Para Torre (1999), a criatividade é parte do ser humano como atributo substantivo e se projeta em todas as ideias originais, soluções divergentes ou contribuições.
Esse autor (1999) levanta uma preocupação com o tema criatividade, lembrando a importância de não convertê-lo em moda ou em um slogan publicitário, afastando a palavra do seu sentido verdadeiro. Também se preocupa com que o tema seja alvo de meras reflexões sem a pretensão de buscar significados e aplicações de desenvolvimento da criatividade pessoal, grupal ou institucional. Sugere que os grupos, as pessoas, se encontrem para discussão de temas como o da criatividade, e elaborem um projeto que promova a busca e a realização de inovação no processo, indo além da zona de desenvolvimento real, do já conhecido, motivando a criação de novos elementos originais e inovadores.
Para Torre (1999, p. 19), “a criatividade é um fenômeno que se move entre os atributos pessoais e as exigências sociais, porque em último caso é a sociedade que promove e sanciona o valor ou a relevância das atividades criativas.” A partir desta citação, é possível perceber a vinculação que o autor faz entre criatividade, responsabilidade social e o caráter sociológico da criatividade e salienta, não intencionalmente, a importância de uma parte da sociedade a qual sanciona o valor criativo ou não de determinada criação, o que faz lembrar, de modo direto, com o âmbito sugerido por Mihaly Csikszentmihalyi. Segundo Torre (1999), a razão de ser da criatividade está na possibilidade de transformação social e a busca do bem estar e melhor qualidade de vida para as pessoas como um todo, não descartando o valor científico de criatividade, porém reconhecendo que é preciso ultrapassar as fronteiras do pessoal e pensar a criatividade em termos de desenvolvimento institucional e organizacional, para que se possa promover as mudanças sociais que
todas as sociedades necessitam para melhoria da qualidade de vida de seus habitantes. É preciso também reconhecer que a criatividade acontece diferentemente em várias pessoas e também nas sociedades, que, por sua vez, revela o nível de autorrealização da ideia criativa, contribuindo, assim, com a inovação de meios, técnicas, procedimentos, métodos e produtos novos.
A criatividade, para esse autor, é um bem social, assim como a educação e a saúde, já que faz parte, também, de um conjunto de valores e bens de serviço compartilhado pelos membros de uma sociedade, país ou civilização. Para tanto, ele se baseia em três aspectos principais: criatividade como desenvolvimento humano, criatividade como desenvolvimento científico e cultural e criatividade como conceito chave da terceira onda.
Goethe diz que a ação criadora orienta o ser humano, proporcionando-lhe continuidade e dando sentido à sua existência. Torre (1999) considera a criatividade como sendo a qualidade mais própria e específica do ser humano a qual devemos nos apoiar se intencionamos relacionar as mudanças sociais, culturais e políticas, interpretando-as. A partir da afirmação de Goethe, pode-se desenvolver a ideia de que a autorrealização humana acontece quando o ser humano aprimora ao máximo suas potencialidades, sendo a criatividade a qualidade mais própria do ser humano. Assim, o desenvolvimento humano passa pela potencialização desta qualidade.
A atividade criativa, para Torre (1999), possui sua origem na consciência de algo problemático ou melhorável, sendo a chama que põe em marcha o processo criativo. Esse autor, ainda ressalta que a consciência é um conceito chave não somente na área da educação, mas como motor que impulsiona todo o desenvolvimento humano. Para ele, seria um atributo que torna presente o ausente, que torna visível o invisível e possível o imaginário, a veia por onde passa toda a cultura e informação que permeia a subjetividade humana.
Em uma perspectiva de interesse de estudos futuros sobre a criatividade, ele levanta alguns pontos que necessitam ser ainda melhor investigados e que provoquem maior interesse por parte de quem queira fazer ou participar das investigações. Apresenta, então, a inovação como projeção social da criatividade,
por ser um processo dinâmico de mudanças específicas que apresenta, como resultado, o crescimento que passa pelo pessoal em direção ao social. Um segundo tema de importância ímpar para investigações futuras passa pela atenção à diversidade, como uma primeira consequência derivada da consideração pessoal da criatividade, admitindo que nem todas as pessoas possuem as mesmas motivações para determinadas atividades. Na educação, a atenção deve recair para as diferenças de inclinações, ritmos e estilos dos alunos, ajudando-os a serem melhores e a agregarem novos caminhos e maneiras de sentir, pensar e fazer.
