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5. ARGUMENTER FOR KVALITETSVURDERING

5.7. B EHOV FOR EN NY IDENTITET ?

aprendizagem da leitura e da escrita não podem dissociar-se do desenvolvimento global do sujeito, perspetivando o aumento da sua autonomia no tocante à própria aprendizagem. A leitura, em cenários já explicitados, as bibliotecas, são hoje uma realidade que, embora recente em Portugal, já faz parte da vida dos cidadãos. Partindo deste pressuposto Gomes, Pais e Sardinha citando Felix Benito Morales ponderam:

“Sobre este conceito de Aprender a Aprender e a sua relação com as bibliotecas, consideremos o que diz Benito Morales (s/d:11): «Su finalidad última es el aprendizaje a lo largo de la vida, siendo en las bibliotecas, con sus recursos materiales y humanos, un entorno esencial para la educación formal, no formal e informal. En este sentido, implica a docentes y bibliotecarios, como las dos caras de la misma moneda de este nuevo proceso alfabetizador, de un aprendizaje basado en recursos y en el desarrollo de habilidades para aprender a aprender»”56.

Contudo consideraremos que a motivação para a leitura poderá ser feita em vários suportes. As tecnologias e os meios audiovisuais que proliferam na atualidade são coadjuvantes ao processo de leitura formal, em suporte de papel e em livros. Segundo Marina e Valgoma (2005: 41)

“la lectura se encuentra acosada por la competencia de otras fuentes de diversión e información, en especial por los medios audiovisuales, que ejercen desde la infancia una poderosa fascinación. El niño nace ya preparado para comprender las imágenes”57.

Cabe, portanto, nesta perspetiva ao professor, enquanto mediador, bem como aos restantes mediadores, bibliotecários e outros, compreender que não poderemos ficar à margem das tecnologias.

Descoberto o prazer de ler, nada poderá criar obstáculo à leitura pela vida fora. O segredo reside na naturalidade que preside ao ato de ler. De acordo com Mata (2008: 37), “La palabra «placer» está irreductiblemente unida a la “lectura” en muchas lenguas (le plaisir de lire … Reading for pleasure … il placere di leggere … lesevergnügen … o prazer de ler)”58.

1.5. Da Competência Leitora para a Socialização

56

AZEVEDO, F. (coord.), MESQUITA, A., BALÇA, A., SILVA, S. (2011) Globalização na Literatura

Infantil - Vozes, Rostos e Imagens, Edição Lulu Entreprises, Raleigh, N.C., Estados Unidos de

América. 18 - Para além das Bibliotecas Escolares: As tecnologias de Informação na Promoção da

Literatura Infantil, GOMES, P.R., PAIS, A.P., SARDINHA, M. da G, p. 333

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AZEVEDO, F. (coord.), MESQUITA, A., BALÇA, A., SILVA, S. (2011) Globalização na Literatura

Infantil - Vozes, Rostos e Imagens, Edição Lulu Entreprises, Raleigh, N.C., Estados Unidos de

América. 18 - Para além das Bibliotecas Escolares: As tecnologias de Informação na Promoção da

Literatura Infantil, GOMES, P.R., PAIS, A.P., SARDINHA, M. da G. , p. 336

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A leitura é, atualmente, considerada uma competência social, cuja aquisição e desenvolvimento condiciona o estar no mundo, de qualquer sujeito. Se a aquisição de competências de leitoras é reconhecidamente indispensável para a literacia e plena adaptação à era da comunicação em que estamos mergulhados, os modelos de aquisição e aprendizagem da leitura apresentam uma diversidade importante. Rato (2012: 5)59

remete para três modelos de processamento da informação, citando Rumelhart (1994), Goodman (1970) e Smith (1978) e Mitchell (1983), associando, respetivamente, o modelo ascendente bottom-up a Rumelhart, o modelo descendente a Goodman e Smith e o modelo interativo a Mitchell.

“As we perceive, we are continually extracting sensory information to guide our attempts to determine what is before us. In addition, we bring to perception a wealth of knowledge about the objects we might see or hear and the larger units in which these objects co-occur. As one of us has argued for the case of reading (Rumelhart, 1977), our knowledge of the objects we might be perceiving works together with the sensory information in the perceptual process.”60

E, segundo Catherine Veron (1981: 25) hoje em dia não é já possível separar o ser humano da universo da informação e da comunicação no qual está mergulhado, ao qual pertence e do qual é obreiro, por inteiro, assim a autora evidencia a necessidade de o

Homem se adaptar permanentemente:

“[…]a informação transformou-se num fenómeno vital para o Homem dos nossos dias, o qual só poderá sobreviver por meio de uma adaptação permanente à transformação, isto é, de uma reconversão contínua da sua atitude pessoal e de novos conhecimentos a um estilo de vida diferente, protegendo a sua integridade interna, a sua personalidade”61.

