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Mål 6 Engelsk knyttet til den enkelte studieretningen

A área inundada pela hidrelétrica de Cotingo é modesta comparando aos muitos projetos existentes e/ou propostos. É também um dos únicos locais propostos na Amazônia Brasileira que possui vegetação do tipo savana, em vez de floresta tropical. No entanto, a perda de floresta e os problemas de decomposição são muito menos severos do que em outros lugares (FEARNISIDE; BARBOSA, 2002).

De acordo com o estudo de viabilidade, a fauna e a flora na região são insignificantes (CER, 1994). Com relação o rio, o EIA e o RIMA não têm nenhuma informação sobre sua oscilação e nem como a água será balanceada tanto para manter a geração de energia durante a estação seca como para manter pelo menos 80% de fluxo d’água, como exigido pelo antigo Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica – DNAEE, norma 3, Portaria 125 (CER, 1993).

Apesar de modesta, a área a ser inundada afetaria terras indígenas. Os operários trazidos enquanto a barragem estivesse sendo construída, e depois a presença permanente de pessoal de manutenção e de outros serviços, poderia ter efeitos negativos sobre os grupos indígenas que vão além das perdas de terras por inundação.

Fearnside e Barbosa (2002) afirmaram que Cotingo representava um dilema cruel para os povos indígenas que teriam suas terras inundadas. Na visão desses pesquisadores, Cotingo representava uma ferramenta com que o governo, militares e interesses políticos esperavam abrir um precedente que permitiria livre acesso para exploração de recursos de todos os tipos em terras indígenas por toda a Amazônia. Seguindo esse raciocínio, enfatizaram que as terras indígenas representavam um tipo de última fronteira para a exploração de madeira, minerais e outros recursos. Estes seguimentos da sociedade que estão em uma posição de explorar estas riquezas veem os índios como obstáculos, enquanto que para esses, a defesa de suas terras é sua sobrevivência.

A Hidrelétrica de Cotingo é vista como uma ponta de lança de penetração nas terras indígenas, servindo para perfurar as proteções legais, obstruir mais demarcações ao longo da região e ganhar tempo para que outros abusos sobre terras indígenas possam se tornar fatos consumados (FEARNSIDE; BARBOSA, 2002, p. 26). Na época, os Makuxi ficaram divididos em relação a Cotingo e ao governo em geral. Algumas aldeias protestantes ficaram a favor da barragem e contra a demarcação da área indígena de forma contínua105. Conforme ressaltam Fearnside e Barbosa (2002), os grupos que se posicionaram a favor da barragem foram favorecidos com benefícios governamentais, como postos de saúde, água encanada, eletricidade e postos telefônicos. A maioria das aldeias, que era contra a barragem e a fragmentação da reserva, era apoiada pela Igreja católica.

O EIA para a Hidrelétrica de Cotingo apresentava pouco conteúdo sobre os problemas indígenas. Na sua redação, o EIA colocava que a questão indígena era abordada através de pesquisa bibliográfica, visitas na área de interesse, contatos com residentes locais e tomadas de depoimentos. No entanto, o conteúdo dessas entrevistas e depoimentos não foi revelado, nem mesmo estabeleceram-se quantas pessoas foram entrevistadas (FEARNSIDE; BARBOSA, 2002).

105 Em decorrência de tensões internas na Associação dos Povos Indígenas (APIR), em 1993, um grupo de 22 tuxauas afastaram-se da Associação, aceitando o apoio do governador do estado na época, Ottomar de Sousa Pinto (favorável a Cotingo). Segundo Repetto (2002), houve desentendimentos pessoais entre lideranças que se opunham a um predomínio do CIR na TI Raposa Serra do Sol. O Senhor Alfredo (presidente da APIR) declarou não tomar posição sobre o conflito entre indígenas na TI Raposa Serra do Sol, já que estava preocupado principalmente com a TI São Marcos, onde surgiam conflitos com o governo do estado. Assim, o governador recebeu essas lideranças, levou uma comissão de 20 tuxauas para Brasília, deu uma casa para eles e promoveu diretamente a criação da organização SODIURR. Os argumentos das lideranças da SODIURR, para explicar a divisão da APIR, referiam-se ao cansaço pelos anos de conflito, por não concordar com o confronto direto entre comunidades e o governo do estado e por motivações religiosas, já que este grupo era majoritariamente evangélico em contraste com o CIR, majoritariamente católico.

Com relação a esses problemas indígenas, segundo o depoimento do atual Coordenador do CIR, o Senhor Mário Nicácio106:

“A preocupação dos índios em relação a Cotingo é de nível ambiental. A gente sente como

uma pessoa está sendo expulso do seu habitat. Não dá para trabalhar a Hidrelétrica sem pensar no meio ambiente. A gente pensa nesse sentido. Se tiver 500 mil hectares inundados, tem que ter outros 500 mil hectares de terra indígena em algum lugar do estado para compensar”.

Apesar da baixa qualidade técnica-científica do EIA/RIMA apresentado, duramente criticado pelo INPA e especialistas da área, somado a uma audiência pública muito mal conduzida, os defensores de Cotingo107 afirmavam que os impactos positivos derivados da construção e operação da hidrelétrica de Cotingo eram “esmagadoramente” mais efetivos do que os negativos. Como impacto negativo mais preocupante (levantado por D. Aldo Mongiano – Bispo de Boa Vista, na audiência pública do EIA/RIMA), mas de possível solução, era o local povoado pela população flutuante do canteiro de obras da usina, onde se tinha mais de 500 trabalhadores na área. O isolamento do acampamento somado a um deslocamento de pessoal para Boa Vista nas folgas foram apontadas como soluções que ajudariam a minimizar bastante o problema apresentado.

Para esses defensores, a Hidrelétrica de Cotingo seria sem sombra de dúvidas, uma melhor alternativa ambiental do que a expansão do parque termoelétrico de Boa Vista. Expandir a capacidade termelétrica implicaria em aumentar, de forma significativa, a poluição de Boa Vista; arcar com elevados custos dos combustíveis, sem contar com as faltas periódicas de combustíveis no verão devido ao baixo nível do Rio Branco para navegação das balsas; elevado nível de ruído das usinas afetando as áreas urbanas próximas; sucateamento do atual equipamento de geração, que é procedente de outras áreas onde teve grande utilização (Camaçari-Bahia); dentre outros fatores considerados desvantagens para as termelétricas.

Os defensores do projeto de Cotingo enfatizavam que os graves problemas ambientais encontrados em usinas hidrelétricas da Amazônia não aconteceriam com a hidrelétrica de Cotingo, tendo em vista que a bacia do Médio Cotingo é totalmente atípica com relação aos ecossistemas amazônicos, principalmente pela cobertura vegetal pobre e rarefeita (savana estépica), fauna muito escassa, altas declividades, etc.

106 Entrevista realizada em 25 de abri de 2011, em Boa Vista, Roraima.

107 ECOAMAZÔNIA. Usina hidrelétrica de Cotingo: dados gerais. Disponível em

Com relação às vantagens sociais, os atores que defendiam essa alternativa afirmavam que o projeto de Cotingo atenderia até 2010 a demanda de energia de todo o Centro e Nordeste do estado de Roraima. Isso implicaria em um aumento da população industrial e consequente geração de emprego; melhoria da qualidade de vida das populações urbanas e rurais; incremento da irrigação agrícola e pastoril, com consequente aumento da produção de alimentos; e redução drástica do êxodo rural que ocorria no Nordeste de Roraima.