A criatividade na formação de professores, tanto aplicada à comunidade como nas organizações são outras duas perspectivas de interesse abertas a estudos futuros, compondo a terceira e a quarta perspectivas, de acordo com Torre (1999). A terceira perspectiva alerta que toda mudança que ocorra deve ser assumida pela educação e, principalmente, pelos professores. Para tal, a preocupação está em se formar primeiro os professores com pensamentos e atitudes ampliados por uma visão que se utiliza da criatividade, a fim de atender à tripla dimensão composta pelos conhecimentos, habilidades e atitudes. No que se refere à quarta perspectiva, a criatividade aplicada à comunidade e à organização surgirá, segundo esse autor (1999), com uma força intensa nas próximas décadas. Nela está o compromisso com a melhoria das cidades, colaborando e favorecendo a sua imagem, assim como com as organizações.
Neste momento, o nosso interesse se centra no que diz respeito à educação e, desta forma, ressaltamos a terceira perspectiva de interesse da investigação, a qual tem tudo a ver com esta tese. O envolvimento dos professores no processo de desenvolvimento da criatividade dos alunos é algo inquestionável para os estudiosos da educação comprometidos com o tema da criatividade. Torre (2012b) defende que uma ação concreta que se pode fazer, nesta perspectiva, é a inclusão de conteúdos criativos nos conceitos, processos, técnicas, avaliação e outras.
A criação de um clima de pertencimento no indivíduo ajuda-o a implicar-se e a melhorar a cultura de convivência e bem-estar social. Outras perspectivas surgem como fontes de interesse de estudo futuro, como a criatividade no currículo, a sua
relação com o tempo livre, com as novas tecnologias, a relação com a indústria, a publicidade, o desenho, as artes plásticas, a vida cotidiana, a atividade profissional etc. A necessidade de religação de saberes de várias áreas, envolvendo interesses diferentes, ressalta a aproximação interdisciplinar que caracterizará os avanços a serem obtidos na próxima década e indica um olhar prospectivo para além das disciplinas, buscando uma perspectiva transdisciplinar nessa religação.
A aproximação interdisciplinar poderia ser observada sob três pontos de vista principais: a interação sociocognoscitiva, a perspectiva psicológica e um olhar voltado para a neuropsicologia. Na interação sociocognoscitiva, a criatividade prioriza os componentes cognoscitivos e socioculturais como os principais responsáveis pelas diferenças entre os sujeitos, reconhecendo a cultura como fator prévio e concomitante do processo criativo. Na perspectiva psicológica, a criatividade aparece potencializando as habilidades cognitivas e melhorando a capacidade de desenvolvimento de novas ideias. Não surge como uma habilidade específica, senão como a síntese de operações múltiplas de índole afetiva, cognitiva e tensional. Por último, na perspectiva neuropsicológica, a criatividade auxiliaria a investigação sobre as mudanças sinápticas que ocorrem antes, durante e depois de se comunicar uma ideia criativa.
Já existe, na Europa, particularmente na Espanha e em outras universidades iberoamericanas, uma ou outra disciplina sobre criatividade em cursos de formação de professores. Não se preocupando com a área em que esta disciplina está inserida, ou com o nome que lhe é dado, salienta que o mais importante é que os alunos, futuros professores, possam optar por ela, percebendo que a sua importância está vinculada ao desenvolvimento social do país. Além disso, espera- se que essa disciplina sensibilize e promova uma atitude criativa, e possa ser um incentivo ao desenvolvimento do seu potencial ideativo.
Para Torre (2012a), o professor que assume a criatividade como um bem social leva à sala de aula, na pessoa de seus alunos, uma chave para o desenvolvimento do seu povo. A pessoa que dedica tempo de trabalho à criatividade recebe em troca, ideias novas e interessantes e entende por motivação afetiva a
dedicação que alguém faça a outra ou a algo, onde o tempo passa mais rapidamente.
