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5.2 Endringer i samvær mellom barn og foreldre

Todos os sujeitos que foram entrevistados conhecem um pouco dos 32 anos de história da Pista Pública de SBC, mesmo os mais jovens. Porém, quem nos contou toda a sua trajetória foi o skatista e funcionário do Parque, que esteve presente em todos os seus momentos, atuando enquanto protagonista de sua transformação espacial. Além dele, outros skatistas relataram um pouco dessa trajetória durante as observações.

Esses depoimentos estão em acordo com as informações conseguidas a partir das fontes documentais, expostas no Capítulo 2, porém nos traz uma riqueza de detalhes que não estão escritos em nenhuma reportagem, foto ou vídeo da época. Segundo ele, a antiga pista foi construída em frente ao Paço Municipal de SBC, em 1982: “Era só a Pista Velha, aquele primeiro buraco que tinha e um bowl, outra piscina redonda. Só que toda essa área que a gente está aqui era um brejo, não fizeram com uma estrutura boa, esse bowl deu uma afundada. Nós perdemos essa pista.” (F/Sk. 2: M OS V)44. Dessa forma, assim como visto nas fontes documentais, fica claro que a única estrutura que ficou daquela pista pública, e permanece até os dias atuais, é o bowl, em formato de uma grande piscina, que é chamada hoje de Pista Velha

44 Critérios de composição: F: Funcionário; Sk.: Skatista; 2: Numeração referente ao entrevistado; M: Sexo; OS: Old School – Referente à prática; V: Vertical – Referente à modalidade.

(Figura 11) e que teve, com a construção do Parque, suas paredes remodeladas para eliminar as imperfeições que prejudicavam o deslizamento perfeito do skatista na pista.

Figura 11: Pista Velha

Fonte: Adrena News, publicado em 29/05/201245

Talvez seja essa Pista Velha o principal motivo que fez com que os skatistas da região lutassem pela permanência daquele espaço até os dias atuais. Ela é um marco de resistência, pois simboliza todas as lutas pela conquista do espaço urbano skatista que foram sendo vencidas ao longo da história do skate naquela região, permanecendo, pois, como um monumento, ao longo de mais de 30 anos.

O sentido de monumento que queremos expressar refere-se ao entendimento de Lefebvre (1999), que o compreende como algo que se difunde e se concentra de variadas formas e vai além de si próprio, na medida em que ultrapassa seus limites materiais. Para o autor, “os monumentos projetam uma concepção de mundo no terreno, enquanto a cidade projetava e ainda nele projeta a vida social (a globalidade)” (Ibid., p. 32). Neste sentido, conseguimos perceber a Pista Velha enquanto um monumento dentro de um outro monumento – o Parque da Juventude. Este último foi forjado com uma intenção que vem de fora:

45 Na foto aparece o skatista Sandro Dias, mostra a Pista Velha antes do surgimento do Parque da Juventude, porém

não há informação de quando ela foi feita. Disponível em: <http://www.adrenanews.com.br/skatenews/30-anos- de-pista-sbc/815> Acesso em: 20/05/2014.

simboliza o poder e aquilo que este escolhe para ser transmitido às pessoas do presente e do futuro. Sua monumentalidade deriva da intenção de fazer do espaço urbano um palco com cenografia exuberante capaz de gerar emoções, reviver tradições e repactuar relações através do ‘espetáculo’ assistido de perto ou de longe. (RODRIGUES, 2001, p. 51)

Na figura 12 conseguimos visualizar um pouco da monumentalidade do Parque e o seu impacto na paisagem da cidade de SBC.

Figura 12: Visualização aérea do Parque da Juventude

Fonte: Google Mapas, 2014

Já a monumentalidade da Pista Velha foi sendo forjada de dentro, no seu cotidiano, no seu habitat, nos processos de apropriação, ao longo de sua história. Senão para toda a sociedade, mas para a categoria skatista, a Pista Velha permanece não apenas como uma forma física, mas simbólica. Tanto para aqueles mais velhos, que estiveram presentes no seu surgimento, como para os que vieram depois, que vão adquirindo esse simbolismo por meio da história oral daquele monumento, que vai sendo passada ao longo do tempo. Sendo assim, foi primordial para a nossa investigação conhecer o modo como a história dessa pista é representada pelos skatistas.

Quando surgiu, a Pista Velha não atingiu as expectativas dos skatistas da cidade de SBC, os quais estavam esperando um espaço de alta qualidade, que pudesse substituir a Wave Cat (Figura 13), pista particular que fechou em 1982, como visto no Capítulo 2.

Figura 13: Wave Cat, 1981

Fonte: Skatecuriosidade.com (2014).

A fala seguinte explicita o modo como a Pista Velha foi recebida na época:

[...] o projeto dessa pista [Pista Velha], o projeto é muito bom, só que a construção na época não teve nenhuma assessoria, então a pista saiu toda torta. Então nós chegamos e tivemos um choque. – Caramba, você sai de um negócio perfeito [Wave Cat] e vem pra esse? Aí nós tivemos o que, que fazer: se adaptar. Nisso muita gente foi pra outro lugar, que tinha mais dinheiro, pra lá, pra cá, como a gente não tinha grana... (F/Sk. 2: M OS V).

Um outro relato, dado por um skatista old school durante um dia de observação da Sessão Old School, também explica um pouco dessa realidade:

A pista inicialmente era uma pista bem difícil [...] As transições, elas foram feitas ehhh com muitas irregularidades, então era um pedaço de cimento que não cobria exatamente aonde tinha que ter a transição então formavam-se quinas, buracos. Então era mais complicado andar, então nós tínhamos que realmente andar muito bem e absorver todos os trancos que a pista nos dava. Então quem andava bem na Pista Velha eu falo que andava bem em qualquer pista de skate (DC, 21/10/2013).

Aqueles que permaneceram frequentando a Pista Velha, mesmo com suas imperfeições, foram os mesmos que conseguiram conquistar muitas de suas reformas e melhorias, alguns deles ainda permanecem nos dias atuais, não só usufruindo do Parque, mas contribuindo na produção daquele espaço. Como é o caso dos dois skatistas que nos contaram esses relatos, eles eram membros fundadores da ASSBC e um deles é hoje o funcionário responsável pelos projetos das pistas de skate do Parque da Juventude.

Essa primeira pista permaneceu sem alterações por mais de quatro anos, sendo frequentada por um pequeno grupo, em sua maioria, moradores de SBC que possuíam vínculos de amizade, até que o espaço passou por sua primeira modificação.