4.2.1 Descrição geral do edifício antes da reabilitação
O edifício está situado no Porto, na freguesia de Foz do Douro e está inserido no bairro de habitação social municipal Rainha D. Leonor que alberga múltiplos edifícios multifamiliares construídos em 1953 e ainda 5 blocos de habitação plurifamiliar construídos em 1955.
Relativamente à volumetria do edifício identifica-se com sendo uma estrutura retangular estando implantado segundo a orientação Norte e Sul.
O edifício, inicialmente, era constituído por duas frações idênticas de tipologia T3, cada uma
com uma área bruta de 55,27m2, que se desenvolviam em dois pisos, rés-do-chão e primeiro
andar. No rés-do-chão existia uma sala onde estava inserida a cozinha e existia ainda um quarto, enquanto no primeiro andar existia dois quartos e uma casa de banho. O acesso às habitações era realizado pela fachada orientada a Sul, através do logradouro comum existente. Anexo ao edifício existe um outro com características idênticas. De seguida apresentam-se plantas, alçados e um corte que ilustram estes dados.
Figura 35 - Planta do rés-do-chão e do primeiro andar das frações do edifício em estudo
Figura 36 - Alçados e corte do Edifício.
As paredes exteriores diferem para cada piso sendo que no rés-do-chão são constituídas por pano simples, em tijolo furado de 20cm rebocadas em ambas as faces e pintadas, enquanto no primeiro andar são constituídas por tijolo furado de 15cm.
A cobertura é inclinada, composta por uma água, sendo constituída por placas de fibrocimento sobre 6cm de isolamento XPS apoiados numa estrutura de travejamento para suporte em madeira, conforme se pode observar na Figura 37. A existência de isolamento na cobertura deve-se a uma intervenção de melhoramento que foi levada a cabo há cerca de 6 anos, na qual foram revistos os telhados das habitações de forma a eliminar infiltrações de água e a introduzir isolamento.
Figura 37 - Cobertura do edifício e parede exterior do rés-do-chão
O pavimento em contato com o solo trata-se de uma envolvente sem requisitos e era composto por revestimento cerâmico (exceto nas casas de banho que é mosaico) e uma camada de regularização. A parede divisória das frações é igualmente tratada como envolvente sem requisitos e era formada por um pano de tijolo furado de 11cm rebocada em ambas as faces. Relativamente aos elementos de compartimentação, as paredes interiores eram constituídas por um pano de tijolo furado de 11cm rebocadas em ambas as faces e o pavimento intermédio era composto por laje aligeirada com blocos cerâmicos com 15cm de espessura e revestimento aplicado diretamente sobre a betonilha.
As paredes em contacto com o edifício adjacente eram constituídas por um pano de alvenaria em tijolo furado de 20cm e foi tratada como envolvente interior com requisitos de interior sendo atribuído ao edifício anexo um tau igual a 0,6.
Os vãos envidraçados tinham por base caixilhos em madeira com vidros simples, munidos de persianas pelo exterior como dispositivo de oclusão noturna. As caixas de estore eram em plástico e não possuíam isolamento.
4.2.2 Zonamento climático
O RCCTE divide o país em três zonas climáticas distintas para a estação de Inverno (I1, I2 e I3) e para a estação de Verão (V1,V2 e V3). O edifício em estudo está localizado na zona climática I2-V1, apresentando um número de graus-dia (GD) de 1610 °C e 6,7 meses relativamente á duração da estação de aquecimento (m). O valor para a energia solar média
incidente numa superfície vertical orientada a sul na estação de aquecimento (Gsul) é de 93
kWh/m2.mês sendo este valor variável, em função da orientação da superfície vertical, na
estação de arrefecimento conforme se observa na Figura 38.
Figura 38 - Intensidade da radiação solar para a estação convencional de arrefecimento
Relativamente ao valor médio da temperatura do ar exterior para a estação de arrefecimento (θatm), este é estabelecido em função da zona climática e da região (Norte ou Sul) adotando- se neste caso o valor de 19 °C. De referir que estes valores foram retirados dos quadros III.1, III.8 e III.9 do RCCTE.
4.2.3 Análise do desempenho energético do edifício
Tratando-se de um edifício multifamiliar, o desempenho energético foi calculado fração a fração. Relativamente à fração 1, esta apresenta necessidades nominais de aquecimento de
203,63 kWh/m2.ano e 3,32 kWh/m2.ano de arrefecimento. Apenas o valor das necessidades
nominais de arrefecimento cumpre o respetivo valor limite (Nv), que assume o valor de 16
necessidades nominais de aquecimento (Ni) é calculado em função do fator de forma (FF) e
dos graus-dia (GD), assumindo neste caso o valor de 103,99 kWh/m2.ano. Os valores das
necessidades de energia útil para aquecimento e arrefecimento da fração 2 são,
respetivamente, 224 e 4,28 kWh/m2.ano. Quanto aos valores limites, para aquecimento é de
110,48 kWh/m2.ano e para arrefecimento de 16 kWh/m2.ano.
A figura seguinte sintetiza os valores das necessidades energéticas onde sobressai as elevadas necessidades de energia útil para aquecimento.
Figura 39 - Necessidades nominais de aquecimento e arrefecimento das duas frações
De seguida são apresentados, na Figura 40, os valores referentes às perdas de energia pela envolvente de cada fração. Através desta, verifica-se que grande parte das perdas na estação de aquecimento ocorrem pela envolvente exterior, sendo a ausência de isolamento nas paredes exteriores um grande contributo para esse facto. Importa, ainda, referir que na fração 1 não existe nenhum tipo de envolvente interior.
Figura 40 - Perdas pela envolvente das duas frações
4.3 Solução de reabilitação de referência