A consciência surge nesse palco de interatividade entre a escola, o professor e o aluno, sujeito em ação de aprendizagem, não especificamente no aluno, pois acredita que todos aprendem continuamente e se enriquecem com conhecimentos novos, construídos ao longo do caminho da vida de cada um, tão longo quanto o tamanho do caminho que cada um percorra. É algo que ajuda o indivíduo descobrir o que é e quem é, e com ela, além dos princípios construídos nas relações estabelecidas com todos que interagiram na sua vida e lhe proporcionaram momentos de aprendizagens, tem a capacidade de pensar, sentir, sentipensar10 e
amar mais intensamente. Além da consciência pessoal, existe outra consciência a qual podemos chamar de coletiva, que pertence a um grupo, desde o familiar até mesmo ao da pátria ou nação global, que compartilha valores, normas, inquietudes, aspirações, ilusões e problemas. O reconhecimento pessoal e coletivo deve existir numa união que não deixa de estabelecer algumas diferenças entre seus iguais, em pensamento ou ação, estando concretamente próximos ou não.
A fim de converter a criatividade em um bem social e cultural, os professores, segundo Torre (1999), devem estar atentos a cinco importantes pontos de reflexão, antes de procurar catalisá-la com os alunos. Entre eles, destacam: 1- ter uma ideia clara do que é a criatividade, o que se quer significar com esta palavra, 2- tratar de identificá-la em seus alunos, vendo como se manifesta em cada um deles, 3- criar um clima de segurança psicológica, no qual se eliminem temores e bloqueios, 4- favorecer a livre expressão, mediante o reconhecimento de tudo aquilo que, ainda não corresponda com o que se espera, resulta em algo novo e valioso e em quinto lugar, e por último, julgar e valorar os resultados a fim de que aprendam com as falhas que acontecem e melhorem nas próximas realizações.
A importância destes pontos de reflexão para o professor que deseja trabalhar com a criatividade como bem social e cultural está em se ter clareza em relação ao objeto de trabalho, no caso a criatividade e, a partir daí, elaborar um planejamento
10 Sentipensar é um neologismo criado por Saturnino de la Torre, em 1997, em suas aulas de Criatividade, na
que atenda à esta proposta, juntamente com a capacidade de reflexão de cada faixa etária de alunos com que este professor trabalhe. Ter conhecimento da teoria de Jean Piaget, conhecendo os estágios do desenvolvimento humano por ele propostos, auxilia o professor no desenvolvimento de estratégias que atendam cada estágio, respeitando as habilidades e potencialidades que seus alunos oferecem a partir da idade em que se encontram.
Ter uma ideia clara do que é a criatividade, seu significado e o que se deseja a partir desta palavra, é altamente relevante para a proposição de atividades que auxiliem no desenvolvimento da criatividade. Os professores não podem ter uma ideia equivocada sobre seu objeto de trabalho e, pensar a criatividade como um bem social e cultural é não reduzi-la à mera espontaneidade das pessoas, como algo momentâneo, sem tomar consciência a respeito da elaborada reflexão realizada.
O papel do professor, além de auxiliar os alunos na compreensão deste processo, é também ajudá-los a entender que o processo criativo depende de intenso envolvimento do indivíduo com a matéria, com os conteúdos ou área em que se quer dedicar e com a qual se intenciona contribuir, procurando novos processos, procedimentos, formatos, concepções e, ainda, o reconhecimento. Deve ajudá-los a perceber que o reconhecimento acontece naturalmente, a partir do caminho traçado por cada pessoa no percurso de sua vida pessoal, social ou profissional.
Esse primeiro ponto de reflexão se faz necessário para exposição do segundo aspecto que trata do fato do professor identificar em seus alunos manifestações da criatividade individual. Reconhecer que a criatividade não é um mero ato espontâneo, mas sim algo trabalhado, que necessita esforço e dedicação pessoal para que possa ser provocada, torna o olhar do professor mais criterioso em relação ao trabalho de desenvolvimento do processo criativo de cada aluno cada aluno, o que o auxilia a identificar as habilidades individuais de seus alunos.
