Nesta subsecção do trabalho, descrevem-se os princípios da AE e os princípios para a conceção que deverão ser seguidos na construção de uma AE recorrendo ao TOGAF.
Os princípios arquiteturais são regras que tem o objetivo de informar e apoiar a organização, desta forma, estes refletem qual o consenso presente na organização. A sua identificação será predominante na elaboração de um dos três modelos do Instrumento para a Avaliação de Arquiteturas Empresarias, sendo esse o modelo de avaliação dos princípios para a conceção da AE onde é questionado se os princípios arquiteturais se encontram bem definidos.
Relativamente aos princípios para a conceção, resultam de um conjunto de objetivos, passos e resultados, sendo a identificação destes cruciais para o desenvolvimento do modelo de avaliação dos princípios para a conceção da AE sendo este parte do Instrumento para a Avaliação de Arquiteturas Empresarias.
2.3.2.1. Princípios Arquiteturais
Os princípios arquiteturais são a essência da arquitetura empresarial funcionam como regras gerais e orientações duradouras e raramente modificadas, com o objetivo de informar e apoiar a organização no cumprimento da missão da mesma [The Open Group 2009]. De acordo com o TOGAF [2009], os princípios arquiteturais refletem o nível de consenso existente na organização, incluindo o espírito e pensamento dos princípios arquiteturais já existentes, gerindo os processos da arquitetura afetando assim o desenvolvimento, manutenção e utilização da AE [The Open Group, 2009].
Os princípios arquiteturais têm como objetivo de fornecer orientações para a descrição do estado atual da organização (as is) de forma a ser possível definir qual o estado desejado da mesma (to be) e avaliar a AE ou os elementos da arquitetura.
Os princípios funcionam como meios para atingir determinados fins. Todavia, as restrições, como limitações financeiras, tecnológicas ou estratégicas, podem limitar a aplicabilidade ou a validade dos princípios arquiteturais. Uma vez que os princípios são considerados abstratos e proposições de alto nível torna-se necessário especifica-los de forma a orientar o desenvolvimento ou avaliação do sistema, sendo essa especificação realizada frequentemente com base em regras e orientações para o desenvolvimento das AE e avaliação de critérios de avaliação da qualidade. As orientações são menos rigorosas, estas fornecem orientações para o comportamento, não exigindo obediência restrita, por outro lado, os critérios de avaliação são características da qualidade para a avaliação das representações e design arquitetural [Stelzer, 2010].
Como é possível verificar na Figura 4, os princípios arquiteturais são gerados através dos objetivos de negócio da AE, das TI e das preocupações que restringem a aplicabilidade ou validade dos princípios arquiteturais. Estes princípios, por sua vez resultam em regras de conceção e de representação, orientações de conceção e representação e em critérios de avaliação.
Os resultados dos princípios arquiteturais são essenciais para o desenvolvimento deste trabalho, uma vez que é através destes princípios arquiteturais que se irão basear as regras de representação, os princípios para a conceção e quais os critérios que deverão ser avaliados no Instrumento para a Avaliação de Arquiteturas Empresariais baseado em TOGAF 9.1. Este instrumento será composto por três modelos de avaliação, sendo o Modelo de Avaliação dos Indicadores de Valor da AE, o Modelo de Avaliação dos Princípios para a Conceção de AE e o Modelo de Avaliação das Regras de Representação da AE.
Os princípios arquiteturais são caracterizados por regras e diretrizes para a utilização e implementação de todos os recursos de TI e ativos da organização, refletindo o nível de consenso entre os diversos elementos da organização, formando desta forma uma base que possibilite a tomada de decisões sobre futuras TI. Importa referir que cada princípio deve ser claramente relacionado com os objetivos de negócio e outros principais motores da AE. No que concerne aos componentes dos princípios arquiteturais, torna-se útil a definição de
Figura 4: Princípios Arquiteturais Adaptado de Stelzer [2010]
princípios. Desta forma será possível apoiar a utilização dos princípios para explicar e justificar porque determinadas decisões são tomadas [The Open Group 2009].