Gaspar (2011:11) relaciona diversos meios/ instrumentos através dos quais a aprendizagem se concretiza; as bibliotecas, enquanto espaços de livre acesso acolhem públicos diferentes em função da finalidade que servem, uma vez que podem estar

59

“Não nos parece fácil uma definição de leitura unanimemente aceite, sendo que as várias definições podem ser agrupadas em três modelos de processamento da informação, que tentam explicar os comportamentos dos leitores nas várias situações: os modelos descendentes, os modelos ascendentes e os modelos interativos.”In - RATO, R. M. S. T. (2012) Competência

Literária e Literacia na Escola do Século XXI. Covilhã: Universidade da Beira Interior - Tese para a

obtenção do Grau de Doutor em Letras, p. 5

60 MCCLELLAND, J.L., E RUMELHART, D. E. (1981) An Interactive Activation Model of Context

Effects in Letter Perception: Part 1. An Account of Basic Findings. In - Psychological Review, vol.

88, number 5 Septembre, pp. 375-407.

61 GASPAR, C.S.J. (2011). Cooperação Biblioteca pública / Biblioteca Escolar: Modos de

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adstritas a uma comunidade escolar ou de forma mais abrangente a uma localidade (aldeia, vila ou cidade). Porém ressalta da análise desta autora que independentemente da ligação que o indivíduo estabeleça com os meios e instrumentos ao seu dispor para obter informação e conhecimentos novos, as bibliotecas surgem como recursos acessíveis, cujo formato deverá contudo adaptar-se a novos tempos, novos utilizadores, numa – quase vertiginosa – velocidade de mudança que os tempos atuais impõem. Assim, Gaspar refere que:

“Os tempos em que vivemos são comummente associados a uma era revolucionária, apelidada por muitos como a Era

da Informação, que conduziu, inclusivamente, a uma nova

forma de designação da sociedade actual, a Sociedade da

Informação, em que a Informação assume um papel

preponderante. A par desta nova perspectiva, refira-se que dos múltiplos pontos a partir dos quais essa mesma informação pode ser acedida, a Biblioteca Pública e a Biblioteca Escolar assumem um papel de destaque. De facto, são locais onde o acesso à informação se efectua de forma indiscriminada e gratuita, servindo diferentes públicos e espelhando o novo paradigma das Bibliotecas: podemos dizer que estamos perante bibliotecas de carácter universalista e atentas ao seu contexto. Ora, não basta que as bibliotecas existam, têm de evoluir, de se adequar a um conjunto de transformações que ocorrem regularmente, ou seja, têm de se adaptar aos novos cenários de desenvolvimento”62.

Os atuais modelos de bibliotecas em nada se compaginam com referências a modelos anteriores, sobretudo de tempos tão remotos como o Século XIX; é sabido que leitura, escrita, e outros domínios do saber eram apanágio de classes socialmente mais abastadas e, por consequente as bibliotecas e outros lugares de acesso à informação de teor cultural não estariam acessíveis a todos; quanto a esta realidade, citando Pinto (2007:26), a autor que atrás mencionamos refere que:

“Segundo Maria Leonor Cardoso Sérgio Pinto (2007: 26): «[…] no século XIX a cultura escrita constituía o principal veículo de transmissão de ideias e de saberes, pelo que a biblioteca era um instrumento privilegiado de leitura: através dela, diversos grupos sociais conseguiam aceder à informação e ao conhecimento que até aí estado reservados a uma minoria privilegiada» ”63.

Coexistiram, porém, duas realidades concomitantemente; a esfera erudita, em que os espaços/ bibliotecas acolhiam um público eminentemente abastado e socialmente privilegiado e, em finais do Século XIX, a esfera popular, destinada às classes populares, com objetivo de apoiar a alfabetização, veicular valores socialmente moralizadores, e de

62

Idem, p. 11 63

GASPAR, C.S.J. (2011). Cooperação Biblioteca pública / Biblioteca Escolar: Modos de

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algum modo servir todos aqueles cujo saber necessitava ser incrementado, uma vez que, os finais do Século XIX, em Portugal como no resto da Europa representam a passagem para uma sociedade em vias de industrialização, cujos requisitos, em termos de mão-de- obra, por exemplo, começariam a trazer exigências acrescidas em termos de alfabetização, mas não só, o final do Século XIX representou igualmente uma mudança de mentalidades, na Europa e em Portugal, que não deixariam de chegar à promoção da cultura, enquanto bem socialmente adequado à perpetuação de uma desejada harmonia social. Assim se depreende da leitura que faz Pinto (2007):

“Pinto (2007: 26): «Com a publicação do Decreto de 2 de Agosto de 1870, foram criadas as Bibliotecas Populares, dirigidas a uma nova classe social, os populares ou povo, que tinham sido recentemente alfabetizados. Ainda segundo a mesma autora, verificamos que: «As bibliotecas populares, que mais não eram do que bibliotecas públicas, e por isso abertas a todos, surgiram, assim, da necessidade de proporcionar às classes populares o acesso à cultura impressa: destinavam-se às classes mais humildes e tinham uma função que era simultaneamente moralizadora e didáctica» ”64.

Instituições, vocacionadas para a promoção da cultura e do saber, como são as bibliotecas, oferecendo meios variados de acesso ao saber e à cultura, para todos, procuraram, paralelamente e complementarmente com o universo escolar, criar ambientes, desenhar estratégias, proporcionar iniciativas, em que a satisfação e o prazer estejam associados ao ato de ler e escrever, por exemplo.