Entender que, para se ter uma ideia ou pensamento criativo, é preciso um clima de segurança psicológica, no qual se eliminem temores e bloqueios de quem participa do mesmo espaço de elaboração, propicia ao professor a construção e a manutenção de um clima favorável para que este processo se inicie em sala de aula,
já que, depois de ativada esta compreensão, esta se encontra em um processo contínuo, interminável e sem volta de desenvolvimento da criatividade de cada sujeito participante do pensar.
Um clima de segurança psicológica como suporte ao aluno, por parte do professor, favorece sua livre expressão. Isto implica a preparação dos alunos com recursos de comunicação e expressão, ao mesmo tempo, a desmistificação do uso de instrumentos e recursos que, muitas vezes, não são utilizados pelo temor de fazê-lo, seja por desconhecimento de seu uso ou falta de informações sobre a existência dos mesmos na escola. Em processos de mudanças e transformações, professores, escola, pais e alunos acabam por serem incentivados a participarem do processo desencadeado, proporcionando uma rede de transformações em âmbito coletivo, numa proporção social inimaginável.
Após o trabalho realizado, com todo cuidado, pelo professor em sala de aula, vem, a seguir, uma etapa essencial a ser efetuada com todo zelo: o julgamento e a valorização dos resultados, ensinando os alunos a aprender com suas falhas e encorajando-os a melhorar sua criatividade em suas próximas empreitadas de trabalho. Na realização do julgamento das atividades produzidas pelos alunos deve- se levar em consideração a qualidade da produção realizada, o grau de complexidade existente na sua confecção, considerando as habilidades que cada aluno possui ao ser desafiado a encarar um trabalho que exige elaboração um pouco mais além daquelas anteriormente construídas em suas estruturas cognitivas.
Valorar uma atividade, desta ordem, dos alunos exige do professor atenção redobrada para que, ao fazê-lo, não provoque um efeito contrário ao desenvolvimento de sua criatividade, tanto por parte do aluno como do professor, visto que os dois estão inseridos no mesmo processo, um por fazer e outro por desafiar. Quem faz e quem propõe se confundem em momentos e situações em que trabalham juntos podendo um auxiliar o outro em novas elaborações criativas a serem efetuadas em sala de aula ou fora dela.
Torre (2012a) demonstra certa preocupação com as definições que vem sendo construídas e divulgadas acerca da criatividade, onde cada um a define de
acordo com seu campo de interesse, de estudos e pesquisas. As investigações se realizam com pessoas de diferentes âmbitos profissionais e que possuem o desejo de descobrir um perfil psicológico, personológico aplicável, quem sabe, a outros grupos que poderiam ser considerados como possuidores de alguns tipos específicos de características que explicam a capacidade criativa de uma ou mais pessoas, em função da capacidade não criativa, ou mesmo, menos criativa de outras pessoas.
A conclusão a que Torre (1999) chega é que tal perfil não pode ser estabelecido de acordo com a atividade que uma pessoa realiza, aliada a seus interesses e necessidades, envolvimento com o assunto e grau de profundidade do conhecimento acerca da matéria de dedicação de atenção criadora. Para ele, deveríamos encontrar perfis diferentes, tantos quantas forem as pessoas pesquisadas. É claro que podemos encontrar características semelhantes em duas ou mais pessoas, que poderiam ser até semelhantes a um grupo que evidenciasse tais características, mas se perderiam as diferenças específicas que caracterizam cada um dos casos e que poderiam ser a chave, quem sabe, do seu potencial criativo.
Isso é possível de ser observado em conversas sobre uma mesma figura, fato ou paisagem. Percebe-se que elas se concentram em pontos diferentes que mais lhes chamam a atenção. Se, por acaso, olham para o mesmo ponto, quando questionadas, explicam a razão, os motivos e os interesses diversos uns dos outros. A cada ponto de semelhança percebido nas explicações, encontra-se motivos diferentes, origens próprias, inerentes e integradas completamente na pessoa que observa, associada à ideia de que somente aquele que observa, guia as suas ações e suas percepções no que se propõem a realizar (VARELA, THOMPSON & ROSCH, 2003).