De acordo com o The Open Group [2009], os princípios arquiteturais são constituídos por quatro elementos: nome, declaração, base lógica e implicações. No Modelo de Avaliação dos Princípios para a Conceção da AE, quando apresentadas questões relativamente aos princípios arquiteturais deve-se ter em consideração estes quatro elementos, caso na resposta isso não se verifique é assumido automaticamente que os princípios arquiteturais não se encontram devidamente definidos ou incompletos.
Os princípios arquiteturais, segundo Stelzer [2010], não deverão ser definidos de forma isolada, devendo estar relacionados com princípios genéricos relacionados quer seja com o negócio e com as TSI e com os princípios mais específicos de cada domínio da AE.
Os princípios arquiteturais são desenvolvidos pelos arquitetos da organização e cooperação com stakeholders sendo posteriormente aprovados. São selecionados de forma a garantir o alinhamento da arquitetura e implementação da arquitetura alvo com estratégias de negócio e visão [The Open Group 2009].
O desenvolvimento dos princípios arquiteturais influenciam-se através [The Open Group, 2009]:
Missão da empresa e planos: a missão, planos e infraestrutura organizacional da empresa.
Iniciativas estratégicas da Empresa: as características da empresa, como os pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças, assim como iniciativas em toda a empresa atual (como a melhoria de processos e gestão da qualidade).
Restrições externas: fatores de mercado (time-to-market imperativos, expectativas dos clientes, etc.); a legislação existente e potencial.
Sistemas atuais e tecnologia: o conjunto de recursos de informação implementados na empresa, incluindo a documentação de sistemas, stock de equipamento, diagramas de configuração de rede, políticas e procedimentos.
Tendências da indústria emergentes: previsões económicas, políticas, fatores técnicos e de mercado que influenciam o ambiente organizacional.
Torna-se também importante garantir a qualidade dos princípios arquiteturais desenvolvidos, para que tal seja possível é necessário que o desenvolvimento de um conjunto de princípios deve ser baseado em valores e crenças da organização, numa linguagem comum em que todos os intervenientes da organização entendam. Os princípios deverão ser em pequeno número, orientados para o futuro e aprovados e defendidos pela gestão de topo, fornecem uma base sólida para a tomada de decisões de arquitetura e planeamento, definição de políticas, procedimentos e normas, e apoiam a resolução de situações contraditórias [The Open Group, 2009].
Os critérios que distinguem um bom conjunto de princípios, de acordo com o The Open Group [2009]:
Compreensível: os princípios subjacentes devem ser rapidamente compreendidos e entendidos pelas pessoas de toda a organização. A intenção do princípio é clara e inequívoca, de modo que as violações intencionais ou não intencionais, sejam minimizadas.
Robusto: possibilita a toma de decisões de boa qualidade sobre as arquiteturas e planos a serem elaborados, aplicação de políticas e criação de padrões. Cada princípio deve ser definitivo e preciso, para apoiar a tomada de decisões coerentes em situações complexas, potencialmente controversas.
Completo: todos os princípios potencialmente importantes que gerem a informação e tecnologia para a organização são definidos. Os princípios cobrem todas as situações percebidas.
Coerente: a estrita observância de um princípio pode exigir uma interpretação liberta de outro princípio. O conjunto de princípios deve ser expresso de uma maneira que permita um equilíbrio de interpretações. Os princípios não deverão ser contraditórios ao ponto de um princípio infringir o espírito do outro. Cada palavra de um princípio deve ser
Estáveis: princípios devem ser duradouros, de forma a acomodar mudanças. Deverá ser estabelecido um processo de alteração para adicionar, remover ou alterar princípios depois de terem sido validados inicialmente.
Os princípios para a conceção da AE, resultam de um conjunto de objetivos e passos, funcionando como um guia de como deverá estar concebida a AE, sendo efetuadas questões sobre os resultados destes no modelo de avaliação dos princípios para a conceção da AE. É importante realçar que será apenas considerado a fase Preliminar, e das fases A, B, C e D do ciclo ADM uma vez que são estas as fases que retratam a AE.
2.3.2.2. Princípios de para a Conceção da Arquitetura Empresarial
Fase - Preliminar
A fase Preliminar contém abordagens que dizem respeito à definição de “Where?” (Onde?), “What?” (O quê?), “Why?” (Porquê?) e “How?” (Como?).
