 65650 1940 17526546 19957057 3720441 32271 1950 21694974 25277136 4855655 116632 1960 29912768 33095645 7083963 98994 1970 39130433 43879686 9944940 183978 1980 45460763 58947791 14466111 128041 1991 50988432 75707086 20129957 - 2000 50266122 92489703 27043345 - 2010 43219051 105816284 39007220 -
Fonte: elaborado pela autora a partir de IBGE (2007, 2010)
Conforme a Figura 16 a população com idade entre 15 a 49 anos está em crescimento, enquanto desde o início da década de 1990 o número de crianças até 14 anos começou a diminuir. Aqueles/as com mais de 50 anos só aumentaram, intensificando-se sua participação na população total a partir dos anos 1960.
Figura 16 - População brasileira por grupos de idade – números absolutos
Fonte: elaborado pela autora a partir de IBGE (2007, 2010)
A Tabela 2 mostra os percentuais de participação por grupos de idade na população total. É possível constatar que apesar de inferior em anos anteriores, a participação da população com 50 anos ou mais aumentou consideravelmente aproximando-se da participação de crianças de zero a 14 anos.
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Tabela 2 - População brasileira por grupos de idade – números relativos
Ano 0 a 14 anos 15 a 49 anos 50 anos ou mais Idade ignorada
1872 35,16% 51,93% 12,79% 0,11% 1890 41,16% 48,62% 9,81% 0,41% 1900 44,08% 47,48% 7,63% 0,82% 1920 42,69% 48,33% 8,77% 0,21% 1940 42,5% 48,4% 9,02% 0,08% 1950 41,77% 48,66% 9,35% 0,22% 1960 42,62% 47,15% 10,09% 0,14% 1970 42,01% 47,11% 10,68% 0,2% 1980 38,2% 49,53% 12,16% 0,11% 1991 34,73% 51,56% 13,71% - 2000 29,6% 54,47% 15,93% - 2010 22,98% 56,27% 20,74% -
Fonte: elaborado pela autora a partir de IBGE (2007, 2010)
A figura 17 permite visualizar que o maior percentual na população segue de 15 a 49 anos, tendo apresentado crescimento a partir dos anos 1970. Este aumento é reflexo, também, do aumento da expectativa de vida, pois há cada vez há mais pessoas em faixas etárias mais elevadas.
Figura 17 - População brasileira por grupos de idade – números relativos
Fonte: elaborado pela autora a partir de IBGE (2007, 2010)
O índice de envelhecimento para o Brasil apesar de baixo quando em comparação aos países europeus, por exemplo, reflete este novo desenho demográfico. Se em 1950 para cada 100 crianças de 0 a 14 anos havia cerca de seis pessoas com mais de 65 anos em 2010 para
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cada 100 crianças de 0 a 14 anos havia 31 pessoas no grupo etário acima dos 65 anos (IBGE, 2011). O envelhecimento populacional é atestado pelo aumento da expectativa de vida do/a brasileiro/a. Segundo o IBGE (2013), para o ano de 2012 a expectativa de vida ao nascer para os brasileiros estava em 74,1 anos (71 para os homens e 77,7 anos para as mulheres).
Conforme projeções para o futuro, de todas as pessoas residentes no Brasil em 2005, em torno de 87% estarão vivas em 2025 (população, então, com vinte ou mais anos), e 61% em 2050 (população, então, com cinquenta anos ou mais de idade) (Carvalho & Rodríguez- Wong, 2008). Este aumento do percentual de pessoas mais velhas demanda uma série de preocupações sociais e traz em seu bojo “novos problemas” para um país que se transforma em um “país de velhos”. Uma destas novas demandas é a questão do trabalho e do emprego, tanto pela ótica da força de trabalho disponível, ou seja, a PEA (População Economicamente Ativa) quanto pelo acesso ao trabalho e qualidade de vida dos/as mais velhos/as.
O envelhecimento populacional é, também, uma preocupação para Portugal. Como nesse trabalho se buscará traçar aproximações entre o caso brasileiro e português cabe verificar como vem se desenhando a mudança demográfica em Portugal.