Mesmo reconhecendo as mais variadas posturas acerca do tema da criatividade, Torre (2012B), ainda, assinala algumas características que, segundo ele, são constantes e bem aceitas por uma ampla comunidade de investigadores. Para ele a atividade criativa: 1- é intrinsecamente humana, 2- possui direcionalidade
e intencionalidade, 3- é transformadora do meio, 4- necessita de comunicação do ato criativo e 5- possui originalidade ou novidade. Destas características, a mais aceita e, consequentemente, a mais divulgada é a quinta. Nesta se encontra, necessariamente, a diferenciação do que é o resultado, reprodutivo e trivial daquilo que traz em si um valor de originalidade, que representa, indubitavelmente, o fruto de uma mente criativa.
Para esse autor (1999), a criatividade é algo que, quando surge por meio de uma construção de um produto ou ideia, nos surpreende e nos impressiona. É algo que nos impulsiona a ir adiante nos próprios objetivos. É algo que parte da pessoa, mas que não tem significado somente para ela mesma, pois o significado só aparece quando percebido o objeto, a ideia ou o produto realizado por uma ou mais pessoas. Não tem origem específica na hereditariedade, na personalidade ou em características pessoais, mas também não se descarta o papel dessas interferências, que embora existentes, não são determinantes. Elas mesclam as necessidades do meio, sendo este um elemento motivador e incentivador do ato criativo.
Longe de ser um resultado das pressões do meio, como um produto de condicionamentos operantes sobre o sujeito, este age com seus filtros pessoais que separam o que é do desejo pessoal, de suas identificações, tendências e objetivos de trabalho, daquilo que não lhe apetece e não se coaduna com o que é, dando ao indivíduo, em processo de criação, um caráter todo pessoal, individualizando, assim, sua leitura do mundo e da sociedade a que pertence. A sociedade aparece como uma das fontes primeiras, partícipe do ato criativo e surge também como elemento avaliador do que é criativo ou não.
Assim, todos os indivíduos, cada um em seu próprio tempo, podem ser e se tornar, em um momento ou outro, sujeitos que contribuem criativamente com a qualidade de vida de outrem, auxiliando a impulsionar o caminho do desenvolvimento pessoal e, principalmente, social de todos. Sem isso, seria difícil dizer que uma pessoa é criativa ou não, sem o respaldo e o reconhecimento do meio social em que vive.
A inovação, segundo Torre & Zwierewicz (2009), se encontra em uma ideia ou produto novo que nos surpreende, no método, na forma, na visualização e/ou na compreensão do mesmo, a partir de referências que ainda não possuímos, ou seja, nos provoca um conflito cognitivo (PIAGET, 1975) em relação ao que conhecemos e compreendemos, com uso da lógica ou não, com a apresentação de uma concepção que foge a esses parâmetros. Assim, a percepção da inovação pode acontecer para todo indivíduo que vive e se relaciona com o mundo, interagindo com pessoas e objetos, no campo das ideias ou da concretude.
É a novidade que surpreende, choca, espanta, que nos encabula e nos faz questionar, que nos coloca em momentos de contemplação, procurando compreendê-la, que nos faz percorrer caminhos de autoconhecimento, na intenção de encontrar parâmetros de reconhecimento do que é observado, comparando com alguns já construídos, mas não suficientes para o entendimento da concepção daquilo que observamos, nos motivando a reformular estruturas cognitivas na tentativa de construir os parâmetros ainda assim inexistentes. A isto podemos chamar de inovação.
Desta maneira, a percepção da inovação pode acontecer diferentemente para cada indivíduo, em momentos diferentes e com objetos ou ideias completamente diferentes, assim como pode acontecer para toda uma sociedade, seja local ou global. O reconhecimento da inovação pela sociedade local ou global acontecerá seguindo os mesmos parâmetros apresentados para o indivíduo, sendo que o conflito cognitivo gerado, neste caso, acontece nos âmbitos (CSIKSZENTMIHALYI, 1996) localizados em várias partes do globo. Assim reconhecidas as novidades,