Os principais aspetos a considerar encontram-se relacionados com aspetos da definição da arquitetura, identificação dos elementos chave do contexto organizacional, definir os requisitos de trabalho da arquitetura, definição dos princípios arquiteturais, definição de qual a Framework de gestão a ser utilizada e avaliar a maturidade da AE.
As Frameworks de gestão utilizadas podem ser a Business Capability Management, que determina quais as capacidades de negócio necessárias para a criação de valor de negócio; Portfolio/Project Management Methods, que determina como a organização gere a mudança; Operations Management Methods que descreve como a organização opera dia- a-dia incluindo as TI e Solution Development Methods, que formaliza a forma como os sistemas de negócio são distribuídos de acordo com as estruturas desenvolvidas na arquitetura de TI.
Tabela 7: Princípios para a Conceção da Arquitetura Empresarial - Fase Preliminar Adaptado TOGAF [2011]
Princípios para a Conceção da AE - Fase Preliminar
Descrição Objetivos
[TOGAF 2011, p. 58]
Determinação e estabelecimento da capacidade desejada pela organização quanto à arquitetura
Estabelecimento da capacidade de Arquitetura Passos
[TOGAF 2011, p. 65]
Verificar o impacto no âmbito das organizações empresariais Confirmar a Governação e o suporte das Frameworks
Definir e estabelecer a equipa da Arquitetura Empresarial e Organizacional Identificar e estabelecer os princípios arquiteturais
Moldar a arquitetura TOGAF e outras Frameworks de Arquitetura que sejam selecionadas
Implementar ferramentas de arquitetura Resultados
[TOGAF 2011, p. 68]
Modelo organizacional da AE, sendo este constituído pelo âmbito das organizações que possam sofrer o impacto da AE, avaliação da maturidade, lacunas e uma abordagem de resolução, restrições que possam ocorrer no desenvolvimento da arquitetura, requisitos do orçamento, estratégia de governação e de suporte
Modelação da Framework adaptada, que deverá conter o método adaptado para a arquitetura, o conteúdo adaptado para a arquitetura, os princípios da arquitetura e a configuração de ferramentas de desenvolvimento
Repositório inicial da arquitetura, deverá estar preenchido com os conteúdos da Framework
Atualização ou referência aos princípios, objetivos e indicadores de negócio Pedido relativo ao trabalho da arquitetura (opcional)
Framework relativa à governação Catálogo de princípios
também questionado os princípios arquiteturais, sendo que estes deverão estar de acordo com os elementos referenciados anteriormente.
Fase A - Visão da Arquitetura
Esta fase fornece ao responsável uma ferramenta crucial para divulgar os benefícios para as partes interessadas da organização. Devem ser documentados elementos como a missão, visão, estratégias e metas da organização, como parte das estratégias de negócio da organização [TOGAF 2011, p. 71]. A Tabela 8 explicita os objetivos, passos e resultados da fase A.
Tabela 8: Princípios para a Conceção da Arquitetura Empresarial - Fase A Adaptado TOGAF [2011] Princípios para a Conceção - Fase A Descrição Objetivos [TOGAF 2011, p. 70]
Desenvolvimento de uma visão de alto-nível sobre as capacidades e valores do negócio a serem entregues como resultado da AE proposta
Aprovação da Statement of Architecture Work que define um programa de trabalhos para desenvolver e implementar a arquitetura descrita na Visão da Arquitetura Passos
[TOGAF 2011, p. 73]
Estabelecer do projeto de arquitetura
Identificar stakeholders, preocupações e requisitos de negócio
Confirmar e elaborar as metas de negócio, indicadores de negócio e restrições; avaliação das capacidades do negócio
Avaliar a agilidade para as transformações de negócio; definição do âmbito Confirmar e elaborar os princípios arquiteturais, incluindo os princípios de negócio Desenvolver a Visão da Arquitetura
Definir a arquitetura alvo, propostas de valor e indicadores chave de desempenho Identificar os riscos das transformações de negócio, assim como as respetivas medidas de mitigação e desenvolver a Statement of Architecture Work
Resultados
[TOGAF 2011, p. 78]
Declaração da aprovação da arquitetura, que inclui a descrição do âmbito e do projeto da arquitetura, o plano do projeto da arquitetura, assim como o cronograma. Declaração aperfeiçoada sobre os princípios, objetivos e indicadores de negócio
Princípios para a Conceção - Fase A
Descrição
Definição dos princípios de arquitetura Avaliação de capacidade
Definição da Framework adaptada, que deverá conter o método adaptado para a arquitetura, o conteúdo adaptado para a arquitetura, os princípios da arquitetura, e a configuração de ferramentas de desenvolvimento
Visão da arquitetura que deverá apresentar a descrição do problema, o objetivo da declaração da arquitetura, resumo, cenário de negócio (opcional) e o aperfeiçoamento de requisitos de alto nível dos stakeholders
Documento da definição da arquitetura que deverá conter a base da AN, AT, da AD, da AA, a meta da AN, AT, AD e AA
Plano de comunicação
Conteúdo adicional para o repositório da arquitetura Matriz das partes interessadas (poderá ser incluído)
Diagramas de cadeia de valor diagramas do conceito da solução (poderá ser incluído)
É também possível concluir através da Tabela 8, quais os resultados da fase Visão da Arquitetura para a elaboração das questões presentes modelo de avaliação dos princípios para a conceção da AE, onde é também questionado sobre a definição dos princípios arquiteturais, em que estes deverão estar de acordo com os elementos referenciados anteriormente.
