A análise do espólio artefactual passou por diversas fases, concretamente o estudo das pastas dos exemplares, desenho, tintagem, classificação dos materiais e sua quantificação.
O estudo das características das pastas dos fragmentos de cerâmica de “tipo Kuass” foi efectuado, numa primeira fase, macroscopicamente, recorrendo à utilização de uma lupa de 15 aumentos para a identificação e caracterização dos elementos não plásticos. Foram distinguidos vários grupos, dentro dos quais, quando necessário, se efectuou a divisão em fabricos. Os critérios seguidos na sua descrição foram os propostos por Steinstra (1986). Na referência às tonalidades de pastas e engobes utilizámos o código de Munsell, Soil Color Charts (1998). Posteriormente e graças à disponibilidade do Museu Arqueológico e Lapidar Infante D. Henrique, tivemos oportunidade documentar fotograficamente as pastas, recorrendo a uma lupa binocular, o que possibilitou incluir também esses dados no capítulo correspondente.
A tipologia utilizada para a classificação das cerâmicas de “tipo Kuass” presentemente estudadas foi a elaborada por A. M. Niveau de Villedary y Mariñas (2003a). Além de constituir um trabalho recente, tem o crédito de ser a primeira elaborada especificamente para estas produções, analisando uma série de questões e de detalhes inexistentes, até então, nas tipologias aplicáveis às cerâmicas de “verniz negro”. Tem
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também o crédito de ser facilmente aplicável no estudo de um conjunto fragmentário, tendo em conta os dados exaustivos que apresenta quer ao nível das características e das dimensões das formas estabelecidas, quer no que se refere ao estudo detalhado dos fragmentos de fundo e das decorações. Contudo, para alguns exemplares mais tardios, já em período romano republicano, optámos por utilizar a tipologia de J. P. Morel (1981), uma vez que se tratam de formas passam a imitar os protótipos da cerâmica tipo campaniense.
A quantificação dos materiais procurou seguir a análise do número mínimo de indivíduos (NMI), segundo o protocolo estabelecido na mesa redonda realizada em Mont Beauvray (Arcelin e Tuffreau-Libre, 1998). Realizou-se previamente uma separação dos fragmentos em grupos de fabricos, seleccionando-se posteriormente os exemplares que permitiam uma classificação formal. Dentro desse grupo, o NMI foi estabelecido de acordo com o elemento caracterizador mais abundante que, dentro de cada unidade estratigráfica e de cada grupo de fabrico, possibilitava o reconhecimento da forma. O mesmo método foi aplicado à análise do espólio artefactual coetâneo dos níveis conservados da Idade do Ferro, onde se encontram associados a cerâmicas de “tipo Kuass”. Optámos por este critério de quantificação de forma a podermos comparar percentualmente a cerâmica de “tipo Kuass”, a cerâmica comum, a cerâmica manual e os contentores anfóricos aos quais se encontra estratigraficamente associada, o que permite também uma análise comparativa entre os espólios dos sítios analisados. Assim, todos os gráficos apresentados, quer ao nível da distribuição das formas quer dos grupos de fabrico estabelecidos, têm por base a quantificação prévia do NMI.
Em relação aos materiais cerâmicos de níveis da Idade do Ferro, associados, estratigraficamente, às produções de “tipo Kuass”, tomámos a opção de representar graficamente todos os tipos formais, seleccionando dentro destes os exemplares que proporcionavam um perfil mais completo. O catálogo dos materiais é apresentado em anexo. A classificação formal da cerâmica comum e manual foi, naturalmente, dificultada pela escassez de ensaios tipológicos sobre esses materiais, para o período cronológico em questão. Contudo, a existência de várias publicações de espólios artefactuais de outros sítios, com culturas materiais e momentos de ocupação semelhantes, permitiu-nos classificar a nível formal e funcional a grande maioria dos recipientes analisados. Ao nível da análise dos contentores anfóricos estas questões já não se colocaram tão acentuadamente, uma vez que os seus tipos morfológicos e até principais conteúdos estão, em muitos casos, já bem documentados. Ainda que utilizemos as designações mais usuais para cada forma, fazemos a
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sua correspondência, no capítulo correspondente, com os tipos definidos por Ramón Torres (1995).
É necessário fazer ainda uma última referência sobre o método escolhido para a análise aqui efectuada aos contextos. Dentro dos faseamentos da Idade do Ferro definidos tanto no Castelo de Castro Marim como em Faro, seleccionámos as unidades estratigráficas mais recentes onde surgiam associados exemplares de cerâmica de “tipo Kuass”. A escassa presença de materiais cerâmicos, em algumas destas unidades, ainda que sem dúvida pertencentes ao mesmo momento cronológico, fez-nos optar por englobar todos os níveis seleccionados numa mesma “fase”, de forma a estudar o máximo de informação disponível. Naturalmente, neste âmbito, apenas os exemplares de cerâmica de “tipo Kuass” recolhidos nas unidades estratigráficas seleccionadas são considerados na análise comparativa da presença das várias categorias cerâmicas.
Temos consciência que este tipo de abordagem pode gerar alguma confusão, uma vez que a cerâmica de “tipo Kuass” é analisada na sua totalidade, sendo pouco claro quais os exemplares recolhidos em contexto. Para tentar compensar este facto, optámos por ordenar as estampas desses materiais com a seguinte ordem. Em primeiro lugar, apresentamos os exemplares de cerâmica de “tipo Kuass” recolhidos em contextos primário no Castelo de Castro Marim (Estampa X a Estampa XII), seguidos os de contextos revolvidos ou recolhas de superfície (Estampa XIII a Estampa XVIII). Em relação a Faro, inclui-se apenas mais um elemento. Seguidamente às cerâmicas de “tipo Kuass” recolhidas em níveis da Idade do Ferro (Estampa XIX a Estampa XXVI), surgem os exemplares recolhidos em níveis romano-republicanos (Estampa XXVII a Estampa XXIX), e só depois os descontextualizados (Estampa XXX a Estampa XL).