Fase B - Arquitetura de Negócio
A AN descreve a estratégia do produto/serviço, a estratégia organizacional, funcional, dos processos, da informação e os aspetos geográficos da envolvente. A Tabela 9 explicita os objetivos, passos e resultados da fase B.
Tabela 9: Princípios para a Conceção da Arquitetura Empresarial - Fase B Adaptado TOGAF [2011] Princípios para a Conceção - Fase B Descrição Objetivos [TOGAF 2011, p. 80]
Desenvolvimento do alvo daAN que descreve como a organização opera para atingir as metas estabelecidas e responder aos objetivos estabelecidos na fase anterior
Elaboração de uma guia que permita identificar os elementos candidatos baseando-se nas lacunas entre a base e o alvo da AN
Passos
[TOGAF 2011, p.]
Selecionar modelos, pontos de vista, e ferramentas Desenvolver base da AN
Desenvolver o alvo da AN Desenvolver a análise de lacunas Definir o possível mapa de componentes Resolver impactos em toda a arquitetura Revisão formal dos stakeholders
Finalizar a AN
Criar o documento da definição da AN Resultados
[TOGAF 2011, p. 90]
Versão aperfeiçoada e atualizada dos resultados da fase A, incluindo a declaração da arquitetura atualizada, os princípios, objetivos e indicadores validados e os princípios da arquitetura
O documento da definição da arquitetura deverá conter a base da AN assim como a meta da mesma que pode incluir a estrutura da organização, os objetivos, a função, serviços, processos, regras e modelo de dados relativos ao negócio. A correlação da organização e funções na forma de uma matriz deverá estar também representada, visualizações correspondentes às preocupações chave relativa aos stakeholders.
O projeto de especificação de requisitos inclui também os requisitos da AN. Este projeto é constituído pela análise de resultados relativos a lacunas existentes, pelos requisitos técnicos e atualização dos requisitos de negócio.
Os componentes da AN também deverão ser referidos
Catálogos relativos à organização/atores, indicadores/objetivos/metas, papéis, serviço de negócio/função, localização, processo/eventos/controlo/produto e finalmente catálogo de contrato/medida
No que diz respeito a matrizes, deverão de estar representadas matrizes relativas à iteração de negócio e ator/papel
Os diagramas de negócio, serviço/informação, decomposição funcional, ciclo de vida do produto, meta/objetivo/serviço, caso de uso, decomposição da arquitetura, fluxo de processo e diagrama de eventos também deverão surgir como output desta fase
Conclui-se através da Tabela 9, quais os resultados da fase Arquitetura de Negócio a ter em conta na elaboração das questões presentes modelo de avaliação dos princípios para a conceção da AE, onde é também questionado sobre a definição dos princípios arquiteturais, em que estes deverão estar de acordo com os elementos referenciados anteriormente.
Fase C - Arquitetura de Sistemas de Informação
Para a sua aplicabilidade, a Fase C envolve uma combinação entre AD e da AA. Por sua vez, os principais sistemas de aplicações (exemplo: Enterprise Resource Planning (ERP), Customer Relationship Management (CRM)) fornecem na maioria das vezes uma combinação entre infraestrutura tecnológica e aplicação lógica de negócio, enquanto outras organizações adotam uma abordagem orientada às aplicações, reconhecendo que determinadas aplicações chave formam a base principal dos processos de negócio, tornando a implementação e integração das mesmas como o foco principal da arquitetura, uma vez que as questões de integração podem tornar-se em problemas sérios [TOGAF 2011, p. 94]. A Tabela 13 explicita os objetivos, passos e resultados da fase C.
Tabela 10: Princípios para a Conceção da Arquitetura Empresarial - Fase C Adaptado TOGAF [2011] Princípios para a Conceção - Fase C Descrição Objetivos [TOGAF 2011, p. 94]
Desenvolvimento da meta da ASI (informação e aplicações), descrevendo assim como a ASI da organização irá permitir que a AN e a Visão da Arquitetura atendam ao pedido de trabalho da arquitetura, às preocupações dos stakeholders
Elaboração de uma guia, tendo por base a ASI (Dados e aplicações) Passos
[TOGAF 2011, p. 96]
Os passos para a implementação da Fase C estão descritos separadamente para o domínio de cada arquitetura (Arquitetura de Informação e Arquitetura Aplicacional) Resultados
[TOGAF 2011, p. 96]
Versão aperfeiçoada e atualizada dos resultados da fase A, incluindo a declaração atualizada da arquitetura
Documento relativo ao projeto da definição da arquitetura, a base, o alvo da AD e AA, assim como as visualizações relativas às preocupações dos stakeholders em relação à AD
Princípios para a Conceção - Fase C
Descrição
Especificação dos requisitos da arquitetura, incluindo os requisitos da ASI, como a análise de resultados das lacunas, requisitos técnicos relevantes que possam ser aplicados durante o ciclo de desenvolvimento da arquitetura, as restrições da AT e os requisitos de negócio atualizados assim como os componentes do SI
Conclui-se através da Tabela 10, quais os resultados da fase Arquitetura de Sistemas de Informação a ter em conta na elaboração das questões presentes modelo de avaliação dos princípios para a conceção da AE. As fazes descritas em seguida são referentes à fase da AD e fase da AA.
Fase C – Arquitetura de Informação de Sistemas – Arquitetura de Dados
Quando se fala em AD é necessário ter em ponderação algumas considerações-chave, sendo estas divididas em três tópicos: Gestão de Dados, Migração de Dados e Governação de Dados [TOGAF 2011, p. 97].
No que diz respeito à Gestão de Dados, deve ter-se em consideração que quando uma organização decide proceder a uma mudança arquitetónica em grande escala, deve-se conhecer, compreender e enumerar os problemas de gestão de dados. Uma abordagem estruturada e abrangente da gestão de dados permite o uso eficaz dos mesmos, aumentando dessa forma as suas vantagens competitivas.
Assim, torna-se fundamental uma definição clara de que os componentes aplicacionais servirão como um sistema de registo ou de referência para o responsável pelos dados da organização; se deverá existir um padrão para a organização que todos os componentes de aplicação deverão seguir, incluindo pacotes de software e se deve ser ou não flexível; entender como as entidades de dados são utilizadas pelas funções responsáveis pelos negócios, processos e serviços; apreender claramente como e onde as entidades responsáveis pelos dados da organização são criadas, armazenadas, transportadas e descritas; perceber qual o nível de complexidade das transformações de dados necessárias para suportar as trocas de informação entre as aplicações
e, por último perceber, qual a necessidade de software de apoio à integração de dados com os clientes e fornecedores da organização [TOGAF 2011, p. 98].
No que à Migração de Dados diz respeito, é importante salientar que quando ocorre a substituição de uma aplicação existente, é inevitavelmente necessário migrar os dados (de todos os níveis organizacionais) para a nova aplicação. O foco é que a aplicação de destino esteja devidamente preenchida, com dados de qualidade. Assim, a AD deve não só identificar as necessidades de migração de dados, como também gerar indicadores sobre o nível de transformação, trabalho e limpeza a que estarão sujeitos, de forma a mapear todos os requisitos e restrições da aplicação alvo. É importante garantir que seja criada uma definição comum de dados para toda a empresa, de forma a apoiar todo o processo de transformação [TOGAF 2011,